2.2 K06 og Undersøkende praksis
2.2.2 Undersøkende praksis
O interesse pelo tema tecnologia educativa na prevenção da transmissão vertical do HIV emergiu a partir de um estudo prévio realizado pela pesquisadora, intitulado “Prevenção da transmissão vertical do HIV no estado do Ceará: uma avaliação epidemiológica” (CHAGAS, 2011), o qual avaliou a realização dos principais cuidados direcionadas à profilaxia da transmissão materno-infantil desse vírus no estado, entre 2000 e 2009, e verificou que tais ações ainda são insatisfatórias, sobretudo no tocante à utilização da terapia antirretroviral pelas gestantes.
A partir dos resultados dessa pesquisa e de vasta leitura sobre o assunto, percebeu-se a necessidade da criação de uma tecnologia educativa voltada para esse tema, a fim de proporcionar maior conhecimento, autonomia e empoderamento para as mulheres que vivenciam essa problemática. Ademais, esse estudo desenvolvido pela pesquisadora propiciou conhecimento prévio e afinidade da mesma pelo tema.
A seguir, tem-se a descrição dos passos seguidos para o processo de construção da cartilha em estudo.
5.1.1 Levantamento bibliográfico: seleção e organização cronológica do conteúdo
O primeiro passo do processo de construção da cartilha correspondeu ao levantamento de conteúdo. Para tanto, realizou-se uma busca das principais publicações do Ministério da Saúde do Brasil que tratassem dos cuidados que as mães devem ter para a prevenção da transmissão materno-infantil do HIV e
publicações relacionadas ao tema, sendo utilizadas as 15 publicações descritas no Quadro 8 para subsidiar o conteúdo da cartilha.
Quadro 8 - Publicações do Ministério da Saúde do Brasil que subsidiaram o conteúdo da cartilha “Como prevenir a transmissão do HIV de mãe para filho? Fique por dentro!”.
Referência Título
BRASIL, 2003b. Guia Prático de Preparo de Alimentos para Crianças Menores de 12 Meses Verticalmente Expostas ao HIV.
BRASIL, 2003c. Políticas e diretrizes de prevenção das DST/aids entre mulheres.
BRASIL, 2004. Guia prático de preparo de alimentos para crianças menores de 12 meses que não podem ser amamentadas.
BRASIL, 2005b. Manual normativo para profissionais de saúde de maternidades - referência para mulheres que não podem amamentar.
BRASIL, 2006b. Alimentação e nutrição para pessoas que vivem com HIV e Aids.
BRASIL, 2007a. Protocolo para a prevenção de transmissão vertical de HIV e sífilis - Manual de Bolso.
BRASIL, 2007b. Plano Operacional para Redução da Transmissão Vertical do HIV e da Sífilis no Brasil.
BRASIL, 2009b. Recomendações para Terapia Antirretroviral em Crianças e Adolescentes Infectados pelo HIV: manual de bolso.
BRASIL, 2009c. Curso básico de vigilância epidemiológica em sífilis congênita, sífilis em gestante, infecção pelo HIV em gestantes e crianças.
BRASIL, 2010. Recomendações para Profilaxia da Transmisão Vertical do HIV e Terapia Antirretroviral em Gestantes: manual de bolso.
BRASIL, 2012a. Nota técnica número 388/2012 – Introduzir nevirapina (NVP) ao esquema de quimioprofilaxia da transmissão vertical do HIV para recém-nascidos de mães vivendo com HIV/aids que não receberam antirretrovirais na gestação.
BRASIL, 2012d. Recomendações para a prática de atividades físicas para pessoas vivendo com HIV e aids.
BRASIL, 2013b. Recomendações para a Atenção Integral a Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids.
BRASIL, 2008. Como prevenir a transmissão vertical do HIV e da sífilis no seu município. Guia para profissionais de saúde.
BRASIL, 2014. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para manejo da infecção pelo HIV em crianças e adolescentes.
Diversos estudos que tratam da validação de materiais educativos trazem o levantamento bibliográfico como uma das etapas do processo de desenvolvimento, demonstrando ser uma fase essencial, visto a necessidade de aprofundar o tema abordado, de trazer conhecimentos atualizados e garantir a fidedignidade das informações (CASTRO et al., 2007; COSTA et al., 2013; DODT; XIMENES; ORIÁ, 2012; REBERTE; HOGA; GOMES, 2012; TELES, 2011).
Após esse levantamento da literatura, realizou-se entrevista com cinco gestantes HIV positivas em um serviço de referência em gestação de alto risco de
Fortaleza-CE, em 2013 (dados não publicados), a fim de investigar as principais dúvidas das mesmas acerca dos cuidados necessários para prevenção da transmissão vertical do HIV, podendo, assim, melhor nortear o conteúdo selecionado para a cartilha.
