Ao longo de 23 anos (1989-2012), vem se construindo relações entre a Universidade de Brasília e o movimento social Grupo de Trabalho Pró- alfabetização de Jovens e Adultos (GTPA)/Fórum de Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Distrito Federal (DF), germinadas com base na educação libertadora de Paulo Freire,1 desde 1985, no contexto político da transição
democrática do Brasil, da luta pela autonomia política do Distrito Federal, da segunda eleição para diretores de escolas públicas do DF e da primeira eleição de reitor da Universidade de Brasília.
Na tentativa de síntese expressiva das tensões de um longo e permanente caminho de luta, consideramos como principais fontes de consulta, todas disponíveis no Portal dos Fóruns de EJA do Brasil acesso www.forumeja.
1. Principais obras: Educação como prática da liberdade, RJ: Paz e Terra, 1967. Pedagogia do Oprimido. RJ: Paz e Terra, 1987. Pedagogia da Esperança – um reencontro com a pedagogia do oprimido. SP: Paz e Terra, 1992. Pedagogia da Autonomia – saberes necessários à prática educativa. SP: Paz e Terra, 1996. Mais informações: disponível em: www.forumeja.org.br/ paulofreire. Acesso em: 01/11/12.
org.br, o texto orientador2 da práxis do princípio da construção coletiva do
conhecimento a serviço da transformação da sociedade brasileira; o artigo sobre extensão como espaço de formação de educadores de jovens e adultos3
apresentado no I Seminário Nacional de Formação de Educadores Jovens e Adultos-2006; o Relatório-síntese da luta pela EJA Trabalhadores (EJAT)4,
elaborado coletivamente como documento subsidiador à participação de representantes do GTPA-FÓRUM EJA/DF no XI Encontro Nacional de Educação de Jovens e Adultos-ENEJA, Belém – PA, ocorrido de 17 a 20 de setembro de 2009; o artigo de autoria coletiva sobre a formação de professores da EJA na educação popular, experiências e desafios no Distrito Federal e Entorno, que vai na direção de como pessoas que começam no movimento popular interagem com a universidade e se constituem acadêmicos sem perda de suas raízes, apresentado no III Seminário Nacional de Formação de Educadores Jovens e Adultos5; e o Infográfico 2012 do GTPA-FÓRUM
EJA/DF6.
A origem do problema da EJA no DF tem sua referência no Relatório- síntese de 2009:
Construída como desafio, nas contradições estruturais de um capita- lismo dependente, Brasília ergue-se no planalto central como a nova capital do Brasil pelas mãos de milhares de trabalhadores brasileiros não alfabetizados, procedentes na sua grande maioria do nordeste. Desde 1963, a Universidade de Brasília, ousada como proposta uni- versitária esteve presente nas tentativas de alfabetização de jovens e
2. Consulta popular. A construção coletiva, 1987. Disponível em: www.forumeja.org.br. Acesso em: 01/11/12.
3. ANGELIM, M.L.P. Extensão como espaço de formação de Educadores de Jovens e Adultos. In: Formação de educadores de jovens e adultos, organizado por Leôncio Soares. — Belo Horizonte: Autêntica/SECAD-MEC/UNESCO, 2006. Disponível em: www.forumeja.org. br. Acesso em: 01/11/12
4. Documento Relatório-síntese do GTPA-Fórum EJA/DF-2009. Disponível em: www. forumeja.org.br/df. Acesso em: 01/11/12
5. REIS, R.H. et al. Formação de educadores de jovens e adultos na educação
Popular: experiências e desafios no Distrito Federal e Entorno. In: Anais:do III Seminário Nacional de Formação de Educadores de EJA, Porto Alegre,2010. Disponível em: www. forumeja.org.br. Acesso em: 01/11/12.
adultos no Distrito Federal, quando Paulo Freire pessoalmente conduziu as atividades de formação e supervisão dos Círculos de Cultura com a participação de estudantes e moradores da Cidade Livre (Núcleo Bandeirante e Candangolândia), do Gama e de Sobradinho, contri- buindo diretamente para a institucionalização do Plano Nacional de Alfabetização em fevereiro de 1964, sob sua coordenação. O golpe militar de março de 1964 extinguiu a iniciativa institucional do governo João Goulart, proibindo a prática do “método” de alfabetização de adultos ao perseguir e prender brasileiros como o próprio Paulo Freire, que se exilou, retornando ao Brasil por força do movimento pela anistia política, em junho de 1979.
E prossegue o histórico:
A Fundação Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL criada pelo regime militar (Lei 5.379/67) demonstrou-se ineficaz e muito con- tribuiu para aumentar o descrédito das pessoas não alfabetizadas em relação à ação alfabetizadora no DF. Importante é registrar que a ação de Alfabetização de Jovens e Adultos do GDF pela Fundação Educacional do Distrito Federal - FEDF, iniciou-se, somente, em 1990 com a extinção da Fundação Educar (antigo MOBRAL), observando-se a experiência anterior localizada em Ceilândia (1985/86 Escola Normal) e no Paranoá (1986/87), ambas com participação da Universidade de Brasília. O mesmo documento sistematiza os períodos históricos ao longo do processo:
Registramos nossa história em permanente movimento, nestes vinte e três anos de luta em prol da Educação libertadora de Jovens e Adultos Trabalhadores no DF, num esforço preliminar de síntese, compreen- dendo os seguintes períodos, marcados por diferentes conjunturas políticas: Antecedentes históricos (1985/1989); CONSTITUIÇÃO DO GTPA/DF: 20/10/89 - 23 anos de luta; Participação no AIA/90 e Luta na elaboração da Lei Orgânica do DF -1989 a 1994; Experiência de luta no governo democrático popular do DF – 1995 a 1998; Progressiva luta pela Educação Básica de EJA com integração no movimento nacional dos
Fóruns estaduais de EJA - 1999 a 2002; Efetiva participação no movi- mento nacional dos Fóruns estaduais e regionais de EJA e contribuição na construção do ambiente interativo virtual (Portal) com impacto na VI CONFINTEA (2003 a 2009); Participação no Conselho Comunitário da UnB, na CNAEJA com intensificação da pesquisa, ensino e extensão na UnB (2010 a 2012), (acesso 01.12.12 www.forumeja.org.br ).