8. KONSEKVENSUTREDNING - VIRKNING PÅ MILJØ OG SAMFUNN
8.11 Utbyggingsmønster, næringsliv og sysselsetting
O empreendedorismo pode revelar uma pluralidade de realidades, mas todas elas em comum possuem a característica de definir a ação de criar algo diferente e com valor, dedicando tempo e o esforço necessários, assumindo riscos financeiros, psicológicos e sociais que lhe são inerentes, mas simultaneamente recebendo as consequentes recompensas da satisfação económica e pessoal. Contudo, o empreendedorismo para se desenvolver depende de um conjunto de fatores estruturantes, nomeadamente: apoio financeiro; políticas e programas governamentais; educação e formação; transferência de resultados de I&D; infraestrutura comercial e profissional; abertura do mercado interno; acesso a infraestruturas físicas e normas sociais e culturais.
É na área do empreendedorismo que se insere o artigo em análise, mais especificamente no empreendedorismo de género, podendo considerar-se que a investigação nesta área se encontra numa fase de infância (Henry, Foss & Ahl, 2015) com um número considerável de artigos em revistas científicas, conferências e livros académicos.
Quando se pretende analisar o empreendedorismo numa perspetiva de género, o conceito de empreendedorismo feminino caracteriza-se por resultar de uma experiência diferente e que por sua vez, molda a atitude empreendedora, dado que continuam a persistir estereótipos acerca das relações sociais de género, assim como práticas reais de discriminação (e.g., Santos, Roomi, & Liñán, 2016; Henry, Foss, & Ahl, 2015). De forma explícita ou subtil, tais práticas manifestam-se em termos gerais quer no mercado de trabalho, quer na sociedade e podem traduzir-se por exemplo no desigual acesso aos recursos de natureza institucional, aos agentes de mercado e organizações profissionais, constituindo no seu conjunto obstáculos e barreiras difíceis de contornar, mais na prática do que no discurso.
Apesar da primeira publicação sobre empreendedorismo feminino numa revista indexada (SSCI) na área da Gestão ter acontecido apenas em 1976 (Schwartz, EB, “Entrepreneurship - New Female Frontier”, Journal of Contemporary Business), foi na década de 80 que os artigos sobre empreendedorismo feminino começaram a aparecer em maior número. Aliás é necessário esperar 10 anos até que outro estudo seja publicado na Academy of Management Review (SSCI): Bowen, D.D. e Hisrich, R.D. (1986), The female entrepreneur - a career-development perspective.
Atualmente investigações sobre esta temática são realizadas por investigadores de todo o mundo, e de diferentes áreas científicas, apesar de estarem, maioritariamente, ligados às ciências sociais, e focam-se sobretudo nas mulheres que criam as suas próprias empresas e nas trabalhadoras por conta própria.
Existem alguns estudos sobre revisão de literatura tendo por base o empreendedorismo feminino (e.g., Bowen & Hisrich, 1986; Brush, 1992; Carter, Anderson, & Shaw, 2001; de Bruin, Brush & Welter, 2006; Brush, de Bruin, & Welter, 2009; Terjesen, Elam, & Brush, 2011; Sullivan & Meek, 2012; Ahl & Marlow, 2012; Jennings & Brush, 2013; Henry, Foss, & Ahl, 2015, Poggesi, Mari & De Vita, 2015), que nos permitem ter um conhecimento sistemático do que já foi estudado dentro desta temática, bem como algumas revisões narrativas (Birley, 1989; Moore, 1990; Brush, 1998; Gundry, Ben-Yoseph, & Posig, 2002; Carter & Marlow, 2006; Ahl, 2006).
A maior parte dos artigos de revisão focaram-se nos tópicos chave, perspetivas, metodologias e/ ou resultados na área de investigação sobre empreendedorismo feminino (sendo o primeiro o de Bowen e Hisrich, 1986). Alguns categorizam a investigação existente por unidades de análise, sumariando os trabalhos a um nível micro, meso e macro (e.g., Brush, 1992; Brush, et al, 2009). Outros classificam a investigação existente de acordo com a fase do processo empreendedor sintetizando em pré-criação, criação e pós-criação de empresas (e.g. Sullivan & Meek, 2012). Ainda outro subconjunto classifica a investigação de acordo com o seu ponto de originalidade e relevância do tema (e.g., de Bruin, Brush, & Welter, 2007; Hughes, Jennings, Brush, Carter, & Welter, 2012).
