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Ukraine and Europe: Why Ukraine is more than Yanukovych

In document Ukraine in Europe - Europe in Ukraine (sider 39-49)

A primeira diferença a ser observada é entre as atividades da logística inbound citadas pelos entrevistados. A Figura 27 descreve o número de entrevistados que citou cada uma das atividades nas duas empresas.

Figura 26 Diferenças entre atividades logísticas inbound Atividade Logística Casos Láctea Casos Milk Diferença

Administrar/ministrar treinamentos 4 2 2

Adquirir materiais de fornecedores 1 4 3

Auxiliar a colaboração 2 4 2

Auxiliar a Comunicação 5 5 0

Avaliação dos níveis logísticos 5 5 0

Control. de Inventários 2 2 0

Geren da capacidade logística 5 2 3

Geren. frequência de recebimento 4 2 2

Gerenc. da localização dos fornecedores 2 3 1

Gerenc. do tamanho de lote 0

Gerenciamento de custos logísticos 5 5 0

Mapear-roteirizar rotas 4 5 1

Movimentação de material (inbound) 5 5 0

Participar da colaboração interna 2 2 0

Participar da previsão de demanda 1 2 1

Seleção de fornecedores 4 3 1

129 Há muitas semelhanças nas atividades logísticas definidas, e as principais são a não existência da atividade gerenciamento do tamanho de lote em nenhuma das empresas. Acredita-se que isso se dá devido à dificuldade de controle dos tamanhos de lote, que dependem de diversos fatores externos, por exemplo: variações de clima (safra e entressafra) e manejo. Outro fator se deve ao fato de alguns lotes de produto serem descartados, caso se encontrem fora dos padrões de qualidade exigidos pelas empresas. Isso gera alterações imprevisíveis nos tamanhos dos lotes. Essas dificuldades são destacadas por Batalha e Silva (2007) que destacam, entre as particularidades do setor agroindustrial, a sazonalidade de disponibilidade da matéria- prima e variações de qualidade de matéria-prima.

Em ambos os casos, os entrevistados consideram que são atividades atribuídas à Logística inbound o auxílio à comunicação, a avaliação dos níveis logísticos (principalmente qualidade), o gerenciamento de custos logísticos, o mapeamento e a roteirização da rota e a movimentação de materiais; observa-se dessa forma que essas atividades podem ser comuns ao setor. Acredita-se que a comunicação seja relacionada em ambos os casos, devido à necessidade de rápidas informações a respeito das coletas e dos fornecedores, que se encontram muitas vezes dispersos, e essa se dá ainda como forma de passar conhecimento e informações para os fornecedores, que devem cumprir algumas especificações das empresas. Por sua vez a avaliação dos níveis logísticos, que envolve fatores relacionados à qualidade, está presente em todos os casos, devido à preocupação necessária com o produto, que se destina à alimentação. Outro fator que influencia essa preocupação está no fato de que a qualidade de recepção do produto influencia diretamente a qualidade final do mesmo

O gerenciamento dos custos logísticos é uma atividade amplamente implementada no setor, e, durante as entrevistas, foi possível observar esse ponto nas empresas pesquisadas; como a avaliação desses custos é atribuída às funções da Logística inbound, isso pode-se dar devido à dificuldade do controle desse tipo de custos por setores não ligados à Logística, visto que os custos recebem influência direta de questões como quantidade captada por produtor e distância percorrida. Ligado à avaliação dos custos, está a atividade mapeamento e roteirização da rota, e essa atividade pode gerar redução de custos, por meio da otimização das rotas (maior quantidade com menor percurso). Devido à complexa malha logística das empresas até seus fornecedores, observou-se que é importante que as empresas conheçam os caminhos possíveis e

130 os tenham mapeados, de forma a ter maior controle sobre seus processos. Outra atividade amplamente relacionada foi movimentação de materiais; essa movimentação nos casos pesquisados, claramente é uma atividade da logística inbound, visto que as empresas que devem buscar (captar) os produtos nos fornecedores e transportá-los até suas filiais.

