A UME ―Profª Santana‖ está localizada no bairro do Morro Penha55, bairro situado na região dos morros da cidade de Santos. O seu nome é de origem indígena e significa "pouca vegetação". O Morro recebeu esse nome pelo fato de haver no seu sopé uma rocha saliente, rala de vegetação.
A escola fica bem próxima ao Largo da Saudade, situado em frente ao Cemitério da Filosofia, no bairro do Saboó, um bairro localizado parte na zona central da cidade e parte na zona noroeste da cidade.
Não foi possível obter dados oficiais recentes sobre número de pessoas que residem no Morro Penha, mas até o ano 2000, o Morro era habitado por 2,5 mil pessoas56 que ocupavam uma área de 5.982.668 metros quadrados57. De acordo com dados obtidos em conversa com funcionários da própria escola, que residem no Morro Penha, os moradores dispõem de uma Policlínica da Prefeitura situada perto da Igreja Nossa Senhora da Penha, erguida pela própria comunidade local, por meio de doações. Atualmente o imóvel também abriga o Centro Comunitário. Há um posto da Polícia Militar, uma ONG denominada Pró Viver58, frequentada por alunos da escola, muitos bares, um empório (também chamado de ―venda‖). Na subida do Morro estão instaladas uma floricultura e uma marmoraria. Como não existem espaços públicos de convivência, os alunos da UME ―Profª Santana‖ frequentam os espaços externos da escola (quadra poli esportiva) à noite e nos fins de semana.
A história da UME ―Profª Santana‖‖ começou no século XIX, quando, a 15 de março de 1892, o Conselho da Intendência Municipal desapropriou uma área de terreno ocupada pela chamada ―Chácara da Philosophia‖, no atual Morro Penha. Nesse local, anos depois, foi construída uma casa de isolamento para tratamento de varíola. A casa funcionou durante vários anos até que foi demolida, restando apenas o terreno como propriedade municipal.
A 11 de outubro de 1937, o processo nº 12.011 apresentava o projeto de construção de um grupo escolar na ―Chácara da Philosophia‖. Esse projeto compreendia duas possibilidades: a primeira, a construção de um prédio com cobertura de laje de concreto armado; a segunda, com cobertura de telhas.
55 Ver foto no Anexo E.
56 Fonte: Censo 2000 do IBGE. 57
Fonte: Prefeitura Municipal de Santos. Disponível em: <http://www.santos.sp.gov.br>. Acesso em: 09 jul. 2010.
Aprovado o projeto com laje de concreto, no dia 29 de novembro de 1937 foi publicado edital abrindo concorrência pública para a construção. No dia 7 de março de 1938, foi assinado o contrato e as obras começaram 15 dias depois.
No dia 23 de junho de 1939, foi inaugurado o prédio, com uma área construída de 621m², num terreno de 1.100m² que possuía, ainda, uma área coberta com 184m² e uma área livre com 479m². O edifício compreendia 6 salas de aula, diretoria, secretaria, sala de professores, depósito, cantina, enfermaria, consultório médico, consultório odontológico, 3 banheiros para o corpo docente e 8 banheiros para os alunos.
Naquela mesma data, foi criada oficialmente a escola que, pelo Decreto nº 228, agrupou as já existentes na Praça dos Andradas e no Caminho do Matadouro.
A UME ―Profª Santana‖ conta, em 2009, com 18 classes de 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental, com cerca de 400 alunos e duas Salas de Atendimento às Necessidades Educacionais Especiais (SANEE), em dois períodos, totalizando onze salas de aula, uma biblioteca bem estruturada, um laboratório de Informática, sala da Orientadora Educacional e da Coordenadora Pedagógica, diretoria, secretaria, sala de professores, cozinha, dois depósitos para material de limpeza, sanitários para Equipe Técnica, professores e alunos, um pátio coberto e uma quadra poli esportiva descoberta.
A SANEE, sala de recuperação dos alunos, que funciona no período da tarde, está situada no 1º andar do prédio da escola, é pequena, mas organizada e aconchegante. A lousa fica do lado direito da porta de entrada. A mesa da professora fica encostada na parede e ao seu lado foi colocado um armário onde estão arrumados os materiais pedagógicos. Em cima da mesa da professora foram colocadas pequenas estantes com portas de vidro onde estão organizados os livros. Na parede oposta à porta de entrada há uma janela de onde se avista a entrada da escola, a quadra de esportes, o morro Penha, a avenida de entrada da cidade e uma parte do bairro do Saboó. Ao lado esquerdo da janela, há uma chapeleira antiga onde os alunos colocam casacos, guarda-chuva, enquanto estão em aula. Na outra parede, há uma porta de comunicação com outra sala que, no período da manhã, é ocupada pela sala de recuperação. Os alunos e a professora trabalham em torno de uma mesa situada no meio da sala. A professora vai buscar os alunos na entrada da escola e, ao final da aula, acompanha-os novamente até a saída.
A outra sala de recuperação dos alunos, que funciona no período da manhã, também no 1º andar da escola, é pequena e organizada. A lousa fica à esquerda da porta de entrada. A mesa da professora fica ao lado de dois armários onde estão arrumados os materiais pedagógicos. Na parede em frente aos armários, há uma porta de comunicação com outra sala que, no período da tarde, é ocupada pela professora e alunos em recuperação. Na parede oposta à porta de entrada, há uma janela de onde se avista a entrada da escola, a quadra de esportes, o morro Penha e ainda a avenida de entrada da cidade e uma parte do bairro do Saboó. Os alunos e a professora trabalham em torno de uma mesa colocada no meio da sala, com oito cadeiras. Os alunos entram com a professora na sala de aula. Após a aula, voltam sozinhos para suas classes. Os alunos de ambas as salas não trazem material, pois este é fornecido pelas professoras. Também não existe local determinado nas salas de recuperação – cada aluno escolhe sua cadeira ou banquinho.
A UME ―Profª Santana‖ conta ainda com Associação de Pais e Mestres e Conselho de Escola. A Equipe Técnica da escola de acordo com o Plano Escolar, cedido pela Seduc/Santos, é formada pela Diretora, Assistente de Diretor, Coordenadora Pedagógica e Orientadora Educacional. O quadro de pessoal é composto por uma secretária de unidade escolar, um oficial de administração, quatro inspetores de alunos, dois auxiliares de bibliotecário, doze professores de 1º ao 5º ano, quatorze professores de 6º ao 9º ano, além de dois professores de Educação Especial. O quadro de pessoal de apoio é composto por três cozinheiras, três ajudantes gerais, uma porteira, além de duas recepcionistas.
A caracterização das escolas e dos bairros revela as diferenças geográficas, econômicas e sociais existentes e os recursos a que tem acesso a população.