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5.1. Undersøkelses design
Ao se falar do ritmo de aprendizagem de cada aluno é um tanto que põe, quem sabe o que é a metodologia do DELES muito à vontade, pois se tem tido muitas ocasiões de perceber isto em sala de aula, inclusive pode-se ver e verificar a diferença de ritmo de aprendizagem entre crianças de níveis sociais culturalmente distintos em diferentes escolas e salas de aula. Porém, aqui se trata especialmente de analisar o quanto, pela metodologia DELES é possível respeitar o ritmo de aprendizagem de cada aluno por meio desta proposta metodológica de ensino da escrita e leitura na mesma sala de aula. Portanto, neste sentido falando, antes de se mostrar que a metodologia respeita o ritmo de aprendizagem de cada criança, está-se reconhecendo que cada criança tem seu ritmo de aprendizagem próprio.
Sob o ponto de vista de que existem ritmos de aprendizagem diferentes entre crianças de mesma idade é facilmente verificável, sobretudo se forem comparados grupos de crianças provindas de níveis culturais diferentes. Entre as turmas de crianças que se está em contato para fins deste estudo foram acompanhadas salas de aula de crianças vindas da classe pobre e turmas de crianças vindas de classe média. Observou-se que depois de dois meses de se estar trabalhando em ambas as situações com aulas de leitura e escrita (e desenho) diárias, tomados por base os meses de março e abril, as crianças da classe média estavam mais avançadas de meio mês para vinte dias sobre a classe pobre. Entretanto, tanto nas turmas das classes mais pobres quanto às das um pouco mais abastadas economicamente o interesse sempre esteve em alto nível.
Todavia, o fator econômico não é o único que causa diferenças de nível de aproveitamento escolar da parte das crianças. Há outros fatores que influem muito nesta realidade, tais que o afeto familiar, o nível de cultura do meio em que vivem, os centros de interesse da vida diária (motivações) e outros que escapam ao olhar menos atento. Assim sendo o fato é que em sala de aula o professor, depois de uma semana ou duas se depara com diferenças
nas respostas às suas interações com seu alunado. Dentro de uma sala de 20 crianças de 5 para 6 anos é freqüente haver uma ou duas crianças relativamente estacionárias na fase das garatujas. Outras, um pouco menos interessadas em desenhar e de pôr-se a trabalhar sobre o papel, ou, ainda outras, tendo pouca noção da utilização dos espaços sobre o mesmo. Enfim, sempre existe um certo número de pequenas ou, por vezes, acentuadas diferenças. É em meio disto tudo que a professora vai mostrar seus talentos de conduzir a caminhada de sua turma, buscando achar formas de manter certa homogeneidade dentro da caminhada do grupo. E a prática mostra que isto é possível e relativamente fácil com a aplicação da metodologia do DELES.
É sempre importante fazer ilustrações do que se afirma, com depoimentos. Numa entrevista uma mãe disse:
Depois que a escola começou a trabalhar com este método minha filha deslanchou na aprendizagem da leitura. Aprendeu a ler brincando. Tudo foi muito rápido. Isto foi uma coisa muito boa na sua vida escolar e, com certeza o será para outras crianças. Estou a favor do uso deste método na alfabetização.
E continuou:
Por esta metodologia a criança tem a sensação de estar lendo. Desde os primeiros dias minha filha trazia em casa seus trabalhos e pedia para nós ler. Mas a gente não conseguia saber o que significavam os rabiscos dela. Quando se tentava ler e interpretar ela dizia: ‘Não, não é isto!’ Então ela lia e interpretava, fazendo direitinho o ponto final depois de cada frase lida. Ela se sentia uma pessoa madura e em condições de nos ensinar. Sempre se guiava pelo sentido da leitura sem ficar fazendo sem qualquer soletração. Este método engloba tudo e a criança percebe logo o sentido de tudo que faz. As crianças pegam rapidamente a idéia do que é ler. E esta metodologia tem a vantagem de respeitar o ritmo de aprendizagem de cada criança. Cada uma, para expressar suas idéias pode utilizar tanto a escrita como o desenho e todos se sentem estarem aprendendo. Isto é uma brincadeira que mexe muito com o interesse de cada aluno.
Nas entrevistas feitas, há uma outra mãe que faz perceber o respeito ao ritmo de aprendizagem de cada aluno existente no uso da metodologia DELES. Trata-se da resposta dada à pergunta sobre a validade da adoção desta metodologia. É a resposta que segue:
Sim, eu acho que ela é uma metodologia válida porque: as crianças mais lentas podem conseguir a acompanhar e rapidamente apreender; qualquer criança vai criando segurança com esta forma de aprender a ler, tornando-se feliz e auto-confiante; qualquer criança, seguindo seu ritmo consegue atingir o alvo da leitura e escrita; as crianças cada uma de seu jeito (ritmo) percebem rapidamente a idéia do que vem a ser a leitura; em três meses meu filho já estava conseguindo, a partir de palavrinhas conhecidas formar outras, juntando-as para formar palavras novas; rápido conseguiu entender e antecipar a idéia de como se procede para ler; aprendeu a lutar por aquilo que ele quer e fica ansioso para conseguir o domínio da leitura. A metodologia realmente ajuda a abrir a mente da criança. Ela aprende a pensar e a descobrir que tipo de forma de comunicação é a leitura. Jamais teria imaginado que a metodologia ajudasse a alcançar.
