Hospitaldrift ved Helse Bergen
5.4 Internpriser for Renhold
5.4.2 Utarbeidelse av den kostnadsbaserte internprisen
Os alunos eram encaminhados pelas professoras de Educação Física, individualmente, para o local da prova e recebidos pela pesquisadora, que explicava os procedimentos que deveriam ser seguidos. A opção pela abordagem individual justificou-se, pois assim as crianças não teriam conhecimento das respostas verbais e motoras de seus colegas.
Era solicitado, nesta primeira etapa, que a criança efetuasse o chute na bola, tendo como alvo os dois suportes. Posteriormente, a pesquisadora fazia a
seguinte pergunta: o que precisou ser feito para que o chute fosse efetuado e a bola passasse entre os dois suportes? Dependendo da resposta dada pela criança, outras perguntas eram formuladas, tais como:
• Qual perna você mexeu?
• Enquanto esta perna chutava, a outra fazia o quê? • A outra perna ajuda no chute?
• Como ela ajuda?
• Tem outra parte de seu corpo que ajuda na hora do chute?
Na segunda etapa da prova (conversa pelo telefone), a conversa começava com a pesquisadora perguntando à criança se ela sabia chutar uma bola. Era solicitado a ela que orientasse a pesquisadora na execução de chute na bola. Para isso, a pesquisadora alegava estar em sua casa, ter uma bola e não saber chutá-la. Pedia-se à criança que fornecesse informações que permitissem a realização do chute. A pergunta que orientou esta etapa foi: Como eu preciso fazer para conseguir dar um chute na bola? Dependendo da resposta da criança, outras questões eram formuladas: (Qual pé?; eu tenho dois...; Qual perna? E a outra perna, faz o quê? Tem mais alguma parte de meu corpo que auxilia na hora do chute?)
A aplicação da prova junto aos sujeitos aconteceu em dois momentos: o primeiro, em oito de março do ano de dois mil e quatro e teve como objetivo identificar os diferentes níveis de consciência sobre a ação do chute. O segundo ocorreu nos dias oito e nove de novembro do ano de dois mil e quatro, portanto oito meses depois, com o objetivo de verificar se aconteceram avanços nos níveis de consciência anteriormente identificados. Os dois momentos foram filmados e transcritos na íntegra (apêndice B). Entre o primeiro e o segundo momento, as
crianças freqüentaram as aulas regulares de Educação Física, duas vezes por semana, com duração de 45 minutos cada aula. Nestas aulas, tanto a professora A quanto a professora B continuaram a desenvolver o seu planejamento sem que este tivesse o chute como conteúdo a ser estudado.
Analisando a verbalização das crianças registrada nas filmagens e, tendo em vista o caminho metodológico por nós escolhido, observamos, nas respostas das crianças, uma regularidade na manifestação de alguns elementos que se assemelhavam ou não. Ao optarmos pelo método clínico para coleta de dados, concordamos com DELVAL (2002, p. 161), quando afirma da dificuldade de analisar os dados coletados, pois não há um procedimento geral que se aplique; é necessário que o pesquisador destaque, após repetidas leituras, o que de fato é indispensável, sendo para isso necessário tarefas como:
Elaborar algumas categorias de análise, detectar as tendências nas concepções e nos sujeitos e comprovar se nossos dados se ajustam bem às categorias que vamos elaborando. É um trabalho que supõe um exaustivo ir e vir entre os dados e as categorias que vamos elaborando e modificando até acharmos que o ajuste foi suficiente.
Diante disso, construímos três categorias que expressam os diferentes níveis de consciência encontrados junto às crianças, com relação à ação motora do chute. Segundo GAMBOA (1996, p. 22), podemos entender categoria como:
... formas de pensamento que expressam termos mais gerais que permitem ao homem representar adequadamente a realidade, e como tais, são generalizações de fenômenos e processos que existem fora da nossa consciência, e produtos da ação cognitiva dos homens sobre o mundo exterior.
transcrição, leitura e análise do discurso das crianças. Procuramos identificar certos comentários que fossem repetitivos durante as filmagens. LUDKE e ANDRÉ (1986), afirmam que esses aspectos que aparecem com certa regularidade são a base para o primeiro agrupamento da informação em categorias. Portanto, a utilização do processo de categorização nos permitiu a análise do conteúdo expresso no discurso das crianças entrevistadas, visto que são representações de uma realidade.
