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Un tipus de cos patològic: el cos demacrat

Coordenadora: Dália Marcelino, Unidade de Investigação em Psicologia e Saúde - ISPA

Os acidentes rodoviários e os incêndios em Portugal revelam a prontidão dos operacionais de socorro e a constante exposição destes a cenários de adversidade e incerteza, geradores de stress, onde actuam no limiar das emoções e em risco de vida (Meyer, et al., 2012). É uma tarefa exigente executada em ambientes de dor e sofrimento, podendo desencadear distress, burnout e pós-stress traumático. Contudo, muitas pessoas escolhem a actividade voluntária de bombeiro, parecendo possuir não só altruísmo e compromisso com a tarefa, mas também uma apetência pelo risco e aventura. A literatura sugere que a procura de sensações é um traço típico destas profissões. Apesar desta característica poder proteger do stress, a exposição cumulativa a incidentes críticos pode deixar os profissionais mais vulneráveis ao stress e desencadear diagnósticos como a perturbação de pós-stress traumático e burnout, que promovem a insatisfação no trabalho e desgastam ao longo do tempo as estratégias de coping adaptativas para manter o equilíbrio e bem-estar psicológico.

Este simpósio pretende apresentar 5 estudos empíricos com diferentes operacionais de socorro de emergência pré-hospitalar Portugueses, que avaliaram de forma quantitativa e utilizando metodologias transversais e longitudinais, a procura de sensações, vulnerabilidade ao stress, distress, burnout, pós-stress traumático, queixas de saúde, satisfação com o trabalho, coping e bem-estar psicológico. Os dados apresentam um contributo importante para a Psicologia da Saúde em Portugal, na medida em que se centra numa população pouco estudada e alerta para a implementação de programas de saúde ocupacional que protejam estes operacionais do desgaste emocional, promovam o bem-estar psicológico e possibilitem ter operacionais mais saudáveis no trabalho, não colocando em risco a qualidade dos serviços prestados.

Palavras-chave: Operacionais de Socorro; Stress; PTSD, Burnout, Coping Dália da Silva Marcelino

Unidade de Investigação em Psicologia e Saúde - ISPA

Praceta Odete Saint Maurice nº7 – 6ºDto, 2855-589 Santa Marta do Pinhal [email protected]

VULNERABILIDADEAOSTRESSEBURNOUTNOSPROFISSIONAISDE

EMERGÊNCIAMÉDICAPRÉ-HOSPITALAR

Gabriela Salazar 1,2 & Maria João Cunha 1

1Instituto Superior da Maia (ISMAI); 2Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM)

A literatura á consistente ao referir que profissionais de emergência médica pré-hospitalar experimentam pela via laboral elevados índices de stress (Cydulka, Emerman, Shade &

Kubincanek, 1997), que influenciam a sua saúde física e mental (Weibel, Gabrion, Aussedat & Kreutz, 2001).

Caracterizar a vulnerabilidade ao stress e burnout, verificar possíveis relações entre estes constructos, e averiguar se o tipo de tarefas desempenhadas influencia os níveis de vulnerabilidade ao stress, perturbações emocionais e burnout, nos profissionais de emergência médica.

Foi utilizado o Questionário de Vulnerabilidade ao Stress (23 QVS; Vaz Serra, 2000), o Brief Symptomatology Inventory (BSI; Canavarro, 1999) e o Maslach Burnout Inventory (MBI), numa amostra de 183 profissionais.

Os resultados indicam que os profissionais de emergência médica pré-hospitalar são vulneráveis ao stress contudo, na sua maioria, não apresentam dados estatísticos significativos da presença de perturbações emocionais ou burnout. Apesar disto, é chamada a atenção para os Técnicos Operadores de Telecomunicações de Emergência (TOTE) por formarem o grupo profissional com maiores fragilidades a todos os níveis estudados.

Este estudo pretende alertar para uma realidade que pouco tem sido cuidada no nosso país, a da saúde e do bem-estar dos profissionais de emergência médica pré-hospitalar, sugerindo possíveis cursos de acção que permitam evoluir não só no sentido de criar condições de avaliação eficazes, como de encontrar metodologias de intervenção que facilitem a gestão do stress e incrementem qualidade de vida e bem-estar, o que certamente terá efeitos positivos no desempenho da sua actividade profissional.

