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1.2 The deubiquitinating enzyme UCHL1: Ubiquitin C-terminal Hydrolase-1

1.2.1 UCHL1 Variants and Human Disease

O projeto didático de gênero (PDG) configura-se como um dispositivo de ensino de leitura e de escrita em língua portuguesa e foi desenvolvido pelos estudos realizados por Guimarães e Kersch (2012), da linha de pesquisa Linguagem e Práticas Escolares do Programa de Pós- Graduação em Linguística Aplicada da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Mediado pelo projeto de pesquisa Por uma formação continuada cooperativa para o

desenvolvimento do processo educativo de leitura e produção textual escrita no Ensino Fundamental, do Programa Observatório da Educação / CAPES, o PDG foi difundido como

prática pedagógica nas escolas da rede pública de ensino do município de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, sob uma perspectiva colaborativa de trabalho, entre os professores da rede municipal e os pesquisadores da universidade.

Orientadas por uma visão interacionista de linguagem e de ensino, as idealizadoras do projeto utilizaram princípios das sequências didáticas e dos projetos de letramento para desenvolver a metodologia de trabalho projeto didático de gênero. As autoras definem um PDG como um

Conjunto de atividades organizadas com um ou dois gêneros em um dado espaço de tempo (um bimestre, por exemplo), a partir de demanda ou temática trazida pelos alunos ou professora, sempre com a preocupação de relacionar a proposta a uma dada prática social e de fazer circular o gênero com que se trabalhou para além dos limites da sala de aula (GUIMARÃES; KERSCH, 2014, p. 28).

Desse modo, as atividades do PDG começam com a identificação de uma prática social pertinente aos interesses e às necessidades dos alunos, perspectiva que relaciona o PDG aos projetos de letramento. A partir desse contexto, que leva em consideração a prática social e a realidade dos alunos, um gênero de texto mais adequado para o desenvolvimento do projeto é selecionado, trabalhando o PDG com o gênero textual, assim como as sequências didáticas. Contudo, as SDs são criticadas por artificializarem o ensino dos gêneros, conduta não adotada pelos postulados do PDG, conforme assinalam as idealizadoras do projeto:

Vamos lembrar que não se trata de ensinar um gênero pelo gênero, pelo conhecimento e/ou identificação de suas características composicionais, por exemplo, mas trata-se de ensinar a usar o gênero, apropriar-se dele para agir com eficiência de forma situada, em outras práticas sociais (GUIMARÃES; KERSCH, 2012, p. 36).

Depreende-se das palavras das autoras que o ensino de leitura e produção de texto deve estar relacionado à construção de conhecimento para uma prática social. Ao desenvolver um PDG, o professor precisa pensar no letramento dos alunos, nas formas de emprego da linguagem, que se materializam nos gêneros, e ter como foco o domínio do gênero como um todo e o uso desse instrumento de comunicação.

Quanto ao aspecto estrutural do PDG, após a identificação da prática social dos alunos e a identificação do gênero a ser produzido, o professor procede à elaboração do modelo didático (MDG), conforme assinalam os pesquisadores genebrinos. A fim de se identificar as dimensões ensináveis do gênero em questão, o docente elabora um modelo didático com as características do gênero, elencando os critérios específicos que devem ser pensados na produção textual. Assim, o MDG configura-se como uma importante ferramenta de trabalho docente, uma vez que possibilita ao professor a detecção dos elementos ensináveis do gênero que será trabalhado nas oficinas.

A apresentação da situação inicial é o momento em que os alunos se conscientizam da prática social envolvida e do gênero que emerge dela. A partir do que sabem sobre o gênero, os aprendizes escrevem uma produção inicial (PI), que servirá ao professor como um diagnóstico para a elaboração de oficinas, que venham a desenvolver as capacidades de linguagem dos alunos. Ao fazer o cruzamento das constatações observadas nas produções iniciais com as

A leitura extensiva é outro elemento que deve ser trabalhado no PDG, permeando todo o processo de ensino do gênero. De acordo com Guimarães e Kersch (2012, p. 36), o PDG tem

como função elementar o ensino da leitura: “suas características básicas serão o trabalho com

a leitura (incluindo leitura do não verbal)” e assinalam uma perspectiva, novamente, diferenciada em relação às SDs: “Diferentemente do proposto pelo grupo de Genebra, nossa preocupação foi atribuir a mesma importância tanto ao processo de leitura quanto ao de produção textual” (GUIMARÃES; KERSCH, 2012, p. 23). Assim, “os módulos ou oficinas a serem desenvolvidas em cada projeto pedagógico proposto terão atividades de leitura que levarão à produção textual” (GUIMARÃES; KERSCH, 2012, p. 23).