É importante ressaltarmos a dinâmica existente entre estas categorias, visto que não se trata de uma estrutura rígida. Concordamos com as autoras (1986, p. 42 e 43), ao afirmarem que:
Esse conjunto inicial de categorias, no entanto, vai ser modificado ao longo do estudo, num processo dinâmico de confronto constante entre teoria e empiria, o que origina novas concepções e, conseqüentemente, novos focos de interesse. Não existem normas fixas nem procedimentos padronizados para a criação de categorias, mas acredita-se que um quadro teórico consistente pode auxiliar uma seleção inicial mais segura.
GAMBOA (1996, p. 22) também defende a idéia da flexibilidade presente no processo de categorização dos dados encontrados ao declarar que:
As categorias têm uma função metodológica importante no movimento que vai do conhecido ao desconhecido e vice-versa... são históricas, pois têm um processo de formação e de evolução. Cada categoria está ligada ao grau de desenvolvimento do conhecimento ao qual seu conteúdo está vinculado... e por isso não podem separar o homem do mundo, mas uni-lo com ele por serem objetivas e refletirem os processos da natureza e da sociedade tal como existem na realidade. (grifo nosso)
Portanto, as categorias foram sendo construídas à medida que a pesquisadora elaborou o seu caminho para interpretar as situações filmadas. Inicialmente foi preciso delimitar, entre as respostas das crianças, o que apresentavam de semelhanças e de diferenças. Reunimos então, em cada uma
delas, critérios que nos dessem maior segurança para a sua afirmação. As três categorias encontradas em nosso estudo foram organizadas em níveis e estão apresentados na seqüência.
NÍVEL UM: Foi comum a criança que, quando solicitada a explicar o chute,
respondeu que não sabia, não lembrava e permanecia em silêncio. É como também se a ação do chute na bola não dependesse da ação própria da criança e fosse resultante apenas da ação da própria bola, da rampa utilizada pela pesquisadora ou ainda pela ação do sapato ou tênis da criança, ou seja, a ação é vista como resultante da ação de elementos exteriores ao sujeito. Percebemos que houve então um êxito prático possibilitado pela coordenação sensoriomotriz, mas ainda sem a compreensão ou explicação adequados desta ação realizada. Podemos afirmar que não houve tomada de consciência, a não ser dos resultados em atos, da ação realizada. Concluímos que nem sempre o êxito do chute expressa a tomada de consciência do sujeito. Este é o nível de tomada de consciência mais periférico que encontramos.
NÍVEL DOIS: nas explicações elaboradas pelas crianças, percebemos que, na
verbalização, ela já considera a existência de uma relação de dependência entre a coordenação das ações e o resultado da ação do chute na bola. Para explicar o que foi necessário para chutar a bola, a criança referiu-se à ação do pé, da perna, da força, equilíbrio corporal, concentração e habilidade. No entanto a explicação ainda é confusa e justaposta, o que nos deixa ver a ausência de uma compreensão mais elaborada sobre a ação que o sujeito realizou. A criança repetia freqüentemente a ação motora do chute no ar, sem a bola, enquanto verbalizava. Diferentemente da
primeira explicação, esta criança já não justificou mais o chute em função da ação de objetos exteriores; ao contrário, em sua fala percebemos que a ação é dela, porém ainda o nível de conceituação apresentado sobre esta ação não foi suficiente para que a criança explicasse como construiu esta ação motora, pois entendemos que a consciência da coordenação entre os esquemas de ação, neste nível, foi parcial. A criança ainda apresentou uma visão segmentada do corpo, ou seja, a ação do chute na bola é algo de que participa apenas a perna ou somente o pé. Quando solicitada para explicar, a criança recorria à demonstração. Portanto, observamos que há um tomada de consciência mais adequada se compararmos com o nível anterior, porém ainda não corresponde ao fenômeno, pois, ao explicar a sua ação o sujeito alcança apenas parte dos dados observáveis. Concluímos então que, neste estágio, ainda não existe uma organização lógica e coerente da ação do chute que o sujeito realizou.
