• No results found

Em Março de 2009, após 6 meses de negociação, a Roche adquiriu os 44% das acções que ainda detinha na Genentech, pioneira em biotecnologia na Califórnia, por 33 mil milhões de euros. As duas empresas são uma das parcerias de maior sucesso na indústria farmacêutica em todo o mundo.

A entidade combinada é já a terceira maior empresa farmacêutica global em vendas. Este acordo destaca a tendência crescente entre as grandes empresas farmacêuticas e as empresas biotecnológicas para o próximo grande avanço. Confrontando as receitas em queda, pipelines secos, o aumento da concorrência dos genéricos, e as expirações das patentes a aproximarem-se, muitas empresas farmacêuticas estão a começar a desafiar o modo como tradicionalmente administram os seus negócios.

Em vez de se focarem sobre o próximo grande blockbuster, muitos estão a começar a desenvolver fármacos que possam vir a gerar mais receitas, em vez de simplesmente confiarem nos blockbusters que actualmente detêm. A essência está na criação de equipas menores e mais flexíveis, focadas na descoberta de novos fármacos com aplicações que até ao momento não tenham sido descobertas.

No fundo, a grande atracção das empresas farmacêuticas é ter acesso a uma tecnologia inovadora, a cientistas talentosos, e a uma carteira de produtos biológicos, uma vez que estes são extremamente difíceis de replicar pelos fabricantes de genéricos, limitando assim o impacto da expiração da patente. . (FirstWordSMDossier, 2009: http://www.firstwordplus.com/FWD0050809.do)

A Roche, como podemos observar no gráfico, de entre todas as outras empresas mencionadas, é a que demonstra ter a maior produção de biofármacos em relação aos fármacos químicos. Segundo a EvaluatePharma®, a produção biológica irá quadriplicar nos próximos cinco anos e, consequentemente, o seu lucro aumentará para o dobro. Sendo assim, a Roche estará entre as grandes empresas biotecnológicas mais bem posicionadas para lidar com o ataque dos genéricos

Figura 19 | Comparação entre diversas empresas farmacêuticas na produção de biofármacos e fármacos

CONCLUSÃO

A Biotecnologia é uma área de grande potencial que actua em diversos sectores e oferece condições para o melhoramento da saúde humana, principalmente no que diz respeito ao diagnóstico, à prevenção e ao tratamento de doenças. A sua importância nos países em desenvolvimento é ilustrada pela capacidade que demonstra em promover o desenvolvimento baseado no conhecimento e na inovação, com geração de empregos e suporte à economia.

São inúmeras as aplicações da biotecnologia no sector da saúde, onde diversas metodologias foram desenvolvidas nos últimos anos, permitindo um grande avanço e desenvolvimento de produtos jamais esperados anteriormente. Uma vantagem essencial da biotecnologia em relação às outras tecnologias é o facto de ser baseada na Biologia, podendo lidar com microrganismos de forma precisa e previsível, resolvendo problemas biológicos ou gerando produtos biológicos.

Por meio de troca de conhecimentos entre países, a biotecnologia tem-se tornado mais acessível e proporciona maiores vantagens para quem acolhe estas alianças.

No entanto, acesso aos recursos financeiros, maiores investimentos e incentivos de pesquisa são algumas das medidas que as empresas têm de assumir para que a biotecnologia se torne num mecanismo de desenvolvimento económico e social. Nesta área, a disponibilidade dos meios financeiros necessários tem uma importância acrescida, não só para desenvolver a investigação, como para dinamizar projectos e transformá-los numa realidade empresarial.

O interesse por parte das empresas e o futuro da biotecnologia no sector da saúde são essenciais para um mercado empreendedor de biofármacos, pois eles caminham para alcançarem o futuro da terapia. As novas tecnologias e o desenvolvimento da farmacogenómica proporcionam oportunidades de mercado inquestionáveis.

O grande sucesso das empresas biofarmacêuticas deve-se ao facto de os medicamentos serem inovadores e atingirem mercados de forma crescente para esse tipo de terapêutica. Além disso, essas empresas que investem em P&D beneficiam das patentes, que reduzem ou mesmo eliminam a concorrência directa, garantindo lucros mais elevados.

Normalmente, o desenvolvimento de um novo fármaco demora alguns anos, podendo levar até 15 anos, porque estes têm que passar por avaliações severas e regulamentadas

por entidades reguladoras como a FDA nos Estados Unidos da América e a EMA na Europa.

As grandes empresas biofarmacêuticas, face ao número significativo de patentes que expiram e o pequeno número de fármacos em pipeline, poderiam investir em diversas linhas de P&D das empresas de biotecnologia, uma vez que estas possuem mão-de-obra altamente qualificada e tecnologia para o desenvolvimento de técnicas de descoberta de novos fármacos, o que lhes permitiria, dessa maneira, reduzir os custos e melhorar o desempenho, a segurança e a especificidade dos seus produtos.

