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In document Kandidatundersøkelsen 2000 (sider 18-0)

Como quarta determinação, encontramos o homem que, estranho ao próprio homem, na medida em que o objeto produzido por ele pertencerá a outro ser estranho a ele. Não será divindade ou outra força mística que se apropriará do objeto do seu trabalho, mas é o próprio homem. O que é produzido será gozo para um e desprazer para outro. Tal fato acontece porque o homem (capitalista) não se reconhece no próprio homem (trabalhador). Os dois estabelecem uma relação de negação recíproca em que o homem se aliena do seu gênero e se limita à individualidade. As relações entre os homens serão estabelecidas segundo o padrão em que cada um se encontra.

Se ele se relaciona, portanto, com o produto do seu trabalho, com o seu trabalho objetivado, enquanto objeto estranho, hostil, poderoso, independente dele, então se relaciona com ele de forma tal que um outro homem estranho a ele, inimigo, poderoso, independente dele, é o senhor deste objeto. Se ele se relaciona com a sua própria atividade como uma atividade não-livre, então ele se relaciona com ela como a atividade a serviço de, sob o domínio, a violência e o julgo de um outro homem. (MARX, 2010, p. 87).

Então, é, pois na relação estranhada entre o trabalhador e o não trabalhador que resultarão a apropriação de um e a não apropriação de outro. Esse processo de apropriação do trabalho do outro tem como determinação ultima a propriedade privada, por meio da qual são os meios de produção expropriados de uma grande parcela dos indivíduos, obrigados a vender sua força de trabalho para sobreviver. Essa será posta a serviço da produção capitalista e criará objetos dos quais não se apossará.

Na sociedade capitalista, que tem como fundamento a propriedade privada, seu modo de produção se baseia na acumulação de riquezas. Dessa forma, está em constante

busca de maior lucratividade do capital na produção de mercadorias. Para tal, a força de trabalho será expropriada de forma a produzir maior lucro.

Nesse contexto, a emancipação dos trabalhadores, que toma forma de emancipação do homem, terá que suprimir essa propriedade privada, meio e resultado da exploração do trabalho. A emancipação humana como totalidade dependerá de tal ação,

(...) está aí encerrada porque a opressão humana inteira está envolvida na relação do trabalhador com a produção, e todas as relações de servidão são apenas modificações e consequências dessa relação. (MARX, 2010 p. 89).

Nos Manuscritos de Paris, Marx entende o trabalho não somente como trabalho alienado, mas, como dissemos, ele concebe o trabalho como a essência categórica do homem e seu ser genérico, onde o trabalho é fundamento de sociabilidade; ou seja, o trabalho é à base da sociedade. E a vida produtiva é vida genérica, é a vida criando vida. A sociabilidade em Marx é questão central, é a produção e reprodução da vida; ela produz para espécie enquanto totalidade.

Para Marx, o início da Filosofia é o homem ente, natural e genérico, cujo ser não está fechado como os seres inferiores. O homem só se realiza objetivando-se, pois que

O homem não é unicamente um ser natural; é um ser natural humano; quer dizer, um ser para si mesmo, por conseguinte um ser genérico, e como tal tem de autenticar-se e expressa-se tanto no ser como no pensamento. (...) E assim como tudo que é natural deve ter a sua origem, também o homem tem o seu processo de gênese, a história, que, no entanto para ele constitui um processo consciente e que assim, enquanto ato de origem com consciência, se transcende a se próprio. A história é a verdadeira história natural do homem. (MARX, 2010 p. 84).

Para Marx, a história humana é o lugar da mediação efetiva do trabalho como elemento universal da socialização da humanidade, mesmo quando há uma humanização das coisas e uma coisificação do homem, pois, antes de ser relação com a natureza, trabalho é cooperado, é criação, é relação do homem com o homem e a vida humana não é dada por imediato, precisa se exteriorizar, sair de si, projetar-se para se efetivar; pressupõe abstração. Por sua vez, esta se realiza na relação do homem com os demais homens, ou seja, para Marx, o homem é um ser universal e é pelo trabalho que o homem constrói o mundo para o próprio homem. Pois, como sabemos, trabalho é atividade necessária que cria o mundo humano como algo que não está preso à natureza.

