Os garimpos Boa Vista e Pelotas são caracterizados por apresentar mineralização de estanho hospedado em albititos, apresentando caráter peraluminoso a metaluminoso. As rochas associadas são representadas pelos xistos, tonalitos e monzogranitos, sendo esses dois últimos classificados como rochas altamente peraluminosas.
De acordo com os dados geoquímicos, pode-se observar que a evolução dessas rochas ocorreu por processo de cristalização fracionada, podendo ser originadas por fusão parcial de rochas metassedimentares. Essa evolução magmática pode ser melhor observada no gráfico do tipo Harker, tendo o MgO como índice de diferenciação (Fig. 4.1).
Granitos peraluminosossão interpretadas como sendo originados, geralmente, de fusão parcial de rochas metassedimentares com alto teor de Al2O3 em ambiente sin-
colisional, gerando rochas com alto conteúdo de sílica e contendo muscovita e granada na sua mineralogia (Frost et al. 2001).
As rochas metassedimentares representadas por xistos, geralmente, são atribuídas como rocha-fonte que deu origem a rochas fortemente peraluminosas. Essas rochas foram formadas em ambiente sin-colisional, como indicado pelo diagrama de Pearce et al. (1984).
Figura 4.1: Relação entre Na2O, TiO2, Th, Zr vs. MgO revelando a diferenciação magmática das rochas
estudadas.
A composição química do plagioclásio varia de 77 a 99% de albita; a composição química do plagioclásio nos monzogranitoséde albita-oligoclásio (Ab77- 99An22-1Or1); já nos tonalitos e albititos, a composição química do plagioclásio constitui-
foram geradas de um magma altamente sódico. As composições muito puras de albita também podem ser produto de reequilíbrio subsolidus.
Para gerar magmas altamente evoluídos e ricos em sódio, é necessário um baixo grau de fusão de rochas metassedimentares em altas profundidades, em que os elementos incompatíveis como Al, K, Na, Ti, Th, Zr, Rb, Ba, Cs, Sn, Nb, Ta e U se enriquecem nas fusões iniciais ou podem ter sido modificados por processos de cristalização fracionada. Segundo Schwartz (1992), as baixas concentrações de elementos compatíveis podem não somente indicar o grau de evolução magmática, mas também refletir a composição especial da fonte de rocha metassedimentar a partir da qual o granito peraluminoso foi derivado.
Os monzogranitos são mais enriquecidos K2O ,CaO, MgO, TiO2, Fe2O3, Rb, Th
e Zr e empobrecidos em Na2O, Al2O3, P2O5, Ba e Sr. Os monzogranitos foram divididos
em duas fácies: fácies muscovita-biotita monzogranito e biotita-muscovita monzogranito. A diminuição de CaO e Sr e o aumento de Na2O indica a evolução
dessas rochas para uma composição mais sódica, sendo marcada pela cristalização do plagioclásio com composição variando de albita a oligoclásio. Ocorre diminuição do K2O e o aumento do Ba com relação a composições mais enriquecidas em SiO2. No
entanto, o conteúdo de K2O é superior ao dos tonalitos, indicando que a cristalização do
feldspato potássico foi maior nessa fase. A diminuição do teor de MgO, TiO2 e Fe2O3
indica a cristalização da biotita; o Al2O3 aumenta em direção a composições mais
félsicas devido à cristalização da muscovita.
Os tonalitos representam uma fase mais tardia da granitogênese, evidenciada pelo dados geoquímicos: são empobrecidos em MgO, MnO, TiO2, Fe2O3, K2O e CaO e
mais enriquecidos em Al2O3, Na2O e SiO2. Os elementos-traço como Th, Zr, Rb
apresentam comportamento compatível, se empobrecendo no liquido residual. Por outro lado, o teor de Ba e Sr se enriquece. O empobrecimento de MgO, TiO2, Fe2O3 indica a
cristalização da biotita.
