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ULIkE ARBEIDSTIDSORDNINGER

A tradicional dependência da Geografia Eleitoral relativamente a uma abordagem agregada a nível geográfico para estudar o comportamento eleitoral, serviu como um impulso primário para um segundo ramo de pesquisa eleitoral, que enfatiza o contexto social e a respectiva influência na decisão de voto de cada individuo (Shelley et al. 1996). Outros geógrafos eleitorais contemporâneos argumentaram que a constituição geográfica das eleições não só exige uma abordagem composta, mas também exige uma abordagem contextual que é cada vez mais sensível à importância do contexto local, para a compreensão das particularidades do comportamento eleitoral (Agnew,1996 e 1990; Johnston, 2005; Johnston et al.,1990; Shin, 1997).

Concretamente, o mapeamento dos resultados eleitorais e a apresentações de justificações muito gerais por parte dos especialistas contemporâneos, conduziram a análises residuais e epifenómenos, caracterizados por um maior interesse no próprio mapeamento dos resultados, do que com os factores que influenciaram os

eleitores por um lado, e com a justificação do padrão espacial do voto como generalizada e não especifica, por outro. Na verdade, Johnston e Pattie (2008) sustentam que muitos geógrafos eleitorais tradicionais fizeram uma abordagem de análise eleitoral através de um "vazio contextual", baseando-se numa abordagem metodológica que assumiu implicitamente que o indivíduo que toma a decisão do voto faz a votação sozinho. Tal, levou Johnston a apelar aos académicos no sentido de estes reconhecerem que ‘pervasive geographical constitution to the social, economic, and political processes that are the foundations for electoral behavior’. No fundo, ele reclamava uma maior atenção relativamente ao contexto, considerando que a contextualização espacial da ação humana está intrinsecamente ligada ao lugar e ao espaço (Agnew, 1996, p.131). Atendendo à importância do tipo de abordagem, é importante considerar que o contexto incide sobre o meio ambiente local onde o comportamento político é moldado e expresso (O’Loughlin 2003, p. 30). Consequentemente, uma abordagem contextual permitirá uma compreensão mais abrangente das eleições, examinando questões a uma micro escala, com o objectivo de abordar aspectos relevantes e subjacentes a pessoas, ideias, influências sociais e económicas, que condicionam a decisão de voto.

Um dos primeiros académicos no domínio da abordagem contextual foi Cox, que afirmou: "os padrões identificados até agora na Geografia Eleitoral só podem ser compreendidas se formos capazes de identificar as fontes de variação espacial na votação de indivíduos” (Cox 1969, p. 83). Segundo o mesmo, os padrões de voto não podem ser totalmente compreendidos sem um modelo de votação individual apropriado que identifique e explique como o lugar ou o contexto local, impulsiona a variabilidade na escolha do voto ide cada individuo. Cox concluiu ainda que, em muitos casos, os eleitores tendem a ser espacialmente agrupados em clusters porque o comportamento eleitoral individual, está ligado aos sinais prevalentes na vizinhança do eleitor ou na sua própria rede pessoal de ligações (Cox 1969).

Nas décadas de 70 e 80, o ressurgimento da Geografia Política do seu estado moribundo (Berry, 1969) reflecte em grande parte, o papel preponderante da Geografia Eleitoral na altura, atingindo o respectivo apogeu com a realização da conferência de Los Angeles (1988), cujos resultados foram posteriormente publicados (Johnston et al, 1990). Entre 1960 e 1980, a Geografia Eleitoral, no contexto dos dados eleitorais, foi pródiga na aplicação de técnicas quantitativas e cartográficas a diversas escalas, a nível nacional ou regional (Warf e Leib; 2011). As análises espaciais tradicionais dominaram a Geografia Eleitoral durante a década de setenta, reflectindo o ressurgimento da geografia política e o apogeu das metodologias espaciais analíticas no domínio da geografia humana (Leib e Quinton, 2011). Este carácter vincadamente empírico gerou um vasto conjunto de trabalhos representativos da natureza espacial das eleições incluindo a restruturação eleitoral, factores socioeconómicos e as próprias estratégias de campanhas partidárias e respectivos candidatos (Taylor,1973; Taylor e Johnston,1979; Gudgin e Taylor, 1979; Swauger, 1980;Morril, 1981; Archer,1988; Archer e Shelley,1986 e 1988; Archer et al., 1985; Archer e Taylor, 1981; Johnston, 1982; Johnston e al., 1990; Martis, 1982 e 1989).