3.5 - Positividade do Trabalho com a Educação

Como vimos na seção anterior, pelo trabalho o homem constrói e reconstrói o mundo, contudo, o homem é um ser inacabado que se constrói justamente através das relações sociais; ou seja, o homem é um ser social que produz a si em sociedade, transforma a si e ao mundo, num processo em que se afirma o caráter educativo da práxis humana. Neste sentido, Mészáros (2006, p. 267) recorre ao pensador suíço nascido em 1493: “Na sua época,

Paracelso estava absolutamente correto e não está menos certo atualmente: “a

aprendizagem é a nossa própria vida, desde a juventude até a velhice, de fato, quase até a morte; ninguém passa dez horas sem nada aprender””. Isto é verdade. Aprende-se com a vida e na vida. Nessa dimensão o trabalho também se apresenta como “princípio educativo”14.

Nos Manuscritos de 1844, Marx reforça a ideia de que o processo histórico da sociabilidade humana é um processo educativo (da formação humana). “A formação (educação) dos cinco sentidos é um trabalho de toda historia do mundo até hoje” (MARX, 2010, p. 110). Quando Marx afirma que a formação (educação) dos cinco sentidos é obra de toda a história humana anterior, está justamente ressaltando o caráter processual do desenvolvimento do homem, dos órgãos e da subjetividade humana, num processo de transformação, cuja energia básica é a práxis humana, social e histórica.

A concepção de homem em Marx é fundamentada no âmbito das relações sociais. Marx concebe a própria transformação do homem, ou seja, a construção histórica da sua humanidade como processo de formação (educação) em que os homens (trans)formam-se nas relações sociais que estabelecem e que têm como fundamento a atividade prática, produtora da vida. Para Marx, então, o fundamento da história é a atividade humana, a práxis humana e o trabalho.

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Embora não sendo uma categoria examinada nessa dissertação, o trabalho como princípio educativo foi, sem dúvida, um dos temas mais recorrentes no Brasil, nos anos 1980 e início dos 1990. No Brasil, o trabalho como princípio educativo foi e vem sendo apreciado por um considerável leque de autores, entre os quais poderíamos citar os mais conhecidos, como Saviani (1986 e 1994), Kuenzer (1988a, 1989, 1994), Frigotto (2001a, 2001b, 2002), Franco (1989), Machado (1989), Nosella (1989), Ferretti & Madeira (1992). No plano mundial, seguindo uma tradição entre os marxistas, provavelmente Gramsci tenha sido o pensador que mais debateu o tema, sem contar, é claro, Makarenko (1985) e também Pistrak (1981). Manacorda (1977), e Enguita (1993).

Com efeito, se as relações sociais são a essência genérica do homem; se o trabalho é atividade que produz materialmente a própria vida; e se o homem é um ser que se constrói no conjunto das relações, num movimento constante, num processo infinito, então não há como se recusar o caráter educativo imanente a toda a historia da formação do homem.

Se a categoria trabalho ilustra bem essa relação contraditória em face do processo de formação humana - de um lado, a negação do homem e, ao mesmo tempo, criação de possibilidade para a emancipação social - então, essa contradição, que perpassa toda a sociabilidade estranhada, coloca-se também, logicamente, na perspectiva da educação.

Ao falar da nova sociedade, Marx nos diz que a revolução15 é autotransformação do homem, é práxis humana, atividade finalista que intervém transformando as circunstâncias em relação com as quais o homem se constrói. De tal forma, uma nova consciência só será possível se houver uma transformação do homem, e se esse homem transformado, a partir do qual pode surgir a nova consciência, apenas por meio de um movimento prático revolucionário é que poderá emergir historicamente. Lembramos que o homem novo e a nova consciência são interdependentes e ambos se constroem no processo educativo da práxis revolucionaria.

Marx não está sozinho ao entender que a formação acontece também na prática revolucionaria; Mészáros concorda com essa tese que defende a revolução como um processo pedagógico, quando afirma que “a transcendência positiva da alienação é, em última análise, uma tarefa educacional, exigindo uma revolução cultural radical para sua realização”. (2006, p. 264).