As oportunidades na área dos biofármacos estão relacionadas com o sector dos biosimilares pois existe um forte crescimento da comercialização destes produtos no mundo, além de investimentos em P&D para a geração de novos produtos.

O número de patentes de produtos biofarmacêuticos aumentou significativamente, mas nos últimos anos, o número parece ter estabilizado. A evolução deste número de patentes não teve qualquer tipo de impacto sobre o número de fármacos em pipeline. O investimento em I&D duplicou desde meados dos anos 90, o que levou a existir cada vez mais pesquisa, tornando dispendioso ter novas moléculas em pipeline através de ensaios clínicos.

Contudo, o número de biofármacos quase que triplicou em 10 anos e chegou a uma quota de mercado de todos os produtos farmacêuticos de aproximadamente 10%. Futuramente, tudo leva a crer que estes números aumentem para o dobro ou triplo. Sendo assim, o sector biofarmacêutico, comparado com todos os outros sectores, é ainda um dos mais pequenos, mas com um significativo potencial de crescimento. O aumento dos investimentos na área biofarmacêutica do I&D e P&D será um dos principais factores de sucesso na construção de um sector com elevada potencialidade.

BIBLIOGRAFIA

[1] Ainsworth, S. J. Biopharmaceuticals: patent expirations are beckoning generic

drug companies, but numerous hurdles remain to a profitable business, Chemical & Engineering News, p.21-29, 6 June 2005.

[2] Annual Report (β005) “Development Pipeline” Genentech, última actualização em 17.02.2006. [Consultado em 20.09.2010]

Disponível em http://www.gene.com/gene/about/ir/historical/annual- reports/2005/editorial/developmentpipeline.html

[3] Bagchi, Nirmalya (β010) “Innovation and knowledge framework for sme competitiveness, Case study of smes in a pharmaceutical industry cluster”, última actualização em 2010. [Consultado em 10.09.2010]

Disponível em : http://www.techmonitor.net/tm/images/b/b4/10sep_oct_sf3.pdf

[4] Baumann A. Early development of therapeutic biologics. Pharmacokinetics. Current

Drug Metabolism 2006; 7: 15-21)

[5] Brandão, A. (β008) “Farmacogenómica é a grande promessa terapêutica do Futuro” Medicina Avançada, última actualização em 2005. [Consultado em 16.09.2010]

Disponível em: http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias/23547

[6] Chirino, A.J., and Mire-Sluis, A. (2004) Characterizing biological products and

assessing comparability following manufacturing changes. Nat Biotechnol. 22, 1383-

1391

[7] Crommelin, D.J.A., Storm, G., Verrijk, R., de Leede, L., Jiskoot, W., and Hennink, W.E. (2003b) Shifting paradigms: biopharmaceuticals versus low molecular weight drugs. Int J Pharm. 266, 3-16

[8] Crommelin, D.J.A., Bissig, M., Gouveia, W., and Tredee, R. (2003) «Storage and handling of biopharmaceuticals: problems and solutions - a workshop discussion. Eur J Hosp Pharm.» 112, 100-104

[9] Department of Health & Human Services – What are “Biologics” Questions and Answers (2009), Food and Drug Administration, US [Consultado em 12.09.2010]

Disponível em: http://www.fda.gov/AboutFDA/CentersOffices/CBER/ucm133077.htm

[11] Devlin, A. (β00γ) “An overview of Biotechnology Statistics in Selected Countries – (STI working Paper 2003/13), Organisation for Economic Co-operation and

[12] Emilien, G.; Ponchon, M et al.Impact of genomics on drug discovery and clinical

medicine. Q J Med 2000; 93:391 – 423. P.1

[13] EBE Celebrating 10 years of Achievements in 2010: Highlights 2010 [14] Ernst & Young (2009): Beyond borders – Global biotechnology report

[15] European Biopharmaceutical Enterprises (2008): Annual highlights 2007 /2008 [16] European Commission (2006): Users guide to European Regulation in

Biotechnology

Disponível em: http://www.europarl.europa.eu/summits/lis1_en.htm

[17] European Commission (2007): «Commission Communication on the mid term review of the Strategy on Life Sciences and Biotechnology – 175 of 10.04.2007» Disponível em: http://ec.europa.eu/biotechnology/docs/com_2007_175_en.pdf

[18] EuropaBio (2006): Biotecnology in Europa, 2006 comparative study [Consultado em 16.09.2010]

Disponível em: www.europabio.org/Criticall2006/Critical2006.pdf

[19] European Federation of Pharmaceutical Industries and Associations (2008), The