Após realizar as atividades das oficinas, espera-se que o aprendiz tenha o domínio do gênero estudado e realize uma produção final (PF). Uma grade de avaliação deve ser criada em conjunto com os alunos e será usada também para a reescrita da PF. A coconstrução dos critérios de avaliação funciona como uma retomada dos conteúdos estudados nas oficinas, além de representar ao aluno uma oportunidade de fazer parte do processo de ensino, uma vez que através da coelaboração dos elementos a serem verificados, ele participa de forma corresponsável de sua aprendizagem.

Como última etapa de um PDG, a reescrita da produção final consiste em uma atividade de reflexão sobre a escrita, configurando-se, portanto, como um processo reflexivo e crítico, em que o aluno tem a oportunidade de reconhecer suas dificuldades evidenciadas nos textos e agir sobre elas. Dessa forma, para o PDG, a reescrita é vista como um importante instrumento que propicia a interação dos alunos com o seu texto, a partir de uma atitude responsiva ativa frente às produções textuais, caracterizando-se como um processo de revisão do texto e de adequação da linguagem para a prática social proposta.

Uma síntese do percurso que o projeto didático de gênero evidencia, conforme conceberam Guimarães e Kersch (2012), pode ser visualizada na figura a seguir:

Figura 3 – Ilustração representativa do projeto didático de gênero

Fonte: Rabello, K. Dissertação de Mestrado (2014, p.53).

Embora adote os princípios do letramento e a estrutura das SDs, o projeto didático de gênero caracteriza-se como uma metodologia de ensino singular, que reúne aspectos das SDs e dos projetos de letramento, conforme apontam Guimarães e Kersch (2012) sobre o PDG:

Para o grupo de Genebra, interessa que o aluno domine o gênero trabalhado na sequência didática; já para o grupo de Kleiman, o resultado final é dar conta da prática que se decidiu exercer, não se atendo ao domínio de um gênero específico (não há, por exemplo, limitação ao número de gêneros ou agrupamentos de gêneros a serem trabalhados). No nosso grupo, a ousadia é ter, sim, um produto final, cuja circulação não se limitará aos muros da escola, mas também pretender que o aluno domine o(s) gênero(s) envolvido(s) na prática em questão (GUIMARÃES; KERSCH, 2012, p. 24).

Desse modo, o PDG configura-se como uma metodologia de ensino de língua que pretende ressignificar as práticas de leitura e escrita na escola, priorizando a prática social, conforme preveem os estudos do letramento realizados por Kleiman, e o trabalho detalhado sobre os gêneros, em consonância com os pesquisadores genebrinos em relação às SDs. Assim, a proposta de ensino fomentada pelo PDG tem a prática social como ponto de partida e de chegada, afinal os alunos escrevem para atender a uma demanda real de uso da língua, bem como o PDG fornece os subsídios necessários, através das atividades propostas pelas oficinas, para que os alunos dominem os gêneros e seus usos, a fim de agirem dentro e fora da escola.

Este capítulo destina-se a apresentar a metodologia de pesquisa utilizada para o desenvolvimento do presente trabalho, o contexto de pesquisa dos projetos didáticos de gênero e a descrição das oficinas de cada PDG. A ferramenta de obtenção dos dados é detalhada, bem como a descrição das categorias de análise que aplicada aos três projetos didáticos do gênero carta de reclamação. A análise dos dados conta com uma abordagem qualitativa, uma vez que o cerne da presente pesquisa é analisar as oficinas, de que forma o professor imprime suas concepções nas atividades que elaborou, bem como de que maneira ele se apropriou do dispositivo didático PDG. Por questões éticas, os nomes dos professores foram substituídos por nomes fictícios.