4. MAT- OG MÅLTIDSVANER
4.3 U LIK TALE – LIK PRAKSIS ?
Neste item serão expostas as características gerais dos 12 grupos de convivência de idosos analisados, a partir de uma amostra intencional, que privilegia a oferta do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, oferecido através dos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS) da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, promovendo o convívio grupal dos idosos. Para a realização desta investigação, foram entrevistados 60 idosos e 16 profissionais cujas características
gerais serão apresentadas no decorrer deste capitulo. Ressalta-se que os nomes dos grupos foram trocados por letras do alfabeto para privilegiar o sigilo ético da pesquisa.
Entre os 12 grupos de idosos analisados, identifica-se que três deles foram criados nos anos de 1980, dois nos anos de 1990, e a maioria deles, sete grupos, foram criados nos anos de 2000. Os primeiros grupos surgiram a partir da Fundação de Educação Social e Comunitária (FESC), em antigos Centros Comunitários da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, e os demais foram surgindo a partir de demandas específicas de algumas regiões oriundas do Orçamento Participativo49 ou de grupos específicos, como quilombolas e pescadores. Alguns deles, inicialmente, estavam inseridos no salão da paróquia, na associação de moradores ou de pescadores, ou ocorriam na casa dos próprios integrantes.
No ano de 2000, quando a Fundação de Assistência Social e Cidadania (FASC) assumiu a gestão da Política de Assistência Social do município de Porto Alegre, houve uma ampliação dos grupos de convivência de Idosos da rede própria e da rede conveniada, o que justifica a maior incidência de constituição dos grupos nesse período. De um modo em geral, os objetivos desses grupos consistem em promover a socialização, a convivência, o fortalecimento de vínculos, o convívio social, evitar a solidão, despertar para a arte (participação em atividades culturais), promover o acesso às políticas públicas, garantir a autonomia, os direitos e o atendimento das pessoas idosas vulnerabilizadas. A partir do quadro que segue, apresentam-se algumas características gerais dos grupos analisados, no que se refere aos integrantes, à duração dos encontros, e aos profissionais que os acompanham.
Conforme estava previsto, a partir do projeto de implementação dos Centros de Referência da Assistência Social de Porto Alegre (FASC, 2010), identifica-se que o desenvolvimento do “Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos”, que prevê atenção ao idoso a partir da oferta de grupos de convivência, encontra-se em consonância com o Sistema Único de Assistência Social (BRASIL, 2004; 2005; 2006). No que se refere aos encontros, constata-se que, em todos os grupos, os mesmos são semanais e, em seis deles, possuem uma duração equivalente a 2 horas, em cinco correspondem a 3 horas e, somente em um deles, a mais de 3 horas de duração. Em 10 dos grupos analisados, as atividades são realizadas nas
49 Orçamento Participativo consiste num processo em que os cidadãos discutem, definem e decidem
dependências de seu CRAS correspondente e, somente em dois deles, as atividades são desenvolvidas em Sedes de Associações50 (Artesãos e Pescadores e
de Catadores de Materiais Recicláveis).
Quadro 5: Características gerais dos grupos de idosos da FASC
Grupo Nº
Integrantes Profissionais que acompanham Coordenação encontros Duração
H M
1 5 55 Professor Educação
Física/Assistente Social Professor Educação Física 3 horas
2 1 24 Professor Educação
Física/Assistente Social Professor Educação Física 3 horas
3 4 50 Psicóloga/Nutricionista
Animador Cultural51 Psicóloga 2 horas
4 1 54 Professor Educação
Física “Profissional de Referência”52 3 horas 5 - 12 Professor Educação
Física/Oficineira53 Professor de Educação Física 3 a 4 horas 6 - 27 Professor Educação Física/Assistente Social Psicóloga Professor Educação Física 2 horas 7 3 22 Professor Educação Física Assistente Social/Psicóloga Professor de Educação Física 2 horas 8 2 18 Professor Educação Física Profissional de Referência “Profissional de Referência” 2 horas 9 1 29 Professor Educação Física Profissional de Referência Profissional de Referência 2 horas 10 - 12 Psicólogo Psicólogo
Integrante do Grupo 3 horas
11 - 7 Psicólogo
Oficineira Psicólogo 2 horas
12 1 14 Assistente Social/Psicóloga Profissional de Referência “Profissional de Referência” 3 horas Fonte: A autora (2011).
50 O profissional de referência desses grupos informou que os encontros são realizados nas referidas
associações porque já existe um vínculo dos idosos com o local, e as dependências do CRAS ainda não dispõem de salas para a realização de atividades grupais.
51 Profissional que exerce o papel de motivador dos grupos sociais, através da execução de ações
educativas em programas socioculturais.
52 Está previsto que em cada CRAS haja um profissional que coordene o trabalho dos grupos de
convivência de idosos, denominado de Referência para o trabalho com o idoso, independente de sua área profissional. Atualmente, há poucos funcionários que são auxiliares administrativos, mas como eles acompanham há bastante tempo os grupos, serão mantidos como referência, mesmo sem ter nível superior, conforme informado pela Referência do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para Idosos, integrante da Proteção Social Básica da FASC, em entrevista concedida no dia 02/12/2010.
53 Profissional formada em Arte e Educação, que atua no grupo a partir de uma Entidade conveniada
com a FASC, para a realização de atividades culturais nos grupos de idosos. Na ocasião da entrevista, essa profissional somente estava acompanhando dois dos grupos entrevistados.
Dos 12 grupos analisados, observa-se que em 5 deles há assistentes sociais (menos de 50%), e em 5 há psicólogos. Em 8 grupos existe a atuação de professores de Educação Física (a maioria), o que pode ser explicado pela origem da FASC e dos próprios grupos, que inicialmente estavam atrelados ao esporte e à recreação, além de que, a Política Nacional de Assistência Social (BRASIL, 2004), prevê e reconhece a importância desse profissional no âmbito da proteção social. Entretanto, ressalta-se que a Política Nacional de Assistência Social (BRASIL, 2004) e o SUAS (BRASIL, 2005), determinam que os assistentes sociais e os psicólogos devem compor obrigatoriamente as equipes de proteção básica da FASC, que é responsável pela Politica de Assistência Social do município.
Constata-se que em 5 dos 12 grupos, não há nem psicólogos nem assistentes sociais. Embora tenha sido informado que em cada Centro de Referência da Assistência Social de Porto Alegre exista a figura do assistente social e do psicólogo, mesmo que eles não tenham uma atuação direta nos grupos de idosos54, ressalta-se que a articulação entre as áreas previstas pela Política de Assistência Social (BRASIL, 2004) não pode prescindir da clareza de sua centralidade na assistência social a sujeitos vulnerabilizados que delas necessitam. Nesse sentido, ressalta-se a importância da atuação do assistente social e do psicólogo junto aos grupos de idosos da FASC, juntamente com os outros profissionais identificados.
As atividades dos grupos são variadas e incluem iniciativas lúdicas, criativas e reflexivas55, e seguem as etapas metodológicas sugeridas pelo Serviço de
Convivência e Fortalecimento de vínculos (FASC, 2010): acolhida, espiritualidade, dinâmica de integração, e dinâmica grupal (através de técnicas de dinâmicas de grupos e de palestras). Constata-se que em 3 (25%) dos 12 grupos analisados existe um total de idosos superior a 30 participantes, pois os grupos ainda estão sendo redimensionados, em função dos locais e dos profissionais de referência.
A coordenação dos grupos é bastante diversificada, incluindo professores de Educação Física, Psicólogos e Profissionais de Referência, e somente em um deles identifica-se a participação de um dos integrantes. Os profissionais que acompanham os grupos são professores de Educação Física, Assistentes Sociais, Psicólogos, Nutricionista, Animador Cultural, os Profissionais de Referência e uma
54 Conforme informado pela Referência da Proteção Social Básica da FASC, em entrevista concedida
no dia 02/12/2010.
Oficineira. Constata-se que alguns dos profissionais que coordenam os grupos atualmente, denominados de “referência”, são funcionários “auxiliares administrativos”, sem nível superior. Entretanto, esses profissionais foram mantidos na coordenação dos grupos porque os idosos já possuem um vínculo afetivo com eles, devido ao tempo em que estão nessa função56.
No próximo item apresentam-se algumas características gerais dos grupos de idosos pertencentes ao Programa Geron da PUCRS, da Universidade para a Terceira Idade (UNITI) e do Projeto CELARI, da UFRGS, que integram este estudo.
6.2 DESVENDANDO AS CARACTERÍSTICAS DOS GRUPOS LIGADOS A