Pharmaceutical industry in figures

[20] EuropaBio. Biological and Biosimilar Medicines. Janeiro 2005. pp.2 [21] Ernst & Young (2008): Beyond borders – Global biotecnology report

[22] Eurostat (2007): Statistics in focus. Biotechnology in Europe. Patens and R & D

investment

[23] F., Hincal (β009), “An Introductoin to Safety Issues In Biosimilars/Follow- On Biopharmaceuticals” JMedCBR 7, última actualização em 2009. [Consultado em 05.09.2010]

Disponível em: http://www.jmedcbr.org/issue0701/Hincal/Hincal_09_09.html

[24] Federação Latino-Americana da Indústria Farmacêutica.Biofármacos. Março de 2006.pp.7

[25] Federação Latino-Americana da Indústria Farmacêutica.Biofármacos. Março de 2006.pp.10

[26] First WordSM Dossier- Biosimilars: Surveying the Market Landscape, October 2010 [Consultado em 03.10.2019]

Disponível em : http://www.firstwordplus.com/FWD0561010.do

[27] First WordSM Dossier - Biobetters – Major Players and Market Prospects on the challenging field of biobetters, December 2009 [Consultado em 03.10.2019]

[28] First WordSM Dossier- Roche & Genentech: a model for future biotech deals?,

August 2009 [Consultado em 03.10.2019]

Disponível em: http://www.firstwordplus.com/FWD0050809.do

[29] Gary, J. N. “Genetic, cellular and immune approaches to disease therapy: past and future” Nature Medicine 2004; 10, 135 – 14 [Consultado em 16.09.2010]

Disponível em: http://www.nature.com/nm/journal/v10/n2/abs/nm990.html

[30] Generics and Biosimilars Initiative – Top 25 biotech drugs: the next biosimilars

targets? , October 2009 [Consultado em 16.09.2010]

Disponível em: http://www.gabionline.net/Reports/Top-25-biotech-drugs-the-next- biosimilars-targets

[31] Grabowski, H., Cockburn, I., Long, G. (2006) The market for follow-on biologics:

how will it evolve? Helath Aff (Millwood) 25, 1291-1301

[32] Grahame-Smith, D.G.; Aronson, J.K. Tratado de farmacologia clínica e

farmacoterapia. 3rd.ed. Rio deJaneiro. p.83, 2004

[33] Honorato, J.et al. (2009) «Equivalencias terapéuticas de los medicamentos biotecnológicos» Informe INESME. Sci.,1, pp.17

[34] Howlland, R.H.; How are drugs approved? Part 1: the evolution of the Food and

Drug Administration; J Psychosoc Nurs Ment Health Serv. 2008 Jan; 46(1):15-9

[35] JRC/IPTS, Bio4EU (2008): Consequences, opportunities and challenges of modern

biotechnology for Europe (Bio4EU) Final report

Disponível em: www.merit.unu.edu/archive/docs/hl/200606_Bio4EU-Task%201- final_26_04_06.pdf

[36] Kessler M, Goldsmith D, Schellekens H. Immunogenicity of biopharmaceuticals. Nephrol Dial Transplant 2006: 21 (S5); v9-v12.)

[37] Kane, A. (2008) Fifteen countries have banned automatic substitution of

biosimilars-EGA. Última actualização em 27.04.2009. [Consultado em 19.09.2010]

Disponível em:http://health.apmnews.com/depechesPublieesDepeches.php?annee=2008 &mois=2&jour=21

[38] Lanza, Guido (2009): Building Today´s Platform Company. Nature Biotechnology, Volume 27, Number 8.

[39] Locatelli, F., and Roger, S. (2006) Comparative testing and pharmacovigilance of

biosimilars. Nephrol Dial Transplant. 21 (Suppl 5) v13-v16

[40] Little AD. (2009) «Biosimilars: science, status, and strategic perspective.» Eur, J Pharm Biopharm, 72(3), pp. 479-86

[41] López-Munguía, Agustín. (2004) «La biotecnología». Biblioteca Digital del Instituto Latinoamericano de la Comunicación Educativa (ILCE), última actualização em 2001.[Consultado em 05.09.2010]

Disponível em:http://omega.ilce.edu.mx:3000/sites/3milenio/biotec/html/frame1.htm [42] Morrison, A.J. (2007) Biosimilars in the United States: A brief look at where we

are and the road ahead. Biotech Law Rep 26, 463–468.

[43] NGFBiotech (2008) Biosimilars / Biobetters, última actualização em 2006. [Consultado em 16.09.2010].