A primeira parte dessa entrevista destinou-se aos dados sociodemográficos e gineco-obstétricos das gestantes e a segunda parte foi composta por quatro questões abertas: “O que você sabe sobre a transmissão vertical do HIV?”; “Quais os cuidados necessários para prevenir a transmissão vertical do HIV?”; “Quais suas dúvidas sobre a transmissão vertical do HIV e sua prevenção?”; “Você acha que o uso de cartilha educativa durante o pré-natal e após o nascimento do bebê poderia lhe ajudar quanto aos cuidados para essa prevenção?”.
A abordagem participativa usada durante a fase de identificação das necessidades educativas do público-alvo é fundamental. Essa abordagem permite a contribuição ativa dos mesmos, na indicação dos conteúdos da cartilha, para corresponder às suas próprias demandas (REBERTE; HOGA; GOMES, 2012).
Feito isso, houve a seleção das principais informações a serem abordadas na cartilha. Em seguida, realizou-se leitura minuciosa e fichamento do material selecionado, além de organização cronológica e coerente do conteúdo de cada domínio da cartilha, tendo em vista que esse material deve apresentar riqueza de informações aliada à objetividade.
O conteúdo abordado na cartilha foi organizado em domínios com os seguintes subtítulos: Apresentação; O que é HIV?; Como descobrir se você tem HIV?; Como se transmite o HIV da mãe para o filho?; Página introdutória dos cuidados; Cuidados no pré-natal para prevenção da transmissão vertical do HIV; Cuidados no parto para prevenção da transmissão vertical do HIV; Cuidados após o nascimento da criança para prevenção da transmissão vertical do HIV; Fechamento da cartilha.
5.1.2 Elaboração da cartilha
Nesse segundo passo do processo de construção da cartilha, realizou-se, inicialmente, a elaboração textual, seguido da confecção das ilustrações e finalizou- se com a diagramação.
Elaboração textual
A partir da seleção do conteúdo e sabendo-se a sequência dos domínios da cartilha, iniciou-se a elaboração textual. Buscou-se aliar um conteúdo rico em informações, porém objetivo, visto que materiais muito extensos tornam-se cansativos, e com linguagem acessível a todos as camadas sociais e níveis de instrução.
É importante transformar a linguagem das informações encontradas na literatura, tornando-as acessíveis a todos os estratos da sociedade, independentemente do nível educacional. Essa é, também, uma etapa importante para os profissionais da saúde, porque, muitas vezes, não se nota a utilização de uma linguagem técnica, que só os profissionais da área compreendem, e os materiais educativos são construídos para fortalecer a orientação aos familiares, pacientes e clientes, sendo, portanto, indispensável escrever numa linguagem que todos entendam (ECHER, 2005).
Enfatiza-se a grande dificuldade enfrentada pelos pesquisadores em transformar a linguagem científica em linguagem popular sem comprometer a qualidade da informação, pois a área da obstetrícia traz vocabulário técnico muito presente e peculiar. Sendo os materiais educativos uma comunicação escrita, a informação repassada deve ser clara e de fácil entendimento (TELES, 2011).
A partir das recomendações de Moreira, Nóbrega e Silva (2003) quanto aos aspectos relacionados com a linguagem para elaboração de materiais educativos impressos, na cartilha em estudo, foram evitados termos técnicos e científicos, abreviaturas e siglas, porém quando foi necessário utilizá-los foram devidamente explicadas suas definições, bem como houve predomínio de palavras com definições simples e familiares.
Além disso, sempre que possível, foram utilizadas palavras curtas, e sentenças pouco extensas, sendo apresentadas até, no máximo, cinco orientações de cuidados, por domínio, sendo evitadas listas longas, de modo a torná-las compreensíveis e eficazes (MOREIRA; NÓBREGA; SILVA, 2003).
Os textos foram escritos utilizando-se estilo de letras simples e de fácil leitura, fonte Times New Roman em tamanho 14 para as informações e 16 para os subtítulos e Times New Roman tamanho 26 e Cooper black 35 para o título na capa. As partes do texto que se buscava alertar para algum ponto foram ressaltadas em negrito, uso de cor vermelha e/ou sinais chamativos como “atenção”.
As informações contidas na cartilha foram organizadas de maneira que retratassem todo o percurso de cuidados necessários a serem realizados pelas mulheres HIV positivas, desde a realização do teste anti-HIV e, caso o resultado fosse positivo, os cuidados no pré-natal até os cuidados com a criança exposta ao vírus. Ressalta-se que, em geral, as ações positivas foram destacadas, dizendo à leitora o que ela deve fazer e não o que ela não deve fazer;
A cartilha foi dividida em 9 domínios, cujos conteúdos estão descritos a seguir: