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Universitet og statlege høgskolar (kap. 260 post 50)

3.3 Budsjett per institusjon (kap. 260)

3.3.1 Universitet og statlege høgskolar (kap. 260 post 50)

O espaço de disputa criado por Glaser sobre qual seria a grounded theory genuína, disputa essa ignorada principalmente pela tônica pessoal que o mesmo colocou após o lançamento do livro de Strauss e Corbin (1990) não passou imune nas críticas já existentes de ambas as correntes de grounded theory manterem um forte viés positivista, Seja por uma percepção de objetivismo identificado como pressuposto positivista, seja por se entender que a realidade é tratada como se fosse externa e o observador fosse neutro (Guba e Lincoln, 1994; Charmaz, 2000), embora nem todos os acadêmicos concordem com essa interpretação. Suddaby (2006, p.634), conquanto assuma uma concepção de realidade próxima à de representações interpretadas de uma realidade “substantiva”, afirma que Glaser e Strauss (1967) “rejeitam noções positivistas de falsificação e teste de hipóteses, descrevendo um processo orgânico de emergência de teoria...”.

Essas críticas são paradigmáticas e dizem respeito ao ponto de vista do pesquisador e sua perspectiva adotada para explicar os fenômenos observados, de acordo com a concepção de paradigma proposta por Guba e Lincoln (1994, p.105) que é: “a visão de mundo que guia o investigador, não só nas escolhas de método, mas em suas bases ontológica e

epistemológica”. Esse ponto de vista pode ser identificado por três questões básicas: (1) qual a natureza assumida para realidade pelo pesquisador? (2) qual a natureza da relação entre o pesquisador e sua investigação? E (3) como o pesquisador deve responder seu questionamento de pesquisa.

Guba e Lincoln (1994) propõem então que há quatro possibilidades de responder a essas perguntas e que seriam os paradigmas definidores da perspectiva adotada pelos pesquisadores, o positivismo, o pós positivismo30, a teoria crítica e o construtivismo. Sob o paradigma construtivista, as três questões básicas são respondidas de forma que (1) assuma-se uma ontologia relativista, embora compreendendo que, em determinados contextos, possa haver realidades compartilhadas, apesar de suas múltiplas possibilidades; (2) assume-se uma relação estreita entre a ontologia e a epistemologia, compreendendo a interação existente entre o observador e o observado, de forma interacional e subjetivista; (3) as respostas são construídas em uma abordagem simultaneamente hermenêutica, interpretativista, portanto, e dialética, por reconhecer a impossibilidade de uma única explicação para fenômenos sociais em sua complexidade (APPLETON, 1997).

Deve-se reconhecer que não há, necessariamente, uma oposição paradigmática entre a grounded theory objetivista e a construtivista, mas sim uma linha contínua indo de um extremo a outro e onde se pode colocar a perspectiva Glaseriana e Straussiana como tendo traços de positivismo e pós positivismo. Já a análise dimensional, proposta por Schatzman (1991), se situaria dentro do paradigma construtivista, não só pela metodologia adotada como pela assunção de múltiplas realidades ou perspectivas de interpretação. Essa é a perspectiva sugerida por Charmaz (2000) ao afirmar que uma abordagem construtivista de grounded theory implica em entender os significados construídos pelas pessoas para seus mundos, devendo o pesquisador por os métodos da grounded theory a serviço de uma concepção de ciência social interpretativa, com foco nos significados.

Apesar das severas críticas interpostas por Glaser (2002), recusando a possibilidade de se pensar grounded theory como um método que possa trabalhar com significados em um pressuposto de que a realidade social é construída, deve-se concordar como Bryant (2003) que

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De acordo com Denzin e Lincoln (2000,p.27), “o pós positivismo sustenta que somente podem ser produzidas percepções e compreensões parcialmente objetivas do mundo”. Guba e Lincoln(2000,p.193-194) apresentam uma tabela comparativa onde sugerem como crenças básicas do pós positivismo a ontologia do realismo crítico, uma epistemologia dualista/objetivista modificada e, como metodologia, a falsificação de hipóteses e a aceitação de metodologias qualitativas.

julga a crítica interposta carente de argumentação sólida e, portanto, ineficiente. Leve-se em conta também a constatação de Henwood e Pidgeon (2003, p.132) de que “a aparente base filosófica da grounded theory como um processo de “pura” indução, oculta um dilema epistemológico. Para resolver esse [dilema] é necessário leituras construtivistas que melhor refletem os processos atuais de análise de grounded theory”.

