7. Analyse og tolkning
7.1 Administrativ ledelse
7.2.1 Uformell læringsledelse
tive a preocupação de estabelecer que, a par do
conhecimento universitário, eu era um cidadão desse
país. O pessoal do meu tempo sempre teve consciência
clara do seu papel enquanto intelectuais ativos.
Nascido em Uchoa-SP, em 1943.
Autor, entre outros: Fronteiras múltiplas, identidades plurais - um ensaio sobre
mestiçagem e hibridismo cultural. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2002; De vôos e ilhas. Literatura e comunitarismos. Cotia: Ateliê Editorial, 2003; Literatura comparada e relações comunitárias, hoje. Cotia: Ateliê Editorial, 2012; Literatura, história e política. Cotia: Ateliê Editorial, 2007.
Nasci em 1943 no interior de São Paulo na cidade de Uchoa, perto de São José do Rio Preto. Vim para São Paulo após concluir o primeiro ano do científico e transferido para o colégio estadual Presidente Roosevelt na extensão do Ipiranga. Esse era um dos principais colégios de São Paulo, cuja sede ficava na Rua São Joaquim. Naquela época, os colégios estaduais eram os principais centros formadores do ensino médio. Normalmente quem era jubilado dessas escolas é que ia para os colégios particulares. Claro que havia alguns colégios particulares de referência, mas eram poucos.
Sou de uma geração que sempre quis ser independente, a situação hoje é bem diferente. No período em que cursei o científico, eu queria trabalhar e comecei ainda menor de idade no jornal Diário da Noite, da organização Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Ao entrar nesse jornal comecei a frequentar outro ambiente no qual estavam justamente os jornalistas. Os Diários Associados ficavam na Rua 7 de abril, pertinho da Biblioteca Mário de Andrade. A biblioteca e o seu entorno constituíam o centro cultural de São Paulo. A minha vida se modificou porque lá estavam, além dos jornalistas, os artistas de teatro, aqueles que mexiam com cinema (produtores, realizadores e críticos) e, enfim, os intelectuais da cidade.
Fui beneficiado ao completar 18 anos com um registro profissional como jornalista. Logo em seguida começou a entrar em vigência uma lei, que foi assinada lá atrás pelo Jânio Quadros, que obrigava o jornalista a ter curso superior em jornalismo. Eu já me considerava formado, mas logo as coisas se modificaram. Uma ambiência política bastante forte tomou conta do nosso dia a dia no contexto do Golpe de 64. Eu tinha uma posição bastante ativa no sindicato dos jornalistas. Resolvi fazer faculdade e acabei entrando no curso de Letras, da Universidade de São Paulo, em 1966. No ano seguinte, atuei como secretário geral do Grêmio e dirigi um jornal chamado Amanhã. Era um jornal feito por estudantes com uma tiragem de 20 mil exemplares e era vendido nas bancas. Toda essa tiragem se esgotava na forma de vendas, mas também se distribuía gratuitamente alguns exemplares. O jornal teve uma curta duração. Esta história está registrada em um centro de documentação do Departamento de História, da FFLCH da USP, pela esposa do professor Dante Moreira Leite... Apresentei a ela, inclusive, três números desse jornal que foram arquivados. Era basicamente um jornal feito por jornalistas e estudantes de jornalismo e que contou também com charges do Jaguar, colaborações do Otto Maria Carpeaux. Ou seja, era um jornal semanal de ótimo
nível. No entanto, ele acabou se desagregando devido à repressão da polícia e também a uma desavença interna.
Havia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras um cursinho pré-vestibular, chamado Cursinho do Grêmio, que era considerado o principal da área de Humanas, em São Paulo. Os professores que lecionavam eram alunos da própria Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo. Curiosamente, lá havia professores que trabalhavam há dez anos porque o salário era muito bom. Na época não havia esse limite de prazo para terminar a graduação, e muitos continuavam como alunos para poderem ser professores do cursinho do grêmio. Esse cursinho propiciava dinheiro para as atividades todas do grêmio, então, além do jornal, nós tivemos também aqui na Faculdade a revista Revisão. Ela foi fechada pela polícia quando da publicação de uma entrevista com o Caio Prado Júnior sobre o livro A revolução brasileira. Resultado: um ano de cadeia para o Caio Prado e para o entrevistador.
