Fatores ambientais (externos) e organizacionais (internos) influenciam os tipos e dimensões da inovação nas organizações de diferentes formas. Isto quer dizer que os mesmos fatores podem facilitar ou dificultar a adoção de cada tipo de inovação em termos de: quantidade (maior/menor número de inovações), tempo de adoção (mais cedo/tarde ou antes/depois que os concorrentes, consideradas inovações iniciais/tardias) e coerência do padrão de adoção, indicando certa regularidade/irregularidade de inovações distribuídas no tempo analisado. Nem sempre a distinção entre fatores do ambiente competitivo e as características organizacionais possuem corte claro (SCHMIDT; RAMMER, [s.d.]). Alguns destes fatores compreendem: ambiente competitivo, indústria ou setor, espaço ou localização geográfica, tamanho ou porte organizacional, força de trabalho (especialização ou qualificação, produtividade), cooperação com parceiros externos, P&D externa, treinamento, aquisição de máquinas, equipamentos e softwares, graus de centralização e de formalização, folga de recursos disponíveis para promover a inovação, gestão organizacional, entre outros.
O ambiente competitivo no qual a organização está inserida é considerado indutor da inovação (SCHUMPETER, 1994; PORTER, 1987; PENROSE, 1995 apud MENDONCA; SOUZA; DE NEGRI, 2002), pois o tipo e a intensidade da concorrência do mercado em que atua determinam incentivos às inovações (FURTADO; CARVALHO, 2005), como o grau de dedicação necessário nas atividades inovadoras diferenciando indústrias e setores (COHEN; LEVINTHAL, 1989; TIDD, 2001). O aumento destes incentivos à inovação tecnológica ocorre especialmente em monopólios (SCHUMPETER, 1942), e podem se estender às inovações administrativas, como no caso da adoção de inovações mercadológicas como reação à intensificação da concorrência (SUBRAMANIAN; NILAKANTA, 1996). Quanto mais curtos os ciclos tecnológicos e de vida do produto e mais substituíveis os produtos, maior a introdução de inovações tecnológicas e administrativas (SCHMIDT; RAMMER, [s.d.]). Empiricamente, a dinâmica do ambiente impactou positiva e significativamente o desempenho inovador (JANTUNEM, 2005; WEERARDENA; O’CASS; JULIAN, 2006). Espaço ou localização geográfica é considerado influenciador direto e indireto do comportamento inovador organizacional (STERNBERG; ARNDT, 2001 apud GONÇALVES; LEMOS; DE NEGRI, 2005). Portanto, estudos de variáveis internas [...] visando inovação, devem ser realizados considerando o local ou a região em que as firmas
que competem entre si se inserem, a fim de considerar no mínimo equilibradas as suas variáveis determinantes externas ou geográficas (GASPARINI; ALVES FILHO; SOLETTI, 2009).
A relação entre o porte e o desempenho inovador das organizações apresenta divergência entre estudos, com predominância para a relação positiva: grandes organizações tendem a adotar mais inovações administrativas e inovações técnicas, e antes que as menores
homólogas (DAMANPOUR, 1992; KIMBERLY; EVANISKO, 1981 apud
SUBRAMANIAN; NILAKANTA, 1996). Empresas de maior porte promovem tanto inovações tecnológicas como administrativas, devido à redução dos custos médios de produção. As inovações de processo são mais significativas e suas ineficiências possuem maior impacto que em empresas menores (SCHMIDT; RAMMER, [s.d.]). No entanto, a
survey aplicada em sete indústrias de alta tecnologia da Finlândia não apresentou influência
do porte na magnitude da inovação (JANTUNEM, 2005).
Possuir trabalhadores altamente qualificados (especialistas) determina o comportamento inovador das empresas devido à capacidade absortiva, promovendo inovações tecnológicas e administrativas, as primeiras em maior quantidade (SCHMIDT; RAMMER, [s.d.]). O alto nível de especialização promove a adoção de inovações técnicas em quantidade, tempo e coerência de adoção, enquanto inovações administrativas são adotadas tarde e de forma inconsistente, mas que a produtividade dos funcionários (porcentagem do volume de negócios por funcionário) impacta positivamente inovações tecnológicas e administrativas (SUBRAMANIAN; NILAKANTA, 1996).
Elevado grau de centralização do poder decisório organizacional promove alto nível de inovações administrativas iniciais e consistentes, enquanto impacta negativamente inovações técnicas em quantidade e tempo de adoção. Elevado grau de formalização promove inovações administrativas consistentes. Graus elevados de centralização e formalização em conjunto promovem mais inovações administrativas, antes dos concorrentes, desenvolvidas em padrão coerente de tempo. A folga de recursos disponíveis (lucro líquido) para investir na adoção e na implantação de inovações promove mais inovações tecnológicas iniciais e consistentes (DAMANPOUR; EVAN, 1990 apud SUBRAMANIAN; NILAKANTA, 1996).
Cooperação com parceiros externos, P&D externa, treinamento e aquisição de máquinas, equipamentos e softwares impactam positiva e significantemente inovações organizacionais, mas não inovações mercadológicas. Empresas que pertencem a um grupo introduzem mais
NILAKANTA, 1996) e possuem aprendizagem organizacional mais desenvolvida (NIELSEN; LUNDVALL, 2007).
