8. Oppsummering og anbefaling av definisjon
8.1. Ulik definisjon, ulikt antall
Na elaboração do texto dos EE estava incluída, embora muitas vezes não explicitada, a influência que Inácio trazia dentro de si, de inúmeras obras, mas em especial de 4 livros: Vida de Cristo, Vida dos Santos, Escritos do abade Cisneros e Imitação de Cristo. Os dois primeiros ele os lê quando de sua convalescença, ainda em Loyola. De sua passagem pela Abadia de Montserrat vem seu contato com o livro de Cisneros. Segundo nos comenta Álvaro Barreiro: “Ele [Inácio] o lia diariamente, e sua leitura o ajudava a viver a síntese entre a contemplação e a ação.”46.
Vida de Cristo foi escrita nos anos 1348-1360 pelo frade dominicano “Ludolfo de Saxonia [que] não pretendeu apresentar doutrinas novas, mas expor a riqueza da Tradição da Igreja sobre as passagens evangélicas comentadas”47. Vida dos Santos (Flos sanctorum), por sua vez, foi escrita em meados do século XIII pelo frei dominicano Jacobo de Varezze e impressa em 1493, e, além da vida dos santos, traz comentados alguns mistérios da vida de Cristo.48
A influência destes livros é menos literária e direta, e mais interna e de irradiação, formando um substrato psicológico em Inácio e o pressuposto literário do livro dos EE. Ele foi deixando-se penetrar suavemente pelo ambiente descrito tão vivamente nas duas obras que, no contato com elas, foi paulatinamente transferindo seus ideais cavaleirescos para os ideais de santidade, despertando-o em seu entusiasmo por Jesus Cristo. Não se deixa de considerar que, a leitura de tantos autores da Tradição da Igreja formou um substrato interno de “conhecimento” espiritual, que estarão presentes em suas meditações.
Inácio manteve contato com o mais seleto da literatura eclesiástica antiga, em sua passagem pela Abadia beneditina do Santuário da Virgem de Montserrat (“La Morenita”), perto de Manresa. De seu confessor e orientador espiritual recebeu o Ejercitatorio de vida
45 DALMASES, Cándido de. In: LOYOLA, San Ignacio de. Obras. Fontes dos EE, p. 194-199. 46 BARREIRO, Álvaro. A contemplação da vida de Jesus Cristo, p.58.
47 Continuando o texto: “Além de centenas de citações dos Santos Padres, (...) de muitos autores medievais como Bernardo de Claraval, Anselmo de Canterbury, Hugo de São Vítor”. In: BARREIRO, Álvaro. A
contemplação da vida de Jesus Cristo, p.33-35. Aqui incluímos a continuação da citação porque nela aparece
Bernardo de Claraval, de quem Inácio também teria recebido influência, e ela já vinha nele, desde Loyola. Ver seção 1.3.1. nesse mesmo capítulo
Os Exercícios Espirituais de sto. Inácio de Loyola - PUC-SP. 2011 ϳϬ
espiritual49, mais conhecido como Escritos do abade Cisneros, livro oficial e indispensável na formação ascética dos monges, e que é uma compilação de autores medievais, particularmente da corrente devotio moderna50. De um só golpe, apenas com a leitura desta obra, Inácio pode colocar-se em contato com a fina flor da literatura pietista medieval. No entanto, ele não dependeu literalmente do que havia nos Escritos de Cisneros para a elaboração do seu texto dos EE; essa dependência é praticamente nula. A influência consistiu mais em tê-lo introduzido na oração metódica, na prática da devotio moderna, com ressonâncias em suas orações e na organização das mesmas, posteriormente, no texto dos EE, e também em maior “conhecimento” espiritual de tantos seguidores de Cristo. O próprio Inácio menciona alguns destes autores quando escreve suas “Regras para sentir na Igreja: [EE 363] Louvar a doutrina positiva e escolástica; pois, assim como é mais próprio dos doutores positivos, como São Jerônimo, Santo Agostinho, São Gregório e outros, mover os afetos para em tudo amar e servir Nosso Senhor, assim é mais próprio dos escolásticos, como Santo Tomás, São Boaventura, o Mestre das Sentenças e outros, definir ou explicar para os nossos tempos as coisas necessárias à salvação eterna e para melhor impugnar e expor com clareza a todos os erros e todas as falácias.”
Finalmente, um último texto de grande importância para os EE foi Imitação de Cristo, de Tomás de Kempis51. Os escritos de Tomás de Kempis (1380-1471) são um mosaico do material recebido da Tradição, que o autor seleciona, estiliza, corta ou acrescenta, conforme o foi assimilando na oração pessoal. O livro da Imitação de Cristo foi importante para a divulgação da devotio moderna, pois pontos centrais desta estão naquela. Por exemplo: 1. Um cristocentrismo prático: é enfatizada a devoção à humanidade de Cristo, exemplo a ser imitado. 2. Oração metódica, tendência antiespeculativa e caráter afetivo: as meditações visam aprofundar as convicções sobre a vaidade do mundo, a humildade, o temor do Senhor, a intimidade com Cristo. Ao afastar-se do intelectualismo e da especulação, alimentam a devoção e são recomendados os livros de estilo afetivo e moral, como os de: Agostinho,
49 “Em 1500 foram editadas na imprensa do mosteiro duas obras do abade Cisneros: Ejercitatorio de vida espiritual e Directorio das horas canónicas. (...) Uma terceira obra, o Compendio breve de ejercicios
espirituales, resume as duas anteriores”. In: BARREIRO, Álvaro. A contemplação da vida de Jesus Cristo. p. 118.
50 “A devotio moderna nasceu nos Países Baixos na segunda metade do século XIV e desenvolveu-se ao longo do século XV na Alemanha e na França, sobretudo por meio dos Irmãos da Vida Comum (...). Foi muito apreciada porque teve uma grande sensibilidade com relação às necessidades da época por sua sintonia com o ‘espírito do tempo’, que valorizava a afetividade e a solidez da vida interior. São também traços característicos ‘o realismo psicológico de seu sentido religioso’ e ‘a desconfiança, fundada em razões, de tudo o que supera a medida comum’”. In: BARREIRO, Álvaro. A contemplação da vida de Jesus Cristo, p.52.
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Gregório Magno52, Bernardo, Boaventura. 3. Interioridade e subjetivismo: a devotio moderna surge na época do Cisma do Ocidente (1378-1418); com as dúvidas e confusão reinantes, o refúgio era buscar a união interior com Cristo, para evitar o cisma “do coração”. 4. Afastamento do mundo e ascetismo: afastamento também devido ao medo dos perigos do mundo e à importância dada à solidão.
São encontrados muitos paralelismos entre a obra de Inácio e a obra de Tomás de Kempis, Imitação de Cristo, sempre citado como livro de cabeceira de Inácio. No entanto, há diferenças fundamentais, como a valorização do engajamento em missão, que se afasta da dimensão individualista, e a valorização da vida eclesial, aspectos que estão presentes em Inácio. De qualquer forma, ele nunca deixou de valorizar e de usar diariamente este livro, recomendando-o a todos. Há que se considerar que o influxo maior sobre a vida de Inácio foi tê-lo levado a compenetrar-se nos critérios de Kempis, e assim ter-se encontrado a si mesmo retratado naquela alma ali descrita; alma que vai se esvaziando de si frente a Deus, para mais seguir a Cristo.