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5.   TEORETISK  GRUNNLAG:

5.4   Ungdomstid  og  mediene:

Nossa primeira tentativa de responder à pergunta “o que é a verdade?” nos levou a um quebra-cabeças metafísico acerca da natureza dos fatos e de como eles se relacionam com (isto é, correspondem a) proposições verdadeiras. A perplexidade de G. E. Moore diante desse problema pode ser lida em seu

Some Main Problems of Philosophy, organizado por H. D.

1912 e nos anos seguintes (embora não publicadas até muito tempo depois). A resposta de Russell, seu atomismo lógico que lia a natureza da realidade na estrutura lógica da linguagem, foi publicada em suas palestras “The Philosophy of Logical Atomism”, reimpressas em Logic and Knowledge, ed. R. C. Marsh. O atomismo lógico mais meticuloso de Wittgenstein, no qual a teoria figurativa do significado funciona como a ligação entre a linguagem e o mundo, pode ser encontrado no

Tractatus Logico-Philosophicus, traduzido por D. Pears e B.

McGuiness. Mas o estilo do Tractatus é opaco, e uma visão geral mais clara das teorias de correspondência e do atomismo lógico encontra-se em Philosophical Analysis de J. Urmson ou em The Correspondence Theory of Truth de D. J. O’Connor.

As objeções às teorias da correspondência em que me concen- trei eram essencialmente ontológicas: é possível apresentar um tratamento plausível dos fatos (e da relação de correspondência) que mostre que é essencial reconhecer a existência dos fatos como ontologicamente autônomos? Gottlob Frege apresentou outro argumento contra os fatos, e na verdade contra qualquer teoria da verdade que sustente que verdade é um conceito subs- tantivo. A ideia é que a equivalência entre A e “é verdade que

A”, junto de uma tal afirmação, produz um regresso vicioso

(e portanto implica que uma tal teoria é incoerente). O argu- mento é apresentado e criticado em Spreading the Word, de S. Blackburn, capítulo 7. Alguns veem o argumento de Frege como um precursor do minimalismo em teorias da verdade.

A teoria da correspondência tem uma versão mais moderna, inspirada em um artigo de J. L. Austin, “How to Talk”, reim- presso em seu Philosophical Papers: ela é chamada “semântica situacional” e é descrita por J. Barwise e J. Perry em Situations

and Attitudes. Alguns princípios norteadores dessa nova teoria

são estabelecidos por Barwise no capítulo 11: “Notes on Branch Points in Situation Theory” de seu The Situation in Logic. Logic

and Information, de Keith Devlin, é uma introdução cuidadosa

à teoria da situação.

Os maiores problemas são: o que é uma situação? Realmente precisamos dela? Esse é o problema original, que nos leva a perguntar: “para que uma teoria da verdade?” e “como teorias da verdade deveriam ser avaliadas?” As condições de adequação formal e material de Tarski foram formuladas pela primeira vez em um longo artigo publicado por volta de 1930, mas a encontramos expressada de modo mais conciso no texto “The Semantic Conception of Truth”, reimpresso em Readings in

Philosophical Analysis, ed. W. Sellars e H. Feigl. O tratamento

que Tarski deu à noção de verdade levou ao desenvolvimento da teoria de modelos em lógica formal. Um artigo que apre- senta um bom panorama do trabalho de Tarski, incluindo as teorias deste e do próximo capítulo, é “Tarski on Truth and Logical Consequence”, de John Etchemendy. Uma reformula- ção da teoria da correspondência, inspirada nos resultados de Tarski, foi apresentada por Donald Davidson em “True to the Facts”, reimpresso em seu Essays on Truth and Interpretation. Uma apresentação clara das teorias da verdade, incluindo a contribuição de Tarski, pode ser encontrada no capítulo 7 de

Philosophy of Logics, de Susan Haack. Esse é também o foco da

discussão de Mark Platts sobre a verdade no primeiro capítulo de Ways of Meaning.

Uma reflexão acerca da condição de adequação material de Tarski nos leva a questionar o que é de fato obtido com a atribuição de verdade. A observação intrigante de Ramsey, que mais tarde deu origem à teoria da redundância e a outras teorias da verdade minimalistas, encontra-se em “Facts and Propositions”, incluído em The Foundations of Arithmetic and

Other Essays, uma coletânea publicada após sua morte prema-

tura aos 27 anos, em 1930. A teoria da redundância, segundo a qual a atribuição de verdade é essencialmente redundante e

nada acrescenta à sentença cuja verdade é declarada, foi desen- volvida por Arthur Prior nos anos de 1960 e é articulada de modo límpido em What is Truth?, de Christopher Williams. A teoria prossentencial acrescenta à teoria da redundância a natureza anafórica da verdade: asserir a verdade não se resume a reasserir, mas sim endossar o que foi dito. Essa teoria foi exposta por Dorothy Grover e outros em “A Prosentential Theory of Truth”. Esse e outros artigos sobre o mesmo tema encontram-se no livro A Prosentential Theory of Truth.

Nos anos recentes, entretanto, vimos uma forte rejeição a ideias minimalistas e tentativas de estabelecer uma noção subs- tantiva de verdade sem a metafísica inaceitável de uma teoria plena da verdade como correspondência. Hilary Putnam, por exemplo, em “A Comparison of Something with Something Else”, descarta o trabalho de Tarski como um trabalho que não fornece insight filosófico algum acerca do conceito de verdade. Em muitos outros lugares – um tratamento acessível é dado em seu Reason, Truth and History, especialmente no capítulo 3 –, Putnam defendeu uma forma de realismo, que ele chama de “realismo interno”, para distingui-lo de “realismo metafísico”, que ele rejeita. A ideia essencial do tratamento internalista, compartilhada com as visões construtivistas que veremos no Capítulo 8 deste livro, é que não há um ponto de vista exterior a partir do qual possamos comparar o que dizemos e pensamos com o modo pelo qual as coisas são: há apenas o ponto de vista interno, a perspectiva dentro de um esquema de descrição.

Um tratamento geral (e uma crítica) dos tratamentos mini- malistas (chamados de “deflacionários”) é dado por Hartry Field em “The Deflationary Conception of Truth”, em Fact,

Science and Morality, ed. G. Macdonald e C. Wright. Crispin

Wright lançou recentemente mais um ataque sistemático à ideia de que verdade não é uma propriedade substancial em seu livro

de dar conta de aspectos essenciais do conceito de verdade, em particular, que tal conceito é distinto da – e ultrapassa a – noção de assertibilidade justificada na medida em que é estável (uma vez verdadeiro, sempre verdadeiro) e absoluto (diferentemente da noção de justificação, não admite graus).

NOTAS

1 Optamos por traduzir a distinção type/token por tipo/espécime, conforme a

Enciclopédia de termos lógico-filosóficos (João Branquinho, Desidério Murcho

e Nelson Gonçalves Gomes (ed.), São Paulo, Martins Fontes, 2006) [N.T.].

2 Nome comum para cachorros em inglês, frequentemente é usado para se referir

à ideia de que o sentido (do nome “Fido”) seria sua referência (o cachorro Fido) [N.T.].

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