A Revista da Editora do Brasil S/A – EBSA
_______________________________________________________________ A Editora do Brasil S/A – Sobre a sua fundação
O nascimento da sociedade anônima Editora do Brasil está ligado a um
fato ocorrido em outra editora de livros didáticos. De acordo com Hallewell (1985), em 1943, a Editora Companhia Nacional foi “traumatizada” por um “cisma”, pois seis professores, “funcionários que respondiam pela execução de livros didáticos, deixaram a empresa para estabelecer a sua própria editora” (1985, p. 289).
Não foi possível constatar se a informação de Hallewell está totalmente correta, porém foi possível averiguar a existência de três desses professores e funcionários demissionários que partiram para a fundação de outra editora, tratou-se de Carlos Costa; Carlos Pasquale, Manoel Netto.
De acordo com Neves (2005), a Editora do Brasil teria sido pensada, em primeiro lugar, pelos auspícios de Carlos Costa e Manoel Netto, quando esses ainda eram, respectivamente, autor (de livros didáticos de Biologia) e funcionário (editor assistente) da Companhia Editora Nacional. Segundo a autora, Manoel Netto teria aceitado o convite de Carlos Costa para, juntos, formarem uma nova Editora (Neves, 2005, pp. 62-63)12. Isso indica que, mesmo antes da fundação da Editora, já existia um relacionamento entre eles em outro ambiente de trabalho.
Já o sítio eletrônico da Editora do Brasil apresentou Carlos Costa como o fundador da empresa, “principal e maior acionista”, “médico de formação”, “autor de sucesso com livros publicados nas áreas de Química e Biologia”. De acordo com o histórico registrado no sítio, esse homem se associou com “outros autores” para “juntos” começarem “um trabalho consciente que visava oferecer textos de qualidade por um preço justo”13
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12 São livros dos autores: Chimica para a 3ª. Série (Ensino Secundário); Chimica para a 4ª.
Série (Ensino Secundário); Chimica para 5ª. Série (Ensino Secundário). De Carlos Costa: História Natural - 2ª série do curso científico (Ensino Secundário); Elementos de Física, Química e História Natural: para o curso propedêutico das escolas de comércio (Ginasial). Disponível em: http://paje.fe.usp.br/estrutura/livres/index.htm, dia 03/03/2008.
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Esse professor era o maior acionista de ações nominativas da empresa editora, com direito de voto nas assembléias (Junta Comercial de São Paulo, 1943, p.18 e 23). Foi professor do colégio pré-universitário da Universidade de São Paulo.
No dia 5 de agosto de 1943, foi registrada no 11º. Tabelionato de São Paulo a constituição da sociedade anônima sob a denominação de Editora do Brasil S/A, com o objetivo de “edição e divulgação de obras didáticas e de caráter cívico de real valor” (Junta Comercial de São Paulo, 1943, p. 10). A documentação [ficha de breve relato completa] aponta que a Editora foi aberta em 1943. Nesse documento, está a indicação de que a empresa cuidava da “edição e comércio de livros; indústria e comércio de papéis e artes gráficas”14
. Em 1944, os membros da Editora adquiriram o material da firma T.F. de Campos e montaram "um pequeno núcleo de máquinas para a impressão própria". Para os fundadores, ter uma gráfica própria era a forma como "poderiam sobreviver" (EBSA, 1972, s/n.).
Dentre os trinta e seis membros fundadores, podemos constatar a presença de alguns professores da capital e do interior, funcionários públicos e membros atuantes na política de São Paulo, por exemplo, Alfredo Leite Gomes, autor de livro didático pela Companhia Editora Nacional; Joaquim de Campos Bicudo, inspetor federal de ensino; Otto Costa, advogado e, posteriormente, procurador geral do estado de São Paulo (1966-1969) (Junta Comercial de São Paulo, 1943, p. 21-23).
A formalização da sociedade anônima se deu por meio da união de algumas famílias, já que o documento apresenta alguns sobrenomes repetidos. Esse é o caso das famílias Costa; Pinto e Silva; Terreri; Bicudo e Campos Bicudo; Piza e Toledo Piza.
Mas eram as famílias Costa e Netto quem figuravam como membros mais atuantes no interior da Editora. As famílias Costa e Netto foram fundadoras da Editora e estabeleceram uma união que ultrapassou gerações. Os nomes Costa e Netto estavam relacionados à parte administrativa da empresa, mas ambos tinham a sua presença pairando por todos os
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A ficha de breve relato completa consiste em um extrato, cujo teor contém listado e enumerado todos os documentos referentes a uma determinada empresa que pede a guarda da documentação na Junta Comercial de São Paulo. No caso das citações acima, as referências são dos seguintes documentos: Junta Comercial de São Paulo, 2007, p. 1 e Junta Comercial de São Paulo, 1943, s/n.
procedimentos da produção de livros e materiais editoriais. Eram eles que respondiam pela Editora15.
Os membros da família Costa apareciam em EBSA como as maiores personalidades do nome jurídico. Na fundação da empresa, Fernando Costa foi indicado como diretor-presidente da sociedade anônima. Ele morreu em 1960 e foi substituído por Carlos Costa, e este permaneceu no cargo até 199616.
Manuel Netto iniciou a sua carreira na nova Editora como diretor- gerente. Ele foi um importante funcionário, dirigindo a seção industrial da Editora e era responsável pelos termos de abertura e encerramento de livros, assinatura de correspondências. Depois, Netto se tornou diretor- superintendente e passou a promover contratos e distratos com os autores, além de ocupar uma espécie de vice-presidência.
De acordo com um registro feito em nome da direção da empresa, a Editora foi constituída da “união e esforço de um grupo de professores”, com “parcos recursos” de capital cujos trabalhos surgiram como “decorrência natural dessa atividade idealista”, o que resultou em “motivo de espanto para muitos” (EBSA, 1951, pp. 2-3). Sobre o lançamento da Editora, eles confessaram que a concorrência comercial, com o “ar superior e penalizado”, teria dito: “Coitados! Estão doidos! Não irão longe...” (EBSA, 1957, p. 2).
O período em que Fernando Costa era o diretor-presidente (1943- 1960) foi o momento em que a Editora do Brasil passou a se promover com a intenção de fixar o seu nome no mercado de livros. Para isso, os seus diretores se organizaram em torno de três ideias: montar um catálogo de livros didáticos; promovê-lo por meio de técnicas variadas; lançar uma Revista da própria Editora.
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As famílias Costa e Netto trilharam um longo percurso nos quadros da diretoria da empresa, ultrapassando gerações. Após a saída de Carlos Costa em 1996, vários membros da família Costa assumiram os cargos de direção. Isso também aconteceu com Manoel Netto. (Junta Comercial de São Paulo, 2007, p. 3, 4,13).
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Os membros das famílias foram autores de livros pela Editora do Brasil. Aída Costa e Renato Pasquale foram nomes citados no catálogo em 1949, com livros para a disciplina de Português: o livro “Português para admissão ao Ginásio” (Sério Ginásial);“Português Pré-Normal”, (Série Normal); e, por fim, os volumes para as quatro séries do Curso Comercial. Posteriormente, outro membro da família Costa assinará como autor de livros didáticos dentro da Editora do Brasil. Trata-se de Otto Costa, autor do livro “Moral e Civismo”, publicado nos anos 1970 em conjunto com Victor Mussumeci e Felipe Moschini. Otto Costa também figura como membro fundador da Editora na Ata de constituição da Sociedade Anônima em 1943. O primeiro catálogo da Editora está na p. 323.
Em 1949, a Editora do Brasil possuía dois catálogos: um de livros didáticos (Coleção Didática do Brasil) e outro de livros de leitura (Coleção Infanto-Juvenil). O catálogo de livros didáticos tinha 70 autores compreendendo todas as disciplinas obrigatórias para o Ensino Secundário (ginasial e colegial). Já o catálogo da coleção Infanto-Juvenil contava com 23 autores, misturando autores da literatura mundial e autores brasileiros. O catálogo foi constituído por autores que migraram da Companhia Editora Nacional (Alfredo Gomes, Carlos Costa, Carlos Pasquale, Rui Ribeiro Couto), associado a nomes que lançaram livros por essa Editora e nela permaneceram por vários anos. Esses são os casos de Victor Mussumeci, Aída Costa e Fernando Furquim, este último, considerado pelos diretores como um “sucesso editorial”. Observando os nomes do catálogo da Editora do Brasil, em 1949, foi possível perceber que os editores apostaram em nomes que, segundo eles, eram desconhecidos. Alguns nomes, posteriormente, migraram para outras editoras, como é o caso de Amélia Kerr (Inglês), Antônio José Borges Hermida (História). Ambos se transferiram para a Companhia Editora Nacional e Benedito Castrucci (Matemática) que, a partir dos anos 1960, passou a publicar os seus livros pela FTD.
