A teoria da hierarquia das escolhas começa com a informação assimétrica – um termo pomposo que indica que os gestores sabem mais acerca das perspectivas, riscos e valores respectivas empresas do que os investidores.
Os autores destacam (RICHARD & STAWARY, 1992 p. 498), que “obviamente os gestores sabem mais do que os investidores”.
Eles fornecem como prova disto, o fato de se observar as alterações no preço das ações provocadas pelos anúncios por parte dos gestores. Quando uma empresa anuncia um aumento dos dividendos regulares, normalmente o preço das ações sobe, porque os investidores interpretam o aumento como um sinal da confiança da administração nos resultados futuros.
A existência da informação assimétrica afeta a escolha dentre o financiamento interno ou no exterior à empresa e entre novas emissões de dívida ou ações. Isto levou aos autores a indicarem uma hierarquia de escolha, na qual o investimento é financiado em primeiro lugar por fundos internos, principalmente lucros reinvestidos; em seguida por novas emissões de dívida; e, finalmente, por novas emissões de ações. As novas emissões de ações são o último recurso para a empresa esgotar a sua capacidade de endividamento, ou seja, “quando as ameaças dos custos das tensões financeiras trazem insônias constantes aos credores existentes e ao gestor financeiro”. (RICHARD & STAWARY, 1992 p. 498)
BREALEY & MYERS, (1992 p. 500), resumem a teoria de hierarquia empresarial em quatro tópicos:
1. Que as empresas preferem o autofinanciamento
2. Que as empresas adaptam seus objetivos para os rácios de distribuição de dividendos, às oportunidades de investimento, tentando simultaneamente evitar modificações súbitas nos dividendos
3. Procuram fazer com que as políticas de dividendos “viscosas” e flutuantes não previsíveis tanto no nível de lucratividade como do das oportunidades de investimento significam que os fundos gerados internamente ora são superiores às necessidades de investimento, ora são inferiores. Caso forem superiores, a empresa amortiza ou investe em valores mobiliários negociáveis. Mas se forem inferiores, a empresa começa por sacar do seu saldo de tesouraria ou por vender sua carteira de valores mobiliários negociáveis.
4. Caso haja necessidade de recorrer a financiamento exterior, as empresas começam por emitir os valores mobiliários mais seguros. Ou seja, começam pela
dívida, depois emitem eventualmente títulos híbridos, como as obrigações convertíveis, e a seguir, como último recurso emitem ações.
Arnold Sametz citado por BREALEY & MYERS, (1992, p. 992), já dizia em 1964:
“sabemos muito pouco sobre a forma como são tomadas as grandes decisões financeiras não rotineiras”.
De certa forma dizem os autores:
“Isto não é menos verdadeiro atualmente. Sabemos bastante acerca do valor dos ativos, mas não sabemos muito sobre as decisões que fazer aumentar esse valor.”
Indagam ainda.
“Qual é o processo que leva uma empresa a fazer um importante investimento, e outra, a rejeitá-la? Qual a razão por que uma empresa decide emitir títulos de dívida, e outra, ações?”
Por isso, se soubéssemos por que as empresas tomam determinadas decisões estaríamos em melhores condições para ajudar a melhorar essas decisões, concluem os autores. Reforçam ainda que a nossa ignorância seja ainda maior quando se trata de decisões estratégicas. Isso porque, descrevemos o planejamento estratégico como decisão de financiamento em grande escala. O planejamento estratégico tenta identificar as linhas de negócio onde a empresa tem maiores oportunidades a longo prazo, bem como desenvolver um plano para ter êxito nesses negócios. Contudo segundo os autores, é difícil calcular o valor atual líquido das grandes decisões.
Conforme o economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Credito, Financiamento e Investimento (Acredif), Istvan Kasznar, o motivo ainda é uma aversão aos riscos por parte dos agentes financeiros. “Agora os juros caíram porque houve uma queda
violenta nos preços, como mostram todos os indicadores de inflação, que chegaram quase na fronteira de deflação”.
Disse. Isso, de acordo como ele, ocorreu por um desaquecimento na demanda, que causou uma queda de juros na ponta final, porém ainda muito baixo.
