2. U TI DEN ROMERSKE HAGE
2.1. U KLARE KONSEPTUELLE , KONTEKSTUELLE OG HISTORISKE GRENSER
O fornecedor F possui 70 SKU´s, resultantes da combinação de sete tipos de produtos, diferentes tamanhos de embalagens e marca de seus clientes. O processo produtivo do açaí na tigela pode ser descrito resumidamente pelo descongelamento da polpa do açaí, adição do xarope de guaraná e outros ingredientes naturais e embalagem em potes que variam de 100 gramas até 10 quilogramas.
Por se tratar de um produto sazonal, o sistema de produção opera para estoque baseado em uma previsão de demanda. Para tanto, utiliza-se de informações do histórico de venda, organização de eventos e planos de crescimento e expansão de mercado. Para o planejamento de produção, deve-se atentar tanto para o aumento do consumo decorrente das estações do ano, quanto para o período de safra do fruto.
Para o mercado de marcas próprias, há uma tentativa de produzi-las apenas sob encomenda, ou seja, após o recebimento do pedido de compra. Porém, para não enfrentar problemas com falta de capacidade na época de alta temporada, efetua-se um planejamento conjunto com as grandes redes varejistas, em que são repassadas previsões de compra para que os produtos sejam previamente produzidos e estocados. O tempo de entrega dos produtos de marca própria é de, no mínimo, 10 dias.
4.6.3.1 Prioridades Competitivas do Fornecedor F
Para atingir o objetivo estratégico de custo, o fornecedor F possui uma equipe de compras alocada na região norte, que busca melhores condições de comercialização da matéria-prima. Em relação às questões de planejamento da produção, o entrevistado afirma
que tem obtido ganhos consideráveis com o trabalho conjunto com os clientes para o cálculo da previsão de vendas, além do planejamento de compra de matéria-prima.
Para a garantia da qualidade, possui uma equipe composta por nutricionistas e engenheiros de alimentos, que tem a responsabilidade de envolver gerentes e trabalhadores do chão de fábrica no comprometimento com a qualidade do produto. Como sistema de qualidade, adota-se o Manual de Boas Práticas de Fabricação (BPF) e possui foco em oferecer produtos com o mesmo nível de qualidade ao longo do ano.
Em relação à flexibilidade, não costuma desenvolver novos produtos para o mercado de marcas próprias, apenas em casos específicos de sorvete Premium. O fornecedor F costumava receber muitas solicitações de alteração de pedido e de reprogramação da produção, mas essas solicitações eram causadas por falta de planejamento e até por erros nos pedidos feitos pelos clientes.
Assim, para atender o objetivo de confiabilidade e rapidez na entrega, o fornecer F passou a desenvolver um trabalho com clientes internos e externos para que todas as atividades fossem desenvolvidas conforme um planejamento prévio. Assim, a gerente de operações passou a centralizar as informações recebidas dos clientes externos e transmitir as necessidades para os departamentos internos envolvidos.
O entrevistado afirma que esse trabalho de planejamento tem reduzido as solicitações de reprogramação de produção e alteração do volume de compras, o que trouxe agilidade nas entregas. Em relação à confiabilidade, o fornecedor F passou a verificar internamente todos os pedidos recebidos, comparando o prazo e volume solicitado com o histórico de compra de cada cliente. Essa verificação é feita tanto na parte comercial quanto na parte de operações, na tentativa de detectar erros e evitar falhas nos processos.
Em relação aos serviços oferecidos, o fornecedor F possui uma estrutura para a marca de fabricante, que pode ser utilizada para a marca própria, caso seja necessário. Assim, assistência de vendas, busca das necessidades do cliente, desenvolvimento de produto, treinamento ao representante comercial e atendimento ao consumidor são oferecidos. Além disso, disponibiliza consultorias em relação ao ponto de venda para verificar o mix de produto adequado e formas de exposição.
Para o grande varejo, oferece serviços de promotores e de degustação estratégica, além de participação em tablóides e jornaizinhos. Segundo o entrevistado, esses serviços não são oferecidos para a marca própria, pois devem ser financiados pelo próprio cliente varejista.
