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In document Fra uro til utvikling (sider 89-0)

O Projeto Teia da Vida foi elaborado pela Universidade Federal de Goiás por meio do Laboratório de Tecnologias da Informação e Mídias Educacionais do Instituto de Ciências Biológicas - LabTIME/ICB/UFG e submetido à seleção do Ministério de Ciências e Tecnologias e Ministério da Educação - MCT/MEC, conforme critérios estabelecidos no edital Nº 1/2007, CONDIGITAL: chamada pública para produção de mídias digitais.

O edital era relativamente fechado, demandando desde a pré-especificação dos títulos das mídias que seriam produzidas, passando pelos conjuntos dessas mídias de diferentes tipos, que deveriam ser para rádio, TV e internet, até chegar a um número especificado de produções em cada mídia com os respectivos conteúdos que seriam abordados, com a indicação e descrição das competências esperadas dos integrantes das equipes de produção de cada tipo de mídia.

A partir do momento que foi definida pelo LabTIME/UFG a participação no edital, organizamos um grupo para escrever uma proposta de projeto que possibilitasse montar um espaço de trabalho integrado, em que já estivesse presente, desde a escrita inicial, muitos dos potenciais membros da equipe de produção. Para isto, resolvemos incluir no grupo de elaboração do projeto, potenciais bolsistas internos e externos à UFG. O projeto foi escrito nas madrugadas e finais de semana, num pequeno auditório do Núcleo de Tecnologia de Goiânia e salas de reunião da Universidade Federal de Goiás. A nossa preocupação estava em atender às demandas do edital - muito fechado e com demandas dos conteúdos e formatos das mídias predefinidos - e simultaneamente deixar no texto deste

projeto aberturas para, caso aprovado, expandir, a partir do predefinido, de modo a possibilitar o redesenho da proposta inicial conforme exemplificado no recorte a seguir.

Para garantir a integração das mídias que caracterizam o projeto, a partir do eixo gerador, os coordenadores das mídias discutirão e reorganizarão os temas estabelecidos. Essa reorganização pressupõe conectores e fronteiras entre as mídias, capazes de manter a integridade do eixo – Teia da Vida – composta pelas partes representadas por cada construção de mídia. Dessa forma, resguarda-se o todo, impedindo-se a repetição ou a sobreposição de assuntos abordados. (PROJETO TEIA DA VIDA, 2007).

Nessa perspectiva, o projeto teve como objetivo elaborar materiais didáticos multimídia a partir de situações problematizadoras e de forma interativa, para subsidiar o trabalho no espaço escolar e contribuir para a compreensão da complexidade que envolve a teia da vida, motivando ações responsáveis próprias a humanos conscientes do seu papel nessa teia e, por conseguinte, na sociedade e na educação.

Pelo fato de nosso laboratório estar no contexto das ciências biológicas e pela perspectiva de contribuir no sentido de tornar a educação mais acessível, atingir um maior número de pessoas e facilitar os processos de ensino e de aprendizagem entre outras questões, que serão abordadas mais adiante, fizemos a opção, entre as áreas estabelecidas no edital, pela área de Biologia para o ensino básico. Conforme as expectativas a partir das aberturas deixadas no projeto proposto, havia a possibilidade de reorganização e complementação no momento da produção dos conteúdos. Permitindo assim, que o eixo gerador, contido nas produções dos conteúdos educacionais multimídia, levasse à reflexão, informação e geração de capacidades na área da biologia conectada a outros olhares numa perspectiva interdisciplinar e num contexto de complexidade que pensamos responder ao que a própria vida é.

O projeto Teia da Vida teve início com uma ruptura: minha decisão de saída de outro projeto de produção de materiais didáticos digitais, também desenvolvidos pela UFG, que ajudei a construir, que tinha como objetivo ser um espaço de

produção e gestão colaborativas aplicada à Educação a Distância no ensino superior. Esse novo momento, o de pensar, discutir e propor o Teia da Vida me exigia um mergulho ainda mais profundo em reflexões a respeito da necessidade de interação e observação nos processos de produção para viabilizar certo grau de criatividade e complexidade no produto final. Assim, o espaço do pensar e de produzir conteúdos digitais, no âmbito do projeto, solicitava desde o início muita interação, observação e compartilhamento e a adoção de múltiplos métodos, ou seja, de um conjunto de técnicas tais como pesquisa-ação e observação participante, bem como bases teóricas relacionadas à auto-organização, sistemas dinâmicos e complexidade que funcionariam como lentes de observação e instrumentos para ação.

Nada disso era ou estava claro para mim, nem para equipe que participava da elaboração do projeto e potencialmente participaria no desenvolvimento, caso fosse aprovado, mas havia a necessidade de se tentar aproximar, utilizar vários caminhos. Nesse momento, enquanto coordenador e também integrante da equipe que seria de produção, o que eu tinha claro era que não podia me preocupar em ter uma metodologia de observação e interação única, pois cada momento exigiria uma forma de estar e observar: por vezes deveria anotar, por vezes sentir e refletir sobre o que sentia e analisar. Deveria estar sempre mergulhado nas tensões que o processo de produção provocaria em meio a tantas interações e tantas questões de comunicação e ruídos.