Ainda de acordo com Henwood e Pidgeon (2003), o dilema envolvido reside no fato de, na grounded theory, tem-se de um lado as visões positivistas do processo científico e do realismo, enquanto, do outro, há a abordagem interacionista simbólica que implica, necessariamente, em se ter o pesquisador no processo criativo e interpretativo de gerar novas compreensões e teorias -- uma perspectiva notadamente construtivista. Os autores sugerem, coincidindo com Bryant (2003) e Charmaz (2000), que o pesquisador não pode perder de vista a consciência desse processo construtivista no qual o “saber envolve sempre o escutar e ver de alguma perspectiva sociocultural específica, seja ela individual ou institucional”(HENWOOD E PIDGEON, 2003,P.135).

Para uma completa inserção do método de grounded theory em uma abordagem social construcionista, Charmaz (2005) sugere que se leve em conta as bases da escola de Chicago de Sociologia, que considera a teoria da agência, a linguagem e os aspectos interpretativos, dentre outros aspectos dos processos sociais e seus contextos. Dessa maneira, tendo em vista a investigação naturalística31 que busca entender a realidade cotidiana das pessoas observadas32, a autora sugere algumas etapas de aproximação do fenômeno social: (1) familiarizar-se com o contexto, eventos e participantes no fenômeno observado, essa etapa direciona uma forte conexão entre a grounded theory e a etnografia como instrumento de coleta de dados; (2) focalizar nos significados e processos, a questão dos significados adotados pelos observados coloca de vez o construcionismo social como elemento crucial à interpretação dos fenômenos observados; (3) estudar os eventos e ações o mais próximo possível, onde se destaca a ênfase na compreensão dos processos sociais; (4) descobrir e detalhar o contexto onde ocorrem os fenômenos sociais observados, a caracterização do contexto, espaços e temporalidade, é essencial para a apreensão dos significados; (5) prestar atenção na linguagem utilizada pois “Linguagem modela os significados e influencia as ações. Por sua vez, ações e experiências modelam significados” (CHARMAZ, 2005, P.525).

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No original: Naturalistic Inquiry

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Aqui, de novo, observa-se uma proximidade da Análise Dimensional, proposta por Schatzman, com a

Charmaz (2005), quando sugere atenção à linguagem utilizada e aos significados construídos pelos atores inseridos no fenômeno social observado, inclui como elementos importantes na observação as metáforas e os silêncios, os não ditos, por considerá-los importantes na interpretação e compreensão dos diferentes mundos sociais. Nesse sentido, Clarke (2003, 2005) oferece uma alternativa metodológica que enfatiza o discurso, com seus ditos e não ditos numa nova metodologia de grounded theory denominada análise situacional que será apresentada a seguir.

A tendência de se utilizar a grounded theory construtivista é um dos esforços mais percebidos para direcionar essa metodologia para posições mais claramente distantes de suas origens positivistas. Charmaz (2005) chama atenção para o trabalho de Clarke (2005) que, com sua proposta de análise situacional, apresenta novos recursos analíticos para identificar e conceituar relações empíricas sutis. Ela ainda chama atenção para o fato de as ferramentas propostas por Clarke, de mapeamento nos níveis individual, organizacional e social, focarem as presenças e ausências de ação e de vozes33. Ela afirma que a metodologia de Clarke (2005)

...observa silêncios que revelam ausências de alinhamentos na organização. Dessa maneira, mapear esses silêncios, relacionando-os aos alinhamentos ativos, pode tornar visíveis estruturas sociais invisíveis. Aspectos invisíveis das estruturas e processos sociais são aqueles que uma investigação crítica deve considerar. (CHARMAZ, 2005,P.527)