4 Discussion
4.1 Methodological aspects
4.2.2 Uptake of chemotherapy and the microenvironment
Este estudo foi desenvolvido com a finalidade de investigar evidências de validade na relação com outras variáveis para o teste de inteligência emocional MSCEIT. O objetivo do trabalho foi verificar evidência de validade teste-critério, analisando as variáveis do Rorschach com os subtestes da inteligência emocional; verificar a evidência de validade teste-critério para o MSCEIT por meio da Avaliação de Desempenho dos policiais; e verificar evidência de validade incremental do MSCEIT em prever desempenho quando comparado com personalidade avaliada pelo Rorschach.
Com base nos objetivos, três hipóteses foram formuladas:
• Hipótese 1: As variáveis do Rorschach EB-Extratensivo, FC>CF+C, Quociente afetivo (Afr), Índices D e Dajustado, que denotam maior interação entre cognição e emoção de forma adequada, possuem correlação significativa positiva e baixa com os fatores da inteligência emocional. Enquanto as variáveis do Rorschach EB-Introversivo, Cor Acromática, CDI, Sombreado Difuso e Movimento Inanimado, que denotam maior interação entre emoção e cognição de maneira inadequada, apresentam correlação significativa, negativa e baixa com os fatores da inteligência emocional.
• Hipótese 2: As variáveis do Rorschach ligadas à Qualidade Formal (FQ), Localização (W, Dd, D e S) e Popular (P) apresentam correlação significativa positiva e moderada ou alta com inteligência emocional.
• Hipótese 3: Indivíduos que apresentam maior habilidade de inteligência emocional demonstram melhores pontuações nas avaliações de desempenho.
Previamente à análise dos dados para verificar se eram coerentes com as hipóteses efetuo-se uma análise descritiva e de precisão das variáveis que foram trabalhadas para se entender melhor como as medidas comportavam-se. Em relação ao MSCEIT, que foi o objeto deste estudo, decidiu-se também fazer uma análise fatorial exploratória para verificar se os modelos fatoriais de 4, 2 e 1 se confirmariam.
As análises descritivas como média, desvio padrão, pontuação mínima e máxima permitem averiguar como a amostra da pesquisa se comporta diante dos instrumentos utilizados. Por exemplo, foi possível observar que, ao se comparar os dados do MSCEIT na presente amostra com outra amostra, as estatísticas descritivas se mostraram semelhantes. Já no Rorschach algumas variáveis se apresentaram com média maior quando se comparou a presente amostra com uma amostra normativa da cidade de São Paulo. Por fim, na Avaliação de Desempenho, notou-se que praticamente toda a amostra obteve avaliação muito positiva dos superiores, o que limitou distinguir pessoas com comportamentos característicos “bons e maus”. Em uma pesquisa é muito importante se atentar às análises descritivas para que se possa ter uma leitura mais adequada dos resultados.
A verificação da precisão dos instrumentos também é necessária para se ter uma leitura mais apropriada dos dados obtidos, pois, se um teste foi impreciso, significa dizer que seus itens apresentam problemas na mensurarão do construto proposto. O MSCEIT e a Avaliação de Desempenho mostraram bons índices de precisão; no entanto, no Rorschach, algumas variáveis não atingiram à precisão de 0,80, que é considerada adequada. Das variáveis hipotetizadas e que se correlacionaram com algum subteste da inteligência emocional, todas apresentaram precisão acima de 0,70, exceto FY, que obteve precisão de 0,61. Como foi decidido permanecer com as precisões
abaixo de 0,80 em relação a algumas variáveis, recomenda-se cautela ao se generalizar os resultados aqui encontrados.
Quanto à análise fatorial do MSCEIT, nenhum dos modelos comumente referidos na literatura (um, dois ou quatro fatores) se repetiu. Na análise fatorial exploratória da presente pesquisa surgiram dois fatores: o primeiro fator composto por subtestes que abarcavam três capacidades da inteligência emocional (Percepção, Facilitação e Gerenciamento), e o segundo fator que agrupou os subtestes da capacidade Compreensão emocional. Esse dado não corrobora os achados de Mayer, Salovey, Caruso e Sitarênios (2003) nem os trabalhos que encontram dados mais condizentes com o modelo de dois (Cobêro, 2004; Dantas, 2004; Jesus Jr., 2004). Os resultados encontrados nesse estudo indicam que o MSCEIT parece avaliar claramente a capacidade de Compreensão das emoções, mas quanto às outras capacidades os resultados aqui encontrados são mais obscuros.
Como já explicado, as análises das estatísticas descritivas e precisão se fazem necessárias, principalmente a precisão, pois o primeiro passo antes de verificar as evidências de validade de um teste é a demonstração da precisão das medidas, já que não há validade com medidas que sofrem muitas influências de erros de medida. A validade é o grau em que as evidências acumuladas sustentam a interpretação dos escores do teste em relação a um construto (APA, NCME e AERA, 1999), e isso está diretamente ligado à precisão, pois, se o teste não for preciso para mensurar determinado construto, ele conseqüentemente não terá validade.
No processo de validação de um teste por meio da correlação com outros instrumentos, é sensato utilizar instrumentos externos, precisos e válidos, pois isso dá credibilidade às possíveis evidências de validade encontradas para o teste que se pretende validar. Quando se trabalha com um critério, e não com um teste psicológico,
como é o caso da Avaliação de Desempenho, é preciso ser cuidadoso na escolha, demonstrando que ele é útil no processo de validade. Em razão disso é que foi feito o estudo de precisão da Avaliação de Desempenho.