Destaca-se que a Láctea possui técnicas de mapeamento e roteirização das rotas mais tecnológicas, com todas as malhas mapeadas, e atualmente trabalha mapeando até rotas que não são utilizadas; já a Milk possui tecnologia um pouco inferior e está buscando mapear todas as suas rotas percorridas, e esses pontos ficam claros nos pontos citados a seguir. Notou-se durante as entrevistas que a empresa Milk utiliza tal técnica a menos tempo que a Láctea, sendo que a empresa Láctea utiliza-se dessa técnica antes mesmo da utilização de tecnologias como o GPS. As empresas não citaram o momento exato, no qual se iniciou o trabalho de mapeamento, porém, na empresa Milk, o funcionário que iniciou esse mapeamento está vinculado à empresa a apenas 1,5 anos, e o fato de a empresa ainda não possuir todas as rotas mapeadas é um indicativo de que essa atividade teve início a aproximadamente 2 anos (2013). Já na empresa Láctea, há referências à utilização desse tipo de Tecnologia, desde uma greve ocorrida em meados de 1999. Dessa forma, conclui-se que o mapeamento das rotas, embora seja citado por vários entrevistados em ambos os casos, é algo que as diferencia, principalmente no que se refere à experiência que essas empresas possuem com as ferramentas. As passagens a seguir destacam essas observações. Na primeira passagem, um entrevistado da Láctea comentava como eles reagiram a uma forte greve que ocorreu nos anos 90, e na segunda passagem um entrevistado da Milk comenta como é realizado o desenho das rotas nos dias atuais.

Naquela época, a informática não estava 100% como é hoje, né, informática deixava a desejar, então você tinha e distritos leiteiros... A gente fazia (as roteirizações) com carta geográfica do IBGE, só para você ter uma ideia, tá? A gente esticava lá na mesa traçava as rotas dos caminhões, de acordo com esses mapas geográficos que o IBGE vendia na época (SupLact1).

Hoje eu tenho um funcionário que se chama GerRegLog2, ele basicamente, o trabalho dele é coordenar as rotas de leite, pontuar em coordenadas geográficas, traçar as rotas e coordenadas geográficas (GerNacLog2).

No que se refere às atividades de controle de inventários, gerenciamento da localização dos fornecedores e seleção dos fornecedores, embora sejam atividades não amplamente comentadas, também foram localizadas nos dois casos. Destaca-se que os controles

131 de inventários podem ser internos de forma a evitar o acúmulo de estoques (produto perecível) ou para controlar os estoques nas filiais. Muitas vezes as filiais têm capacidade de estoque menor que a captação diária e, portanto, deve existir um controle apurado de entradas e saídas ao longo do dia, para que as entradas de produto não ultrapassem as retiradas, e dessa forma tenham que ser interrompidas as entradas por falta de capacidade de estocagem. Já no que se refere à localização dos fornecedores e à seleção desses, essas prioritariamente buscam a otimização dos custos, de forma a selecionar fornecedores que se encontrem nas rotas já realizadas pelos caminhões ou próximos a essas. Essas atividades são realizadas principalmente pelos supervisores de distrito leiteiro na Láctea e pelos gerentes regionais de Logística e encarregados de captação na Milk.

Outra atividade que merece destaque é a de administrar/ministrar treinamentos; a Láctea possui um foco maior nessa atividade, principalmente no que se refere aos treinamentos ligados à segurança, já que a mesma manifesta uma forte preocupação em como acidentes viários podem afetar a imagem da empresa, e isso fica evidente na passagem a seguir. Acredita-se que seja devido a esse ponto que a preocupação com treinamentos esteja bem evidente. Cabe destacar que essa atividade não se refere somente a treinamentos ministrados para os transportadores, mas também aos fornecedores. Porém, durante as entrevistas, pôde-se observar que as empresas possuem um foco maior nos treinamentos para os transportadores, tanto no que se refere à questão de segurança viária, como na segurança do produto de forma a evitar sabotagens, adulterações, além de formas de avaliação e manutenção da qualidade do produto. Isso pode se dar devido ao relacionamento contratual, que possibilita um maior controle por parte das empresas, já no que se refere aos produtores, esses controles são mais complexos.

Se o motorista do caminhão perceber que tem uma ponte quebrada, uma ponte que pode romper e o caminhão cair dentro do rio ou alguma coisa, a gente vai tentar evitar passar em cima dessa ponte, lógico que tentando não passar em cima da ponte, está tentando evitar esse acidente, nós não vamos expor o nome da empresa talvez, entendeu? Pode chegar ao caminhão da Láctea caiu lá, o caminhão não é da Láctea é da (Nome do terceiro), mas fala o caminhão da organização1 que caiu, você entendeu? (SupLact1)

Acredita-se que a atividade adquirir materiais dos fornecedores foi pouco citada no caso da Láctea, por se referir a uma atividade operacional, realizada pelo supervisor de distrito leiteiro, como pode ser observado na passagem a seguir, portanto essa atividade não emergiu em entrevistas com funcionários de outros cargos.