Gabriela Emanuel da Rocha Salazar Ribeiro Instituto Superior da Maia (ISMAI)

Travessa da Rua 42, nº80 - Lugar da Areia, 4480-083 Árvore, Vila do Conde [email protected]

BURNOUTEQUEIXASDESAÚDEEMTRIPULANTESDEAMBULÂNCIA

Clara Tavares 1, Dália Marcelino1,2, & Maria João Figueiras1

1 Instituto Piaget de Almada - ISEIT; 2 Centro Humanitário Foz do Tejo da Cruz Vermelha

Portuguesa

A investigação refere que as exigências e preocupações inerentes ao trabalho de emergência pré-hospitalar são um importante factor de risco para a compreensão do burnout e queixas de saúde (Aasa, et al., 2006). Os profissionais que apresentam mais sintomas de burnout são os que têm mais queixas psicossomáticas (Urcullu, & Martino, 1994).

Este estudo teve como objectivo caracterizar os níveis de burnout e queixas de saúde em tripulantes de ambulância de emergência pré-hospitalar, e investigar as inter-relações entre a sintomatologia e o número de anos de serviço.

Método: Trata-se de estudo transversal no qual participaram 71 tripulantes de ambulância de emergência pré-hospitalar de ambos os sexos (69% do sexo masculino), e que preencheram um questionário que incluía questões relativas ao burnout, queixas subjectivas e saúde mental. Resultados: Os resultados indicam que não existem níveis elevados de burnout nos tripulantes de ambulância desta amostra. Os sintomas de queixas subjectivas de saúde mais frequentes são dores músculo-esqueléticas (dores de ombros, pescoço, costas e braços) seguidas por queixas referentes a pseudoneurologia (enxaqueca, problemas de sono, cansaço e tonturas). O aumento das queixas subjectivas de saúde estão relacionadas com o aumento da exaustão profissional e com a diminuição da realização laboral. Os resultados indicam ainda que à medida que aumenta o número de anos de serviço, menor é a realização profissional.

Conclusões: Os resultados encontrados são semelhantes aos encontrados por outros estudos (ex. Vara, & Queirós, 2006) e reflectem a a ideia de que o desgaste profissional influencia a percepção de realização profissional e consequentemente traduz o aumento de queixas de saúde sem explicação médica.

Clara Maria dos Santos Tavares Instituto Piaget de Almada - ISEIT

Avenida do Cristo Rei nº48 - 4ºC, 2800-054 Almada [email protected]

CARACTERIZAÇÃO PSICOLÓGICA DOS OPERACIONAIS DAS AMBULÂNCIAS DE SUPORTE IMEDIATO DE VIDA (SIV)

Sónia Cunha, José António Pereira, & Gabriela Salazar

Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM)

As ambulâncias SIV surgiram em Outubro de 2007 enquadradas na reestruturação da rede de urgências. Nessa altura foram apresentadas como sendo um meio medicalizado inovador e promissor no socorro pré hospitalar. Na região norte do país existem 16 ambulâncias SIV que iniciaram funções ao longo de várias etapas. São tripuladas por um Técnico de Ambulância de Emergência (TAE) e um Enfermeiro, constituindo uma ferramenta importante de prestação de cuidados diferenciados ao cidadão.

Foi utilizado um questionário organizado em 3 grupos: o grupo I composto por um questionário sociodemográfico; o grupo II constituído por uma adaptação do questionário validado por Lima (2009), que pretende medir a satisfação com o desempenho. A versão utilizada neste estudo é composta por 23 itens distribuídos por 6 dimensões; o grupo III é formado pelo MBI (Maslach Burnout Inventory), criado por Maslach e Jackson, em 1997. Numa população de 124 elementos, destes, 56.4% são Técnicos de Ambulância de Emergência (TAE) e 43.6% são Enfermeiros. Pretende-se, com a presente comunicação, proceder à descrição dos resultados obtidos com recurso à análise estatística dos dados.

A caracterização do estado emocional dos profissionais das ambulâncias SIV reveste-se de particular relevância, na medida em que a atuação profissional, a identificação com a tarefa e a consequente progressão na carreira, a realização profissional e o bem-estar geral destes operacionais se encontram diretamente relacionados com variáveis de foro psicológico.