O trabalho teve como objetivo buscar evidências de validade embasadas nas relações com outras variáveis para o MSCEIT. Procurou-se utilizar um instrumento psicológico válido e um instrumento não-psicológico (critério) adequado aos propósitos do estudo. Quanto ao MSCEIT, foi verificado que ele atingiu níveis de precisão satisfatórios. Na análise fatorial, observam-se dois fatores principais, um de Conhecimento emocional e outro ainda obscuro, que engloba as outras três capacidades da inteligência emocional. Após essas análises no segundo momento foram exploradas as possíveis evidências de validade verificando, se os dados empíricos eram coerentes com expectativas levantadas nas hipóteses.
Por meio da primeira e da segunda hipóteses e pela análise fatorial exploratória conjunta do Rorschach e MSCEIT pôde-se notar pouquíssimas correlações de baixa magnitude entre esses dois instrumentos. Esse dado mostra que esses dois construtos tendem a ser mais divergentes do que convergentes. Essa divergência dos dois construtos ficou ainda mais evidente na análise fatorial, pois a sobreposição de medidas de personalidade e inteligência emocional foi mínima.
Esses resultados sustentam que o construto de inteligência emocional não se sobrepõe à personalidade, apenas apresenta uma relação que pode ser explicada por um construto maior por trás desses dois construtos: inteligência emocional e personalidade. Essa diferenciação entre inteligência emocional e personalidade já vem sendo constatada em pesquisas anteriores (Brackett & Mayer, 2003; Lopes et al, 2003; Côbero, 2004 e Dantas, 2004). Diante disso, a posição que entende a inteligência emocional como um novo nome para traços de personalidade parece cada vez mais
enfraquecida, pois pesquisas recentes com o MSCEIT não têm apontado qualquer tipo de convergência entre esses dois construtos. Dessa forma foram encontradas evidências de validade divergente e teste-critério com personalidade. Ressalta-se que apesar dos Standards (1999) não mencionarem teste psicológico como critério, este também pode ser utilizado, quando se procura verificar pequenas correlações e não apenas divergência ou convergência entre testes.
Ainda em relação à Hipótese 2, esta foi refutada, ou seja, apesar de o sistema de correção dos subtestes do MSCEIT ser semelhante à avaliação das variáveis Localização, FQ e P do Rorschach, essas variáveis não apresentam correlação moderadamente alta ou alta, que poderia indicar que os sistemas de correção e avaliação desses testes estariam fazendo com que existisse um construto comum. Entretanto, foram encontradas evidências de que parte da variabilidade da inteligência emocional está associada a uma percepção mais convencional. Uma hipótese em relação às poucas correlações obtidas entre o teste de inteligência emocional e as variáveis de Localização, Qualidade Formal e Respostas Populares é que tais variáveis, apesar de serem escolhidas por consenso, dizem respeito à percepção cognitiva do sujeito e o teste de inteligência emocional é mais ligado à percepção social.
Ainda em relação às correlações entre o método de Rorschach e o teste de inteligência emocional, deve-se considerar que a presente pesquisa trabalhou com as variáveis do Rorschach de forma isolada. Seria interessante verificar correlações entre o diagnóstico do funcionamento da personalidade do indivíduo obtido pelo Rorschach e a inteligência emocional. Essa forma possilitaria averiguar as dinâmicas de personalidade que tenderiam a apresentar maior ou menor capacidade de inteligência emocional.
Quanto à Hipótese3, pode-se perceber que o controle das emoções é realmente uma capacidade importante para os policiais militares no desempenho de suas funções.
No entanto, parece que esse controle está assentado na capacidade de Percepção das emoções, já que o subteste Paisagem apresentou dados mais robustos de precisão do desempenho. Por meio dos resultados obtidos na Hipótese 3 nota-se que foram encontrados dados positivos evidenciando a validade teste-critério para o MSCEIT, além da validade incremental quando comparado com personalidade.
É importante lembrar que todas as análises foram feitas a partir dos subteste da inteligência emocional e que de todas as correlações encontradas tanto com o Rorschach quanto com a Avaliação de Desempenho foram observadas para subtestes específicos e nem sempre os mesmos subtestes. Então, as evidências de validade encontradas não dizem respeito à inteligência emocional como um todo, mas sim aos subtestes que avaliam uma ou outra capacidade mais específica da inteligência emocional. Por exemplo, a validade incremental encontrada diz respeito somente ao subteste Paisagem. No entanto, em relação à validade divergente com o método de Rorschach, esta parece ser mais geral.
Ressalta-se que seria interessante fazer pesquisas entre MSCEIT e grupos extremos em relação à Avaliação de Desempenho, pois na amostra do presente estudo não foi possível encontrar pessoas com avaliação de baixo desempenho. Portanto, a Avaliação de Desempenho apresentou uma restrição de amplitude de variação do desempenho. No geral a grande maioria dos sujeitos foi avaliada com bom desempenho, o que limita a identificação das possíveis associações entre inteligência emocional e desempenho.
A presente pesquisa procurou contribuir para o acúmulo de evidências de validade para o MSCEIT, assim como também ajudou a melhor esclarecer os questionamentos sobre as relações entre inteligência emocional e traços de personalidade. No entanto, o MSCEIT ainda precisa de mais pesquisas, a começar por
uma adaptação para o Brasil, e não apenas tradução, como já existe que foi realizada no LabAPE da Universidade São Francisco em Itatiba-SP sob a orientação do Prof. Dr Ricardo Primi. Outro passo, preparar um manual para disponibilizá-lo para uso profissional em nosso país, aproveitando as várias informações positivas já existentes sobre ele. Também seria interessante o desenvolvimento de testes de inteligência emocional que tentem suplantar os problemas detectados quanto ao sistema de correção.