O grêmio desenvolvia várias atividades, incluindo teatro e cinema. O Renato Tapajós era aluno de Ciências Sociais e realizou alguns curtas-metragens sobre as atividades do próprio grêmio. Sei disso por que participei de alguns curtas. Tenho vontade de fazer uma edição, tipo fac-similar, com pequenos depoimentos dos atores que atuaram nessa época, para mostrar justamente como se fazia política naquele momento. Algo sem nostalgia.
Nessa mesma época havia uma forte participação dos alunos da Faculdade de Filosofia no Teatro do Estudante da Universidade de São Paulo (TUSP), inclusive, só para dar o nome de alguns, a Iara Iavelberg, que foi mulher do Lamarca, atuou lá. Eu era secretário geral do grêmio, mas o presidente era Luís Roberto Arantes, que foi morto pela repressão política. O Arantes morreu chegando em sua casa quando um policial pegou uma marreta e deu na cabeça dele. Foi assim que ele morreu...
Eu estava no segundo ano da faculdade quando deixei o jornal e passei a lecionar na rede estadual. Como professor, participei e fui um dos organizadores de uma greve em 1967. A greve defendia questões de ensino e salariais. Acabei representando a região do ABC-SP. Não pretendia ser representante de coisa nenhuma, mas houve uma assembleia na qual defendi algumas ideias e, por isso, acabei sendo eleito para a comissão coordenadora. Fiquei em uma posição curiosa, porque era aluno de graduação, ainda não era professor e estava ali nessa situação de comando. Nós estávamos no tempo da ditadura, embora a ditadura não tivesse se radicalizado como depois do Ato
Institucional n° 5 (AI-5). Era possível acompanhar os movimentos populares e as manifestações cultuais, como o cinema novo que era muito forte nessa época. Uma tendência cinematográfica crítica que vinha desde os finais da década de 50 e se projetava nos anos 60. O mesmo acontecia com a música popular, cada vez mais contestatória e notável nível artístico.
Quando houve o AI-5 a coisa complicou. Em 1969, eu fui preso pelo exército e fiquei sob prisão por um ano e cinco meses. Passei inicialmente pelo Forte Itaipu e, depois, pela Operação Bandeirantes (OBAN), que não tinha sequer existência legal no próprio sistema ditatorial. Sob tortura, foram os próprios agentes da repressão que disseram isso para mim, chegando mesmo a enfatizar que nada daquilo existia, que eu próprio não existia... Entendi o procedimento como mais uma ameaça, para além da tortura. Depois da Operação Bandeirantes passei para o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), onde houve a formulação do processo e, daí, fui ter ao Presídio Tiradentes, onde fiquei preso a maior parte do tempo. Fui posteriormente condenado e, curiosamente, quando a pena de um ano de prisão foi decretada, eu já tinha não só cumprido a mesma como tinha ficado mais tempo. Assim mesmo meu advogado recorreu e fui absolvido. Não conseguiram provar nada contra mim. Os motivos para a prisão eram na verdade laterais. Não chegaram a conhecer os meus engajamentos mais fortes. Percebi, na prisão, com base em outras prisões, que eles me mantiveram preso como uma forma de pressão sobre possíveis lideranças... E eu tinha certa posição de liderança e uma presença já de longo prazo nas fichas dos órgãos de repressão...
Quando saí da prisão em 1971 eu entrei na pós-graduação. Fui orientado pela professora Maria Aparecida Santilli que trabalhava na época com neorrealismo português. Comecei a desenvolver a minha pesquisa já em uma perspectiva que me parecia importante e que marcou a minha vida, os estudos comparados entre as literaturas de língua portuguesa. Eu queria estudar Carlos de Oliveira, um importante escritor português anti-salazarista. Durante a elaboração do projeto, comecei a vê-lo em uma perspectiva brasileira, através da comparação com Graciliano Ramos. Nesse momento eu também ganhei uma bolsa da FAPESP para ir para Portugal e acabei ficando lá por 10 meses.
