teremos que perpassar sobre o conceito de desenho universal, primordial para a acessibilidade aos bens e serviços pelas pessoas com deficiência. O desenho universal (Design for all,
16 Na dissertação, acessibilidade do Governo Eletrônico compreende o relatório consolidado dos comitês
técnicos das Oficinas de Planejamento Estratégico (2013); ao e-MAG, Acessibilidade de Governo Eletrônico: Cartilha Técnica (2013); ao eMAG, Acessibilidade de Governo Eletrônico: Modelo de Acessibilidade em: ambientes web (2005b) e ao Manual de Acessibilidade para Ambientes Web (2013). Disponíveis em: <http://www.governoeletronico.gov.br>. Acesso em: 3 de dezembro . 2013.
Universal Design, Desenho para todos) constitui-se como “o processo de criar produtos,
comercialmente viáveis, que possam ser usados por pessoas com as mais variadas habilidades, operando em situações (ambientes, condições e circunstâncias) as mais amplas possíveis” (DIAS, 2003, p. 104). Associa-se a este principio os espaços, artefatos e produtos que visam atender todas as pessoas simultaneamente, com diferentes características antropométricas e sensoriais, com autonomia, segurança e conforto, que se constitui nos elementos ou soluções que compõem a acessibilidade (BRASIL, 2004a).
Nesta dissertação desenvolvemos o conceito de desenho universal de acordo com CORRADI (2007) onde este é considerado um princípio que favorece as condições de acessibilidade ao ciberespaço. Fator simplificador a ser considerado nos sistemas de navegação, recuperação e busca por usuários com diferentes condições sensoriais, linguísticas e motoras. O desenho universal, em ambiente virtual informacional, requer o planejamento e estruturação dos elementos de acessibilidade e usabilidade aplicados ao atendimento de uma ampla variedade de usuários potenciais, destacando-se as pessoas com deficiência.
Nesse contexto, as tecnologias assistivas constituem-se em todo recurso tecnológico desenvolvido para permitir o aumento da autonomia e independência nas atividades domésticas ou ocupacionais de vida diária das pessoas.
Tecnologias assistivas são os produtos, os instrumentos, os equipamentos e as tecnologias adaptadas ou projetadas para melhorar a funcionalidade das pessoas, independente de suas condições sensoriais, mobilidade reduzida ou idade, que deve favorecer a autonomia pessoal, total ou assistida (BRASIL, 2004a).
A utilização de tecnologias assistivas envolve uma série de possibilidades do desempenho humano, como tarefas de autocuidado e atividades de lazer e de trabalho (NETO; ROLLEMBERG, 2005).
É necessário considerar a importância de tecnologias assistivas para o acesso a informação das pessoas com deficiência. Sem elas, mesmo com o acesso a web, grande parcela dessa população continuaria excluída.
As Tecnologias assistivas permitem que pessoas com diversos tipos de comprometimento - sensoriais, físicos, cognitivos – possam se fazer uso dos computadores, tablets, smartphones entre outros, valendo-se dos benefícios que eles oferecem. Gerando conhecimento, e este é utilizado especificamente para permitir o aumento da autonomia e independência de pessoas com deficiência em suas atividades domésticas ou ocupacionais de vida diária (BRASIL, 2004b).
É, por exemplo, o caso de um pequeno extensor para os dedos ou de um mouse adaptado, que muitas vezes permitem que alguém com um pequeno comprometimento motor alcance perfeitamente o teclado ou movimente o mouse.
Com o uso de um leitor de tela, a pessoa cega pode navegar na internet. Da mesma forma, um ampliador de caracteres - seja ele digital ou através de uma lupa especial - possibilita a quem tem baixa visão o acesso a um texto disponibilizado no monitor do computador.
Com essas ajudas técnicas, pessoas com grandes comprometimentos motores, sensoriais ou cognitivos podem, perfeitamente, usar computadores em qualquer atividade cotidiana.
Para desenvolver as especificidades das deficiências, vários pesquisadores apontam para ações em áreas chave, estabelecendo e garantindo a acessibilidade às novas tecnologias da informação e da comunicação, estando associadas a:
a) Características de acessibilidade incorporadas no hardware ou no sistema operativo que promovem a sua acessibilidade a usuários com ou sem necessidades especiais. Essa é a solução preferível, uma vez que as características de acessibilidade estão disponíveis em todas as estações de trabalho e podem ser utilizadas em todas as aplicações;
b) Utilitários que modificam o sistema para torná-lo mais acessível a um maior número de usuários e mais práticos para instalar em todas as plataformas. Exemplos de utilitários incluem os sistemas de output em Braille ou as modificações do teclado ou do mouse;
c) Aplicações especiais para pessoas com deficiências, tais como processadores de texto projetados para integrar voz e texto com o objetivo de auxiliar usuários com aptidões de escrita e de leitura limitadas;
d) Características de usabilidade que podem ser incorporadas nas principais deficiências, tornando-as mais fáceis. Por exemplo, parametrização de cores ou aceleradores de teclado. Segue abaixo exemplos no uso das tecnologias assistivas para as pessoas com deficiência.