O projeto foi aprovado e a partir daquele momento, para viabilizar a produção conforme aberturas deixadas nas propostas elaboradas para cada bloco de mídias, foi necessário constituir equipes descentralizadas, criar assim espaços para observação de todos os movimentos que ocorressem no desenvolvimento das produções, tanto com relação às equipes da UFG/LabTIME quanto com relação à equipe de acompanhamento do MCT/MEC. Isto foi necessário visto que a intenção era, pelas possibilidades das aberturas, que o processo de desenvolvimento fosse um laboratório de pesquisa onde os movimentos que ocorressem em várias dimensões pudessem ser objetos para pesquisa e tomada de decisão sobre as mudanças viáveis, considerando que as equipes estavam sendo formadas tecnicamente, partindo do que estava prescrito no projeto e de seus conhecimentos

prévios. Foi preciso também assumir riscos, por exemplo, de problemas com o cumprimento do cronograma, de não fechar e não articular, de forma consistente as temáticas e até de ordem financeira, pois assumir o projeto como laboratório de capacitação e experimentação implicava conviver com incertezas, mas também que rompíamos aos poucos com as questões predefinidas.

Nesse contexto e cientes dos desafios, a decisão foi não terceirizar a produção, e o recurso da terceirização seria investido na aquisição da infraestrutura mínima para que o grupo, composto por várias equipes, produzisse todas as mídias, assim teríamos condições de realizar experimentos, aprender no processo e criar possibilidades para inovações.

Incluímos nas equipes de produção, alguns estudantes do Ensino Médio da rede pública, que foram inicialmente orientados pelas equipes técnica e pedagógica e aos poucos foram compondo um grupo que realizava vivências, gerava ideias e produzia protótipos. Realizamos um processo seletivo nas escolas públicas e foi criada uma equipe inicialmente com dez (10) membros. Cinco atuando com a equipe de áudio (rádio) e cinco com a equipe de vídeo. No projeto vários subgrupos foram criados: equipe audiovisual (subgrupo áudio, vídeo, design), de conteúdo, de revisão e de orientação pedagógica; no total interagimos com uma média de trinta e cinco (35) pessoas por todo o período de três (3) anos, sendo que o edital previa doze (12) meses para conclusão do projeto.

Enquanto um laboratório de experimentação e de pesquisa, intencional, o projeto Teia da Vida propiciou levantar questões sobre limites e possibilidades a respeito da produção de tecnologias educacionais numa perspectiva da complexidade para o currículo escolar.

Refletir sobre a vida e os fatores que implicam sua permanência no planeta foi a proposta que deu origem ao projeto e direcionou seu desenvolvimento que, portanto, permaneceu nos diálogos tanto nos processos de produção para garantir que também ocorresse entre as temáticas e mídias produzidas e se estendesse até ao professor e estudante no espaço escolar. Esta proposta visava favorecer a produção de conhecimento, por professores e estudantes, que fizessem uso dos

materiais produzidos por meio de leitura e reflexão que propicie o melhor entendimento da realidade em que vivem, compreendendo como a vida funciona para, assim, dar maior sentido à própria vida.

Seguindo a proposta original do projeto, a de Teia da Vida, as primeiras reflexões do grupo de produção das mídias partiram de discussões que evidenciavam, por exemplo, questões como a de observação do trabalho de tecelãs que entrelaçam os fios num intenso combinar e recriar de cores, e com esses elementos obtém simetrias resultantes de intrincadas relações. Ou, ao lermos, refletirmos e observarmos os canais que conduzem a seiva pelas nervuras das folhas em uma árvore somos surpreendidos ao constatarmos, a partir desse fenômeno, as complexas relações que colaboram para garantir a vida e a sua permanência na natureza. Podemos dizer que, da mesma forma daria o desafio no processo de produção a que nos propúnhamos, pois vislumbrávamos um complexo entrelaçar das subtemáticas na composição da teia que perpassaria por todas as produções e resultaria no produto final do projeto.

Nessa perspectiva, as produções de rádio, vídeo e os objetos de aprendizagem estabelecem relações entre si e com elas constroem uma teia também. São linguagens que fornecem fios e possibilidades múltiplas de combinação caso o professor e o estudante que podem vir a explorá-las as encarem como canais que propõem desafios, promovem discussão, oferecem oportunidades à manifestação de ideias e de argumentação sobre os porquês, como, quando e onde do nascer, crescer, reproduzir e morrer dos seres vivos.

As questões anteriores tiveram como base, no âmbito do projeto, reflexões em torno dos grandes problemas enfrentados, pela sociedade atual, relacionados à redução das condições adequadas para que a vida se perpetue.

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