Quando fui tirar o passaporte percebi justamente o que os agentes repressores da Operação Bandeirantes, os torturadores, queriam dizer para mim, quando diziam que eu
não existia. O meu passaporte não saía. Através de parentes cheguei até um delegado que controlava o setor. Ele me pegou, assim pelo ombro, e me levou até o meio dos arquivos – naquela época arquivos de papel mesmo, umas pastinhas, onde deveria estar o meu RG. Percorremos pastinha por pastinha e quando chegou no meu número, a pasta não existia. Tive então de provar que eu existia, desde a certidão de nascimento. Desde a certidão de nascimento tive que mostrar quem eu era. Depois, esse delegado acabou por me solicitar uma carta da corregedoria militar, informando que nada tinham a obstar quanto à concessão de meu passaporte. Eu tinha sido objeto de um Inquérito Policial Militar (IPM) e era necessário que autorizassem a minha saída. Só assim pude ir para Portugal.
Parti para Lisboa, onde meu projeto de mestrado foi supervisionado pelo professor Jacinto do Prado Coelho. Não pretendia voltar ao país, mas acabei por me decidir pela volta por razões familiares. Lamentei muito essa decisão, logo que cheguei. Eu era explicitamente vigiado e entendi que era uma forma de me atemorizar. Coisa assim de chegar em casa e encontrar uma pessoa com metralhadora me vigiando. Não na porta da minha casa, ou na mesma rua... O agente olhava para mim, depois ia embora. Quer dizer, uma ameaça explícita. Além disso, entravam em casa também para ver se havia alguém lá dentro. Ao mesmo tempo, soube da queda de antigos companheiros de militância, mais diretamente ligados a minha efetiva participação política anterior. Poderiam reabrir o meu processo, já que o que tinham contra mim no processo anterior era lateral e irrelevante.
Passei a lecionar aqui na USP como instrutor voluntário porque tinha bolsa FAPESP. Naquela época eles aproveitavam justamente os bolsistas para lecionar. Trabalhei um ano como instrutor voluntário, depois a FAPESP resolveu proibir que se fizesse isso, já que era uma forma da USP não contratar docente. Enquanto se valia dos bolsistas da FAPESP, não contratava professores. Só continuei na USP porque acabei fazendo um concurso de ingresso para professor universitário. Havia duas formas de concurso: o designado de seleção interna, cujo professor era contratado a título precário – depois virou CLT –, e o concurso para a carreira de funcionário público. Fiz diretamente um concurso público para nomeação e passei, mas sabia que ia ter problemas. Comecei a acompanhar o meu processo de nomeação, ele saiu de um setor da USP e foi para outro, até que ele chegou às mãos do reitor rapidamente. O problema é que o reitor não assinava. Quando procurei investigar o que estava acontecendo, vi
que meu nome estava na chamada “Triagem ideológica da USP”, que funcionava junto ao gabinete do reitor. Fui recebido por Leovigildo Pereira, uma pessoa que procurava mostrar-se simpática, mas que era um agente do Serviço Nacional de Informação. Essa informação foi ele próprio que passou para mim e outros colegas. O Leovigildo dizia os procedimentos da triagem ideológica não dependiam dele e que ele era apenas um intermediário. Contou-me ainda que existia a chamada Comunidade de Informações que recebia dossiês dos vários serviços secretos e que um coronel que comandava a triagem da USP, não recomendou a minha nomeação.
O caso da minha nomeação era o caso também de outros professores aqui da USP. Só que, o meu caso em particular, era diferente dos outros. Nós já estávamos em 1977, bem no princípio da redemocratização do país. Nesse momento havia sido instalada, inclusive, uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembléia Legislativa, chefiada pelo Almir Pazzianotto Pinto, para investigar o que estava acontecendo na USP. Nessa altura começou a existir a Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (ADUSP) presidida pelo advogado Modesto Carvalhosa, sendo que o professor Antônio Candido era vice. Conhecedor de meu caso, Modesto Carvalhosa estava entabulando uma entrevista comigo na Folha de São Paulo para denunciar a situação. Mas o Antônio Candido foi contra e falou: “Não, você não, se você der a entrevista não vai ser admitido, porque o teu caso é diferente dos outros casos”. Eram mesmo diferentes porque os outros casos de triagem eram relativos aos concursos internos, havia concurso também, mas não era para ser funcionário público de carreira. O meu era concurso público e dependia de nomeação.
