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4 V URDERINGA AV ANTIDOPINGREGLEMENTET – REGLAR MED ØKONOMISKE ASPEKT , ELLER REINT SPORTSLEGE REGLAR ?

In document Håkonarmål 2004 (sider 43-47)

Idrettsreglement og konkurranserett

4 V URDERINGA AV ANTIDOPINGREGLEMENTET – REGLAR MED ØKONOMISKE ASPEKT , ELLER REINT SPORTSLEGE REGLAR ?

Ao longo deste trabalho, pautadas em uma perspectiva discursiva-enunciativa procuramos identificar a possibilidade (ou não) de ocorrer em sala de aula de língua francesa uma tomada da palavra que desencadeasse na produção de enunciados extemporâneos nessa língua. Fizemos isso ao mesmo tempo em que problematizamos o(s) modo(s) como a prática oral era trabalhada em sala de aula, questionando se ela possibilitava ou não essa tomada da palavra. Partimos para isso do pressuposto de que, para ocorrer a produção de enunciados extemporâneos, é fundamental que ocorra identificações entre aluno e língua.

Iniciamos nosso trabalho com a problematização de dois instrumentos para o ensino da língua francesa (o Cadre e a DLE). Mostramos algumas noções principais envolvendo a questão da comunicação oral e as prescrições para o trabalho com a oralidade em sala de aula. Percebemos fortemente o tom didático e metodológico que perfaz esses documentos e, principalmente, identificamos uma linha teórico-metodológica que concebe língua como um instrumento de comunicação, reduzida à serviço do falante; uma noção de sujeito cognoscente, que possui o controle daquilo que diz; e uma noção de ensino e aprendizagem reduzida à(s) necessidade(s) do “aprendiz”.

Teoricamente delimitamos nossos pressupostos contrastando-os às noções elencadas anteriormente nos dois instrumentos teórico-metodológicos para o ensino da língua francesa. Percorremos por alguns conceitos da Análise de Discurso Pêcheutiana que nos ajudaram a analisar tanto o Cadre e a DLE quanto nos possibilitaram um olhar discursivo para a sala de aula e as relações que ali se materializaram. Ao considerar os processos de identificação pelos quais o sujeito passa para, como consequência, se subjetivar à algo ou à alguém, foi-nos essencial tocarmos na noção de sujeito de linguagem. Investimos também fortemente na noção de enunciação elaborada por Benveniste e as decorrências dessa noção na instância de tomada da palavra. Delimitamos as fronteiras teóricas entre enunciação e produção oral no

sentido em que uma está para um processo de apropriação, uma inscrição subjetiva na língua e a outra está para uma produção mecanizada do dizer, atendendo consideravelmente às exigências utilitaristas. Isso não significa que a produção oral acontece em detrimento da enunciação ou vice-versa. Ao contrário, queremos evidenciar que um evento pressupõe o outro. Contudo, na sala de aula de FLE, a produção oral parece ganhar relevância em função de poder ser comparada ao produto final ansiado pelo ensino e aprendizagem: se o aluno produziu, ele aprendeu. O próprio verbo que perfaz a expressão “produção oral” aponta para a injunção em jogo na sala de aula de línguas de que é esperado do aluno o produto de sua aprendizagem, o que não necessariamente implica que o tal produto será “entregue” (para usar um termo do discurso do marketing) com qualidade.

Procuramos explicitar, orientadas pela hipótese, que os discursos sobre comunicação oral e trabalho com a oralidade, que compõem o ambiente e as representações de oralidade na sala de aula, não conseguem garantir que o aluno tome a palavra na língua estrangeira, por mais que esses discursos venham impregnados de prerrogativas e métodos diferenciados. Foi possível compreender, a partir das análises, que a despeito de todo esse discurso decorrente da DLE, as atividades orais promovidas em sala de aula não impulsionam, necessariamente, a tomada da palavra. Para isso, mobilizamos cenas enunciativas recortadas das aulas de francês observadas e também trechos das entrevistas que realizamos com os alunos, com a finalidade de analisar a possibilidade de uma tomada da palavra na língua francesa.

O modo como construímos o nosso corpus de pesquisa se orientou pelos estudos de Pêcheux ([1983]2012) quanto aos procedimentos para trabalhar as materialidades linguísticas, o que abriu vias para pensarmos nos aspectos da semantização materializados nas relações paradigmáticas e sintagmáticas e também na relação corpo-linguagem que evidencia a presença do “homem na língua”. Em um primeiro momento, esses dois aspectos se configuravam como possibilidades de eixos norteadores para a análise. Contudo, essa foi uma das dificuldades que encontramos ao longo das análises, porque não conseguimos delimitar separadamente os eixos, já que os dois, o tempo todo, se imbricavam. Ao lançarmos gestos de interpretação para os elementos materializados discursivamente pensando nos aspectos da semantização, nos deparávamos, ao mesmo tempo, com a re(l)ação corpo-linguagem que ali se presentificava, ou vice-versa.

Nossa opção metodológica frente a essa dificuldade encontrada foi estabelecer esses aspectos (semantização/relação corpo-linguagem) como temas norteadores para analisarmos as cenas enunciativas e os dizeres dos alunos. Por isso, foi-nos possível traçar, no trabalho de análise as relações entre questões de ordem linguística, mas também aquelas que extrapolam

essa relação, que em nosso caso se delineou como sendo a inscrição subjetiva na língua, evidenciando, dessa forma, as relações de identificação (ou não) que os alunos estabelecem com a língua francesa. A possibilidade da tomada da palavra era a nós evidenciada, na medida em que pudéssemos perceber as marcas de apropriação da língua pelo sujeito, culminado na produção da enunciação.