Gabriela Emanuel da Rocha Salazar Ribeiro Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) Rua Dr. Alfredo Magalhães, nº 62, 4000-063 Porto [email protected]

EFEITODODISTRESSEPÓS-STRESSTRAUMÁTICONOBEM-ESTAR

PSICOLÓGICODOSBOMBEIROS

Dália Marcelino 1,2 & Maria João Figueiras1,3

1 Unidade de Investigação em Psicologia e Saúde - ISPA; 2Centro Humanitário Foz do Tejo da

Cruz Vermelha Portuguesa; 3Instituto Piaget de Almada - ISEIT

Os bombeiros são treinados para intervir em situações perigosas e de grande exigência física e psicológica, onde têm de ajudar pessoas em situação de risco, com eficácia e rapidez. A literatura mostra que a exposição repetida a cenários de adversidade e incerteza provoca problemas psicológicos como ansiedade, depressão e pós-stress traumático (Meyer, 2012), que desgastam ao longo do tempo os recursos, afectam o bem-estar , o desempenho e a qualidade dos serviços prestados (Alexander, & Klein, 2009).

Este estudo pretende investigar qual o impacto do distress e da perturbação pós-stress traumático no bem-estar psicológico dos bombeiros portugueses.

Trata-se de um estudo longitudinal no qual participaram 345 bombeiros a nível nacional, em quatro momentos de avaliação: baseline, 4, 8 e 12 meses. Os participantes preencheram medidas sobre o distress psicológico, perturbação pós-stress traumático e bem-estar psicológico.

Ao longo do tempo verificou-se uma estabilização do distress (ansiedade e depressão), um decréscimo dos sintomas de pós-stress traumático e uma melhoria no bem-estar psicológico. Os resultados indicam uma associação negativa entre o bem-estar psicológico e o pós-stress traumático, e entre o bem-estar psicológico e o distress. A perturbação pós-stress traumático e o distress são predictores significativos do bem-estar psicológico.

Constata-se que os incidentes críticos vivenciados no decurso do trabalho dos bombeiros interferem significativamente ao longo do tempo no seu bem-estar psicológico, salientando assim a necessidade de suporte psicológico e intervenção precoce.

Dália da Silva Marcelino

Unidade de Investigação em Psicologia e Saúde - ISPA

Praceta Odete Saint Maurice nº7 - 6ºDto, 2855-589 Santa Marta do Pinhal [email protected]

COPINGEPROCURADESENSAÇÕESEMBOMBEIROS

Cristina Queirós 1,2 & Ivo Moreira 1,3

1Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto; 2 Laboratório

de Reabilitação Psicossocial da FPCEUP/ESTSPIPP; 3Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lousada

Os bombeiros lidam com risco fisico e sofrimento emocional, recorrendo a estratégias de coping para enfrentar o stress (Chamberlin & Green, 2010; Milen, 2009). Têm atracção por actividades de risco (Stehman, 2005) e apresentam elevada procura de sensações (Hauffa et al., 2008; Roberti, 2004), estando este traço relacionado com certas estratégias de coping (Tschiesner, 2012).

Conhecer as estratégias de coping e os niveis de procura de sensações em bombeiros, bem como a interrelação entre estas variáveis.

Participaram 344 bombeiros voluntários da zona Norte, todos do sexo masculino, idade média de 32,1 anos, média de tempo de serviço de 10,9 anos e de horas semanais de 30,8. O nivel de escolaridade era para 56% o 9º ano, 51% eram solteiros e 63% voluntários (37% voluntários assalariados). Usou-se um questionário de auto-preenchimento com versões portuguesas do Brief Cope (Carver, 1997; Pais Ribeiro & Rodrigues, 2004) e da SSS-V (Zuckerman, 1994; Oliveira, 2008).

Encontraram-se moderados valores de procura de sensações (entre 4,81 e 6,26) e recurso predominante a estratégias de coping activas e de procura de suporte, sem diferenças entre bombeiros assalariados e não assalariados. A correlação entre coping e procura de sensações é baixa, embora significativa e positiva entre procura de sensações e estratégias de desinvestimento.

Estando a vulnerabilidade ao stress pós-traumático reacionada com a procura de sensações (Hauffa et al., 2008) e com estratégias de coping desadaptativas (Bacharach et al., 2008), interessa estudar as caracteristicas individuais do bombeiro para o ajudar a enfrentar o stress. Cristina Maria Leite Queirós

Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto Rua Alfredo Allen, s/n, 4200-135 Porto

[email protected] www.fpce.up.pt

SIMPÓSIO: “O PROCESSO DE RECOVERY DE PESSOAS COM