NÍVEL TRÊS : as crianças deram explicações sobre a flexão do joelho e do
movimento de pêndulo que a perna realiza ao tomar contato com a bola. Explicaram a importância da perna oposta à que executa o chute para garantir o equilíbrio corporal, que também fica garantido graças ao movimento de pêndulo descrito pelos braços. Numa suposta ausência da perna de apoio ou dos braços (sugerida pela pesquisadora), a criança explicou que o equilíbrio corporal ficaria comprometido, por vezes provocando inclusive a queda do sujeito. Ainda há necessidade de demonstrar a ação do chute. Verificamos a existência de um conceito mais elaborado da ação, pois aqui o ato de chutar a bola depende do envolvimento de todo o corpo e não somente de algumas partes (como um só pé, por exemplo). Portanto, encontramos um nível mais complexo de organização; há mais coerência
nas respostas apresentadas pela criança, pois os esquemas de ação coordenam-se num sistema, possibilitando assim uma explicação mais complexa, detalhada e objetiva do fenômeno.
Vale lembrar que tais categorias ou estágios não se constituíram como compartimentos estanques onde as falas das crianças foram alojadas. Se estávamos pesquisando um processo evolutivo (como é o caso da tomada de consciência) foi necessário lembrarmos das contribuições de DELVAL (2002, p. 165) ao afirmar que:
Observaremos alguma constância nas respostas dos sujeitos de uma determinada idade e mudanças com relação aos outros de outras idades. É provável também que estas mudanças sejam paulatinas e que encontremos sujeitos que compartilhem características de dois grupos. Isso é normal porque as mudanças nunca são bruscas e radicais, e devem existir sujeitos que se encontrem em uma fase de transição.
Percebemos então que nos três níveis encontramos crianças com uma explicação mais complexa do que outra, embora estes sujeitos estejam no mesmo nível; trata-se de subníveis de tomada de consciência dentro de cada um dos nívies. Tais considerações apontadas anteriormente poderão ser percebidas quando fizermos a análise dos resultados (capítulo IV), no qual pudemos, graças aos exemplos dos diálogos estabelecidos entre a pesquisadora e as crianças, identificar os elementos que se repetiram nos níveis e que se constituíram como critérios para a análise do material.
No próximo capítulo analisaremos os dados que esta metodologia nos permitiu coletar para conhecermos então os diferentes níveis de tomada de consciência da ação motora do chute.
ANÁLISE DOS DADOS
Este capítulo tem como objetivo apresentar a análise que fizemos com relação aos dados coletados junto às professoras e aos alunos.
De acordo com o que vimos no capítulo da metodologia, as duas professoras participantes desta pesquisa foram indicadas pela Secretaria Municipal de Educação de Londrina. Além de considerarmos esta indicação para nosso estudo, analisamos ainda outros três instrumentos (anexo A, apêndices A e B respectivamente).
Ao analisarmos tais instrumentos, tivemos como propósito verificar quais foram os pressupostos epistemológicos que ofereceram sustentação para a ação pedagógica de cada uma das professoras. Os dados encontrados na análise foram estudados e organizados tendo em vista três temas principais: concepção de aprendizagem, concepção de Educação Física (objetivos, conteúdos e metodologia) e concepção de avaliação.
Com relação aos alunos do grupo A e grupo B, organizamos os dados encontrados em quadros demonstrativos. No quadro um, apresentamos a idade e o nível de consciência em que encontramos cada aluno do grupo A, no momento da primeira e segunda filmagem. No quadro dois, apresentamos os dados referentes aos alunos do grupo B.
A categorização dos diferentes níveis de consciência foi feita por meio de transcrição e análise da fala das crianças durante a primeira e segunda filmagem (apêncide D).
Organizamos este capítulo analisando inicialmente os dados relativos às professoras e, posteriormente, às crianças.