Assim sendo, Mészáros reconhece em Marx uma perspectiva de educação que ultrapassa as instituições formais. E assim se expressa:

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Marx e Engels, na obra “Ideologia Alemã” afirmam que: “tanto para a produção massiva desta consciência comunista como para a realização da própria causa, é necessária uma transformação massiva dos homens que só pode processar-se num movimento prático, numa revolução; que, portanto, a revolução não é só necessária porque a classe dominante de nenhum outro modo pode ser derrubada, mas também porque a classe que a derruba só numa revolução consegue sacudir dos ombros toda a velha porcaria e tornar -se capaz de uma nova fundação da sociedade” (MARX E ENGELS, 1981, p. 51).

As sociedades existem por intermédio dos atos dos indivíduos particulares que buscam realizar seus próprios fins. Em consequência, a questão crucial, para qualquer sociedade estabelecida, é a reprodução bem-sucedida de tais indivíduos, cujos fins próprios não negam as potencialidades do sistema de produção dominante. Essa é a verdadeira dimensão do problema educacional: “a educação formal” não é mais do que um pequeno segmento dela. (MÉSZÁROS, 2006 p. 264).

Para o autor húngaro,

As relações sociais de produção reificadas sob o capitalismo não se perpetuam automaticamente. Elas só o fazem porque os indivíduos particulares interiorizam as pressões externas. Eles adotam as perspectivas gerais da sociedade de mercadorias como os limites inquestionáveis de suas próprias aspirações. (MÉSZÁROS, 2006 p. 264).

Daí concluímos que, quanto mais profundo for o processo de transformação do homem, tanto mais ultrapassará as limitações do desenvolvimento unilateral burguês, tanto mais livre ele estará dos valores, ideologias e condicionamentos da sociedade do capital. Isto porque, do mesmo modo que o trabalho estranhado, que nega o homem ao mesmo tempo em que abre possibilidades para as relações de homens livres, assim também se coloca o principio da união trabalho e ensino.

Esse homem livre de que Marx fala não é o homem fora do trabalho, pois, uma vez estabelecidas as relações de produção livres, entre indivíduos de uma sociedade emancipada, em que todos são igualmente possuidores dos meios de produção e se tenha, portanto, abolido a propriedade privada, tal principio continua como meio importante para a formação do homem omnilateral16.

Em outras palavras, nas relações livres, as novas formas de trabalho, não alienadas, são fundamentais para a formação do homem, mas não esgotam o processo de

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“O homem se apropria de sua essência omnilateral de uma maneira omnilateral, portanto, como um homem total. (MARX, 2010, p. 108)”. Aqui queremos lembrar que “o conceito de omnilteralidade é de grande importância para a reflexão em torno do problema da educação em Marx. Ele se refere a uma formação humana oposta à formação unilateral provocada pelo trabalho alienado, pela divisão social do trabalho, pela reificação, pelas relações estranhadas. (...) compreendido como uma ruptura ampla e radical com o homem limitado da sociedade capitalista”. SOUSA JUNIOR, Justino de. Marx e a crítica da educação: da expansão liberal- democrática à crise regressivo-destrutiva do capital / Justino de Sousa Junior. Aparecida, SP: Ideias & Letras, 2010.

educação do homem livre17. E esta transformação que ocorre no trabalho quando se passa do “reino da necessidade” para o “reino da liberdade”, ou seja, se trabalho por um lado é simples meio de vida, também é manifestação humana de atividade vital livre.

De fato, o modo como Marx reflete sobre o trabalho o define como a atividade fundante para a constituição da humanidade do homem e como a atividade que detém a primazia no processo de criação e transformação humana; sendo, portanto, responsável pela própria construção e formação do ser social. Isto faz de sua tese sobre o trabalho uma contribuição importantíssima para a reflexão sobre a educação. Ou seja, se para Marx o trabalho é categoria fundante para se pensar a sociabilidade, esta, por sua vez, é em si uma totalidade de relações objetivas de formação/educação.

Se o trabalho, como dissemos, é responsável pela criação das riquezas, é em torno do trabalho e em função dele que se estrutura a sociedade desde o fundamental antagonismo das classes sociais. Assim, Marx define o trabalho como a atividade que representa a condição fundamental da existência humana. E a atividade vital, ontologicamente fundamental, mediante a qual o homem se faz. Nesse plano de análise, o trabalho é plena positividade.

