2. TEORETISK GRUNNLAG
2.2 U TVIKLING AV HYPOTESER OG OPERASJONALISERING
Por ser um movimento recente, desenvolvido no país nas últimas décadas onde trabalhadores, sobretudo as mulheres, em busca de soluções para as injustas condições de vida, inserem-se nessas atividades, é interessante averiguar quais as informações que elas possuíam sobre como era o trabalho em uma cooperativa ou mesmo se tinham alguma informação sobre o que era o trabalho em economia solidária. A intenção é captar novos sentidos ou dificuldades percebidos pelas entrevistadas por meio da ação cotidiana.
Não. O mundo da cooperativa me era totalmente longe. Eu nem sabia o quê que era uma cooperativa, não tinha nenhuma noção. (Componente 01)
Não, nunca, nem sabia o que era cooperativa. Cooperativa como que eu conheço que é hoje, não sabia. (Componente 02)
Não, nem tinha nem ideia (...). Não tinha ideia de como funcionava uma cooperativa (...). (Componente 10)
Não, eu nunca tinha ouvido falar não. Não sabia que existia economia solidária. (Componente 15)
Por se tratar de mulheres com média acima de 40 anos de idade e por já possuírem experiências de trabalho anteriores, de fato em suas vivências, ainda assim, não tinham essas informações, onde foram unânimes em desconhecer esse tipo de organização de trabalho. Essa fase inicial, a economia solidária requer ainda uma ampla ação em termos de políticas públicas (Pochmann, 2004) como forma de potencializar as oportunidades do seu desenvolvimento.
No universo das pessoas que estão envolvidas nos empreendimentos de economia solidária na região norte mineira, destaca-se uma grande participação e diversidade de mulheres que já possuíam experiências de trabalho. No caso das mulheres entrevistadas, a maioria nunca esteve vinculada ao trabalho assalariado, concentradas na informalidade e em ocupações degradantes como na coleta de materiais recicláveis no lixão. Diante dessas atividades vivenciadas, foi possível compararem as diferenças entre o trabalho que desenvolvem hoje nos seus respectivos grupos em relação a suas antigas ocupações. Ao perguntarmos sobre estas diferenças, destacaram o seguinte:
É diferente pelo seguinte: porque lá nos outros lugares que eu fazia era preso né? ... aqui é livre, então eu acho que tem muita diferença e também não tem chefe no pé. Não tem patrão para ficar enchendo a paciência toda hora né? chamando atenção ... eu acho muito melhor, aí mais na idade que a gente já tá né? então a gente procura um lugarzinho mais sossegado para gente trabalhar né? (Componente 05)
Na minha situação atual eu acho diferente ... pois quando eu estava trabalhando nos outros trabalhos eu era subordinada a alguém e nem tempo para conversar a gente não tinha e nem podia ... aqui a gente é mais amigo, conversa mais, porque prá eles lá, nas empresas eles acham o seguinte, enquanto a gente estava falando, o nosso ritmo de trabalho diminuía ... mas já vem a contrapartida, se cada pessoa que tem seus problemas e chega aqui e começa a contar seus problemas para gente e a gente não tenta ajudar ... de repente essa pessoa que está com tanto problema assim ... amanhã ela nem viria trabalhar de novo, porque não ia conseguir trabalhar. E se ela teve aquela conversa com a gente, teve alguém que abraçou, que deu atenção, que esteve pronto para ajudar, isso com certeza irá ajudar essa pessoa (...). Nós temos isso aqui. É um diferencial e isso é muito importante para vida. O ser humano precisa disso, nós almoçamos aqui ... o almoço é coletivo, uma completa a comida da outra ... eu acho isso interessante faz bem para a pessoa (...). Isso é gratificante e fortalece o elo que existe entre a gente (...). Eu acho isso muito interessante e nos outros lugares que já trabalhei não tinha isso. (Componente 10)
É diferente, nos lugares que eu estava antes, a gente nem podia conversar, tinha que trabalhar calado e tudo que for fazer, tinha chefe olhando. A gente não trabalhava assim tão segura, trabalhava mais insegura, então não dava para a gente ter assim uma relação para tá conversando sabe? em relação ao
serviço aqui, é totalmente diferente né? (...). Porque é a gente que coordena, quando eu estava em firmas eu ficava preocupada porque tinha que obedecer a patrão. Aqui é bem diferente. A gente trabalha mais a vontade para gente, mas é muita responsabilidade e temos que dá conta né? A gente fica mais a vontade, pois o trabalho é da gente, essa que é a diferença (....). (Componente 15)
Com certeza é diferente sim, ah! é na padaria né? É economia mesmo solidária, é tipo assim: se um dia eu tiver algum problema se não tiver alguém para olhar a minha filha, eu posso levá-la ou se precisar sair para resolver alguma coisa eu tenho essa liberdade sabe? As outras entendem assim, todo mundo procura entender, bem diferente mesmo. É bem melhor. (Componente 13)
Santos & Borinelli (2010) destacam que a emancipação perseguida pela economia solidária apresenta-se economicamente por meio de uma nova lógica organizacional, na qual se busca construir modelos de produção e de sociabilidade amparados por princípios que se opõem à lógica dos modelos hierárquicos de centralização de poder e competição. Para os autores, a economia solidária concentra no ser humano e substitui o modelo hierárquico vertical pela horizontalidade das relações.
