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Para analisar de modo abrangente as relações entre os alunos negros e não negros, bem como observar a posição que cada um ocupa no grupo, o procedimento inicial de coleta de dados foi o teste sociométrico, cujo instrumento utilizado foi o sociograma. O estudo pretendeu recuperar o teste sociométrico, aplicado em pesquisas em ambiente educacional, que ultimamente tem sido utilizado por alguns poucos pesquisadores da área, a exemplo de Silva (2007), Santos (2011) e Martins (2007 e 2012). Conforme Alves (1974), o teste sociométrico é versátil e pode ser aplicado a qualquer grupo social, fornecendo assim informações importantes sobre sua estrutura psicossocial. É importante salientar que ao utilizar tal procedimento para coleta de dados, Moreno conceitua o teste sociométrico como “um instrumento que estuda as estruturas sociais em função das atrações e repulsas manifestadas no seio de um grupo” (MORENO apud ALVES, 1974, p. 14); dessa forma, nesta pesquisa um grupo de crianças entre cinco e seis anos foi submetido ao teste para o estudo dessas estruturas sociais que o compõem. Alves (1974) explica que o teste sociométrico pode visar dois

hipóteses e auxilia a turma quando a professora faz rodas de conversas e busca as resoluções perguntando a todos do grupo. Apresenta problemas de dicção e verbaliza algumas palavras com dificuldade; tal fato não a atrapalha na relação com seus pares. Está sempre limpa e com seus materiais de uso pessoal organizados. Mora com seus pais que sempre vão à escola quando solicitados.

28) Aluno filho de pais “claros”, segundo a professora A. É tímido, tem grande dificuldade no momento das atividades, geralmente é o último a terminar, fato que atrasa o horário do parque dos demais colegas. Relaciona-se bem com os colegas da sua mesa, esses muitas vezes fazem a lição por ele, e quando isso acontece, a professora A chama a atenção deles, explicando que deve fazer sem auxílio, pois também precisa aprender. Brinca com os companheiros de sua mesa no parque ou em qualquer outro momento. Demonstra-se inseguro em andar sozinho pela escola e, por isso, chama o aluno 15 (branco de cinco anos) para estar com ele em todos os espaços.

tipos de dados: i) os primeiros sendo “relativos à projeção de cada componente do grupo para o grupo (preferências e rejeições que se dirige aos diversos componentes do grupo)”; ii) os segundos, “(...) relativos à percepção que cada componente do grupo tem de si mesmo em relação ao grupo” (ALVES, 1974, p. 16).

Considerando todos os dados que o teste sociométrico pode fornecer, e os objetivos desta pesquisa, buscou-se na aplicação dele obter dados para a identificação dos seguintes aspectos:

1) A dinâmica do grupo, verificando as relações estabelecidas entre as crianças e a possível formação de subgrupos formados na sala de aula e em outros espaços da escola;

2) A posição que as crianças negras ocupam dentro de seu grupo de pares;

3) A posição de cada criança que compõe o grupo, com o objetivo de verificar a presença ou não de líderes ou excluídos.

Considerando o objetivo da testagem, que é analisar as relações estabelecidas entre as crianças, o estabelecimento de vínculos ou não durante as brincadeiras, o agrupamento na turma durante as atividades, optou-se por delimitar como sujeitos da pesquisa os alunos de uma turma de educação infantil. Consideraram-se para essa escolha os ensinamentos de Alves (1970):

Certos critérios já trazem consigo um limite esboçado. Por exemplo, o critério: “proximidade em sala de aula”, implica necessariamente na limitação dos alunos de uma mesma série e, no caso de existir na escola apenas uma turma da referida série, o limite comportará apenas uma turma (ALVES, 1974, p. 31).

Em linhas gerais, o teste sociométrico possibilita verificar:

1. A formação dos grupos;

2. As preferências e rejeições individuais e do grupo; 3. A posição de cada aluno no grupo;

4. Afinidades entre os pares;

Ao analisar a faixa etária da turma pesquisada e perceber as dificuldades de compreensão de termos com caráter subjetivo, como menos gosta, menos acha bonito, optou-se por não seguir a orientação de Alves (1974), que sugere evitar sempre o uso da expressões como não gosta, não quer sentar-se substituindo-o por menos gosta, menos preferiria etc. Portanto, nas perguntas feitas para as crianças adotaram-se termos como mais acha feio, não gosta de brincar, não gosta de fazer lição.

Em relação à limitação do número de escolhas feitas por cada criança, foram orientadas para que fizessem pelo menos três. Na ocasião da aplicação do teste não houve a orientação para que esse número fosse impositivo, mas explicou-se que o número sugerido era pelo menos três escolhas. Observou-se que em alguns casos os alunos demonstravam-se cansados em responder as questões. Além disso, o fato de o número de escolhas ser três facilita a análise dos dados, uma vez que seria demasiada extensa uma matriz sociométrica com mais de três escolhas. Desse modo, todos os participantes escolheram no máximo três vezes.

Durante a aplicação do teste, foi solicitado que colocassem suas preferências e rejeições em grau de intensidade, pois concorda-se com Bastin (1980) quando este afirma que desconsiderar essa intensidade é deixar os sujeitos em pé de igualdade, não levando em conta a diferença que há de rejeições e predileções entre os sujeitos. Para a realização da pesquisa, utilizou-se essa forma de proceder em que os alunos consideraram a projeção que fazem do grupo, opinando acerca de suas predileções e rejeições. Dessa forma, foi possível quantificar individualmente quem é querido ou preterido pelo grupo.

Considerando que apenas um aluno da turma sabe ler e escrever o nome dos colegas, a aplicação do sociograma ocorreu de forma individual, a partir do que a criança era chamada numa sala reservada, a pesquisadora fazia as perguntas uma de cada vez e registrava na planilha (Anexo B), conforme a indicação de cada um.

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