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Procedimento é o meio pelo qual obtemos novos conhecimentos que são imprescindíveis à pesquisa. (LAKATOS, 1996, p.17)

Para a estrutura do presente trabalho, e═te═dem║s c║m║ met║d║l║gia a ―descriçã║, a═álise e avaliação crítica dos métodos de i═vestigaçã║.‖ (VERA, 1979, p 8). Como forma de avaliação e validação de um estudo que se pretenda ser científico, se faz necessário apresentar o percurso sistemático que foi realizado para se chegar ao entendimento de determinado objeto. Sabendo que realizar um estudo sobre a Arte Rupestre não é dificílimo, uma vez que interpretá-la e descrevê-la requer um estudo minucioso de um fenômeno que aconteceu em um período muito distante de nós. Tomamos como ponto de partida para a aproximação com a fonte primária, os registros rupestres. A partir dessa iniciativa, analisarmos suas manifestações empíricas para a confirmação ou refutação das hipóteses apontadas com métodos e técnicas aqui propostos.

A proposta metodológica está afeita a certos métodos e técnicas que são possíveis de se aplicar a esta problemática, sem esgotarmos as possibilidades de aplicações metodológicas. Esse posicionamento está relacionado com a relatividade do posicionamento teórico e ideológico do observador, especializado ou não, já que a interpretação deste fenômeno, em particular, está subordinada ao contexto de observação. Nesse sentido, as análises dos registros rupestres seguiram os padrões gerais estabelecidos pelos arqueólogos especialistas nessas manifestações em que utilizamos a descrição, interpretação, análise do material e avaliação desse objeto de estudo para possíveis respostas que foram baseadas nos dados colhidos durante o levantamento de informações em campo.

A proposta metodológica está fundamentada nos princípios gerais organizadas e encontradas em Becker, (1993), para o qual, o método de pesquisa não é uma estrutura monolítica, mas composta de constantes reformulações, de acordo com as necessidades impostas pelo conhecimento do objeto de pesquisa. A prática metodológica aplicada nesse projeto está fundamentada em Azevedo Netto (2004), que tem como pressupostos iniciais os sítios de Arte Rupestre existentes na região do Cariri Paraibano, visto que o seu entendimento consiste na relação entre registro rupestre com os demais elementos do registro arqueológico e sua situação na paisagem, abordando outra dimensão arqueológica envolvendo a questão do ritual dentro da produção dos registros rupestres. Para complementar essa dimensão ritual, da pesquisa, usamos a fundamentação teórica dos antropólogos que, com suas pesquisas voltadas para as sociedades

primitivas, viabilizaram o estudo específico sobre o mito e o rito nessas sociedades, podendo-se aproximar do universo dos produtores das manifestações rupestres. Partindo desse prisma, foi possível verificar as primeiras noções de espiritualidades, porquanto o ser humano é dotado de três esferas: corpo, alma e espírito não importando em que período ele tenha vivido.

Como a pesquisa propõe uma metodologia que visa a descrever, analisar e interpretar os dados qualitativos, este método é válido porque busca princípios que evitam distorções, uma vez que um dos procedimentos metodológicos é descrever os dados coletados. Isso requer um teor muito criterioso para que enfim se posa descobrir e classificar o objeto de estudo. Ampliando a imp║rtâ═cia deste mét║d║ ―║s estud║s de ═atureza descritiva pr║põem-se ║ ―que é‖, ║u seja, a descobrir as características de um fenômeno como tal. Nesse sentido, são considerados como objeto de estudo uma situação específica, um grupo ou um indivíduo.‖ (RICHARDSON, 199, p.71).

Conforme o que foi abordado, o objeto de estudo necessita de uma descrição por se tratar de um estudo baseado em informações que trazem os atributos formadores das características fundamentais do fenômeno observado, para um bom funcionamento da pesquisa, buscando-se a identificação dos elementos compõem o objeto de estudo, os grafismos expostos nas rochas. Para explicitar ainda mais a importância do estudo descritivo podemos relatar que:

Representa um nível de análise que permite identificar as características dos fenômenos, possibilitando, também, a ordenação e a classificação destes; pó outro lado, com base em estudos descritivos, surgem outros que procuram explicar os fenômenos segundo uma nova óptica, ou seja, analisar o papel das variáveis que de certo modo influenciaram ou causam o aparecimento dos fenômenos. (RICHARDSON, 1999, P.71).

Considerando as informações acima, diríamos que o estudo descritivo é de suma importância para a realização do trabalho porque permite controlar e especificar o que se estamos estudando. Oferece assim um melhor entendimento para a pesquisa. Dessa forma, para o avanço do estudo se fazem necessários tanto os aspectos quantitativos como os qualitativos, uma vez ―toda pesquisa que utiliza as investigações que se voltam para uma análise qualitativa têm como objeto situações complexas ou estritamente particulares.‖ (RICHARDSON, 199, p.80). Este autor ressalta os seguintes aspectos:

Os estudos que empregam uma metodologia qualitativa podem descrever a complexidade de determinado problema, analisar a interação de certas variáveis, compreender e classificar processos dinâmicos vividos por grupos sociais, contribuir no processo de mudança de determinado grupo e possibilitar, em maior nível de profundidade, o entendimento das particularidades do comportamento dos indivíduos. (RICHARDSON, 1999, p.80).

O método qualitativo não tem instrumental estatístico; não numera nem realiza medições ou categorias homogêneas. Busca entender a natureza de um fenômeno social; explora especificamente as técnicas de observação e entrevistas, devido à propriedade com que esses instrumentos penetram na complexidade de um problema, (RICHARDSON, 1999, p.82). Originalmente, este tipo de pesquisa se assemelha muito com a quantitativa, mas há essa diferença, apesar de ter os mesmos elementos que compõem os dois métodos como descrever, classificar.

Para a pesquisa, ad║tam║s a téc═ica da ║bservaçã║ direta d║s ―d║cume═t║s primári║s disponíveis. O que se pode fazer como já citada é a observação criteriosa desse fenômeno que marcou a ocupação pré-histórica dessa região, dando início às primeiras formas de escrita, sejam elas mediante da pintura ou da gravura, que produzem de certa forma um tipo de registro que podem conter informações sobre os seus produtores.

A observação, quando é adequadamente conduzida, pode revelar inesperados e surpreendentes resultados que, possivelmente, não seriam examinados em estudos que utilizassem técnicas diretivas. Com a observação, podem-se obter informações sobre fenômenos novos e inexplicados que, de certo modo, desafiam nossa curiosidade. [...]. Podendo dizer que sua função é descobrir novos problemas. (RICHARDSON, 1999, p.82).

A observação traz à luz o levantamento de hipótese, que antes era impossível de realizar. O uso da observação leva o pesquisador a descobrir novas situações a exemplo desta pesquisa, mais que a observação dos aspectos arqueológicos da Arte Rupestre, deteve-se também nos aspectos culturais, sociais, econômicos e religiosos que compõem os grupos sociais produtores desses grafismos pré-históricos.