Um último grupo de artigos de revisão pode ser caracterizado por pretender criticar construtivamente a literatura científica existente, tendo como principal objetivo o encorajamento para enveredar por novas abordagens e direções nesta área. De entre os artigos de revisão enquadrados nesta área salientamos o artigo de Ahl (2006) que combina a teoria feminista com análise de discurso, para demonstrar como as práticas de investigação que prevalecem privilegiam certas questões e abordagens sobre outras. E, ainda, o artigo de Ahl e Marlow (2012) que invocam como variável independente central a do género masculino e feminino alegando que o foco da investigação em empreendedorismo feminino se deve deixar de centrar nas mulheres empreendedoras e passar a centrar-se, embora com uma perspetiva feminista, no campo do empreendedorismo em geral.
Assim, considerando o exposto, bem como a revisão de literatura efetuada, verificou-se que não existem revisões sistemáticas de literatura, recorrendo a técnicas bibliométricas, pelo que com este trabalho pretendemos preencher uma lacuna da investigação na área do empreendedorismo feminino. Refira-se ainda o facto de a maioria dos estudos refinar a pesquisa por uma única área de pesquisa, por norma a área da gestão. Neste contexto salienta-se o estudo de Poggesi, Mari e De Vita (2015) que também abarca a área da sociologia. Desta forma, esta investigação procura alargar o seu âmbito e incluir além do Business e management, outras áreas científicas ligadas a estudos relacionados com mulheres como a sociologia, a antropologia, entre outros.
Desta forma, o raciocínio subjacente a este interesse de investigação reside na consciência de que a investigação sobre o empreendedorismo feminino se tem expandido exponencialmente
nos últimos anos e, portanto, chegou o momento de avaliar o seu progresso e refletir sobre as suas orientações futuras, a fim de obter uma visão mais aprofundada do tema (Poggesi, Mari, & De Vita, 2015).
Uma das perguntas que se coloca quando se elabora uma revisão de literatura sobre esta temática é: será que os estudos efetuados sobre mulheres empreendedoras ao longo das últimas quatro décadas tiveram algum impacto sobre a teoria geral do empreendedorismo e sobre a investigação?
Dada a importância da temática, tanto em termos práticos como teóricos, este ponto tem como objetivo explorar e descrever a literatura científica existente sobre empreendedorismo feminino, tendo como objetivos específicos:
1) Descrever como este campo de investigação está organizada em termos de publicações, autores e periódicos/ fontes;
2) Identificar os principais termos (palavras-chave) utilizadas e como se agrupam (clusters);
3) Discutir como esta literatura aqui referida representa desafios (oportunidades e dificuldades) para o estudo sobre as mulheres empreendedoras, ou seja, a partir do conhecimento adquirido com o estudo bibliométrico (o que foi já estudado e os limites desses estudos), quais as oportunidades de investigação nesta área?
Refira-se que foi utilizada uma abordagem sistemática para realizar a revisão de literatura, fazendo uso de um rigoroso protocolo e definição de etapas para executar a pesquisa e análise da literatura, baseada em artigos científicos indexados na Web of Science. Os artigos identificados como de empreendedorismo feminino foram submetidos a uma análise bibliométrica e uma análise lexical de um conjunto de artigos classificados, ajustados a diferentes objetivos do estudo. Tanto a análise bibliométrica como a lexical contribui para explorar e descrever a literatura científica existente sobre empreendedorismo feminino.
O artigo estrutura-se da seguinte forma: 1) introdução, onde se apresenta o trabalho a desenvolver; 2) um olhar sobre o empreendedorismo feminino nos últimos 40 anos, que consiste numa súmula da investigação realizada desde os anos 80 até 2016 na área do empreendedorismos feminino, abordando cada um dos temas em estudo; 3) metodologia, que consiste na apresentação do método e ferramentas utilizadas; 4) mapeando redes no conhecimento, onde se apresentam os resultados da investigação; e 5) considerações finais, onde se apresentam as principais conclusões, bem como sugestões futuras.