Trabalho de Campo e Metodologia de Investigação
3.1. Tipo de Estudo
Tendo em conta os objetivos definidos, adequa-se o tipo de investigação que melhor perspetiva os resultados finais a obter, pois ao tipo de estudo “corresponde um desenho
que especifica as atividades que permitirão obter respostas fiáveis às questões de investi- gação” (Fortin, 2009, p. 133).
Desta forma, e tendo em conta que não pretendemos apenas descrever fenómenos num determinado período de tempo, a investigação passa a transcender o caráter descritivo e assume-se como um estudo exploratório/descritivo, pois pretendemos também o “re- conhecimento de uma dada realidade pouco ou deficientemente estudada e levantar hipó- teses de entendimento dessa realidade” (Sousa e Baptista, 2011, p. 57).
3.2. Amostra
A nossa amostra englobou inquéritos por questionário a 116 cadetes e inquéritos por entrevista a 15 pessoas, militares e civis.
Os cadetes cujo inquérito por questionário foi aplicado reuniam condições para res- ponderem às perguntas específicas sobre as quatro atividades desenvolvidas na AM num período temporal que engloba os últimos dois anos até ao presente, sendo constituído assim por cadetes do 3.º, 4.º e 5.º anos. Estes 116 cadetes são representativos do universo, permi- tindo que os resultados tenham sido generalizados a todos, garantindo a fiabilidade, com- parabilidade e veracidade dos resultados, já que é um “procedimento pelo qual um grupo de pessoas ou um subconjunto de uma população é escolhido com vista a obter informa- ções relacionadas com um fenómeno, e de tal forma que a população inteira que nos inte- ressa esteja representada” (Fortin, 2009, p. 202).
Este instrumento não permite uma recolha de dados tão aprofundada como aquela obtida com os inquéritos por entrevista, no entanto, consegue-se traduzir os objetivos do estudo em variáveis mensuráveis.
No que concerne aos inquéritos por entrevista foram realizados não só a oficiais, mas também a civis que pela função que exercem quer na AM, quer noutra instituição abordada, conseguissem fornecer explicações e informações mais técnicas.
3.3. Instrumentos
No decorrer do planeamento da presente investigação, após escolha e formulação do problema foram enumerados os objetivos, os quais necessitaram da aplicação dos melhores instrumentos para a respetiva recolha de dados, pois “a natureza do problema de investi-
gação determina o tipo de métodos de colheita de dados a utilizar” (Idem, p. 239).
Por se tratar de um estudo exploratório/descritivo, os instrumentos escolhidos para a recolha de dados foram a análise documental, os inquéritos por entrevista e questioná- rio, o estudo de caso e as observações diretas. A utilização de vários instrumentos permi- tiu triangular a informação, estabelecendo comparações e assegurando maior credibilidade. Para existir uma análise documental é necessário que a jusante exista uma recolha de dados, tornando assim esta última técnica fundamental quer seja “complementando in- formações obtidas por outras técnicas, seja através da descoberta de novos aspetos sobre o tema ou problema” (Sousa e Baptista, 2011, p. 89).
O inquérito por entrevista é “um método de recolha de informações que consiste em
conversas orais, individuais ou de grupos, com várias pessoas cuidadosamente seleciona- das, cujo grau de pertinência, validade e fiabilidade é analisado na perspetiva dos objeti- vos da recolha de informações” (Ketele e Roegiers, 1999, p. 18), pelo que a interação com
os inquiridos permitiu a abordagem de pontos que não estavam pensados inicialmente. No sentido de abranger todos os envolvidos neste estudo aproveitou-se as possibili- dades oferecidas pela Internet fazendo chegar um inquérito por questionário online aos cadetes. No questionário foram feitas “uma série de questões que abrangem um tema de
interesse (…) não havendo interação direta” (Sousa e Baptista, 2011, p. 91) entre nós e os cadetes, de onde advém uma poupança de tempo. O questionário aplicado foi do tipo mis- to, por conter perguntas de resposta aberta e fechada.
Por se tratar de um estudo específico segue os moldes de um estudo de caso, que é a
“exploração de um único fenómeno, limitado no tempo e na ação, onde o investigador recolhe informação detalhada. É um estudo intensivo e detalhado de uma entidade bem definida, um caso, que é único, específico, diferente e complexo” (Idem, p. 64).
à observação participante permitiu “ter acesso às perspetivas das pessoas com quem inte- rage, ao viver os mesmos problemas e as mesmas situações (…) aos quais um observador
exterior não teria acesso” (Ibidem, p. 88).
3.4. Procedimentos
Os procedimentos realizados durante as dez semanas destinadas à realização do TIA seguiram, maioritariamente, a fita do tempo planeada aquando do projeto, tendo-se inicia- do este período na primeira semana de fevereiro. Na primeira metade teve lugar a revisão de literatura e construção de instrumentos a serem utilizados, isto é, elaboração de guiões de entrevistas e de inquéritos por questionário, a aplicar online. A revisão de literatura foi feita com base em livros adquiridos na biblioteca da AM e do ISEG, bem como artigos em Revistas de Administração Militar disponibilizadas pela EPS, e ainda alguns trabalhos on-
line relacionados com o assunto.
Pelo número de inquéritos por entrevista a realizar, o período de tempo que lhes es- tava destinado acabou por se alongar até à segunda metade, uma vez que estávamos de- pendentes da disponibilidade dos inquiridos. A análise e interpretação de dados foram fei- tas apenas no término da aplicação desses instrumentos. Face a esta variação, e por ser algo previsto, a redação do TIA foi realizada desde que houve informação para tal, não nos li- mitando apenas ao final da segunda metade, como era previsto para essa ação.
O local da realização do TIA foi a AM Sede, sendo que o trabalho de campo se arti- culou nas várias instituições a que pertencem os inquiridos, como foi o caso do AAMA, UnApAMAS, EN, AFA, MM, DIE, CM e IPE.