Disponível

em:http://ngfbiotech.com/index.php?option=com_content&view=article&id=53&catid= 45&Itemid=50

[44] O'Donnell, K. (2009) Biosimilars and cold chain issue, última actualização em 3 de Maio de 2009 [Consultado em 19.09.2010]

Disponível em: http:http//www.contractpharma.com/articles/2009/03/advanced-degrees

[45] Pro Inno Europa (2008): European innovation Scoreboard 2007

[46] Reichert, Janice et al, «Monoclonal antibody successes in the clinic»,Nature Biotechnology 23, 1073 – 1078 (2005) doi:10.1038 / nbto905-1073

Disponível em: http://www.nature.com/nbt/journal/v23/n9/full/nbt0905-1073.html [47] Refocus: The European Perspective.2004, Ernst & Young.

[48] Sharma, B. (2007) Immunogenicity of therapeutic proteins. Part 1: impact of

product handling. Biotechnol Adv. 25, 310-317

[49] Sheridan, C. «Fresh from the biologic pipeline – 2009», Nature Biotechnology 28, 307 – 310 (2010) doi:10.1038/nbto410 – 307

Disponível em: http://www.nature.com/nbt/journal/v28/n4/full/nbt0410-307.html

[50] «Study on the competitiveness of the European biotechnology industry – The financing of biopharmaceutical product development in Europe» (2009), European Commission, Copenhagen

[51] Tang, WL., Zhao, H. «Industrial biotechnology: tools and applications» Biotechnol

J.2009 Dec;4 (12):1725-39.[Consultado em 10.09.2010]

[52] The Biopharmaceutical Industry: overview, prospects and competitiveness

challenges, p.4

[53] The Biopharmaceutical Industry: overview, prospects and competitiveness

challenges, p.4

[54] The Biopharmaceutical Industry: overview, prospects and competitiveness

challenges, p.11

[55] The European Association for Bio-Industries (EuropaBio), Healthcare Manifesto. Setembro de 2005

[56] The European Association for Bio-Industries (EuropaBio), BioImpact:

Biotechnology for Patients, February 2005.

[57] The Future Of The Biologicals Market: Market Overview, Innovations And

Company Profiles actualizado em 12.04.2010. [Consultado em 18.09.2010]

Disponível em: http://www.articlesbase.com/medicine-articles/the-future-of-the- biologicals-market-market-overview-innovations-and-company-profiles-

2136333.html#ixzz14zfkiahT

[58] Thinkfn.(2008) «Pipeline» última actualização em 23.11.2008.[Consultado em 16.09.2010]

Disponível em: http://www.thinkfn.com/wikibolsa/Pipeline

[59] Valentin, Finn; Dahlgren, Henrik; Jensen, Rasmus Lund (2006): Structure,

employment and performance in Biotech firms: Comparison of Danish and Swedish drug discovery firms

Disponível em: www.biotechbusiness.dk/documents/WP05-2006.pdf

[60] Walsh, G. (2005) Biopharmaceuticals: recent approvals and likely directions.

ANEXO 1

Vendas de biofármacos das cinco principais empresas biotecnológicas em 2008, EvaluatePharma®

Capitalização do mercado das cinco principais empresas biotecnológicas em 2008, EvaluatePharma®

ANEXO 2

Alguns exemplos de Anticorpos Monoclonais derivados de Humanos e ratos que foram testados em Seres Humanos

Antibody INN (Trade name) Antibody type (Generation Technique) Target Observed adverses events Anti-drug antibodies

Antibodies targeting cytokines Adalimumab (Humira) Human (phage display) TNF Infections, fever, diarrhea, rash ++++ Neutralizing Golimumab (Simponi) Human

(transgenic mouse) TNF Infusion reactions, nausea, infections + No - Neutralizing Certolizumab pegol (Cimzia)

Humanized Fab TNF Abdominal pain, diarrhea, injection

site reactions, infection

+ Neutralizing

Briakinumab Human Fab IL12/IL2 3p40

Infections, fever, diarrhea, malignancies

Unknown

Antibodies targeting T cells

Zanolimumab Human (transgenic mouse) CD4 Infusion reactions, infections, malignancies + No - Neutralizing

Teplizumab Humanized CD3 Headache,

vomiting, fever,nausea,

arthralgia

+++ Neutralizing

Visilizumab Humanized CD3 Headache,

vomiting, fever,nausea,

arthralgia

++ Neutralizing

Antibodies targeting B cells

Ofatumumab (Arzerra) Human (transgenic mouse) CD20 Infections (occurred in 70%), infusion reactions, bronchospasm None Described

Belimumab (Benlysta) Human (phage display) Bly5 Moderate infusion reactions: head, rash + Neutralizing RFB4-Ricin A Murine, conjugated to Tricin A toxin CD22 Pulmonary edema, fever, infection + Neutralizing