Acabei não indo dar a entrevista, mas a Andréa Aparecida Santilli redigiu um ofício para essa Comissão Parlamentar de Inquérito. Um dos deputados na época, Lazzarini, entregou para a comissão esse ofício dirigido à USP. O documento solicitava informações sobre os concursos realizados nos últimos dois anos, as indicações dos aprovados, e, dentre eles, quem tinha sido nomeado e quem ainda não. Se não o foram nomeados, os motivos da não nomeação. Consequência: fui agradavelmente surpreendido com um telefonema do Leovigildo, dizendo: “Benjamin, sinal verde, vem para cá!”. Fui para a USP, mas, assim mesmo, ele pediu para que eu conversasse com o Prof. Eurípedes Simões de Paula, porque ele precisava se responsabilizar pela nomeação. O Prof. Eurípedes era o diretor da Faculdade, docente do Departamento de História, e precisava se responsabilizar pela minha nomeação. Bom, então fui conversar
com o Eurípedes, que me conhecia e conhecia o meu caso, já tinha conversado comigo várias vezes, e ele disse para mim: “Olha Benjamin, eu não tenho nada a ver com isso”. Entrei na universidade com essas dificuldades todas.
Essa triagem que eles faziam era impressionante! Essa minha colega já falecida, Maria Aparecida Santilli, foi ter à reitoria e conversou várias vezes com o agente do SNI. Teve acesso, então, as minhas fichas da chamada comunidade de informação e ficou surpresa, pelo conhecimento que eles tinham de minha vida pessoal, inclusive por fotografias. Havia inclusive informações sobre a minha vida em Portugal. Quer dizer, provavelmente havia uma conexão entre os serviços de informação, não sei bem como era isso. Sei que obtiveram informações e estavam por dentro da minha vida.
Docente da USP, eu que havia entrado por concurso na área de Literatura Portuguesa passei a defender o meu ponto de vista de que essa disciplina deveria ser vista em uma perspectiva brasileira e contemporânea. Quando comecei a dar aulas, o curso de Literatura Portuguesa era bem tradicionalista, na base da periodização literária, onde se lecionavam bons autores e maus autores. Eu, ao contrário, defendia em minhas intervenções em congressos e na USP que a melhor estratégia consistia em ganhar o aluno, ou seja, que era preciso justamente passar para os alunos o melhor da Literatura Portuguesa e numa situação de diálogo com a nossa literatura e o cotidiano dos alunos. Era imprescindível ganhar o aluno, para que ele, posteriormente, se especializar em um autor secundário, etc. Mas isso seria uma decorrência natural dessa sua vinculação com a Literatura Portuguesa. Eu acreditava, no entanto, que a gente tinha que defender uma perspectiva comunitária, em diálogo com o Brasil. E, inclusive, que essa perspectiva deveria ser adotada até mesmo em termos teóricos e metodológicos. Mas não era isso que se fazia na USP e nem no Brasil como um todo.
Esses professores de Literatura Portuguesa, sob a ambiência ditatorial (de lá e de cá) se fixavam em um pretenso e imaginário lócus enunciativo, de uma aldeia portuguesa qualquer, e vestiam aquela perspectiva de “Portugal: meu avozinho”. Tratava-se de um horizonte muito tradicionalista. Eu questionava essa postura e defendia que precisávamos relevar dos estudos da Literatura Portuguesa o que nela havia de atualidade crítica, coisas que eram feitas em Lisboa por conta daqueles professores anti-salazaristas. Quando me decidi a estudar o brasileiro Graciliano Ramos, sobretudo por causa do português Carlos de Oliveira, a pesquisa fazia parte de um projeto mais amplo de poder falar de política sob uma ditadura. Isso era possível porque
eram estudados escritores de ênfase política. Procurei defender essa perspectiva desde o início.