Figura 11 - Tecnologias Assistivas para pessoas com deficiência física
Fonte: In: Instituto de Tecnologia Social - ITS. (Org.). Tecnologia Assistiva nas Escolas: Recursos Básicos de
Figura 12 - Tecnologias Assistivas para pessoas com deficiência visual
Fonte: In: Instituto de Tecnologia Social - ITS. (Org.). Tecnologia Assistiva nas Escolas: Recursos Básicos de Acessibilidade Sócio-Digital para Pessoas com Deficiência. 1ed.São Paulo: ITS, v. 1, p. 25-38.2008
Figura 13 - Tecnologias Assistivas para pessoas com deficiência auditiva
Fonte: In: Instituto de Tecnologia Social - ITS. (Org.). Tecnologia Assistiva nas Escolas: Recursos Básicos de
No Brasil, os autores Neto e Rollemberg (2005) asseveram que o uso de tecnologias assistivas é limitado por algumas circunstâncias. Dentre estas destacamos a falta de conhecimento do público usuário a respeito das tecnologias disponíveis; falta de orientação aos usuários pelos profissionais da área de reabilitação; alto custo; carência de produtos no mercado; falta de financiamento para pesquisa; ausência de políticas públicas de incentivo ao desenvolvimento de tecnologias assistivas.
Nessa dissertação afirmamos que a prática do desenvolvimento de sistemas, produtos e serviços para serem utilizados com segurança e autonomia por pessoas com deficiência constitui a tecnologia principal para a acessibilidade na informação. Essa condição deve, não apenas permitir que essas pessoas participem de atividades que incluam o uso de produtos, serviços de comunicação e informação, mas também a inclusão e o uso destes por todas as parcelas presentes em um determinado segmento, ou seja, é a possibilidade de qualquer pessoa usufruir de todos os benefícios da vida em sociedade, democratizando o acesso à informação.
Ao utilizarmos os princípios dos termos ciberespaço, acessibilidade, arquitetura da informação, usabilidade, tecnologias assistivas numa interdisciplinaridade no planejamento e estruturação de ambientes virtuais visam promover a entrada das pessoas com deficiência na sociedade da informação e numa fase posterior a inserção destas num cenário de sociedade inclusiva. Assim, na Figura abaixo se apresenta o Esquema das etapas e processos para a Inclusão social das Pessoas com Deficiência através da ação da ação dos profissionais da Informação, cujo objetivo apresentar os entrelaços que os conceitos que podem promover e possibilitar a inclusão social das pessoas com deficiência.
Figura 14 - Esquema das etapas e processos para a Inclusão social das Pessoas com Deficiência
através da ação dos profissionais da Informação
Fonte: Elaborado pelo autor
Neste movimento de inclusão, tanto os profissionais da informação envolvidos quanto as pessoas com deficiências devem estar implicados no processo de desenvolvimento do blog. A participação direta dos diversos atores incluídos no processo de desenvolvimento tornou-se fundamental, considerando-se suas percepções, dúvidas e peculiaridades descritas, por outro lado, a apresentação de soluções e ferramentas a serem utilizadas como correção dos diversos elementos de acessibilidade significativos para a melhoria da usabilidade dos websites e blogs analisados. Portanto, nós profissionais da informação, ao possibilitaremos a participação das pessoas com deficiência no processo de criação de interfaces acessíveis e democráticas, com aplicação de elementos de acessibilidade condizentes com a realidade e necessidade informacional do público-alvo a que se destina os objetivos desta dissertação.
6 PROCEDIMENTOS E RESULTADOS DA PESQUISA
Esta pesquisa do ponto de vista de sua abordagem caracteriza-se como qualitativa, pois inclui uma atividade reflexiva que guia o processo. Conforme Poupart et al (2008) a investigação qualitativa busca entender os fenômenos de pesquisa a partir de uma pluralidade de pontos de vista teóricos e epistemológicos, no nosso caso, a partir do processo de interação e democratização da informação para as pessoas com deficiência.
Como forma de obter êxito nas ações propostas nesse projeto de pesquisa foi utilizada, a Pesquisa-Ação, na tentativa de tornar a ação de informação mais integrada e onde as “pessoas implicadas tenham algo a dizer e a fazer” e os pesquisadores “pretendem desempenhar um papel ativo na própria realidade dos fatos observados” (THIOLLENT, 2007, p. 18). Trata-se de um método de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo, no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo.