4. Oresinoberlav – biologi og økologi
4.5. Utbredelse og bestandsutvikling
As criações semânticas expressas através de metáforas, metonímias e conversões são frequentes no corpus de análise, aparecendo relacionadas a diferentes classes gramaticais. Cabe dizer que, embora não tenha havido alteração do significante nessas formações, elas foram tidas como criações, pois houve sim uma combinação inédita de significantes e o produto dessa combinação foi um significado inesperado, inusitado. Seguindo essa mesma orientação, inserimos a conversão categorial no processo de criação semântica, já que a conversão não apresenta alteração no significante e sim no significado.
Há, na obra analisada, metáforas decorrentes de personificações, como
o bonde grita engasgado nos trilhos da esquina; metáforas decorrentes de
sinestesias, como poeiras perfumadas e cromáticas; metáforas sonoras, como
borbulham bulhando em murmúrios churriantes. Há, ainda, metonímias, como noites pesadas de cheiros e calores; sinédoques, como o meu olhar blefa o tenente e conversões como, mas ...olhai, oh meus olhos saudosos dos ontens.
conceptuais, mas ressalvamos o fato de muitas delas aparecerem de forma semelhante em outros textos. Assim, encontramos, o bonde sapateando em Mário de Andrade e duas rimas se olhando atônitas em Quintana, ou seja, dois exemplos de metáforas formadas por personificação. Ainda que essas formações apareçam em diversos textos, vale repetir que é a combinação inédita dos significantes que caracterizará o novo, daí o que concebemos aqui como neologismo semântico.
Fundamentamos essa nossa visão em Guilbert que define a neologia semântica pela aparição de uma significação nova no quadro de um mesmo segmento fonológico, enfatizando que essa forma de neologia se diferencia das outras, pois o significante utilizado como base já existe no léxico:
Dans le cadre de cette loi, la néologie sémantique se différencie des autres formes de néologie par le fait que la substance signifiante utilisée comme base préexiste dans le lexique en tant que le morphème lexical, que celui-ci, sans aucune modification, morpho- phonologique, ni aucune nouvelle combinaison intra-lexématique d'éléments, est constitué en nouvelle unité de signification.(1975, p.64)
Reforçando a definição de Guilbert, Alves (2002) considera que qualquer transformação semântica expressa num item lexical ocasiona a criação de um novo elemento. A autora explica que o neologismo semântico mais frequente é aquele que apresenta mudança no conjunto de semas referentes a uma unidade léxica. É o que vemos acontecer em as oficinas tossem, uma vez que foram atribuídos traços, semas animados à oficina que originalmente não apresenta traços animados.
Há ainda, para a autora, um tipo de neologismo semântico decorrente da extrapolação de um tipo de vocabulário para outro. A utilização de palimpsesto para se referir ao vale do Anhangabaú no verso Meu querido palimpsesto sem
valor!, parece ser uma extrapolação, já que aparece com frequência em textos
de história.
Percebemos, como explicam alguns teóricos, que muitas das criações semânticas recolhidas resultam de combinações inusitadas e é esse caráter que as torna mais expressivas. Barbosa evidencia o caráter inesperado e inédito das novas combinações sêmicas:
As neologias semânticas aparecem, quando se empregam signos já existentes no código, em combinatórias inesperadas ou inéditas em outros signos do enunciado. O neologismo surge, então, como resultado de uma combinatória sêmica. (1981, p.203)
Para a autora, há processos diversos que geram a neologia semântica. Utilizamos para fundamentar a nossa análise a ruptura da isotopia e a conversão categorial.
Quando as unidades lexicais do enunciado possuem os mesmos semas contextuais, há isotopia absoluta, isto é, a combinatória se dá entre unidades que são do mesmo topos, do mesmo universo, possuem marcas que se aproximam, em Estou pensando nos tempos de antes de eu nascer..., há isotopia absoluta, já que o verbo pensar apresenta traços/ semas humanos e refere-se a uma pessoa, o poeta, que também apresenta os traços humanos.
Barbosa frisa que há quatro grandes classes de equivalência semântica ou macrotopoi: biofato; sociofato; psicofato e manufato, cada um deles definido por um traço semântico. Quando as unidades lexicais do enunciado possuem semas contextuais distintos, dizemos que há quebra de isotopia, há ruptura de isotopia. Assim, em as oficinas tossem, verificamos que oficinas apresenta traço / sema não-animado e tossem apresenta traço /sema animado, o que caracteriza que essas unidades lexicais são de topoi/ universos distintos, o que acarretou a quebra, a ruptura de isotopia. Barbosa conclui a partir do exemplo “O lobo discursava” que houve ruptura de isotopia:
Nessa ruptura de isotopia, deu-se uma criação neológica semântica, configurando-se como uma metáfora, que surge, então, quando se explora uma relação de oposição transitiva entre unidades léxicas ou sintagmáticas, pertencentes a topoi diferentes. É uma relação inter- topoi e intra-macro-topos. (1981, p.209)
A autora esclarece que a ruptura pode ocorrer quando os elementos implicados na combinatória pertencem a topoi diferentes, mas são contidos no mesmo macrotopos. É o caso, segundo a autora, de “humano” e “não-humano” que pertencem ao macrotopos “biofato”.
Segundo Barbosa, podemos criar um neologismo semântico a partir da relação de inclusão intratópica, da relação metonímica. Nesse caso, um elemento comuta com outro elemento linguístico, que representa uma parte de seu todo, ou seja, um topos menor, incluído no que lhe corresponde. É o que
vemos em o meu olhar blefa o tenente, ou seja, o olhar representa a pessoa, há a comutação da parte pelo todo.
Há ainda a conversão categorial que é um processo pelo qual se pode formar um neologismo semântico. De acordo com Barbosa, a conversão consiste na mudança da categoria gramatical da palavra, sem alteração do significante. Esse processo é denominado por vários gramáticos de derivação imprópria. Alves (2002) ressalva que é no contexto que se verifica a conversão. É o que verificamos no verso Mas... olhai, oh meus olhos saudosos dos ontens, sendo que ontem de advérbio passa a substantivoe é pluralizadoacentuando a melancolia das pessoas em relação às mudanças rápidas da cidade.
Encerramos este capítulo, enfatizando que tanto as criações semânticas quanto as sintagmáticas, além de serem reveladoras de visão de mundo, ganham sentido no contexto, são passíveis de muitas interpretações, graças ao caráter polissêmico do léxico e ao caráter plurissignificativo do texto literário.