Eu já tive de contemplar o dia amanhecendo. Então, vi a estrela da manhã, achei-a muito bonita, e fiquei com ela em minha mente.
A colaboradora de nome fictício Estrela da Manhã tem cinqüenta e seis anos, sexo feminino, casada, profissão do Lar, escolaridade 4ª série, renda familiar de três salários mínimos nacionais vigentes. Ela faz uso de medicamentos psicofármacos há cerca de oito anos.
Eu comecei a tomar esses medicamentos, porque estava ouvindo vozes, não estava dormindo bem. Eu não dormia à tarde para a noite dormir bem, mas continuava do mesmo jeito, sem dormir bem. E chorava muito. Eu era uma pessoa que não tinha paz comigo mesma, vivia muito deprimida, chorando demais, por tudo eu estava chorando. Tudo para mim era ruim, nada para mim era bom.
Eu me sentia uma pessoa inútil. E até hoje, eu não sei por que me sinto uma pessoa inútil para fazer trabalhos manuais. Eu não sei por que, e quero até saber as causas de eu me sentir uma pessoa inútil para fazer trabalhos manuais. A minha mente não consegue aprender nenhum tipo de trabalho manual. Gostaria de saber fazer crochê, porque é um trabalho que acho muito bonito e me chama muito a atenção. Eu nunca pedi a ninguém para me ensinar, porque já imagino que não vou aprender.
Eu atribuo os motivos deste meu problema a convivência com o alcoolismo. Meus pais eram alcoólatras. Então, desde criança que tenho trauma de alcoolismo. Em seguida, me casei. O esposo alcoólatra também. E desde criança, eu sentia a minha mente atrofiada, não aprendia nada, principalmente na matéria de matemática. Assim, parei de estudar muito cedo.
Desde criança eu sinto que a minha mente é atrofiada. Tenho este grande pensamento de criança, porque fui uma filha muito maltratada pelo alcoolismo. Eu sentia muito a dor do alcoolismo dos meus pais. Fui uma filha que passei por esses problemas. Então, eu senti que a minha mente ficou atrofiada.
Sabe o que é que está acontecendo comigo? Algum acontecimento que se passa no início da semana, no final da semana eu já esqueci. Eu esqueci as coisas que eu sabia fazer no
meu passado. Um bolo... Eu não sei fazer bolo. Eu atribuo esse esquecimento ao meu problema psiquiátrico. A psiquiatra me disse que tenho transtorno de ansiedade.
Faz de sete a oito anos que faço uso desses tipos de medicamentos. Atualmente, eu uso Clorpromazina e Carbamazepina. Sei que se eu não tomá-los, não consigo dormir. O benefício maior desses medicamentos é me fazer dormir e ficar mais tranqüila, porque eu sou uma pessoa, no meu laudo até tem escrito, que o meu transtorno é de uma pessoa tranqüila, não agressiva. No meu laudo tem dizendo que eu não sou agressiva, que sou tranqüila, e atribuo a esses medicamentos. Com certeza, é melhor com esses medicamentos.
Já usei vários tipos de medicamentos. A médica já mudou várias vezes. Tem medicamento que me deixa engordar, tem medicamento que me deixa, às vezes, sentindo os dedos dormentes, tem medicamento que me deixa muito aérea. Agora, esses medicamentos que estou tomando ultimamente estão sendo perfeitos. Este ano todinho eu estou usando-os e estão me deixando perfeita. Só que esse meu esquecimento já contei para minha psiquiatra. Ela me disse para eu prestar atenção se está evoluindo mais, que por enquanto não ia passar medicamento não. Eu não aprendo nada, você me conta uma história agora, e eu não sei dizer praticamente nada do que você conversou comigo. Eu não sei dizer praticamente nada.
Sou acompanhada pela psiquiatra do Centro Clínico da Zona Norte, e faço minhas coisas rotineiras. Tenho vontade de participar do Clube de Mães, mas sou uma pessoa evangélica, e nos Clubes de Mães têm uns tipos de atividades que é dança, essas coisas que eu não gosto, de dança. Eu só gosto de ir à praia, de ficar em casa a tarde todinha, ou do contrário, ir à igreja. As mulheres do Clube de Mães gostam do tipo de atividade que eu não gosto.
Eu participo de um grupo, com duas psicólogas, no Centro Clínico da Zona Norte. É um grupo de quatorze a quinze pessoas. As psicólogas atendem individualmente, mas para nós elas fazem o grupo. Eu nunca tinha participado de grupo de psicólogo, tinha muita vontade, então houve essa chance de eu participar desse grupo. Estou participando há mais de um ano. As reuniões são de oito em oito dias. Sou atendida por esse grupo de psicólogas e me consulto com a psiquiatra de lá.
Antes de eu tomar esses medicamentos, eu era uma pessoa muito agitada, não suportava nada, era calada, não queria revidar, e agora, depois que estou tomando esses medicamentos, estou me sentindo muito tranqüila, uma pessoa tranqüila.
Escolhi este nome fictício, Estrela da Manhã, porque foi o que veio à minha mente. Eu já tive de contemplar o dia amanhecendo. Então, vi a estrela da manhã, achei-a muito bonita, e fiquei com ela em minha mente.
Senti-me uma pessoa importante em colaborar com esta pesquisa, porque graças a Deus, foi quem você escolheu, essas pessoas que tomam esses medicamentos. Então, a gente conversando, a gente desopila mais, a gente perde mais a timidez, que eu sou muito tímida. Eu tenho uma pergunta: eu quero perguntar se esses nossos problemas, eles têm uma solução?