A cristalização do plagioclásio altamente sódico teve início nessa fase. A diminuição de CaO e o aumento de Na2O em direção às composições mais ácidas
refletem uma evolução magmática dessas rochas.
Depois da cristalização das fácies menos evoluídas correspondentes aos tonalitos, o magma residual se enriquece ainda mais em Na2O, Ba, Th, Zr e se
empobrece em CaO, MgO, TiO2 e Fe2O3. O conteúdo de K2O e Rb permanece constante
em direção à composição mais rica em SiO2, mostrando dispersão em apenas duas
amostras.
Os albititos representam a fase residual do magma, sendo esgotados em MgO, TiO2 e Fe2O3, Ba, Th e enriquecidos em Na2O, P2O5, Sn, Ta e Nb se comparados aos
granitos e tonalitos.
O conteúdo de K2O e Rb aumenta nos albititos mais ricos em SiO2 devido ao
alto grau de evolução dessas rochas, sendo que esses elementos se enriqueceram no líquido final, tornando-se incompatíveis posteriormente. Esse comportamento reflete na cristalização do K-feldspato nos albititos com o conteúdo maior de SiO2.
Por outro lado, elementos como CaO, P2O5, Na2O, Al2O3 e Sr se tornaram
compatíveis, empobrecendo-se nos albititos mais ricos em sílica. O CaO e o P2O5
apresentam comportamentos similares, sendo que o enriquecimento de CaO nos albititos mais empobrecido em SiO2 é devido à cristalização da apatita.
O Na2O se empobrece no líquido final devido à cristalização precoce da albita
emrelação aos outros minerais. Já o Al2O3 empobrece à medida que a muscovita começa
a cristalizar nos albititos com menor teor de SiO2.
O comportamento dos ETRs mostra-se diferente nos quatro tipos de rochas. Nos xistos, os elementos terras raras apresentam-se enriquecidos, sendo levemente fracionados. Nos tonalitos e monzogranitos, observa-se um empobrecimento nos ETRs, principalmente em ETRP. Apresentam-se fortemente fracionados, indicando a presença de granada na fonte (Rollinson 1993).
É importante observar que nos tonalitos apresenta um maior empobrecimento em ETRs e pronunciada anomalia positiva de Eu, indicando acúmulo de plagioclásio. Nos albititos, os ETRs apresentam-se empobrecidos emrelação às rochas associadas e têm comportamento diferente, evidenciando que o líquido residual se enriqueceu em alguns elementos e se empobreceu em outros, levando a um padrão diferenciado das rochas associadas. Essas diferentes concentrações podem ser controladas pela química da fonte ou por um processo cristal-fundido que ocorreu durante a evolução da rocha (Rollinson 1993).
Observa-se, também, um enriquecimento dos ETRM em relação aos ETRL e aos ETRP em algumas amostras. Isso ocorre devido à presença da apatita no líquido residual que deu origem aos albititos (Hanson 1978).
A evolução dessas rochas também pode ser observada no gráfico ETR x MgO (Fig.4.2). Os monzogranitos representando os termos menos diferenciados, possuem um alto conteúdo de ETR, seguido pelos tonalitos e albititos.
Figura 4.2: Gráfico ETR vs. MgO mostrando a diminuição do conteúdo de ETR para as fases mais evoluídas.
A ordem de cristalização, portanto, ocorreu da seguinte maneira: primeiro houve a cristalização dos monzogranitos, muscovita-biotitamonzogranito→biotita-muscovita monzogranito. Posteriormente, os tonalitos foram formados: muscovita-biotita tonalito→biotita-muscovita tonalito. E, por último, com o magma altamente sódico e empobrecido em elementos compatíveis, foram cristalizados os albititos. Essa ordem de cristalização pode ser também corroborada nos gráficos Na2O, TiO2, Th, Zr vs. MgO
(Fig.4.1).
4.1.3 ROCHAS EVOLUIDAS RELACIONADAS À MINERALIZAÇÃO DE