• No results found

GUIDELINE RECOMMENDED TREATMENT TO TARGETS OF CARDIOVASCULAR RISK IS INADEQUATE IN

4. RESULTS 1 Demographics

4.4 Undertreatment with CVD preventive medications across IJD

Em 2008, até o momento desta análise, o Cursinho Prodam possuía em seu quadro, 16 professores, distribuídos entre as áreas de Matemática, Física, Biologia, Português, Geografia, História, Gramática, Literatura e Inglês. Estes professores trabalham voluntariamente e são em sua maioria estudantes de graduação e / ou pós-graduação da Universidade de São Paulo - USP, Universidade Federal de São Carlos - UFSCar e outra

10 Durante o primeiro semestre de 2007 realizei uma Pesquisa junto a este Projeto que visava reconhecer dentro

de suas práticas sociais processos educativos decorrentes entre as crianças, jovens, funcionários e educadores. Esta pesquisa foi requisito para aprovação na disciplina “Práticas Sociais e Processos Educativos I”, do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFSCar.

universidade particular de São Carlos. Outros já estão formados e são professores da rede pública de ensino e ainda contamos com um professor universitário.

As aulas ocorrem no período noturno, de segunda a sexta-feira entre às 19:00 e 22:40. São quatro aulas por dia. O intervalo ocorre das 20:40 às 21:00, momento este em que pude observar diversos processos educativos. Sobre este aspecto, irei dedicar-me detalhadamente mais a frente, na análise dos dados. A partir de abril de 2008, o Cursinho passou a oferecer “aulas extras” durante os sábados. Neste caso, os professores se revesam na oferta de suas disciplinas.

Existem duas salas de aulas disponíveis para uso do Cursinho, além de uma biblioteca. Como recurso, os professores utilizam a lousa e a alternativa do retro-projetor (transparências). O conteúdo das aulas de todas as disciplinas segue a proposta (ordem do conteúdo) do material didático de uma rede particular de ensino, que foi disponibilizado pelo coordenador para que os alunos o comprassem. Porém, nem todos os alunos puderam adquirir as apostilas, que são vendidas bimestralmente, totalizando quatro módulos de material durante o ano.

Durante as conversas e observações em reuniões, ao longo de 2008, com o grupo de professores e coordenador, enquanto professora e também pesquisadora, pude constatar que a maioria dos professores acabam por se adaptar ao fato de nem todos os alunos possuírem as apostilas. Assim, utilizam a lousa para transmitir tópicos das aulas, e propõem exercícios extras em folhas avulsas fotocopiadas. A escassez de recursos, como o material didático, é uma das formas de desestimular muitos alunos e professores, como temos comentado nas últimas reuniões entre os professores e a coordenação.

Durante o primeiro semestre de 2008 participei de três reuniões como as já citadas, entre a Coordenação e os professores. Nestas reuniões, principalmente na primeira que ocorreu antes do início das aulas, me chamou a atenção o espaço democrático e participativo que se forma durante as discussões. Existe na fala de todos os professores uma grande vontade de “melhorar” as aulas, o relacionamento com os alunos, a disciplina destes, de criar projetos futuros.

O mais interessante é que todos falam e todos escutam uns aos outros, e mesmo em momentos de discordância há o máximo de respeito pelas opiniões divergentes. Neste fluir do diálogo surgem muitas idéias, como a realização de aulas de reforço aos sábados, métodos de aulas, métodos de conter a indisciplina em sala de aula, maneiras de organizar os horários. Assim, a coordenação deixa de ter um caráter de autoritarismo, pois não é somente ela que organiza a estrutura e o funcionamento do Cursinho.

Um problema recorrente nos anos anteriores eram as faltas contínuas de muitos professores, além da saída deles ao longo do ano devido a oferta de algum emprego rentável. Em nossas reuniões chegamos à conclusão de que o grande número de faltas e as saídas recorrentes de vários professores, ocorria pelo fato de estarem lá como voluntários.

Assim, qualquer oportunidade de emprego rentável ou compromisso pessoal acabava tendo mais prioridade. Conversamos muito sobre este ponto e resolvemos “nos cobrar” mais, partindo do princípio de que o trabalho, mesmo voluntário, era um compromisso com os alunos, com um projeto social que dependia muito mais de nós mesmos do que de qualquer outro profissional.

A questão do trabalho voluntário é bastante complexa, ainda mais no contexto brasileiro. Sobre este assunto, Park (et al, 2006) trazem reflexões importantes ao pensar o trabalho voluntário e o “terceiro setor”, este mais conhecido pelas ONG’s, Organizações Não- Governamentais. Poderíamos, neste sentido, incluir o cursinho Prodam no “terceiro setor” pois, segundo Park (et al, 2006, p.101) ele “atua como possível ‘substituto’ das responsabilidades sociais do Estado delegadas à sociedade civil”. Assim, temos visto que o movimento dos cursinhos populares estão cumprindo uma função via sociedade civil, mesmo sendo a educação papel do Estado.

E é dentro deste “terceiro setor” que vamos encontrar a expansão do trabalho voluntário. De acordo com Park (Ibid, p.96):

O termo ‘voluntário’ designa alguém que se mobiliza e se dedica espontaneamente a fazer algo porque gosta ou sabe fazer, mas na contemporaneidade a esse significado se agregam duas outras condições: o de não-recebimento de remuneração em troca e a tendência à profissionalização.

É exatamente esta tendência a profissionalização que encontramos entre os professores do cursinho Prodam, pois, como já apontamos, a maioria deles está iniciando a carreira, ou, “aprendendo a ser professor” no cursinho. Além da possibilidade de aprendizagem que esta experiência voluntária oferece aos professores iniciantes, temos também que estar cientes do significado mais amplo desta expansão do trabalho voluntário do terceiro setor. Mesmo não nos aprofundando nesta temática, vale a pena fazermos uma breve reflexão. Novamente, com referência à Park (Ibid, p.102):

Pensando e relacionando essa realidade atual do papel do “terceiro setor”, da ação esperada do voluntariado e o campo de trabalho, criam-se alternativas para a manutenção do capitalismo sob a forma da flexibilização das condições trabalhistas em virtude de um momento histórico e social de não abertura de frentes de trabalho,

gerando uma situação de precarização, efemerização e informalidade nos meios trabalhistas.

Daí os entraves no percurso de trabalho dos professores do cursinho Prodam. Portanto, não podemos usar juízo de valor para desqualificar a ausência ou evasão destes professores. De qualquer forma, a partir do compromisso que criamos entre os professores, a coordenação, e os alunos, decidimos que seria necessário rever número de faltas para os professores. Também, a partir de então, sempre que um professor novo entrasse, deveria ficar claro o compromisso que ele criava com todos os envolvidos no projeto do cursinho. Mesmo sendo voluntário, o compromisso com o projeto deveria estar acima da problemática que o fato de ser voluntário envolve.

É interessante notar que o processo de conscientização sobre o compromisso entre os professores se deu pelo educar-se a si mesmo e com os outros num processo em torno do diálogo, da cooperação, do compromisso com o trabalho voluntário, com os alunos, com o projeto do cursinho popular em geral. Voltaremos novamente a este assunto na análise de dados e conclusões, sabendo da importância das questões que aqui surgiram.