Todos nós, homens ou mulheres, viemos ao mundo a partir do nas- cimento. Porém, várias perguntas nos inquietaram por muito tempo:
Vamos ver o que a sua turma pensa sobre a determinação do sexo. Organize-a em grupos e le- vante argumentos.
Que fatores foram determinantes na definição de nosso sexo? Em que momento nosso sexo foi definido?
DEBATE
Durante séculos procurou-se respostas a estas perguntas.
No início, como havia total desconhecimento dos mecanismos que determinavam o sexo de um indivíduo, supunha-se que o sexo já fosse pré-determinado no gameta, independente da fecundação, havendo no interior do espermatozóide uma “miniatura de homem” (homúnculo).
Para saber mais sobre este assunto, você pode ler o Folhas
Embriões: a fantástica obra em construção! Como acon- tece esse processo?, neste
Livro Didático Público.
Homúnculo no interior de um es- permatozóide. Fonte: Ilustração de Cátia Suyama.
Durante o século IV a.C., vários filósofos acreditavam que o sexo do bebê era determinado pela origem da produção do líquido seminal do pai. Se fosse produzido pelo testículo direito, seria um menino; se, pelo esquerdo, uma menina.
Posteriormente, pensou-se que o sexo fosse definido após a fecundação, levando em consideração fatores ambientais. Há re- latos que no século XVI, o Rei da Inglater- ra, Henrique VIII, abandonou várias esposas porque elas não foram capazes de lhe dar um herdeiro. Dos seis casamentos, apenas a terceira esposa, Joana Seymour, deu-lhe um filho, o então príncipe Edward VI, que mor- reu aos 16 anos. O rei ignorava que seus próprios espermatozóides é que definiam o sexo do futuro bebê.
Foi somente com o reconhecimento dos gametas masculino e feminino, mais preci- samente com o conhecimento dos cromos- somos, no século XIX, àquelas respostas so- bre a determinação do sexo.
Homens e mulheres, o que nos torna tão diferentes?
A tão fabulosa máquina humana é for- mada por 46 cromossomos dispostos em 23 pares; destes, 44 cromossomos, ou 22 pa- res, são chamados autossomos e são responsáveis pela formação do organismo como um todo. Dois cromossomos, ou um par, são chama- dos de cromossomos sexuais, sendo responsáveis pela determinação do sexo. Estes cromossomos sexuais têm formas diferentes no homem, sendo um bem maior do que o outro (cromossomos sexuais não ho- mólogos). Na mulher os dois cromossomos têm formatos iguais (cro- mossomos sexuais homólogos). Observe:
Henrique VIII Tudor (1491 - 1547) foi Rei de Inglaterra desde 22 de Abril (coroado a 24 de Junho) de 1509, até à sua morte. Foi-lhe concedido o título de Rei da Irlanda pelo Parla- mento Irlandês em 1541, tendo ob- tido anteriormente o título de Lord da Irlanda. Fonte: HANS HOLBEIN (1497-1543), 1536, pertence ao Museu Thyssen-Bornemisza, de Ma- drid.28 x 20 cm. Técnica de pintura a óleo sobre tecido.
Dúvidas nas termino- logias...
Vá ao endereço eletrônico www.cib.org.br/glossario.php e faça uma consulta.
Cromossomos Homólo- gos: são cromossomos que,
aos pares, nas células diplói- des, apresentam o mesmo número e seqüência de ge- nes para determinadas ca- racterísticas hereditárias.
Representação dos pares cromossômicos XX e XY.
Cromossomos Heterólo- gos: são cromossomos que,
aos pares, nas células diplói- des, NÃO apresentam o mes- mo número e seqüência de genes para determinadas ca- racterísticas hereditárias, po- dendo ser considerados par- cialmente homólogos.
Com isso podemos concluir que o cariótipo humano, ou seja, o conjunto de cromossomos do homem e da mulher se diferencia no par sexual.
Cariótipo humano masculino, normal.
Cariótipo humano feminino, normal.
Fotografia do material genético de células humanas, masculina e feminina, em fase de metáfase. Fonte: Cromossomos montados na forma de cariótipo por Cássia Lima Silva Gusmão, Doutoranda e Pesquisadora do Laboratório de Citoge- nética e Mutagênese, Departamento de Genética, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo. Foto autorizada por: Catarina Satie Takahashi, Ph.D. em Genética, Professora Titular do Departamento de Biologia, Fa- culdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.
Entretanto, nem todas as espécies têm a distribuição de seus cro- mossomos sexuais como na espécie humana, existindo, desta forma, padrões diferentes.
Saiba mais sobre esses padrões “diferentes”. Procure livros de Biologia Geral sobre Determinação do Sexo, e aprofunde seus conhecimentos no assunto.
PESQUISA
Agora dê uma olhadinha mais caprichada! Perceba que os cromos- somos X e Y, sendo distintos, possuem porções homólogas (iguais) e não-homólogas (diferentes).
Inacreditável, mas a porção não-homóloga do cromossomo X e Y causa um montão de coisas...
Os genes que se acham localizados exclusivamente no cromosso- mo X, na sua porção não-homóloga, determinam a herança ligada ao sexo. Como esse legado é evidente, ele foi o primeiro “modelo” de he- rança reconhecido nos seres humanos, apresentando inicialmente o maior número de características.
Quando há um gene letal recessivo ligado ao sexo, a mortalidade é mais baixa em mulheres, só ocorrendo em homozigose. Nos homens o óbito é mais alto, pois ocorre na presença de um só gene letal, em virtude da presença de um único cromossomo X.
Da mesma forma, se o gene “defeituoso” estiver localizado na por- ção não-homóloga do cromossomo X, a anomalia atingirá com maior incidência indivíduos do sexo masculino. As pessoas do sexo femini- no só irão apresentar a “doença” em homozigose. Em heterozigose se- rão apenas portadoras.
Existem ocorrências em que o gene “defeituoso” se localiza na por- ção não-homóloga do cromossomo Y. Esses genes são chamados de holândricos e se restringem ao sexo masculino, já que só os homens carregam o cromossomo Y em seu cariótipo. Neste caso, falamos em herança restrita ao sexo. Leia o exemplo na FIGURA 1:
Homozigose
Genes alelos idênticos ou pu- ros.
Temos, ainda, heranças de caracteres sexuais determinados por ge- nes não localizados nos cromossomos sexuais. Nesta situação, o cará- ter tem sua manifestação em um dos sexos e no outro, não. Essa mani- festação acontece em virtude das diferenças anatômicas ou hormonais existentes entre os sexos masculino e feminino. Denomina-se, então, herança limitada ao sexo.
FIGURA 1 - Representa a hipertricose, doença que beira a ficção, acome- teu Pedro Gonzales. Nascido em Tenerife, nas Ilhas Canárias, em 1556, Pedro foi dado de presente à corte de Henrique II, como se fosse um bichinho de pelúcia. Ele teve três filhos (duas meninas e um menino) e um neto, todos os descendentes masculinos com a mesma doença. Um dos primeiros casos conhecidos de hipertricose universal congênita foi, portanto, o de Pedro Gonzales. Em razão de sua inteligência e de sua presença marcante, Henrique II fez dele um de seus mais importantes embaixadores. Seus filhos chegaram a ser exibidos durante festas pro- movidas na corte, como exemplos de “como a natureza maligna podia invadir um corpo humano pecador”. Fonte: LAVÍNIA FONTANA DE ZAP- PIS (1552-1614), Gonzáles, 1585, pertence ao Castelo de Ambras, ci- dade de Innsbruck, Áustria. Técnica: Óleo sobre tela.
Heterozigose
Os genes que compõem o par não são idênticos entre
Em outros casos, possivelmente pela influência dos hormônios se- xuais, a relação dominância ou recessividade dos alelos é diferente nos machos e nas fêmeas; é o que chamamos de herança influencia- da pelo sexo.
Dominância é o aspecto em
evidência. Pode estar em homozi- gose ou heterozigose.
Recessividade é o aspec-
to encoberto. Só se manifesta em homozigose.
Veja três exemplos de “herança”. Vamos apresentar suas principais características para que você possa identificar: “Que herança é essa?...”