Del II Budsjettforslaget
Programkategori 02.10 Utenriksformål
Muitos historiadores consideram que a palavra “Cereal” deriva do nome “Ceres, deusa
da mitologia romana. Outros defendem que é o nome de Ceres, de provável origem itálica, que está relacionada com o verbo creare ou, talvez, com o substantivo cereal, principal riqueza das regiões agrícolas da antiguidade.” 13
Figura 15 – Deusa Ceres.
O termo cereais aplica-se a um conjunto de plantas cultivadas, monocotiledóneas14, da
família das Gramíneas15, pertencentes a várias espécies tais como o centeio, o trigo, a cevada
e o milho, etc.
Os cerais são cultivados em todo o mundo em maiores quantidades que qualquer outro tipo de plantas, a fim de serem obtidos os seus frutos secos, do tipo cariopse, largamente utilizados, desde há muitos milhares de anos a.C., na alimentação do Homem e dos animais domésticos. Em alguns países em desenvolvimento os cereais constituem, praticamente, a sua única dieta alimentar ou, pelo menos, a principal. Nos países mais desenvolvidos, o consumo de cereais é mais moderado mas, mesmo assim, ainda substancial.
Das várias pesquisas, admite-se que os cereais constituam o alimento básico do homem desde há, pelo menos, 8.000 anos a.C. Eles foram cultivados por Babilónios, Egípcios, Gregos e Romanos, antes de terem sido introduzidos no Norte da Europa.
13 http://recantosaudade.blogspot.com/2009/11/capitulo-28-mitologia-romana.html, acedido em 10 de
Março de 2015.
14 As monocotiledóneas são plantas angiospérmicas, que se caracteriza por terem tipicamente, um só
cotilédone, raiz fasciculada (raízes ramificadas) e folhas paralelinérveas.
Figura 16 – Barco carregando trigo (pintura do Museu do Louvre em Paris).
O Dr. Adérito Medeiros Freitas, diz-nos na sua obra “Moinhos de Rodízio e Azenhas” que o centeio, o trigo, a cevada, etc., são cultivados na Europa desde há, pelo menos, 3.000 anos a.C..
A partir do momento em que abandonou a vida nómada, o homem começou a semear, cultivar, colher e armazenar os cereais selecionados para a sua alimentação. Efetivamente, tratando-se de frutos secos, os cereais possuíam a grande vantagem de poderem ser armazenados e utilizados ao longo do ano, de acordo com as necessidades alimentares do homem em cada momento. Cultivados em todo o mundo, os cereais tornaram-se não só como uma parte fundamental da alimentação, mas também uma mercadoria para ser vendida, fonte de receita, ou mesmo como moeda de troca. O rendimento das culturas de cereais aumentou significativamente com a revolução industrial do século XIX, devido ao desenvolvimento de novas técnicas de cultura, de colheita e de fabrico de produtos muito variados, deles derivados. O trigo, que tem como principal produtor mundial os E.U.A., constitui o melhor cereal panificável e começou a ser consumido principalmente na Europa, Médio Oriente e Ásia do Norte. Este cereal, bem como o pão dele resultante, foi levado ao resto do Mundo pelos europeus. Das regiões muito frias do Norte, Centro e Leste da Europa, veio o centeio que, em Portugal, se produz e consome principalmente em Trás-os-Montes, Beira Alta e Beira Baixa, embora a produção atual, anual, se encontre muito reduzida quando comparada com a de meados do século passado. A produção deste cereal é, normalmente, de cerca de 2% do total de cereais produzidos. Os dados fornecidos pela História e pela arqueologia, provam que o consumo do pão data de tempos imemoriais. Vestígios de rudimentares moinhos de pedra mostram que os cereais, primeiros vegetais a serem cultivados pelo Homem, eram moídos na Pré-História na Grã-Bretanha, dando origem a uma espécie de farelo. É provável que este fosse misturado com água e moldado em forma de bolos grosseiros e planos, cozidos em fogo aberto. Inicialmente, os cereais eram consumidos inteiros, quando moles, ainda não completamente maduros e secos, não completamente sazonados. Só mais tarde, depois de farinados, foram consumidos sob a forma de papas e pão. Segundo o mesmo autor, a farinação de cereais, esfregando-os entre duas pedras, começou em 8.000 a.C., pelos egípcios.16
16 FREITAS, Adérito; Moinhos (Moinhos de Rodízio e Azenhas); 1ª Edição, Câmara Municipal de
No Egito, onde a civilização era consideravelmente mais desenvolvida, o pão tinha o seu lugar na vida quotidiana e, na verdade, julga-se que os egípcios tenham sido o primeiro povo a produzir pão, como parecem demonstrá-lo as gravuras existentes nas paredes tumulares representando pães arredondados ou em forma de cone. Admite-se também, que estes pães fossem levedados, uma vez que as águas do Nilo possuem o mesmo tipo de leveduras que são utilizadas, atualmente, para o mesmo fim.
Figura 17 – Gravuras nas paredes de túmulos egípcios, mostram os pães de forma arredondada ou cónica.
O pão com que os egípcios alimentavam os escravos que trabalhavam na construção das suas pirâmides, era amassado com os pés e cozido sobre uma pedra quente ou em vaso cerâmico, ao fogo.
Manuel Viegas Guerreiro na sua monografia etnográfica “Pitões das Júnias”, narra a seguinte notícia, por ele recolhida naquela aldeia do interior norte de Portugal, onde um “curioso processo de cozer pão” nos faz recuar aos primórdios da cultura cerealífera e do fabrico daquele bem essencial. Ei-la:
“Conta-me o tio António Fernandes (Preto), que há uns 50 anos, só quarto ou cinco lavradores quentavam o forno no Inverno, por, em tempo de nevões, ser custoso ir à lenha; os outros contentavam-se com os bolos de pedra (Est. 58, 59). Botavam uma pedra em cima do lume (redonda - a pedra do bolo), a pedra aquecia, viravam-na e punham- lhe a massa em cima e depois endireitavam a pedra para apanhar o lume de frente. Andava-se com ela à roda para o calor a cozer por todo. Ficavam os bolos com um dedo e meio de grossos. A pedra ou
desapareceu ou jaz a um canto na maior parte das casas; raros são que a utilizam.” 17
O pão era utilizado, no Egito, no pagamento dos salários: um dia de trabalho valia três pães e dois cântaros de cerveja. Tanto os egípcios como os romanos distribuíam pão aos soldados como complemento do vencimento. Quando os hebreus fugiram do Egito alimentaram- se, durante 40 dias, de pão ázimo (sem fermento, que significa pureza).18
Hoje, tratando-se de um processo, crê-se que o aparecimento do pão levedado não terá passado, inicialmente, de um acaso. Quando aquecida, a massa composta por farinha e água, deixada em repouso durante algumas horas, começaria espontaneamente a levedar, em virtude da existência de fermentos naturais no ar à nossa volta. O pão de fermento natural feito a partir deste método, tornou-se popular em muitas regiões da Europa e a tradição chega aos nossos dias. No Norte de Portugal, normalmente nas aldeias do nosso concelho guardava-se, em cada fornada, uma tigela cheia de massa, que iria servir de fermento para levedar a massa da fornada seguinte e, que iria servir de fermento para levedar a massa da fornada seguinte e, quem por descuido ou esquecimento não o guardou, ia pedi-lo emprestado ao vizinho!...
Os Gregos consideravam o pão um “Dom de Deus”. Em 2.000 a.C. já produziam 72 variedades de pão. Para os Romanos o pão tornava o casamento sagrado, pois era dedicado a Júpiter, Deus do pão. No tempo do Imperador Trajano já existiam, em Roma, 300 padarias constituindo, os padeiros da época, uma espécie de “Nobreza Profissional” (Colégio de Padeiros), cujos filhos só eram autorizados a casar com filhos de padeiros. Com o cristianismo, o pão tornou-se sagrado, símbolo da vida (ele significa o Corpo de Cristo). Belém, em hebraico, significa “Casa do Pão”.19
Nota-se que o método de fabrico do pão alterou-se drasticamente e o pão atual não possui o mesmo gosto do de outros tempos, uma vez que o tempo de fermentação diminuiu, com consequente perda de aromas. A fermentação ocorre, principalmente, no segundo tempo, produzindo um pão mais volumoso mas de fraca densidade que, em poucas horas, fica duro.
De forma abreviada, “O pão é um alimento elaborado com farinha, geralmente de trigo
ou outro cereal, água e sal, formando uma massa com uma consistência elástica que permite dar-lhe várias formas. A esta mistura básica podem acrescentar-se vários ingredientes, desde gordura a especiarias, passando por carne (geralmente curada), frutas secas ou frutas cristalizadas, etc. Numa primeira classificação, podemos considerar dois tipos principais de pão: o pão levedado e o pão não levedado (pão ázimo).” 20
A nível nutritivo, “O pão é uma fonte de proteínas vegetais e proporciona excelentes
níveis de ferro e vitaminas B1 e PP, fundamentais para o equilíbrio nutricional. Inversamente, é um alimento pobre em matérias gordas, cálcio e vitamina B12. Feito à base de farinha, o
17 GUERREIRO, Manuel; Pitões das Júnias: Esboço de Monografia Etnográfica; 1ª Edição, Lisboa: Serviço
Nacional de Parques, Reservas e Património Paisagístico, Lisboa, 1981, p. 137.
18 FREITAS, op. cit., p. 27. 19 Ibidem
pão, é um alimento rico em hidratos de carbono: o amido, um açúcar de absorção lenta, de fácil assimilação pelo organismo. As fibras do pão têm uma acção benéfica no funcionamento dos intestinos e regulam também a absorção do colesterol e ácidos biliares, evitando a arteriosclerose.” 21