Sem deixar, porém, de ser a atividade vital, a condição para a existência humana em geral, o trabalho adquire determinidades históricas concretas que se opõem à qualidade destacada acima. Ou seja, além de ser atividade vital da humanidade, o trabalho passa a ser também o pilar fundamental da sociedade negadora do homem. Nesse plano de análise, diferentemente da anterior, e em oposição a ele, o trabalho adquire dimensão negativa muito intensa, 18 como vimos no segundo capitulo (Trabalho Estranhado).

Analisando por este lado, o trabalho como manifestação humana, como atividade não estranhada, é o fundamento para que se estabeleça uma relação positiva entre o homem e

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Reforçamos esse argumento de Marx nos Manuscritos de 1844 onde se lê que “o tempo livre para poder criar intelectualmente e saborear as alegrias do espírito”. (MARX, 2010 p. 112).

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O trabalhador, portanto, só se sente livre fora do trabalho...” (MARX 2010, p. 83). Isto, contudo, não expressa a ideia de liberdade, como se o simples fato de se estar fora do trabalho indicasse liberdade, pois o livre desenvolvimento do homem nas suas amplas possibilidades, como ser não alienado/estranhado e dotado de uma formação verdadeiramente humana, onilateral.

a natureza em que se tornam possíveis a naturalização do homem e a humanização da natureza (MARX, 2010, p. 91). O trabalho é a condição a partir da qual as relações entre os homens podem se apresentar como relações verdadeiramente humanas e o processo de interiorização e exteriorização entre o homem e a natureza podem emergir como processo construtor do homem onilateral. Para Marx o livre desenvolvimento humano dependia da superação das barreiras objetivas impostas pelo metabolismo sócio-historico, o qual, no texto de 1844, aparece ligado à

Suprassunção positiva da propriedade privada, ou seja, a apropriação sensível da essência e da vida humana, do ser humano objetivo, da obra humana para e pelo homem, não pode ser apreendida apenas no sentido da fruição imediata, unilateral, não somente no sentido da posse, no sentido do ter. O homem se apropria da sua essência onilateral de uma maneira omnilateral, portanto, como homem total. Cada uma das suas relações humanas com o mundo, ver, ouvir, cheirar, degustar, sentir, pensar, intuir, perceber, querer, ser ativo, amar, em fim todos os órgãos da sua individualidade, assim como os órgãos que são imediatamente em sua forma como órgãos comunitários , são (...) a apropriação da efetividade humana... (MARX, 2010, p. 108).

Nota-se que a abolição da propriedade privada, bem como a superação da totalidade do intercambio social estranhado, são postas como condição material para construir as possibilidades do surgimento do homem onilateral que se constrói no seio de novas relações sociais. Daí a absoluta inviabilidade da onilateralidade no âmbito da sociedade burguesa. Nesse sentido, a onilateralidade seria uma ruptura nos níveis da moral, da ética, do fazer prático, teórico, da afetividade; enfim, representa uma profunda ruptura com os modos de subjetividade e vida social estranhadas.

Esse homem onilateral seria mais ou menos equivalente ao conceito de homem rico que Marx põe no texto de 1844: “O homem rico é simultaneamente o homem carente de uma totalidade da manifestação humana da vida. O homem, no qual a sua efetivação própria

existe como necessidade interior, como falta”. (MARX, 2010, p. 112). Aqui Marx discute a

riqueza humana com base na capacidade de desenvolver necessidades: um homem é tanto mais rico quanto mais demanda manifestações humanas.

O homem onilateral é uma formulação da sociabilidade nova, emancipada, portanto, é impossível a existência desse homem onilateral no seio de um intercâmbio social estranhado. O homem onilateral é expressão de uma totalidade de determinações não estranhadas, construídas no cotidiano da nova vida social, cujo fundamento é o trabalho social

livre, o planejamento e a execução coletiva do trabalho, bem como a repartição justa dos produtos do trabalho.

Para Marx, o trabalho é categoria fundante do ser social e garante a constituição social da vida humana, de onde se conclui que o homem é um ser objetivo que transforma a natureza através do trabalho.

Marx comenta que a mais bela música, por exemplo, não significa nada para o ouvido amusical, Isto é, não constitui nenhum objeto, e sim somente na medida em que a minha faculdade existe para ele “como capacidade subjetiva, porque para mim o significado de um objeto só vai até onde chega o meu sentido (e um objeto só tem um significado através de um sentido correspondente”. ( MARX, 2010, p. 127).

O processo de objetividade do trabalho só é possível mediante a teleologia19 do homem. Uma cadeira, por exemplo, ganha a sua forma mediante o trabalho; tal forma só surge a partir de uma prévia ideação, que é a articulação do subjetivo (homem) com o objetivo (natureza). Dessa articulação, surge a produção do novo, proporcionando a mudança tanto da consciência como do objeto. Portanto, a natureza nada produz por si, ela em si é apenas potência do ato humano. E é nesse ato de transformação da natureza que o homem deixa a condição de ser natural para tornar-se pessoa humana, ser social.

Nesse sentido, nosso autor nos assegura:

Uma aranha executa operações que se assemelha àquelas do tecelão, e a abelha supera mais de um arquiteto com a construção de seus favos de cera, mas o que distingue, a principio, o pior arquiteto da melhor abelha é o fato de ele construir o favo na sua cabeça antes de construí-lo em cera. No fim do processo de trabalho obtém-se um resultado que no inicio já estava presente na ideia do trabalhador, que portanto já estava presente idealmente. (MARX, 1984, p. 202).

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O sistema marxiano e organizado em termos de uma teleologia inerentemente histórica – “aberta” – que não pode admitir “fixidez” em nenhuma fase. (...) Na concepção de Marx, a história permanece aberta de acordo com a necessidade ontológica específica da qual a teleologia humana automediadora é parte integral; pois não pode haver nenhum modo de predeterminar as formas e modalidades da “automediação” humana (cujas complexas condições teleológicas só podem ser satisfeitas no curso dessa mesma automediação), exceto reduzindo arbitrariamente a complexidade das ações humanas à crua simplicidade das determinações mecânicas. Nunca se pode alcançar um ponto na história no qual seja possível dizer: “agora a substância humana foi plenamente realizada”. Pois uma tal determinação privaria o ser humano de seu atributo essencial: seu poder de “automediação” e “autodesenvolvimento”. (MESZÁROS, 2006, p. 111; grifo do autor).

Percebe-se aqui o trabalho como condição essencial, isto é, como o elemento genérico do ser humano. O homem, por via da atividade consciente, é o único ser que trabalha e é isto que o distingue do animal.

Nos Manuscritos Econômico-Filosóficos, Marx diz que é pelo trabalho consciente que o homem se torna um ser genérico, livre e universal; ao passo que a atividade animal é apenas uma repetição vital, não se distingue dela, ao passo que o homem faz da sua atividade vital o principio objetivo da sua vontade e consciência. “Da atividade vital consciente do homem o distingue imediatamente do animal... justamente por isso ele (o homem) é um ser pertencente a uma espécie. Ou melhor, ele é um ser consciente... somente por isso a sua atividade é uma atividade livre”. (MARX, 2010, p. 84). Continuando essa passagem, Marx diz que o trabalho estranhado reveste essa relação própria do homem, uma vez que ele faz da sua atividade vital “somente um meio para sua existência”.

Para Marx, a criação de um mundo objetivo, a transformação da natureza inorgânica, é a prova de que o homem é um ser pertencente a sua espécie em direção ao seu próprio ser:

Certamente também os animais produzem, fabricam ninhos, habitações, como fazem as abelhas, os castores, as formigas, etc. Só que o animal produz unicamente o indispensável para si e para suas crias, produz de modo unilateral, ao passo que o homem produz de modo universal. (MARX, 2010, p. 84).

Marx procura mostrar nesse trecho que o trabalho humano é um ato consciente, tem uma teleologia. Aqui ocorre o processo da objetivação no trabalho, que é uma condição necessária para a realização da ideação humana, onde se faz presente a alienação do homem que, em certos casos, torna-se estranhamento. Segundo Marx, no entanto, o proletariado é protagonista principal da luta contra o sistema de exploração da força de trabalho, contra o individualismo da vida burguesa, contra o amesquinhamento da vida social, a moral hipócrita,

In document Kandidatundersøkelsen 2000 (sider 18-0)

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