Por sua vez as professoras também têm muito a dizer sobre o respeito ao ritmo de aprendizagem de cada criança. Uma delas afirmou:
Através desta metodologia o aluno torna-se criador daquilo que faz e com isto adquire uma grande auto-estima e uma grande segurança. Para ele é uma contínua terapia. Crianças tímidas como a L. que no começo não confiava em si e não conseguia organizar as próprias idéias agora acompanha tudo como os outros e está muito confiante e segura, organizando super-bem suas idéias e escreve-as. E assim era a C.. No começo ela dizia: ‘eu não sei, eu não sei’. Agora está tão bem quanto os outros. Lê, escreve, cria suas frases como os demais, está super bem. Até o final do ano (faltando quase dois meses) tenho certeza que conseguirei alfabetizar a totalidade das 30 de crianças de 5 a 6 que tenho em sala.
Em outra ocasião a mesma professora falou:
Respeitando o ritmo de trabalho de cada criança, pela utilização do desenho como recurso de expressão das próprias idéias, o aluno sente-se o criador daquilo que faz, porque consegue sempre chegar aonde quer. A metodologia propicia uma forma de trabalhar que respeita o gosto e o ritmo das crianças. A comparação negativa nunca esteve presente em sala de aula. O método eleva a auto-estima do aluno. Ajuda-o a desenvolvê-la sempre mais. Por meio do desenho permite ao aluno o aproveitamento de todo o saber que ele traz consigo. À professora cabe o papel de encorajar e incentivar as iniciativas de cada um.
E a mesma professora arrematou dizendo:
Resumidamente ainda quero lembrar o caso de um aluno (M.) que não se sentia encorajado a fazer algo ou participar em qualquer atividade. Era criança que se sentia incapaz de fazer qualquer trabalho de escola. Não se envolvia com nada. Era muito retraído. Aos poucos consegui que começasse a fazer algum desenho e, a força de oportunos incentivos, passou a participar de tudo e hoje, esqueceu dos próprios problemas e procede com a mesma normalidade do que qualquer um de seus colegas. Além de aprender muito, chegou a realizar uma verdadeira terapia.
Outra professora apresentou o seguinte depoimento:
Esta metodologia respeita os recursos e os limites de cada criança. Por ela vai-se trabalhando aos pouquinhos com as reais capacidades do momento da criança tornando-a participante consciente do jogo dos desafios da aprendizagem. Tudo se passando bem como ela vê e percebe o mundo. Sabe-se que ela vê o mundo através de imagens, objetos e realidades palpáveis e concretas: é a casa, são seus brinquedos, é o carro. Partindo do desenho das realidades objetivas que a cercam vai aprendendo a montar suas idéias como ela aprendeu a falar: por imitação. Respeita seus tempos, seus limites e ela, aprendendo de uma forma pessoal e mais criativa, mais natural, exteriorizando aquilo que ela pensa e, aos poucos, entremeando os desenhos com elementos de escrita vai enriquecendo sempre mais seu repertório de códigos que também são imitações, análogos à fala que adquiriu.
Lubienska de Lenval, pedagoga complementadora da pedagogia de orientação montessoriana, em seu livro A Educação do Homem Consciente, narra como Montessori, leu para as crianças o poema de Dante Aleghieri, explicando-lhes, para motivá-las, que Dante foi “um homem que fez uma viagem através de sua própria alma” (LENVAL, 1958 p. 184) encantando-lhes a alma imaginativa e poética. Relatando esta história Lenval, em seu livro fala como a mesma aconteceu. Diz que, em certa ocasião, Montessori estando a ler o poema de Dante aproximaram-se dela, caminhando na ponta dos pés, cautelosamente umas crianças curiosas, procurando evitar perturbá-la, pois estavam curiosas e queriam ver o que ela estava lendo. Porém, ela tendo-lhes percebido a chegada, satisfez-lhes a curiosidade e lhes disse: “Estou lendo a história de um homem que fez uma viagem através de sua própria alma”. E, as crianças, mais intrigadas, quiseram também escutar a leitura. Então, a mestra, em voz sumida foi lendo como se estivesse lendo para si, mas com um volume de voz suficiente para ser escutada por todas as crianças do grupo. O curioso é que, conforme a narrativa da Lenval, as crianças, todos os dias por semanas a fio, vinham escutar tão curiosa história. Transformadas em filósofas e poetas as crianças, independentemente de seu maior ou menor ritmo de compreensão e aprendizagem, sentem-se respeitadas e aptas a participar de tudo que vem sendo narrado ou ensinado. É o mesmo que se passa com o ensino pela metodologia DELES. Presta-se para tornar interessante e motivador cada passo que dá no ensino da leitura e da escrita. As crianças, como ocorreu com a escuta do poema de Dante, perseverantemente sempre querem participar do desenrolar das novidades que vêm sendo apresentadas.
Há muito tempo e mais de uma vez, teve-se em mente o que Zorzi (2006), doutor em educação e professor da USP, Prática Pedagógica em sua palestra disse: “Uma criança se interessa a ler e escrever quando consegue entender para que isto serve”.