Ainda segundo Kasznar, o que impede uma queda mais expressiva dos juros nas instituições financeiras ainda é o recolhimento de compulsórios feito pelo Banco Central, apesar das medidas de liberação dessas taxas tomadas pelo governo federal desde o início da crise. “Esse recolhimento ainda é muito alto no Brasil. E esse não é o dinheiro que vai para o crédito livre, e sim para a dívida publica. O que se necessita é o Estado se administrar bem, aí os juros desapareceriam”. Concluir o autor.
Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, credita a alta dos juros em relação a janeiro ao aumento da selic. A taxa básica de juros avançou de 11,25% para 13,75% ao ano de abril até outubro do ano passado e, mais recentemente, a crise financeira internacional também deu sua contribuição.
O quadro que vemos hoje, completa Lopes, é uma estabilidade na concessão de crédito livre, um aumento da parcela dos bancos públicos, juros altos, mas estáveis, aumento do spread e da inadimplência. Já em relação ao spread, o especialista é otimista. “O aumento do spread não é uma surpresa como um todo. É normal num momento de aumento de inadimplência”, destaca o autor
O professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuárias e Financeiras, Alexandre Assaf é outro que não acredita em uma queda expressiva dos juros a curto prazo para ele:
“O que houve de redução até agora, foi baixo e movido por pressão de governo, via bancos oficiais”.
Ainda segundo este autor, o motivo da manutenção das taxas de juros é o temor da inadimplência. Destaca ser um consenso que deve haver um aumento nesse índice este ano, e isso segura os juros.
O mundo das finanças é fascinante, vasto e complexo. Como fazer as melhores aplicações? Como evitar perdas? Como não cair nas mãos da especulação destrutiva? Como alcanças lucros com um investimento? Como assegurar rendas estáveis e constantes, sem perder o capital adquirido?
Para responder a estas indagações, há várias alternativas e muitas respostas simultâneas para estas questões. E a cada momento, cada dia, elas podem mudar. A incerteza e o risco estão vivas em nossas vidas e é preciso saber lidar com elas.
De todo modo, certamente um dos melhores caminhos para responder estas questões é o de ter uma formação sólida, acompanhar a evolução dos mercados e das empresas, fazer analises aconomico-financeiras e cercar-se de especialistas competente. O que importa não é fazer uma bolada por uma única tacada. O que conta é saber gerar renda continuamente e sempre guardar um certo valor, um percentual desta renda, investindo sempre.
Considerando isso, como destaca Kasznar (2003) é bom tomar cuidado com gastos que viciam, é que se deve definir um padrão de consumo que seja coerente com o seu nível de renda, com ênfase na criação de uma relação estreita entre sua renda e os seus gastos essenciais.
Quando a pergunta é a duvida de verificar o que vem primeiro: investir ou quitar as dívidas? Considera-se que ambas são essenciais. No Brasil, país que dispõe de recordes de taxas de juros pagas pelos pelo consumidor, ter dívidas, segundo ele, “é garantia de quebra e dilapidação de renda. Por isso é que o mercado de credito é tão pequeno e os intermediários financeiros são tão seletivos”. KASZNAR (2003).
Por isso o autor indica que se deve olhar bem para o custo das dívidas. Quais são as taxas de juros que são cobradas? Sugere a negociação, redução das taxas, utilize a barganha.
É valido destacar que KASZNAR (2003), adverte que o investidor tem memória. Não pode esquecer a historia dos mercados e deve se referenciar em parte em experiência do passado. Destaca que no Brasil, as políticas monetária, fiscal e cambial nem sempre são de bom senso. Aborda que “fala-se em estabilização e credibilidade, mas esses são elementos escassos na praça”. As políticas de certa forma afetam de sobremaneira o andar dos investimentos.
Um fator a destacar como bem aborda KASZNAR (2003) é o fato de que um aumento da taxa de juros torna o crediário proibitivo, e inibe os empréstimos e o consumo. O consumidor sai prejudicado. Assim por outro lado, aumenta o rendimento dos fundos de renda fixa e eleva os lucros dos banqueiros.