3. METODE
3.2 U TARBEIDELSE AV M ETODEINSTRUMENTET
A primeira questão de pesquisa procurou analisar o tipo de relação que se forma entre a criança ou jovem institucionalizado e o adulto cuidador. Segundo Gomes (2010),
podemos considerar os recursos humanos, como um pilar fundamental para garantir a operacionalização de boas práticas, em todo o processo educativo e no processo de desenvolvimento das crianças e dos jovens, uma vez que os adultos cuidadores se apresentam como modelos relacionais de qualidade (p.115)
Desta forma foi fundamental analisar esta relação em ambas as perspetivas, primeiro a opinião das crianças e jovens e depois a mesma questão para os adultos cuidadores. Começando pelos jovens, de acordo com a análise de conteúdo e com as 12 respostas a esta questão, não existiu uma resposta negativa, a maioria respondeu que a relação é
“boa”, os restantes definiram esta relação como “normal” ou “mais ou menos”, existiu apenas uma resposta “ainda não é muito próxima”.
A mesma questão mas agora analisada na opinião dos adultos cuidadores revelou respostas muito idênticas às das crianças e jovens entrevistados. Através das entrevistas aos adultos cuidadores foram obtidas respostas muito positivas a esta questão e que vão ao encontro das respostas anteriormente analisadas. Deste modo, todos os adultos cuidadores afirmaram que mantêm ou tentam manter uma relação muito próxima com as crianças e jovens institucionalizados. É possível apresentar um exemplo de cada zona geográfica entrevistada:
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Litoral urbano “é muito próxima, é muito próxima e para mim não me faz sentido
que seja o contrário” (linha 69)
Litoral Rural ”sim, tenho mas já não tão próxima porque como elas têm a sua, têm
a educadora” (linha 48)
Interior Urbano “tentamos estabelecer uma relação que estabelece um pai com um
filho, ou uma mãe com um filho, ou seja, tentar criar relações de afeto, de proximidade, ser uma pessoa de referência para estes
jovens” (linha 22)
Interior Rural “uma relação de uma grande proximidade, (…) porque realmente
sim, nos somos as doutoras como elas dizem, mas somos aquelas em
quem elas confiam, com quem choram, com quem riem” (linha 52)
Analisando uma resposta de um dos cuidadores entrevistados de cada uma das zonas geográficas investigadas, poder-se-á afirmar que os adultos cuidadores procuram que a relação com as crianças e jovens institucionalizados seja a mais próxima possível, e que de algum modo seja idêntica à relação estabelecida em casa com um parente familiar, proporcionando assim uma base segura para a estadia no LIJ.
De forma a analisar mais detalhadamente esta primeira questão de pesquisa, tornou- se imprescindível examinar a última pergunta colocada às crianças e jovens
institucionalizados. Terminada a entrevista, foi tempo de “dar” a voz aos entrevistados,
foi o momento em que as crianças e jovens entrevistados puderam manifestar a sua opinião sobre o que achassem pertinente. As respostas a esta última questão foram mais uma confirmação da saudável relação existente entre os residentes e os adultos cuidadores.
Assim na zona Litoral urbana, o primeiro jovem respondeu que
“eles são uns magníficos, nos ajudam sempre, sempre estão cá, “tão” sempre aqui a ajudar-nos acho que
com eles vamos conseguir sempre, conseguimos ter uma boa formação, “hum” “pa” nós termos o nosso
futuro quando lá fora conseguimos ter a nossa vida, a nossa casa, termos um emprego. Acho “qu’eles” tão
a fazer muito bem por nós, eles querem só o nosso bem também, e… acho que sim que tão muito bem”
(Linha 81).
Na zona oposta, (Litoral rural), as repostas foram também direcionadas para os
adultos cuidadores, como por exemplo a jovem II mencionou que “estes 6 meses que eu
tenho “tado” cá tem sido os 6 meses melhores da minha vida, elas apoiam-me muito, a
31 Na zona Interior rural as respostas foram também direcionadas neste sentido, as três jovens entrevistadas direcionaram as respostas para a relação com os adultos da casa, respondendo que:
J.I: “Tipo as doutoras são como eu já disse, fazem de tudo, tudo, tudo, “pa” que a gente “teja” bem, fazem
tudo “pa” gente se sentir bem aqui, porque tipo isto aqui não é mau, além de muitas pessoas dizerem que isto é mau, e estar uma instituição isso é “bué” da mau, mas não é. Há pessoas que tem também de ver
pelo lado positivo, no meu ver é que se a gente não tivesse aqui, onde é que a gente “tava”? por isso, e
acho que isso aqui é bom, “tarmos” aqui porque não temos mais nenhum sitio pra ir, por isso é bom”
(Linha 49).
J.II: “Eu acho que tudo o que elas aqui fazem é para o nosso bem, elas só querem o nosso melhor e é verdade, por mais que às vezes ralhem com a gente é porque têm razão porque a gente faz muitas asneiras ao longo dos tempos, e elas só querem que a gente se torne umas mulheres e às vezes a gente não faz por isso” (Linha 61).
J.III: “Eu gosto muito de estar aqui na instituição eu tive uma infância má e quando vim para aqui fiquei
com uma infância melhor e “tou” a crescer e já “tou” acostumada a “tar” aqui. A minha família queria que eu me fosse embora e eu não consigo, eu já “tou” tão habituada a isto, pode ser uma chatice, podemos
não ter a liberdade que queremos, podemos não ter aquela liberdade de jovem, fazer o que queremos, sair à noite com os amigos e assim, mas isto é o nosso lar, é a nossa casa, temos de ter regras. Acho que já há
muito tempo que não me sentia tão bem numa casa, como “tou” a sentir aqui, pronto retirando algumas
confusões com as miúdas da minha idade mas isso é coisas da nossa idade” (Linha 68).
A única zona geográfica cujas respostas foram ligeiramente distintas foram as da zona Interior urbana, os entrevistados na questão livre manifestaram a ansiedade em sair do LIJ, revelando que:
J.II: “Que muita coisa aqui que não “tá” justa. E que tipo isto aqui “tá” bem feito para as pessoas que tipo
passam fome e isso e que vêm para aqui dentro, mas por um lado tá injusto, porque há pessoas também
aqui dentro que se calhar têm tudo de bem em casa e vieram para aqui.” (Linha 52)
J.III: “Eu acho que vir para a instituição mudou-me mas talvez já esteja mudado o
suficiente, acho que já fiz os meus objetivos” (Linha 47).
A diferença encontrada em relação aos restantes LIJ, no que respeita à vontade de permanecer na instituição por parte dos jovens, suscita uma possível interpretação adicional, relacionada com o facto de ser composto unicamente por rapazes. No entanto, como a diferenciação entre LIJ femininos e masculinos não constituiu uma variável do estudo, não permite tirar conclusões.
Teria sido interessante analisar esta resposta tendo em conta a composição dos LIJ, uma vez que as respostas revelaram existir uma maior proximidade e afeto nos LIJ das zonas rurais (Interior e Litoral). Esta proximidade poderá ser justificada pela
32 composição dos lares (residentes de sexo feminino) ou pela zona geográfica rural, para uma resposta mais completa a esta questão teriam de ser entrevistados um maior número de LIJ.
2) Qual o papel e a importância do adulto durante o percurso no LIJ em ambas as