A minha segunda participação em congresso se deu em um grande e muito bem organizado encontro realizado em Belo Horizonte. Havia grandes encontros de professores universitários brasileiros de Literatura Portuguesa na época. Nós, inclusive, mandávamos os textos das nossas comunicações com antecedência, o texto completo, e esse texto era distribuído entre os convidados. Recebíamos os textos de todos os convidados com um mês de antecedência. Íamos para as sessões preparados e podíamos refletir sobre aquilo que seria apresentado. Eu, ainda um docente ainda principiante, tinha acabado de entrar na USP, e recentemente acabado de defender o doutorado, apresentei essa perspectiva de pesquisa numa mesa de abertura do evento, ao lado de docentes como o professor Celso Cunha e de outras figuras eminentes. Um dos professores que estava lá na mesa de abertura, ligado ao ensino de literatura portuguesa, resolveu me questionar com o seguinte tipo de argumento, dizendo: “Não, isso aí de comparar, isso pode ser um fator de diminuição da importância da Literatura Portuguesa”. Bom, eu ia responder, daí uma senhora que eu não sabia nem o nome pediu a palavra. Em primeiro lugar ela me defendeu, dizendo: “Não, é isso mesmo, não podemos deixar nossa perspectiva como brasileiros”. Afinal, o meu argumento básico era que nós, os brasileiros, podíamos a partir de aspectos culturais diferentes, estudar inclusive ou descobrir certas características da Literatura Portuguesa que os próprios portugueses não conseguiam realçar. Ou seja, considerava que a questão do distanciamento era um diferencial importante. Depois, descobri que a senhora que me defendeu era Dirce Cortes Riedel, uma professora paradigmática nossa, do Rio de Janeiro, mas que eu não conhecia pessoalmente naquela altura.
Em minha trajetória acadêmica acabei trabalhando com literatura comparada em língua portuguesa e, sobretudo, com literatura contemporânea. Minha atuação também foi marcada por um viés editorial, tendo coordenado algumas séries. Iniciei-me como editor na Editora Abril com a coleção Literatura Comentada, juntamente com a Marisa Lajolo e Samira Campedelli. Era uma bela série. Nós começamos com uma venda de 150 mil exemplares em 15 dias. Era uma coleção destinada, em princípio, aos colégios, mas na verdade acabou atingindo as faculdades. Depois coordenei, com a Samira Campedelli, a Coleção Princípios e Fundamentos na Editora Ática. Nossa briga nesse momento era contra a cultura do xérox que existia nas universidades. Pensamos então
em produzir um livro que brigaria com o xérox, tendo um preço baixo, em formato pequeno, seria uma espécie de Que sais-je? Nacional, devidamente “aclimatada”. Começamos basicamente na área de letras, tanto na literatura, quanto linguística, mas também enlaçamos, quase que de imediato, a área de história.
Como a Coleção Princípios foi organizada? Pegávamos autores de várias partes do Brasil, não só de São Paulo. A ideia era fatiar o conhecimento. Por exemplo, na literatura nós temos a teoria da narrativa. Nessa área encomendamos um livro sobre a personagem, outro só sobre espaço, outro sobre tempo, e outro sobre foco narrativo e assim por diante. Então fatiávamos as áreas e depois as encomendávamos para os autores. Essa série tinha uma grande vantagem já que os autores recebiam 10% sobre 4 mil exemplares na aprovação do original. Conseguíamos publicar até 60, 70 livros por ano. Quase sempre era eu mesmo ou a Samira que éramos os leitores críticos dos textos. Às vezes, entregávamos os livros para um leitor crítico, dependendo da área e do assunto. O objetivo era justamente apresentar uma primeira leitura necessária sobre um assunto. Os livros tinham sessões padronizadas que orientavam o leitor através de uma bibliografia comentada e indicações das primeiras leituras necessárias.
A série Princípios foi um sucesso editorial e um material necessário em termos de ensino e pesquisa. Ela foi tão bem acolhida pelo público e paralelamente, lançamos também a série Fundamentos, que se tratava de um nível mais elaborado. Começamos a