Não nos adentramos na questão da identificação como dito em outros capítulos. Entretanto, essa marca materializada nos dizeres e nas reações dos alunos, foi fundamental para discernirmos indícios de inscrição na língua. Ao identificar-se com a língua, o aluno se subjetiva nela e por meio dela para enunciar. Essa ação, como mostramos ao longo das análises, diz respeito à apropriação da língua de forma que o sujeito a mobiliza para dizer de suas questões. Conforme ocorre esse agenciamento dos elementos na língua, o sujeito vai construindo e descontruindo um espaço enunciativo na língua do outro, pondo em relação a ausência e presença desse lugar, dado que as várias possibilidades de agenciamento da língua não se esgotam e, por isso mesmo, sempre restam outras possibilidades que fazem com que o sujeito esteja em constante processo de apropriação desse lugar. A instância da tomada da palavra como concebemos nesse trabalho, é evidenciada a partir da produção de enunciação, pois sinaliza não somente que o aluno está sendo dito pela língua e, por isso, consegue dizer nela, como denuncia o fato de o aluno ter se colocado como sujeito, se assujeitado a uma posição discursivo-enunciativa na língua do outro.

Em nossas análises ficou evidente que o trabalho com a oralidade da forma como foi realizado neste contexto e nesta sala de aula, dificulta e em alguns casos, até impede que a tomada da palavra ocorra. No entanto, reconhecemos mais uma vez que a despeito de toda essa estrutura, há alunos que conseguem enunciar-se na língua estrangeira. Esse fato nos é significativo porque não nos cabe propor nessas considerações finais, algo que seja da ordem de uma novidade ou, ainda, que pareça revolucionário. Ao contrário, acreditamos que um dos ganhos deste trabalho é propor, para o ensino da língua francesa, particularmente o trabalho

com a oralidade, um olhar que enseje o aspecto contingencial e provisório que existe na enunciação e, por consequência, na tomada da palavra. Isso significa dizer que há um caráter subjetivo e intersubjetivo que envolve a enunciação e que pode ser considerado pelos professores, a fim de problematizar e se posicionar discursivamente frente a uma atividade meramente artificial que não ensejaria a instância da tomada da palavra. Além disso, as interferências que visam pura e simplesmente a acuidade do dizer e o uso formal da língua mediante padrões pré-estabelecidos pelo professor podem ser revistos de modo a não possuir

tanto um caráter de cerceamento, mas, ao contrário, suscitar no aluno que ele se posicione frente à instância de discurso que se coloca para ele na língua estrangeira.

Quanto aos alunos, apreendemos que a apropriação da língua com vistas à enunciação é também da ordem do contigencial. Por mais que eles se identifiquem “positivamente” a partir de elementos que nos fazem pensar no efeito-fascínio para com a língua, a instância de tomada da palavra não está a serviço do sujeito, podendo ocorrer quando menos se espera, ou seja, quando o aluno parece se colocar como sujeito na língua francesa.

Consideramos que as discussões empreendidas ao longo deste trabalho se abrem para alguns desdobramentos que podem e merecem ser aprofundados, a fim de contribuir para as pesquisas no campo de ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras. Como exemplo, destacamos as discussões sobre DLE, FLE e LA como um viés possível a ser melhor aprofundado e problematizado a partir de uma perspectiva discursiva. Também consideramos importante as discussões sobre o “erro” na sala de aula, o qual neste trabalho ganhou um estatuto de errância, apontando justamente para uma compreensão que elaboramos a partir de um viés discursivo-enunciativo. Ressaltamos também a importância de se trabalhar com a implicação do corpo no ensino e aprendizagem de línguas, como uma possibilidade de apreensão de algumas marcas da subjetividade daquele que (se) enuncia na língua do outro. Outra temática que para nós se apresentou essencial no decorrer da pesquisa, e que merece ser aprofundada, é a questão abordada por Kristeva (1994) de que o estranho ou estrangeiro nos constituiu, por isso a autora vai trabalhar com a afirmação de que somos estrangeiros para nós mesmos. Citamos aqui alguns desdobramentos que consideramos importantes para futuras investigações no campo, não ignorando outras possibilidades que porventura podem se abrir por meio das leituras que serão empreendidas.

A partir desta pesquisa, apresentamos algumas reflexões teórico-analíticas com respeito à instância da tomada da palavra na língua do outro. Compreendemos, contudo, que nossa leitura sobre o trabalho com a oralidade e a possibilidade de uma tomada da palavra é uma dentre tantas outras possíveis, inclusive dentro da perspectiva teórica a qual nos filiamos. Também entendemos a importância de lançarmos esses gestos de leitura, ainda que restritos; até porque, depois de conceber a noção de enunciação como a apresentada nessas páginas, nos percebemos fortemente às voltas com esse processo, em que nos apropriamos de partes de um saber e nunca dele todo. Porém, na tentativa de agenciarmos esse saber e nos colocarmos como sujeitos dessa enunciação, apresentamos nestas páginas, entre muitas ausências e algumas presenças, um lugar possível, ao qual nos assujeitamos, para pensarmos o ensino e a aprendizagem da língua francesa que nos é apresentada, a todo o momento, como estrangeira.

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