Nota-se que, através das atividades anteriores que desempenhavam, essas trabalhadoras conseguiram analisar diferenças com relação ao trabalho cooperativado, principalmente, na gestão promovida por elas mesmas, onde se tornaram empregadas e patroas ao mesmo tempo. Percebe-se que nesse processo é que, sentem-se libertas da subordinação em relação à chefia que pressionavam. Inseriram num espaço agora onde ficam mais à vontade, com menos pressão e mais liberdade tanto para o próprio trabalho quanto para interagirem.
Manetti (2005), França Filho (2009), Singer (2002, 2001) e Gaiger (2007) indicam que homens e mulheres encontram na economia solidária um novo modo de organização do trabalho. A necessidade do trabalho é o fator inicial de abertura do empreendimento, mas a lógica do funcionamento desse formato proporciona novos significados para seus membros. Vivenciar uma experiência sem patrão, construindo uma relação de trabalho não subordinada a alguém são percepções positivas apresentadas por essas trabalhadoras a partir dessa inserção.
A entrada nos grupos propicia o sentimento de pertencer a atividades produtivas mais autônomas e menos submissas. Significa fazer parte de um projeto em construção com perspectivas de ampliação (COSTA, 2007, p. 97). Essas iniciativas têm demonstrado um terreno importante para exercitar novas práticas e novas ações de empreender, beneficiando, diretamente, as trabalhadoras envolvidas (NOBRE, 2003).
Há também uma parcela delas que soube destacar alguns benefícios que as outras experiências de antes ofereciam. Ainda não foi possível e continua sendo longo, incerto e um grande desafio, essa organização contemplar a todos/as os/as participantes, principalmente, no que diz respeito à proteção trabalhista e à remuneração.
Eu acho que tem diferença sim, lá antes onde eu trabalhava, eu recebia salário, aqui a gente recebe menos, porque aqui é por produção, sempre o que a gente faz não chega nem um salário. (Componente 03)
Vejo diferença sim, porque lá onde eu trabalhava, eu ganhava um salário e trabalhando menos, aqui a gente trabalha mais e não chega a ganhar um salário né? ganha menos, a diferença que acho é isso sabe? (...). (Componente 07)
É muito porque antes eu trabalhava com uva, eucaliptos, fruticultura ... mas não era muito trabalhoso não, aqui é mais, pois é um quebra cabeça, você tem que separar peça por peça (material reciclável) ... , lá era bom porque era fichado, aqui a gente paga INSS e não é fichado. (Componente 04)
A única diferença que vejo em relação aos outros que eu fazia é que a gente tinha registro na carteira ... ganhava mais, todo o mês o dinheiro estava ali né? eu gosto do meu serviço, eu gosto do serviço que faço aqui ... só o salário que não aumenta né? (....). (Componente 06)
As iniciativas organizadas pelos/as trabalhadores/as em atividades econômicas solidárias ainda não são caminhos seguros nos requisitos relacionados aos direitos trabalhistas e à renda. É visto, nessas falas, a necessidade que essas trabalhadoras têm de estar mais protegidas, asseguradas com os direitos, nesse caso, com carteira assinada, além de relatarem receber uma renda inferior em relação as suas outras ocupações. Por mais que essas atividades possam possibilitar oportunidade de trabalho para o enfrentamento da pobreza e da exclusão, essas ainda não são suficientemente estáveis e seguras para contemplar seus trabalhadores. Como foi dito por Schwengber (2003), as experiências de economia solidária, por terem um grau de articulação apenas incipiente, ainda são vistas como estratégias de resistência, diante de uma sociedade competitiva, apesar de muitos avanços.