Segundo Amui (2010, p.175), as “reservas de petróleo ou gás natural de um reservatório é, na data da referência, o volume de petróleo ou de gás natural que pode ser economicamente produzido desse reservatório”.
Contudo, o conceito usado na indústria petrolífera, envolve, sob a ótica econômico- financeira, é a do volume recuperável, sendo a razão entre o volume recuperável e o
volume original18 das reservas, denominado como fator de recuperação do
reservatório. (AMUI, 2010, p. 176)
Inicialmente, para participar das concessões de blocos exploratórios, são feitas análises de risco carente de informações sobre as reservas. Geralmente, as estimativas nessa fase são meros palpites. Após os levantamentos sísmicos, as estimativas passam a ser um pouco mais confiáveis. Com a perfuração do poço pioneiro, o investidor pode obter a descoberta, tendo em vista as informações obtidas com perfilagem, testes, testemunhagem, o que aprimorarão as estimativas, ainda que o grau de incerteza seja elevado, o que justifica o alto investimento em capital de risco na área de exploração de petróleo, dado os investimentos no projeto até aqui feitos. A seguir, na fase de avaliação da descoberta por testes de produção, mediante produção antecipada ou desenvolvimento após pleno desenvolvimento do campo, tem-se um refinamento das estimativas e grau de confiança elevado nos valores determinados (AMUI, 2010).
A base de cálculo para estimar o tamanho da reserva, ou melhor, o volume de petróleo in place (VOIP) é:
=
A área provada é aquela que contém a espessura mínima de reservatório determinada pela ANP, de acordo com a sísmica e a profundidade.
Gráfico 9 - Amui (2010)
A figura acima mostra como se estima um volume de rocha-reservatório, correspondendo ao volume recuperável de hidrocarbonetos, decorrente da porosidade do meio, da saturação do petróleo e do fator de recuperação do campo (AMUI, 2010). Uma parcela dos vazios da formação porosa e permeável conectadas no reservatório é ocupada pela água da formação, cabendo aos hidrocarbonetos ocupar os vazios restantes, conhecida como porosidade efetiva (AMUI, 2010).
Para meios contábeis (REVISTA DE FINANÇAS, 2011), na fase de incorporação dos barris projetados no balanço da empresa, para que um volume de petróleo seja classificado como reserva, testes sinalizarão a viabilidade do projeto de exploração, sob os preços vigentes e recursos tecnológicos vigentes na época de sua avaliação.
Para analogia, os campos terrestres brasileiros, por exemplo, produzem poucos milhões de barris. Em compensação, campos gigantescos, como o Golfo Pérsico, produzem bilhões de barris, como também o campo de Gawar19. A título de informação, a reserva brasileira citada no gráfico 9 não inclui descobertas relevantes do pré-sal (AMUI, 2010).
O Brasil apresenta taxa média de 5,91% a.a. de crescimento de reservas provadas, desconsiderando que a grande fatia dos recursos descobertos ainda não foi convertida em reservas. Só a Petrobras deve dobrar o número de reservas com os recursos atuais. Além disso, há outras vantagens competitivas, pois o Brasil é um forte mercado consumidor e produtor, estando em direção à autossuficiência em petróleo. Enquanto isso, a maioria das companhias de petróleo tem dificuldade em repor suas reservas, em relação ao que se produz, e as empresas do setor estão com novas formas de extração, antigamente inviáveis econômica e tecnologicamente, embora tenham que encarar elevados custos de produção.
19 Localizado na Arábia Saudita. Na sua descoberta, tinha volume recuperável de 100 bilhões de barris.
1000 200 120 60 0 200 400 600 800 1000 1200 Volume da Rocha (100%) Volume Poroso (20%) Volume de Petróleo (12%) Reserva (4%) Cálculo da Reserva
Gráfico 10 - Statistical Review of World Energy (2011)
Diante dos cenários econômico, geopolítico, geográfico e financeiro, temos ainda o econômico-ambiental, relacionado, basicamente, à ampliação da capacidade instalada de bens substitutos, como etanol e outras fontes de energias renováveis, que passam por um crescimento extraordinário nas taxas de investimento nos últimos anos.
No Brasil, prioritariamente, é imprescindível avaliar também a tributação incidente sobre o setor de óleo e gás, tais como os bônus de assinatura20, royalties21 e participações especiais22, além do risco macroeconômico.
Existe um substancial crescimento nas economias de mercados emergentes, mas esse crescimento é decorrente de um risco macroeconômico significativo. Assim, o prospecto de uma companhia de mercado emergente depende muito tanto das decisões do país, como das decisões das empresas. Por outro lado, mesmo as empresas melhor administradas em uma economia emergente vão prejudicar-se fortemente, caso a economia entre em colapso, politicamente ou economicamente. (DAMODARAN, 2009, p.5)
20 Pagamento feito para contrato de exploração, para que a companhia obtenha o direito de explorar determinado
campo. Representa uma pequena fatia da arrecadação governamental no setor. (SPRINGER, 2011)
21 Alíquota que incide sobre a produtividade do campo. É um tipo de imposto sobre o faturamento.
22 Está regulamentada no decreto nº2.705, de 1998. Ela é devida somente em campos de alta produtividade e
suas alíquotas, progressivas de acordo com a produtividade do campo, incidem sobre uma espécie de lucro do campo. (SPRINGER, 2011) 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Autosuficiência e Competitividade
3 O SETOR DE ÓLEO E GÁS E SUA CONTEXTUALIZAÇÃO
A guerra do Golfo abriu uma nova era – definida pela política tumultuada que
acompanharam a dissolução da União Soviética, a Guerra do Iraque, a turbulência no Oriente Médio, o surpreso impacto da inovação, e imersão da China, como um grande consumidor de petróleo. Neste novo contexto, países adversários disputavam o controle de gasodutos e campos de petróleo na Ásia Central. Observadores sóbrios perguntam, e continuam a perguntar, se os Estados Unidos entrariam em conflito com a China sobre as reservas de petróleo. E o choque de preços do petróleo repercutindo em toda economia mundial e na redistribuição de riqueza de forma global, afetando cada consumidor na bomba da gasolina. (YIERGIN, The New
World of Oil, 2011)