O nascimento da Revista da Editora do Brasil S/A – EBSA
Ao comemorar os 14 anos de existência da empresa, os editores registraram e se regozijaram com a “grata efeméride”, o que os mobilizou às primeiras investidas a fim de consolidar a Editora:
Para aquele agosto de 1943, quando em São Paulo, se fundou uma empresa editora, integrada quase que exclusivamente por elementos militantes no ensino e que, por isso mesmo, não visava à atividade estritamente comercial, mas sim, à norma de ação em que o objetivo editorial fosse considerado à luz do decidido propósito de cooperar na tarefa ingente da educação do povo brasileiro (EBSA, 1957, p. 1). Dois meses após e, portanto, antes mesmo que iniciassem as atividades comerciais, pôde a Editora do Brasil S/A apresentar-se aos educadores patrícios com um pequeno volume, de 132 páginas, intitulada “A organização do ensino secundário no Brasil”, primeira obra da série chamada divulgação (EBSA, 1957, p. 1-2).
De acordo com os editores, foram lançados “vinte mil exemplares” desse volume sobre o ensino secundário “sofregamente disputado”, distribuído
“gratuitamente” pelas escolas do país. Para os editores, esse pequeno volume era uma “obra de divulgação” que levou aos “mais longínquos estabelecimentos de ensino” um empreendimento de pessoas com “idéias inovadoras” (EBSA, 1957, p. 2)17.
Segundo os editores, “inovador” foi o envio de um folheto explicativo para as escolas falando sobre o funcionamento do Ensino Secundário, logo após a confecção da Lei Orgânica de 1942. Para os editores, esses folhetos, espalhados pelo Brasil, cumpririam a função de elucidar o público quanto ao conteúdo da Lei de do ensino secundário, assinada por Gustavo Capanema e, ao mesmo tempo, divulgar o nome da Editora.
A indicação de que tal percepção da realidade, ou seja, a demanda existente por publicações que agilizassem o acesso dos administradores, funcionários escolares e professores ao conhecimento da legislação, normas e portarias, foi o que abriu frente para o lançamento de EBSA. Além disso, para quem estava iniciando os trabalhos com o capital “modesto”, um folheto foi uma mídia útil e, se comparada à produção de livros, barata.
Em novembro de 1947, os editores viram “a Editora na contingência de completar a obra assistencial que vinha prestando às instituições de ensino, a partir da publicação de um periódico” que tratasse desses assuntos referentes à organização do Ensino Médio (EBSA, 1957, p. 3). E, para isso, cuidou a direção da empresa em criar um Departamento Escolar (DE), no qual, ficariam inscritos todos os assuntos de natureza educacional (EBSA, 1957, p.1).
Antes mesmo de a Revista EBSA ser lançada, o DE passou a trabalhar com o “encaminhamento dos processos” e pela “representação dos interesses dos professores e dos estabelecimentos de ensino perante os órgãos federais” (EBSA, 1957, p. 3). Em 1969, fazendo uma retrospectiva do histórico da Editora, o editorial do periódico apontou que, em meio à correspondência enviada pelos professores ao DE, foi surgindo a ideia de confecção de um canal de comunicação entre a empresa e os leitores. Isso porque a
17Após a publicação do folheto de divulgação “A organização do ensino secundário no Brasil”,
vieram outros: “Cálculos de médias no ensino secundário”, “Instruções sobre os serviços de Inspeção”, “Instruções sobre o reconhecimento de Ginásios e Registro de Professores”, “Portaria Ministerial no. 67”, “A Organização do ensino comercial”, “Relatório de Inspeção e Cadastro Escolar”, etc. (EBSA, 1950, p. 3).
correspondência passou a "apresentar sugestões" a par dos serviços oferecidos e solicitados (EBSA, 1969, s/n.).
O sistema de trabalho e a função da Editora para com essa prestação de serviço se desenvolviam da seguinte forma: o DE da Editora do Brasil servia como intermediário entre os profissionais da educação e os órgãos públicos. Dessa forma, a Editora cumpria a função de encaminhar processos de registro profissional, de atribuição de aulas, e certificação. Desta forma, acompanhava e representava os interesses dos profissionais de ensino e dos estabelecimentos de ensino perante os órgãos federais.
Os funcionários do DE organizavam os pedidos e agilizavam os processos dos professores, cumprindo a “representação” prometida. Essa prestação de serviço, aparentemente, funcionou com pontualidade e agilidade. De acordo com as afirmações apresentadas em EBSA, “milhares de professores e centenas de estabelecimentos tiveram a sua situação regularizada perante o Governo Federal, graças à assistência da Editora do Brasil”. As respostas aos primeiros encaminhamentos foram distribuídas na forma de folhetos de divulgação da Editora. Posteriormente, os resultados desses processos foram publicados em EBSA (EBSA, 1957, p. 3).
Esse DE foi pensado para ser um departamento cujos membros buscassem, compilassem e organizassem, para fins de publicação e divulgação, as principais leis, atos normativos, portarias e pareceres que fossem feitos ao longo do mês anterior. E, de acordo com o registro de EBSA, "teve vida longa, extinguindo-se somente quando da criação das Inspetorias Regionais de Ensino que passaram a se incumbir destes processos" (EBSA, 1978, s/n.)
A intenção da Revista era, principalmente, deixar os funcionários das escolas de Ensino Médio (administradores e professores) informados de maneira rápida sobre a legislação em vigor. A ideia divulgada pelos editores era, em primeiro lugar, a de facilitar o acesso dos interessados em educação a uma infinidade de decretos, leis, portarias, pareceres produzidos pelos diversos órgãos da administração pública federal em primeiro lugar (EBSA, 1957, p. 2).
A ideia para o lançamento de uma Revista foi germinada com a estruturação da educação nacional estabelecida nos moldes da Constituição de 1946. No que concerne ao professor do ensino secundário, os editores de
EBSA estavam se referindo ao provimento das cátedras, sobre a qual incidia a obrigatoriedade de concurso para título e provas, assegurando aos professores aprovados a vitaliciedade e a liberdade de cátedra (EBSA, 1947, p. 2). Segundo os editores da Revista, por causa do volume de pedidos, EBSA teve o seu lançamento antecipado de 1948, para 1947 (EBSA, 1947, p. 1).
É dessa forma que os editores sintetizaram a função de EBSA no número de lançamento:
O natural incremento dos serviços do Departamento Escolar, se, de um lado, nos revelou a necessidade de publicações periódicas que reúnam, selecionem, condensem e sistematizem as notícias referentes à legislação, aos atos administrativos e às ocorrências de real interesse para os educadores, de outro lado, inspirou-nos a persuasão de que uma organização com as finalidades, os recursos técnicos e o pessoal especializado e o poder de penetração da nossa, está indicada a tentar, com alguma possibilidade de êxito, a edição de uma revista de assuntos ligados ao ensino médio (EBSA, 1947, p. 1).
Atualmente, os membros da Editora do Brasil S/A divulgam em seu sítio eletrônico que a Revista EBSA era uma revista pioneira em "marketing de relacionamento":
Em 1947 [...] foi criada a Revista EBSA, dedicada aos professores brasileiros e distribuída gratuitamente para todos aqueles que demonstrassem interesse em assiná-la, sendo necessário, apenas, ser um professor em atividade. A EBSA foi um passo definitivo na direção do sucesso editorial. A fidelização dos professores, leitores, formadores de opinião em atividade de todo o país criou um elo de confiança entre a Editora e seu público. A EBSA foi um documentário de ensino de circulação mensal, transcreveu em mais de 50 anos de artigos, atos, eventos, textos da legislação e da administração federal, estadual e noticiários da imprensa, em geral. Foi uma publicação pioneira e inédita nessa prestação de serviço, tão necessária na época em que os meios de comunicação ainda não contavam com a tecnologia avançada de hoje, ou seja, a notícia em tempo real. Circulou até o final dos anos noventa18.
De acordo com os editores, idealizadores do plano, naquela época, “afora o Diário Oficial, inexistiam publicações de leis e regulamentos do ensino” (EBSA, 1957, p. 2). Esse tipo de prestação de serviços para os professores e burocratas escolares foi um espaço, até aquele período, inexplorado e pelo qual os responsáveis por EBSA acharam um caminho para divulgar os seus produtos e prestar o serviço educacional a que eles tanto almejavam. Esses
18 Texto disponível no sítio da Editora do Brasil S/A: http://www.editoradobrasil.com.br/index,
editores consideravam a publicação das explicações sobre o funcionamento das legislações para todos aqueles que fossem envolvidos por matéria educacional, um veio publicitário pouco cultivado e, por isso, consideravam EBSA “pioneira e inédita”. Foi isso que eles afirmaram ao divulgar o nome da
Revista:
Mas - aqui está o ponto alto deste vasto programa de colaboração com os educadores patrícios -, houve por bem a Editora do Brasil S/A lançar publicação mensal, regular e sistemática, que enfeixasse, em suas páginas, exatamente, as leis, decretos, portarias, circulares, despachos, etc., enfim tudo que é de interesse do ensino, dado à luz durante o mês. Assim editou a revista mensal EBSA, cujo nome se formou com as próprias iniciais, Editora do Brasil S/A, e que se constitui no repositório de todas aquelas informações, no verdadeiro documentário, como é realmente denominada (EBSA/SP, 1952, p. 270).
A Revista EBSA em 1947 se apresentou ao público como “Documentário de Ensino”: Um “órgão de informação de interesse para o Ensino Médio”.
Em sua primeira página, a Revista tinha estampado os nomes de seus dois diretores: Carlos Pasquale e Victor Mussumeci. Esses dois senhores fizeram uma carreira dentro da Editora do Brasil. Eles foram acionistas, funcionários, autores de livros didáticos, diretores da empresa e editores responsáveis por EBSA, aqueles que idealizaram o projeto editorial do periódico.
Carlos Pasquale entrou nos quadros da Editora, em primeiro lugar, por meio dos livros que ele havia produzido em parceria com Carlos Costa na Companhia Editora Nacional. Dessa forma, como autor, transferiu os seus livros de uma editora para outra, passando a trabalhar na nova empresa.
O nome do autor não constava na ata de fundação da empresa, no entanto, em 1945, ele teve o seu nome indicado como membro da assembléia geral anual, fato que o colocava na posição de proprietário de ações ordinárias da empresa. Na ata da assembléia de acionistas do ano de 1947, ele registrou a sua presença e foi reverenciado pelo presidente da empresa com o “voto de louvor pela colaboração que tem prestado à Editora” (Junta Comercial de São Paulo, 1947, p. 1). Na ata de mudança de estatutos da Editora do Brasil, em 1969, o seu nome já não constava em meio aos acionistas.
Carlos Pasquale passou a figurar como uma dos membros mais importantes da Editora, tornando-se uma figura quase "mítica" nos quadros da empresa, principalmente à medida que o seu nome tomava prestígio nas esferas da administração pública. As páginas de EBSA estavam sempre abertas para noticiar a evolução da carreira de Carlos Pasquale nos órgãos estaduais e federais de Educação. Por isso, em EBSA, havia espaço tanto para fazer congratulações pelas diversas nomeações as quais o autor fora submetido, quanto para fazer defesa de seu nome, quando este, por exemplo, foi apontado como partícipe em esquemas de corrupção em matérias divulgadas por outros órgãos de imprensa. Seus colegas de Editora conservaram o seu nome na qualidade de “diretor” da Revista EBSA como “homenagem ao fundador da revista”, mesmo após o seu afastamento por conta dos seus envolvimentos com a política (EBSA, 1967, p. 2).
Já Victor Mussumeci foi citado na lista nominal dos fundadores da empresa. Fez carreira dentro da empresa que ajudou a fundar, como autor e como funcionário19. Em 1945, foi transferido para o Rio de Janeiro, a fim de gerenciar a filial da Editora na cidade e, pelos serviços prestados, era constantemente louvado durante as assembléias dos acionistas. Com relação à função de autor de livros didáticos, Victor Mussumeci foi citado por Neves (2005, p. 62) como professor e autor da área de História. Na Editora do Brasil, nos anos 1960, além disso, esse professor lançou livros de História, Educação Moral e Cívica (EMC) Organização Social e Política Brasileira (OSPB).
Eram esses senhores os responsáveis pelo que era publicado em EBSA20. São eles os sujeitos que respondiam pelo Departamento Escolar (DE), pela compilação e organização das leis, serviços prestados pela editora, e também eram os principais contatos entre a Editora do Brasil e os órgãos governamentais.
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Para saber mais sobre Carlos Pasquale e Victor Mussumeci, consulte o quadro sobre os da Editora do Brasil S/A na p. 304.
20 A partir dessa data, passa a assinar como redator o professor paulista Alfredo Gomes, cujo