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Urban and regional classifications, data, definitions and methods

A Análise do Erro visa à prática, ao ensino, já que envolve um pensamento sobre a ação reparadora. Para Corder (1981), medidas reparadoras são necessárias quando há disparidade entre conhecimento ou habilidade e as demandas exigidas pela situação em que o aluno se encontra: tanto as que ocorrem na instituição de ensino, quanto as que decorrem da necessidade de falar inglês fora da escola. O falante sente que não está “linguisticamente equipado” para lidar com as demandas impostas: uma análise não só da situação, como também do nível de conhecimento da língua faz-se necessária para a escolha de uma ação reparadora adequada. Corder se pergunta: “Quais seriam as situações que pedem tratamento e qual sua natureza?”. Ele apresenta três situações de disparidade entre a demanda e o conhecimento do falante. Vejamos:

1. O falante nativo que precisa enfrentar uma demanda situacional, para a qual sabe não estar linguisticamente habilitado, faz uso de sua condição de falante nativo para contornar a dificuldade;

2. O aluno de segunda língua com conhecimento insuficiente para lidar com a demanda, é capaz de reparar a situação por meio de características de sua personalidade;

3. O aluno de segunda língua que não pode se beneficiar de uma ação reparadora devido à insuficiência de seu conhecimento.

A Análise do Erro, segundo Corder, tem recursos para fornecer um diagnóstico da situação e beneficiar aluno e professor: “faz-se necessária uma análise profunda do erro, que leve a um entendimento ou explicação de sua causa” (CORDER, 1981, p.52). A partir dessa averiguação o professor identificaria aspectos - do conhecimento ou habilidade – ausentes na produção do aluno para enfim lidar com essa situação. O autor acredita ser comum que professores, ao invés de investigarem a natureza do conhecimento do aluno, acabem simplesmente ensinando novamente todo o conteúdo.

Segundo o autor os professores têm realizado o trabalho reparador de forma inadequada, apoiando-se unicamente no “conhecimento de língua”. Acabam, por isso, apenas repetindo o que já havia sido ensinado. Corder (1981) sugere, então, que tal trabalho inclua a análise situacional. Nesse ponto, o autor menciona médicos e

advogados, dizendo que estas particularidades devem ser consideradas porque a comunicação dependerá mais do que do “conhecimento do código”:

É fundamental saber como usar o código, o que se designa “conhecimento de regras da fala”, visto ser evidente a existência de regras para o uso do código e para sua interpretação. Esse conhecimento mais extenso da língua tem sido chamado de competência comunicativa (CORDER, 1981, p. 48).

Corder reafirma a importância de um diagnóstico da relação entre o conhecimento do aluno e a demanda situacional como bases para a implementação de medidas reparadoras. É nesse ponto que o autor dedica-se à relação entre erro e correção. Segundo ele, Análise do Erro seria, na verdade, uma atividade ancestral e intuitiva de professores na busca de averiguação do “progresso do aluno”; entretanto, ele assinala, tanto o ensino, quanto a correção têm se limitado ao código em detrimento da competência comunicativa. O resultado é que a análise dos erros e de falhas de comunicação é afastada. Para ele, nesse quadro em que vigora unicamente o código, a saída que o professor encontra para sanar erros é a correção. Corder sustenta que no caso de alunos de segunda língua, somente uma comparação linguística entre a língua mãe e a língua alvo poderia iluminar a natureza do erro e do processo de aprendizado como um todo.

Para a Linguística Aplicada o aluno criaria uma série de hipóteses, geralmente inconscientes, sobre a língua:

O aluno usa, é claro, ao construir essas hipóteses, qualquer informação ou explicações dadas pelo professor ou livro-texto, que inclua informação sobre o contexto ou tradução de como os exemplos apresentados devam ser interpretados. Inevitavelmente, ele construirá hipóteses falsas ou provisórias, seja porque a informação é insuficiente para formar prontamente hipóteses corretas, seja porque ele recebe informações equivocadas sobre a língua (CORDER,1981, p. 52).

De onde viriam as “hipóteses falsas ou provisórias”? Corder atribui à “falha na informação” fornecida ao aluno, conforme lemos acima. Curioso é que, apesar de fazer menção à língua materna do aluno e da alegada transferência/interferência dessa língua na segunda, não se pode dizer que

esse ponto tenha recebido a relevância merecida. Dessa forma, frente ao erro, o professor o indicaria para que o aluno reformulasse hipóteses. Par tanto, as informações passadas ao aluno deveriam ser mais adequadas e (caso tenha recebido informações equivocadas) e/ou suficientes (caso a informação dada anteriormente tivesse sido insuficiente). Esse movimento levaria o aluno a ficar mais próximo de “fatos relevantes” da língua que pretende aprender. Nesse processo, um conjunto de regras para formar frases seria construído. Tal “gramática” não contém, no entanto, as mesmas regras do inglês.

A Análise do Erro visa apreender essa “gramática” a cada fase do aprendizado. Reconhecemos, aqui, a presença das ideias que sustentam as noções de interlíngua e de dialeto idiossincrático. De fato, também Nemser (1971), mencionado por Corder, designou Sistema Aproximativo cada um desses tempos na trajetória do aluno.

A meta da Linguística Aplicada, sob tal perspectiva, deve tentar descrever a língua do aluno, levando em conta não só os erros, mas toda sua produção. A sugestão deixada pela Análise de Erros é que a comparação do processo de aquisição de linguagem pela criança pode ser direta já que a Linguística Aplicada quer traçar o desenvolvimento do conhecimento do aluno. Corder não deixa, contudo, de criticar os estudos daquele campo, pois nada têm revelado a respeito do conhecimento do aluno para usar tal código. O autor conclui sua crítica ao dizer que:

A linguagem do aluno, em qualquer momento de seu percurso, é sistemática e potencialmente funcional. O que o estudo da Linguística Aplicada não faz – além da aplicação de testes convencionais – é dizer algo confiável sobre como, efetivamente, o aluno pode usar seu sistema (de língua) em situações de uso real da língua. (CORDER, 1981, p.53).

O autor advoga haver conexão entre o conhecimento de um código e o seu uso com sucesso. Acontece que esse mistério não é, nem de leve, vislumbrado como tal ou teorizado por ele.