Este tipo de trabalhos teve em atenção o estado, as relações sociais e o contexto socioespacial da ideologia mediante a qual, as eleições representavam palcos, onde os indivíduos expressavam as suas preferências modeladas por um conjunto de constrangimentos estruturais existentes a diversas escalas (Agnew, 1996; Flint, 2001: Johnston e Pattie, 2003).

Apesar de o maior leque destes trabalhos se restringir ao contexto norte- americano, ressalva-se a existência de um conjunto de trabalhos confinados à realidade europeia (Agnew, 1996; Johnston e Pattie, 2006;Adams, 2007). Em suma, estes trabalhos contribuíram efectivamente, para abordar assuntos como a dimensão espacial das eleições a nível local e nacional, o gerrymandering e o redistricting, alterações nas preferências dos eleitores, taxas de votação,

correlações com diversas variáveis socioecónomicas e os efeitos de vizinhança relativos ao comportamento eleitoral.

Contudo, nas últimas décadas, é possível que a Geografia Eleitoral tenha progressivamente caído num estado de senescência (Warf e Leib, 2011), realidade expressa no decréscimo considerável de publicações neste domínio. A reconhecida obsessão metodológica (Agnew 1990, 15), o empirismo desenfreado (Shelley, Johnston e Taylor, 1990, 1) e a ausência generalizada de interesse pela teoria social (Agnew, 1987; Reynolds, 1990), são algumas das críticas mais contundentes feitas à Geografia Eleitoral, enquanto subdomínio da Geografia Política (Leib e Quinton, 2011). Enquanto a Geografia Humana apresentava uma crescente preocupação, com a abordagem a questões conceptuais com recurso às teorias sociais e à política económica, a Geografia Eleitoral caracterizava-se por uma extrema obsessão extrema por determinados procedimentos e pelo fato de, por exemplo, negligenciar a teoria social como contributo explicativo. Deste modo, a respectiva contribuição da Geografia Eleitoral para os debates conceptuais contemporâneos revelou-se inócua.

Até que ponto a Geografia Eleitoral declinou como um importante ramo da geografia política? Segundo Leib e Quinton (2011), “The uses of pos-structural ideas have undoubtedly been a part of the changes in the boarder practice of political geography over the 20-year time period since the 1990…”. Simultaneamente, a manutenção das análises quantitativas tradicionais na Geografia Eleitoral tem-na afastado dos mais recentes caminhos trilhados pela Geografia Política em geral. Consequentemente, a resposta é mista pois por um lado, a Geografia Eleitoral ao contribuir para a discussão do pós-estruturalismo em geral (embora seguindo o seu rumo) mantem-se como uma área relevante da Geografia Política, e por outro lado, é necessário um maior envolvimento com as tendências emergentes no âmbito da disciplina, para que a Geografia Eleitoral possa recuperar o seu antigo lugar de destaque dentro da geografia política (Leib e Quinton, 2011).

Ao longo da primeira década do século XXI, foram publicados diversos trabalhos que permitem preconizar um renascimento da Geografia Eleitoral (Johnston, 2005; Shin e Agnew, 2008; Warf, 2009; Webster, Chapman e Leib, 2010). Existe uma clara tentativa em procurar delinear novas perspectivas, não rejeitando a corrente tradicional positivista envolta nos debates conceptuais. Novas perspectivas teóricas, da política económica a abordagens pós-modernistas e pós-estruturais, têm sido adicionadas à literatura neste domínio, acentuando o carácter multidisciplinar das diferentes explicações e a preocupação dos estudos eleitorais com uma série de factores (género, sexo, identidade, estado e classe) (Warf e Leib, 2011). Quando combinadas com metodologias espaciais-analíticas mais tradicionais, estas perspectivas têm propiciado um maior conhecimento sobre a Geografia Eleitoral mediante abordagens com recurso a novos métodos mistos (Warf e Leib, 2011). A conjugação de novos desenvolvimentos ao nível metodológico como a introdução dos Sistemas de Informação Geográfica (SIG) por exemplo, permitem aos especialistas entrar em novos domínios no que concerne, à análise de dados eleitorais. Não é pois de estranhar que estas novas perspectivas combinadas com metodologias analíticas-espaciais tradicionais, acentuem o carácter explicativo multidisciplinar da Geografia Eleitoral. Efectivamente, em termos conceptuais, teóricos e pragmáticos, a Geografia Eleitoral pode enquadrar-se de novo, como um elo importante entre a política e a geografia(Warf e Leib, 2011).