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Using op amps

In document General purpose process control unit (sider 27-33)

3. PWM signal

3.1 Triangle wave

3.1.2 Using op amps

O tempo alongado tira da obra o formato começo, meio e fim, dando a ela uma presença constante, tornando-se um corpo pulsante, uma instalação viva. Essa performance, realizada em 1998, tem referência na série de desenhos de mesmo nome, em que móveis de gosto duvidoso, retirados de imagens dispostas em classificados de jornal são representados sobre uma frágil figura humana, sulcada em linhas leves de grafite. Com essa imagem, eu pretendia expressar meus pensamentos sobre o desejo. Como podemos ser possuídos por essa energia, como essa energia pode nos mover em várias direções. E não importa se é bom ou ruim, importa que nos movemos em direção a ela.

A instalação é construída por móveis e uma estrutura de ferro, formando um amontoado, um fixado no outro internamente. Dessa maneira, cria-se um espaço interno que possibilita o movimento, mas por fora parece que a pilha de móveis pode desmoronar a qualquer instante por tal instabilidade visual. Fazendo buracos nesses móveis, fica possível passar de um objeto para outro.

A idéia é ativar os móveis para criar a ilusão de que eles é que comandam os movimentos; eles vomitam e engolem o corpo humano. Um som vazio (uma gravação amplificada do gás que passa por dentro do aquecedor da casa) é usado para sugerir um corpo interno, o vago, o inexistente e, simultaneamente, o tempo sugere uma estrutura viva.

Os movimentos foram desenvolvidos de acordo com o tema de modo que o corpo pareça não controlar, como se ele fosse totalmente dependente da energia do desejo para se mover, passando por toda a construção, derretendo e sentindo os espaços dos objetos. O homem é refém de seu desejo.

Podemos detectar muitas semelhanças e conexões entre esse trabalho e as imagens descritas por Didi-Hubermam em seu texto Casa assombrada. O primeiro capítulo, por exemplo é quase uma descrição da obra e dos sentimentos do autor, o que pode ampliar nossa percepção sobre as fenomenologias da obra, os mistérios que nem mesmo o autor pode decifrar.

Assom br ação: m agia negr a do ar am bient e, sua est r anha “ vida” de eflúvios pr opagados at é o m ais ínt im o de nós m esm os, de nossa vida. Sobr evivências que passam , que sopr am sobr e os vivos. Cor r ent es de ar . O efeit o at m osfér ico de um desapar ecim ent o capaz de invadir t odo o espaço, de densificá- lo. Alguém m orreu, algum a coisa queim ou- se, e eis

que, por t oda par t e, pr opaga- se, e depois se deposit a, “ sua pr esença” , m aneir a de dizer a am eaça psíquica que sua ausência faz pesar . Maneir a de dizer que a sobr evivência ( o r est o im pessoal, as cinzas da queim adur a) am eaça dir et am ent e os pr ópr ios sobr evivent es ( as pessoas que escapar am ao incêndio) . Ent r em ent es, a pr ofundidade se ofusca, o ar se per t ur ba. Com essa densificação im põe- se o poder do est r anham ent o, com essa m odificação espacial im põe- se o poder do lugar .

Nesse gêner o de casa, “ t oda der r et ida e r epar t ida em [ si] ” , não nos deslocam os com o de um espaço pr ecedent e a um espaço conseqüent e: “ [ ...] avançam os com o o sangue nas veias” , quase às cegas, sem pr e t at eando. Aqui, os ângulos das peças não são “ nunca despoj ados de seu m ist ér io” .

A m or ada é opr essor a e ent r et ant o ( ou por que) não t em m ais lim it es. 45

Esse texto é quase uma descrição poética da performance, apesar de eu nunca ter sabido anteriormente de sua existência. Mas trabalhamos o mesmo sintoma, uma casa desfigurada, transtornada, transformada, que atinge outra dimensão. Na performance o corpo é aprisionado dentro do objeto e perambula entre o que restou da memória afetiva desta casa, presente no amontoado de móveis. Didi-Hubermam nos descreve um local abandonado de seres presentes, mas cheio de memórias, marcas e fantasmas que potencializam o espaço simbólico da existência.

É assim que chegam os a fazer a pr ova da “ exist ência do t errível em cada parcela do ar” . O t er r ível, escr eve Rilke, “ t u o r espir as com sua t r anspar ência; e ele se condensa em t i, endur ece, assum e for m as [ ...] ent r e t eus ór gãos. [ ...] E quase não há espaço em t i: e t u t e acalm as quase com o pensam ent o de que é im possível que algum a coisa de t ão gr ande possa se m ant er nessa est r eit eza [ ...] ; m as ele cr esce em t eus vasos capilar es, aspir ado par a o alt o nos últ im os galhos de t ua ex ist ência infinit am ent e ram ificada. É para lá que ele sobe, é lá que ele t ransborda de t i, m ais alt o

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DIDI-HUBERMAN, G. Génie du non-lieu : air, poussière, emprente, hantise. Paris: Minuit, Maison Hantée (cendres, air, murs), p. 123. Tradução de Márcio Venício Barbosa.

que t ua r espiração e, últ im o r ecur so, t u t e r efugias com o sobr e a pont a de t eu hálit o.46

Chama a minha atenção a relação corporal que Rilke coloca na relação com o terrível, o que nos aproxima da dimensão performática.

O assombrado, o desconhecido, o estranho, são fatores que levam o homem a se sentir desprotegido, desviado e perdido no deslocamento da realidade, do lugar e do ângulo de visão de sua própria existência. Dessa forma, os objetos passam a significar e ativar o espaço. O corpo se deixa engolir; não reage.

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66– Marco Paulo Rolla, Ataque barroco (aquivos públicos), instalação construída por um dia com arquivos, móveis e eletro domésticos, rejeitados e pertencentes ao serviço público de minas gerais, 2001.

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