132 Você está no distrito leiteiro, você tem que andar, você tem que conhecer as estradas, você tem que saber rotas alternativas, isso daí é obrigação do supervisor, tá? Além de comprar leite, mexer com qualidade, enfim (SupLact1).

Já na Milk a atividade de adquirir materiais dos fornecedores, embora tenha foco operacional, conta com a participação ou com a colaboração de funcionários de outros níveis. Acredita-se que essa participação se dê devido a uma estrutura hierárquica que não é rígida e que pode ser observada nas entrevistas. A passagem a seguir demonstra um comentário do gerente nacional de política leiteira a respeito da negociação com os produtores rurais, demonstrando que nessa empresa, mesmo um funcionário de elevado nível hierárquico, está envolvido com essas atividades. Contribui ainda para essa conclusão a observação realizada em uma das visitas ao GerNacLog2, quando alguns produtores o aguardavam para uma reunião, e isso demonstra que esses produtores por vezes podem contatá-lo diretamente.

Com o produtor rural, não é muito crítico (a negociação), o grande produtor, que tem 10 mil litros, não vai diferenciar muito a negociação do menor, mas é uma negociação (GerNacLog2).

Devido ao maior porte da Láctea, essa empresa demonstra maior preocupação com fatores relacionados à capacidade logística e à frequência de recebimento. Isso pode se dar devido à grande estrutura e à malha logística que a empresa possui, além do mais essa empresa utiliza a transferências entre plantas como estratégia de resposta às interrupções (planejadas ou não), dessa forma tais fatores possuem grande importância, visto que erros de dimensionamento de capacidade ou de frequência de recebimento podem comprometer toda essa estrutura. A Milk possui uma malha menor, e não foram encontradas nas entrevistas, referências à transferência entre plantas como estratégia de resposta a interrupções, dessa forma possíveis erros de capacidade ou de frequência de recebimento, embora afetem a empresa, possuem impactos menores do que na Láctea.

Em seguida, optou-se por verificar as distinções existentes entre os tipos de ruptura. Em diversas situações, os tipos de rupturas podem estar ligados a determinados facilitadores, podendo influenciar os facilitadores mapeados em cada empresa (Figura 18 e 24). As distinções entre os tipos de ruptura comentados podem ser observadas na Figura 28.

133 Figura 27 Diferenças entre os tipos de ruptura

Tipo de ruptura Láctea Milk Diferença

Acidentes viários 1 0 1

Fraude 0 3 3

Greve 9 1 8

Intempérie climático 5 12 7

Problemas estruturais (Vias-eletricidade) 9 8 1

Quebra de equipamento. 3 8 5

Sazonalidade mat-prima 0 1 1

Fonte: Entrevistas

Observa-se que as rupturas mais amplamente citadas na Láctea são relacionadas às greves, intempéries climáticas e problemas estruturais. Já na Milk os principais problemas são intempéries climáticos, problemas estruturais e quebra de equipamento. Os principais casos de greve estão relacionados às greves dos caminhoneiros (recentes) que bloquearam algumas rodovias, principalmente federais, como já citado.

Por outro lado, a empresa Milk possui somente duas plantas e que não estão muito distantes uma da outra, portanto essa empresa possui um menor número de transportes nessas vias e está menos suscetível às rupturas que essas greves podem gerar. Acredita-se que esse seja o motivo da pouca presença desse tipo de ruptura nas entrevistas de Milk. Por sua vez a empresa Láctea possui um grande número de plantas, e muitos transportes são realizados entre essas plantas, o que a torna suscetível a rupturas por bloqueios de rodovias.

As intempéries climáticas estão presentes em ambos os casos. Isso se deve ao fato de que ambas as empresas se encontram em uma país tropical, e intempéries imprevisíveis podem ocorrer, principalmente no que se refere a chuvas abundantes e imprevisíveis, que podem prejudicar a estrutura. Esse fator está, portanto, ligado aos problemas estruturais, os quais podem ser gerados por intempéries climáticos, como quedas de energéticas e problemas em vias rurais. Esses fatores foram observados em ambas as empresas. E como será destacado na Seção 7.1, pontos referentes à estrutura também podem ser encontrados na literatura. Ainda no que se refere aos intempéries climáticos, destaca-se o fato de as empresas não terem comentado a respeito dos impactos, que a crise hídrica de 2015 pode ter gerado, acredita-se que isso tenha se dado, devido a uma das empresas (Milk) encontrar-se no interior do estado de São Paulo, região que não foi tão gravemente afetada pela crise, outros fatores que podem ter contribuído para que essa crise

134 não chegasse a gerar rupturas pode ter sido a intensificação dos processos dos produtores, principalmente na Láctea, empresa na qual a maior parte dos produtores são grandes, e possuem formas de intensificação da produção (como a utilização de alimentação alternativa às gramíneas ou sistemas irrigados), minimizando os impactos dessa crise.

