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3. ASPEKTER VED TOSIDIGE MARKEDER

3.2 U LIKE MARKEDSSTRUKTURER I TOSIDIGE MARKEDER

A adolescente Eiko considera o Japão muito importante, por ter se adaptado ao país. Sente-se acolhida pelos colegas japoneses de classe, não se sentindo desamparada emocionalmente. No Brasil surgem vários sentimentos: O sentimento de vergonha é um deles, e está relacionado com o medo de errar, de se expor, reforçando o isolamento em Eiko. Existe o desejo de se comunicar com as demais crianças, porém, se sente paralisada diante da nova realidade.

Eiko: O Japão é mais, acostumei mais Japão, e consigo ficar, não ficar com vergonha e assim, não ficar sem conversar com colegas, conversa com colegas, então eu gosto de lá. Pesquisadora: O que é o Brasil? O que você pensa do Brasil? Eiko: Legal e importante para mim. Mas a língua é diferente do Japão, eu fico um pouquinho com dúvidas e, não consigo falar muito com colega e fico um pouquinho com judiada com comigo mesmo. Pesquisadora: Como é ficar judiada com você mesmo? Eiko: Porque não consigo, não consigo ficar, falar o que eu quero e de conversar. Tenho vergonha de falar errado e fico quietinha, não consigo. (Anexo B/ 1ª Entrevista).

O sentimento de vergonha da criança filha de dekassegui também está relacionado com o medo de ser ridicularizada pelos colegas da sala de classe.

Eiko: Não aprendo o português. Aprendi com a mãe, o pai e a irmãzinha. Tinha palavra que o som era alto e não conseguia falar e ficava com vergonha. Pesquisadora: Dê um exemplo?

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Eiko: A palavra hífen. Pesquisadora: O que é vergonha? Eiko: Vergonha é falar errado, outras conseguem. Exemplo: Irmãzinha é mais nova que eu, não consigo e fico com vergonha.

(Anexo B/1ª Entrevista).

O hífen faz parte da língua portuguesa, tem a função de separar, mas manter ligada as palavras, formando um único sentido. A não compreensão de Eiko pela palavra “hífen” caracterizando o seu estado emocional, como se não pudesse fazer uma ligação entre as palavras, ou seja, entre os dois mundos. Eiko diz se esforçar, que vai tentar integrar-se ao meio, asseverando que vai conversar com os amigos e professores, porém, surge uma preocupação por ser mais tímida em relação à irmã Letícia: “Eiko: Por exemplo: A Letícia fala de tudo. A Letícia fala de tudo: - A minha mãe construiu uma loja. Tenho vergonha. Sou tímida. O que eles pensam de mim?” (Anexo B/7ª Entrevista).

A leitura feita por Eiko na sala de aula mostra o quando tem sofrido com o aprendizado, cada passo dado por ela é uma conquista, mesmo lendo com a voz tímida, quase sem força, porém, continuam os seus medos de cometer algum erro e ser motivo de chacota na classe. A sua rigidez é extrema, como não se permitisse falhar perante a si mesmo. O sentimento de vergonha percebido por Eiko em outras crianças teve o fator surpresa. A importância de perceber que esse sentimento de vergonha não é sentido somente por ela e que as outras crianças também sentem.

Eiko: Tenho vergonha, ainda um pouco. Já li uma vez que a professora pedi. Pesquisadora: Como foi? Eiko: Todo mundo ficou um pouco contente. Pesquisadora: O que sentiu na hora em que estava lendo? Eiko: Senti que não posso errar. Tenho medo de ser “hidoi34” para todo

mundo. Pesquisadora: Eiko, o que é “hidoi”? Eiko: Eu não sei falar em português. Pesquisadora: Fale do seu jeito. Eiko: “Hidoi” é todo mundo falando que ela errou. Tenho medo de ter sido “zoada”. Uma vez na aula de artes, eu fiquei conversando com as amigas, disse que a voz era pequena. Pesquisadora: Como assim? Eiko: A voz muito baixinha. Pesquisadorsa: Elas ficaram zoando de você? Eiko: Elas falaram que também tem vergonha de ler o que está escrito nas apostilas Eu também tenho que expressar mais um pouquinho. Pesquisadora: Você percebeu que todos sentem vergonha. Eiko: Eu achei esquisito quando elas têm que falar e não falam. Elas conversam quando não precisam. Pesquisadora: Você sente muita vergonha? Eiko: Alguma coisa não deixa falar. Pesquisadora: Você tem vontade de falar? Eiko: Quero falar também, mas tenho medo. (Anexo B/12ª Entrevista).

As formas de cumprimentos são distintas em ambas as culturas. A cultura japonesa o cumprimento é feito com uma menção com a cabeça e o corpo. No Brasil, usa-se o abraço, beijo no rosto e apertos de mãos. Eiko diz que esse tipo de cumprimento brasileiro para os japoneses significa um vínculo amoroso. Por não compreender a cultura brasileira, se sente invadida pelo outro e acaba se defendendo de ser abraçada e beijada.

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Eu bati no menino. Eu pensei que fosse de verdade. Eu tinha vergonha. Até em abraçar as meninas. Eu não estava acostumada, porque no Japão não tinha essas coisas. Pesquisadora: Hoje como você os cumprimenta? Eiko: Com os meninos faço diferente, dou as mãos. Tenho vergonha. No Japão abaixo a cabeça que é normal. As meninas ainda beijar não. Cumprimento no rosto, só encostando. Pesquisadora: Parece-me que é difícil o cumprimento aqui. Eiko: Quando estava estudando no “Nikkey” tínhamos a mesma idade. Tinha um menino da minha idade que havia chegado do Japão. Eu brincava de pular as meninas. Ele ficou assustado, porque não estava acostumado. É que no Japão é muito diferente. Essas coisas de abraçar faz no ensino médio. Quando está namorando. (Anexo B/14ª Entrevista).

O sentimento de vergonha é sempre disparado quando tem que se expor diante de uma situação corriqueira. O sentimento de vergonha é sentido pelas crianças como medo de errar, que é uma vivência constante em suas vidas, como se não pudessem lidar com as falhas e o fracasso, ou seja, com sua própria impotência. A vergonha e o medo de errar mostram o quanto a cultura japonesa está assimilada por essas crianças em suas vidas. A perfeição e a condenação parecem caminhar juntas nas tradições milenares do povo japonês.