5.2 Læreren som enkeltfaktor
5.2.1 Uformelle samtaler
Ao longo do livro Psicologia das Minorias Ativas (1979), Moscovici, em contraposição ao funcionalismo, desenvolveu uma abordagem genética ou interacionista para a psicologia social. E por que isto? Ele percebeu que, ao adotarmos a teoria funcionalista, estamos aceitando que a influência sempre virá de cima pra baixo, quer dizer, da maioria sobre a minoria. Atenção, contudo: o conceito de maioria e minoria não tem a ver com quantidade, mas sim com o exercício do poder. Maioria, neste sentido, é quem decide, quem controla, quem dita as regras do jogo. Moscovici não satisfeito com esta perspectiva defende que a mudança é possível e, mais, essa mudança e/ou transformação pode vir de minorias. Em um caminho semelhante, a pedagogia da libertação, de Freire (principalmente a partir da Pedagogia do Oprimido), também faz uma ampla crítica ao funcionalismo, este materializado na educação bancária. Além disto, para ele, os oprimidos tem
a) Perspectiva funcionalista
Mas o que é a teoria funcionalista, o que ela diz? Diz que o mundo é um sistema fechado em busca do equilíbrio (Guareschi, 2009). Em uma interação social, por exemplo, já seria esperado um certo papel, status e modelo psicológico para o sujeito ou para o grupo, pois é através do comportamento adequado que se assegura a inserção do sujeito no sistema ou no meio social. A realidade, portanto, é algo uniforme e há regras que se aplicam a qualquer situação. O conflito ou desvio, que quebra com a harmonia, é uma espécie de fracasso, uma vez que o que se busca é a estabilidade, a previsão. Mas, se o desvio é o fracasso e/ou patologia, o que será a normalidade? Evidente, um comportamento normal é aquele que se adequa ao sistema, aquele que não quebra a ordem, nem o equilíbrio com o meio social. Busca-se, portanto, a estabilização das relações; alimenta-se comportamentos funcionais e adaptativos. Nada deve mudar, apenas aquilo que deixa o sistema ainda mais funcional e adaptativo.
Ao examinar as práticas educativas, Freire identificou que muitas delas apoiavam-se em perspectivas funcionalistas, apoiando-se basicamente em uma perspectiva de educar para a submissão, para a crença de uma realidade estática, compartimentada, para a visão de um ser humano acabado, pronto. Ela inibe o pensamento, o olhar crítico da realidade. Esconde as contradições e os conflitos emergentes do cotidiano em que se insere a escola e o educando. Tem como objetivo a manutenção e a reprodução da consciência ingênua (Sartori, 2008). No fazer da educação bancária o “educador aparece como seu indiscutível agente, como o seu real sujeito, cuja tarefa indeclinável é ‘encher’ os educandos dos conteúdos de sua narração” (Freire, 1987, p. 57). “Eis a concepção bancária da educação, em que a única margem de ação que se oferece aos educandos é a de receberem os depósitos, guardá-los e arquivá-los” (p.58). O saber nesta concepção é doação dos que se julgam sábios aos que julgam nada saber. Ou seja, aquele que está no papel de ensinar, o detentor de poder/saber, é quem dita as regras do jogo; o aluno, aquele que não tem luz, o depositário de informações devem apenas concordar e andar na linha. Tudo se mantém e parece funcionar, contudo beneficiando a quem?
Moscovici e Freire se opuseram a estes pressupostos do funcionalismo, criaram e propuseram outro modo de ver e compreender as coisas, o ser humano, o conhecimento e o mundo.
Nadaram contra a corrente, inovando e estremecendo com o que estava sendo dito como “a
verdade”. Questionaram inclusive o conceito de verdade, em última instância. O primeiro criou o modelo genético ou interacionista e o segundo a proposta de educação libertadora.
b) Perspectiva interacionista e libertadora
O modelo genético ou interacionista compreende que o meio social é definido e produzido por quem dele participa. Os papéis, os status sociais e os recursos psicológicos adquirem significado na própria interação social, ou seja, a chamada adaptação dos sujeitos ou do grupo ao sistema e ao ambiente social, é a contrapartida da adaptação do sistema e do meio social aos indivíduos e aos grupos (Moscovici, 1979). Tudo aquilo que sustenta certo tipo de adaptação é decorrente de interações passadas e presentes. O desviante e o normal assim são definidos em relação a um certo tempo, espaço e a sua posição particular na sociedade. O desvio, portanto, não é um acidente de percurso, nem mesmo uma patologia, como muitos querem catalogar; é um produto desta organização, um símbolo da contradição que o cria e que é, por sua vez, por ela criada (Markova, 2006).
A educação libertadora, por sua vez, busca quebrar, romper, superar a contradição educador-educandos, de tal maneira que se façam ambos, simultaneamente, educadores e educandos. Ao romper e superar o esquema vertical, a educação problematizadora afirma a dialogicidade como princípio e se faz dialógica. Ela assume, portanto, sua intencionalidade e toma a consciência como consciência de. Se queremos a libertação dos seres humanos não podemos começar por aliená-los ou mantê-los alienados. “A libertação autêntica, que é a humanização em processo, não é um coisa que se deposita nos homens. Não é uma palavra a mais, oca, mitificante. É práxis, que implica a ação e a reflexão dos homens sobre o mundo para transformá-lo (Freire, 1987, p. 67). A palavra guarda duas dimensões inseparáveis: a da ação e a da reflexão. Existir é pronunciar o mundo, é modificá-lo.
Questionar, desestabilizar, ser diferente, portanto, traz, a partir de algumas teorias de base funcionalista, problemas e tensões. Moscovici e Freire formam minorias que conseguiram comunicar novas concepções e enfrentar a maioria. Eles caminharam no contra fluxo de sua geração
intervenções adaptativas, pois acreditará que tudo pode ser controlado e ser posto na linha. As intervenções ignorarão as tensões, os conflitos, os abafarão, pois assim estará resolvido. Seremos todos seres humanos-objetos de um sistema equilibrado e ajustado. Mas o ser humano será só isso? Um ser que se adapta ao mundo? Para ambos, Moscovici e Freire, não, como veremos a seguir.