Finalmente a preocupação com a quebra de equipamento está mais presente na empresa Milk; acredita-se que isso se dê devido a Milk trabalhar com transportadoras de menor porte e não exigir que todas essas possuam caminhões reservas, como é o caso da Láctea. Já a Láctea trabalha com grandes empresas de transporte e exige que essas possuam caminhões reservas a cada 10 caminhões em operação e exige ainda que as empresas realizem manutenções preventivas nos equipamentos. A exigência do caminhão reserva e das manutenções preventivas evita que as quebras rotineiras de equipamento se tornem rupturas. Como existem diferenças entre os tipos de ruptura citados em cada um dos casos, a comparação de como cada facilitador pode estar relacionado ao tipo de ruptura possuiria poucos pontos de convergência e, portanto, essa análise não será necessária nessa seção.

A partir de tais observações, pode-se observar as diferenças existentes entre as atividades das duas empresas utilizadas como caso. Para essa análise, inicialmente serão comparados os números de citações de cada facilitador em cada um dos casos (Figura 29). Inicialmente cabe destacar que o total de citações e de referências a facilitadores encontrados foi maior na empresa Láctea, o que pode influenciar positivamente a citação de alguns facilitadores. Como forma de tentar reduzir essa influência, este trabalho optou por utilizar a porcentagem de citações de cada facilitador considerando a empresa.

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Figura 28 Percentual de citação dos facilitadores – comparativo

Facilitadores à resiliência Citações Láctea Citações Milk Diferença

Agilidade de reação a rupturas 6% 7% 1%

Colaboração 6% 21% 15%

Comunicação 12% 12% 1%

Estrutura da cadeia de suprimentos 8% 11% 2%

Flexibilidade 14% 13% 1% Gestão de riscos 7% 4% 3% Gestão do conhecimento 5% 8% 4% Grupos interfuncionais 4% 2% 2% Inovação do produto 0% 0% 0% Plano de contingência 3% 1% 2%

Qualidade dos fornecedores 5% 1% 4%

Redundância 13% 7% 6% Saúde financeira 2% 4% 2% Tecnologia de segurança 8% 3% 6% Visibilidade 8% 7% 1% Total % 100% 100% Total de citações 216 180 36 Fonte: Entrevistas

Diversos facilitadores possuem número de citações semelhantes, o que indica que as empresas são em alguns aspectos semelhantes, como buscado durante a seleção dos casos (seção 2.3.3). Aqui pretende-se entender melhor as diferenças existentes. Inicialmente observa-se a diferença existente no facilitador colaboração que é mais influente na empresa Milk. Isso pode se dar devido ao foco que essa empresa possui em manter um bom relacionamento com seus fornecedores, buscando a reciprocidade, como já foi mencionado em seções anteriores. Já a Láctea possui maior influência de facilitadores que necessitem de investimentos com retorno rápido ou imediato, como é o caso da redundância, da gestão dos riscos e das tecnologias de segurança. Para a existência de redundância de equipamentos ou de produtos, o investimento traz um retorno a curto prazo, bem como para a gestão dos riscos, que na Láctea é realizado com auxílio de uma empresa terceirizada. Os investimentos em tecnologia de segurança são outro ponto de destaque da Láctea e que não é tão frequente na Milk. Destaca-se ainda que geralmente esses investimentos envolvem um aporte instantâneo ou realizado em um curto período de tempo. Já a Milk busca investimentos com retorno a um maior prazo, nos quais os aportes são realizados ao longo dos períodos, como no caso dos investimentos em gestão do conhecimento, que trazem

136 retorno a um prazo maior, e nos quais os aportes são realizados ao longo da vida profissional dos funcionários.

Outro ponto de diferenciação entre a Láctea e a Milk é a utilização de flexibilidade. Na Milk a flexibilidade é utilizada para rotas de captação, alteração de caminhão que realiza a captação ou de rotas, de forma a reagir momentaneamente à ruptura. Na Láctea a flexibilidade possui foco maior nas transferências entre plantas, de forma a flexibilizar os locais de processamento, e esse processo é pouco utilizado na Milk, até mesmo pela existência de um número menor de plantas.

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