Os determinantes internos são responsáveis pelo escopo, importância e natureza do desempenho inovador organizacional (STERNBERG; ARNDT, 2001 apud GONÇALVES; LEMOS; DE NEGRI, 2005), embora de forma geral estas características organizacionais não possuam relações uniformes com cada dimensão da inovação (SUBRAMANIAN; NILAKANTA, 1996).
Constituem promotores da inovação: a gestão, com ênfase na mudança de modelos e práticas (HAMEL, 2007), e a combinação de inovações organizacionais e mercadológicas com inovações de produto e processo (SCHMIDT, RAMMER, [s.d.]). No setor industrial brasileiro empresas inovadoras implantaram aproximadamente o dobro inovações em técnicas de gestão, em métodos de organização do trabalho e em conceitos ou estratégias de marketing que as empresas não inovadoras (IBGE/PINTEC, 2010).
Damampour, Walker e Avellaneda (2009) aprofundaram descobertas ao revelar que práticas em nível organizacional desenvolvem inovações radicais, enquanto práticas em nível de equipe desenvolvem as incrementais. Os dois níveis desenvolvem ambas, mas práticas de equipe podem prejudicar o desenvolvimento de inovações radicais. Concluíram que organizações devem gerenciar seus funcionários de maneira diferente dependendo do tipo de inovação que pretendem alcançar.
Os determinantes da inovação do setor industrial nacional verificados pela PINTEC no período de 2006 a 2008 foram: o porte, o setor, atividades inovativas, qualificação humana e o dispêndio destas atividades e de atividades em P&D internas em relação ao faturamento total. Foi identificada relação direta entre o porte (número de pessoas ocupadas) e a taxa de inovação em produto e em processo das indústrias brasileiras de 2006 a 2008, sendo ainda mais significativa nas com mais de 500 empregados.
O setor também influenciou a taxa de inovação das indústrias brasileiras de 2006 a 2008: as maiores ocorreram nas de alta e média-alta intensidade tecnológica: automóveis (83,2%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (63,7%), outros produtos eletrônicos e ópticos (63,5%), produtos químicos (58,1%), equipamentos de comunicação (54,6%), equipamentos de informática (53,8%), máquinas e equipamentos (51%) e componentes eletrônicos (49%). Entre os setores, o gasto em atividades inovadoras relacionado ao faturamento foram maiores na fabricação de outros equipamentos de transporte (5,1%), fabricação de produtos
farmoquímicos/farmacêuticos (4,9%), impressão/reprodução de gravações (4,4%), fabricação de automóveis (4,2%), fabricação de produtos diversos (4,1%), fabricação de equipamentos de comunicação (3,8%) e fabricação de outros produtos eletrônicos e ópticos (3,6%).
O gasto com atividades internas de P&D sobre o total do faturamento teve destaque nos seguintes setores: fabricação de outros equipamentos de transporte (2,02%), fabricação de automóveis (2,01%), fabricação de outros produtos eletrônicos e ópticos (1,9%), fabricação de equipamentos de comunicação (1,62%), fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (1,44%), fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (1,01%) e refino de petróleo (0,96%). Cerca de 72% destas indústrias realizaram este investimento continuamente. Das empresas que investiram em P&D interno e foram inovadoras, 70% era indústrias, o que denota a importância deste investimento neste setor (IBGE/PINTEC, 2010). O principal responsável pela inovação do produto fundamental nas indústrias foi a própria empresa (84,2%), enquanto para a principal inovação em processo foram outras empresas ou institutos (83,4%). O setor industrial apresentou a seguinte qualificação humana: 51,7% graduados, 27,7% de nível médio e 9,1% pós-graduados. As cinco principais fontes de informação utilizadas foram: redes de informação informatizadas (68,8%, não apontada nas edições anteriores), clientes (68,2%), fornecedores (65,7%), áreas internas à empresa (61,5%, primeira colocada em todas as edições anteriores) e feiras e exposições (55,6%) (IBGE/PINTEC, 2010).
Além de revelar determinantes da inovação, a PINTEC identificou problemas ou obstáculos que as indústrias enfrentam para inovar entre as 49,8% não inovadoras: elevados custos da inovação (73,2%), riscos econômicos excessivos (65,9%), falta de pessoal qualificado (57,8%) e escassez de fontes de financiamento (51,6%) (IBGE/PINTEC, 2010).
Entre os determinantes da inovação, a literatura aponta tanto internos quanto externos às firmas. Em relação aos internos: “Uma linha comum que atravessa todas estas sub-teorias é que inovações não são semelhantes, portanto, características organizacionais terão impactos diferentes em diferentes tipos de inovações” (SUBRAMANIAN; NILAKANTA, 1996, p. 637). Mais recentemente, considerando fatores internos e externos: “[inovações] diferentes, suas adoções não são afetadas de forma idêntica pelo ambiente e pelos fatores organizacionais” (JANSEN et al., 2006; KIMBERLY; EVANISKO, 1981; LIGHT, 1998 apud DAMANPOUR; WALKER; AVELLANEDA, 2009, p. 653), corroborado por Un (2010).
Em relação aos efeitos, resultados empíricos demonstraram que “cada dimensão dos dois tipos de inovação afeta diferentes aspectos do desempenho organizacional” (SUBRAMANIAN; NILAKANTA, 1996, p. 637).
Para analisar antecedentes e efeitos, a inovação deve ser mensurada. A discussão dos próximos tópicos segue esta ordem: medição da inovação, desempenho organizacional e sua medição, e efeitos da inovação no desempenho organizacional.