O serviço de atendimento ao consumidor final é realizado pelo cliente varejista, que repassa as informações. O fornecedor F utiliza a estrutura de atendimento da marca de fabricante e toma as devidas providências.
De acordo com o entrevistado, as prioridades competitivas são em ordem de importância: qualidade, serviço e entrega.
4.6.3.2 Decisões Estruturais e Infra-Estruturais do Fornecedor F
As instalações do fornecedor F estão organizadas por processo e as câmaras congeladas são consideradas como o principal gargalo da produção. Por se tratar de um produto sazonal, existe a necessidade de iniciar a produção com antecedência e manter o produto estocado em câmaras congeladas. Porém, cabe ressaltar que sua ampliação exige altos investimentos.
Em termos de capacidade, possui uma fábrica de açaí em processo de construção no interior de São Paulo e uma fábrica em funcionamento na capital paulista. Além disso, embora não seja o foco do presente estudo, possui uma fábrica de sorvete situada no interior de Minas Gerais.
Em relação à tecnologia, o entrevistado afirma que a empresa possui o know-
how da produção, mas ainda precisa de novos investimentos. Nesse sentido, embora a nova
fábrica em construção traga uma tecnologia mais recente, afirma que existem máquinas e equipamentos ainda mais modernos no mercado, mas estas envolvem riscos e alto investimento financeiro.
Em relação à integração vertical, o fornecedor F compra a matéria prima previamente processada de indústrias da região norte do Brasil e fica responsável apenas pelo descongelamento, adição de novos ingredientes e envase do produto final.
As principais funções existentes no fornecedor F são trituradores, operadores de máquinas e trabalhadores da expedição. Para a organização do trabalho, não existe rotatividade de funções, apenas uma preocupação para que os trabalhadores da produção e da expedição estejam sempre disponíveis, para que seja feito o transporte do produto acabado até a câmara fria.
Para os recursos humanos, há preferência por pessoas com ensino médio concluído e que possuam experiência na indústria de alimentos. A empresa possui um programa de treinamento e reciclagem que ocorre a cada três meses para todos os funcionários e, além disso, existe um treinamento específico para colaboradores recém admitidos.
Para a gerência da qualidade, um inspetor faz testes a cada duas horas, com o objetivo de padronizar o produto final. Para tanto, são analisados os seguintes critérios: peso bruto, temperatura, características organolépticas, sabor, cor, prazo de validade, identificação do produto descrito na embalagem, limpeza da embalagem e registro do operador no momento do cheklist.
Para o recebimento da matéria-prima, o líder do almoxarifado adota um procedimento de verificação de conformidade. Esse procedimento verifica o laudo de análise do produto, condições da embalagem, lote, validade, higiene do caminhão e quantidade da matéria-prima conforme a nota fiscal.
O fornecedor F não possui laboratório próprio e realiza os testes em uma empresa terceirizada. Mensalmente, os produtos finais são testados microbiologicamente, a matéria-prima recebe análises microbiológicas e de sólidos e a água possui um acompanhamento periódico da qualidade.
Para o PCP, o fornecedor F está com previsão de implantar um sistema ERP para integrar todas as áreas da empresa. Atualmente, utiliza apenas alguns módulos de um sistema nacional e faz o planejamento por meio de tabelas do Excel. Trabalha com uma curva ABC de produtos, em que determina quais itens serão mantidos em estoque. Em termos de produtos, afirma que possui um número elevado de SKU´s e está desenvolvendo um trabalho de revisão de portfólio, com objetivo de reduzir o número de opções disponíveis.
O controle de estoque é baseado no planejamento de vendas, existindo uma preocupação com o planejamento de compra da matéria-prima conforme o período de safra do açaí. De acordo com o entrevistado, a qualidade do produto e a regularidade do fornecimento dependem do nível de assertividade deste planejamento.
Dessa forma, o nível de serviço é fundamental para atualizar as informações dos clientes e realizar uma correta programação da produção, pois, de acordo com a gerente de operações, o planejamento é o resultado da integração entre os fluxos de informação, material e financeiro.