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Chapter 3 Literature Study

3.4 Types of Corrosion

3.4.1 Uniform Corrosion

As manifestações populares que envolvem dança, música e datas comemorativas representam as festas, que podem estar ligadas também à religiosidade. O pesquisador Trigueiro (2007, p. 108) afirma que essas manifestações festivas dizem respeito à própria natureza do homem: “o ser humano é um realizador de festas, portanto, a festa é parte essencial da sociedade porque é através das festas que se organizam e divulgam as suas culturas e as suas memórias”.

Festa e música estão intimamente relacionadas, e dependendo dos tipos de comemoração, há determinados estilos que obedecem a uma tradição, como vaquejada e forró eletrônico ou rodeio e música sertaneja.

A música é uma forma de pensamento compartilhado e uma maneira de estabelecer uma organização social do tempo e das relações afetivas. A noção de festa é central nesse processo, uma vez que agrega não somente um evento no qual a experiência musical irá ocorrer, mas induz a uma certa ambiência afetiva compartilhada pelos presentes (TROTTA, 2010, p. 54). O forró eletrônico tem na festa seu principal ganho comercial e financeiro. É através dela que se arrecada com bilheteria e anúncios publicitários. Patrocinadores de bebida alcoólica são comumente encontrados nos shows de forró eletrônico. As festas populares, ditas comerciais, “são quase sempre planejadas para atender as demandas de consumo dos interesses econômicos do mercado globalizado das empresas de bebidas, do turismo, dos grupos políticos e principalmente da mídia” (TRIGUEIRO, 2007, p. 108).

Como vimos através da observação da prática comercial de Isaías Cds, o forró não tem como principal interesse o de vender disco. Vende festa e a experiência que ela traz. Trotta (2008, p. 2), analisando a banda Aviões do Forró como referência para o gênero, comenta:

O vetor básico de divulgação musical de Aviões é o fonograma gravado em estúdio e tocado em rádio. Porém, enquanto nas grandes gravadoras transnacionais a divulgação em rádio tem como objetivo a venda de discos,

34 “[...] a música do forró eletrônico, traz uma característica fundamental para sua projeção comercial: uma

explícita apologia da festa como lugar de realização social e, sobretudo, amorosa e sexual. O trinômio festa- amor-sexo funciona como um elo fundamental da experiência social da música. O show é o evento central nesse processo e todas as etapas da produção musical apontam para esse momento de festa, onde as simbologias, identificações e os encontros amorosos e sexuais irão ocorrer, que se manifesta fortemente no repertório das

que são os principais produtos das empresas, os produtores e empresários das bandas de forró elegeram os shows como produto básico de vendas. Isso significa que a divulgação comercial nas rádios está voltada para a atração de público para a experiência musical ao vivo, que passa a ser o eixo central de comercialização.

A festa é, sobretudo, uma experiência. Ao comprar um ingresso para ver seus artistas/bandas prediletos, o indivíduo negocia também significados. Há um preparo para a festa – roupas, acessórios – e um agendamento social – com quem se irá à festa – pois raramente alguém irá a um show de forró sozinho; nisso a indústria fonográfica, organizadora dos shows, sai lucrando, pois geralmente os ingressos são vendidos aos pares, geralmente a “amiga leva uma amiga, que conhece uma amiga não quer ir sozinha”. As experiências são geradas antes da festa em si: na expectativa dela.

Vemos em diversos anúncios de festas – rádio, outdoor e cartazes – além das informações sobre horário, data e local, a seguinte nota “Muita gente bonita” ou nas chamadas de rádios: “Só vai ter mulher bonita”35. Ora, não entraremos no conceito do belo, mas por ser o belo algo particular e visto/revelado de maneiras diversas por cada ser, entendemos que a ressalva da “gente bonita” e em especial à mulher, diz respeito a igualar o público consumidor daquela determinada festa, e em especial pedir o comparecimento do público masculino, à procura de mulheres belas, colocando todos que compartilham daquela experiência como iguais, e que além do gosto musical, desperta a ideia de homogeneidade, entrando até mesmo na esfera da aparência física.

Não há festa sem muita gente, sem dança, sem bebida, sem paquera, sem encontros sociais de naturezas múltiplas. Para ser festa é preciso que a música estabeleça modos de estar coletivamente, instaurando regras para as relações humanas e para o acesso a estados afetivos específicos (TROTTA, 2010, p. 54).

As bandas de forró eletrônico são contratadas para realizar eventos variados, como vaquejadas, micaretas, festivais, aniversários de cidade, Carnaval e baile de formatura. Essa presença massiva do forró eletrônico contribui para a sua manutenção como líder de audiência nas rádios e capaz de reunir milhares de pessoas, entre mulheres e homens, que consomem com a festa.

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Suas composições – pautadas no ambiente urbano e jovem – retratam o cotidiano, as emoções, o amor romântico e o desejo sexual, a partir da existência de duas figuras: a masculina e a feminina, ambas essenciais para que a experiência da festa ocorra, pois as composições envolvem situações ocorridas entre um casal. Temáticas como traição, amor romântico e paixão são comumente evocadas nas letras, que geralmente possuem fala masculina, endereçada aos homens, tendo como tema principal a mulher, uma figura feminina, nascida no forró eletrônico, que desperta críticas em relação ao modelo de tratamento conferido às mulheres, mas que tem no público feminino grande parte dos ouvintes e consumidores dos shows.

Observaremos quais as possíveis interpretações para essa “mulher”, nascida no forró eletrônico nos anos 90 e que hoje é cantada em suas composições, pelas próprias mulheres. Buscamos entender esse universo de significados, no que diz respeito à construção da figura feminina, produzidos a partir do consumo de música e apropriações de elementos da cultura popular, em especial, do linguajar, da fala e das gírias do consumidor do gênero forró eletrônico. Para isso, é preciso que adentremos na ideia do que é a cultura popular, e em como ela se manifesta, aliada à cultura de massa, como essencial para a construção do universo de significados que permeia tanto o forró eletrônico, enquanto produtor de música, quanto os adeptos do gênero, enquanto consumidores.

CAPÍTULO 3