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Uønskede hendelser hvor det ikke har vært mulig å redusere risikonivået (verken sannsynlighet eller konsekvens)

Trinn 3: Sikring av gruveganger som skal brukes til lagring og transport 3.1.1 Uhell ved transport og opphold i gamle tunneler/gruvesystem

6 RISIKOREDUSERENDE TILTAK

6.8 Uønskede hendelser hvor det ikke har vært mulig å redusere risikonivået (verken sannsynlighet eller konsekvens)

A teoria de Pierre Bourdieu gira em torno de conceitos e ideias fundamentais como sejam o de disposições, hexis e habitus; o ser social como determinação da consciência do homem; inculcação que pressupõe necessidade de agir de determinada forma; ligação entre pessoal e colectivo; acção considerada em relação aos outros; deveres definidos para além de mim e/ou coacção social.

A génese destes conceitos reside numa série de autores fundamentais na história do pensamento ocidental, razão pela qual, vamos começar por apontar de modo muito sucinto, alguns aspectos que foram inspiradores para Bourdieu.

A primeira influência significativa que identificamos é a de Aristóteles. Como premissa maior a moldar o pensamento aristotélico temos o funcionamento do homem (na tentativa de conhecer a sua natureza e as suas potencialidades) enquanto pressuposto que convida à reflexão sobre o conhecimento do mundo.

Desde que nasce, o homem dotado de razão, tem potencialidades (dinamys) que se desenvolvem através da instrução (paidéia) e da educação (didascália), levando a comportamentos. Num patamar superior existem disposições (qualidades) – atributos da substância, que se afirmam em fases distintas: aquando da adaptação a algo novo estamos na abrangência da diathesis, disposição que pode mudar sem dificuldade; quando passa a disposição duradoura, traduz-se em hábito/costume (ethos) ou posse, o que nos coloca perante a hexis (Aristóteles, 2000). Ser detentor de dinamys pode levar a diathesis e/ou a

hexis: ter facilidade de raciocínio, bons pés e habilidade (potencialidades) pode fazer com

que um indivíduo seja um Cristiano Ronaldo (jogar a bola com mestria mediante uma hexis, vista como capacidade desenvolvida com esforço pelo ensino e pela prática (praxis) continuada, que traduza a posse como atributo). Quando tal acontece, Aristóteles fala em “acidente do ser” exactamente porque essa hexis não é constitutiva do ser em si mesma, isto porque, o intelecto do homem surge como um papel branco dispondo de dinamys para se adaptar mediante aquilo que a sua formação lhe venha a impor.

No desenvolvimento destas ideias, os tomistas, vão operar a transformação do conceito grego de hexis para o conceito latino de habitus (derivado de habere), continuando a entendê-lo no sentido de pertença (que é posse de alguém).

De posse deste sentido e na órbita de Kant, vai beber a diferenciação que o filósofo alemão faz, dos dois tipos de acções humanas: as que podem acontecer mecanicamente (atendem aos desejos - são factíveis) e as que são de ordem prática (atendem à vontade – implica uma deliberação racional dizendo respeito ao habitus. Na sua concretização,

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Emmanuel Kant utiliza o conceito de habitus a respeito do gosto, ao articular essa noção com a natureza social, de maneira a interligar os valorizações pessoais com o colectivo, através da socialização. É um habitus gerado por imitação que se torna válido, naturalizado socialmente.

“ (…) a palavra gosto, no entanto, é tomada como uma faculdade de julgar sensível, de escolher não meramente para mim segundo a sensação dos sentidos, mas também segundo uma certa regra que é representada como válida para todos. (…) Assim, em matéria de refeição, a regra de gosto válida para os alemães manda começar por uma sopa, mas para os ingleses, por um prato forte, porque o hábito que se propagou aos poucos por imitação fez com que esta se tornasse regra de como servir a mesa” (Kant, 2006, p. 137).

Outro pensador incontornável em Bourdieu é Karl Marx, particularmente, por ser com a concepção marxista que a perspectiva antropomórfica deixa de ter um papel central na explicação dos fenómenos sociais.

“O modo de produção da vida material condiciona o desenvolvimento da vida social, política e intelectual em geral. Não é a consciência do homem que determina o seu ser, é o seu ser social (inscrito nos meios de produção) que, inversamente, determina a sua consciência (…) é preciso explicar a consciência de si pelas contradições da vida material, pelo conflito que existe entre as forças produtivas sociais e as forças de produção” (Marx, 1977, p. 23).

Os fenómenos sociais passam a ser explicados pelas estruturas económicas que configuram os processos de produção, ganhando primazia o social.

“As relações sociais são inteiramente ligadas às forças produtivas. Adquirindo novas forças produtivas, os homens modificam o seu modo de produção, a maneira de ganhar a vida, modificam todas as relações sociais. O moinho a braço vos dará a sociedade com o suserano; o moinho a vapor, a sociedade com o capitalismo industrial (idem, p. 30)”.

Ainda na linha de pensamento marxista, mas distinguindo-se deste ao refutar o predomínio do económico sobre os demais estados, é igualmente referencial em Bourdieu, o pensamento Weberiano. O objecto da sociologia é para Max Weber baseado nas acções sociais de realização humana (dos agentes sociais como se lhe refere).

“Sociologia (…) significa: uma ciência que pretende compreender interpretativamente a acção social e aplica-la casualmente no seu curso e efeitos. Por acção entende-se, neste caso, um comportamento humano (tanto faz tratar-se de um fazer interno ou externo, de omitir ou permitir) sempre que o agente ou os agentes o relacionam com um sentido subjectivo. Acção social, por sua vez, significa uma acção que quanto ao sentido visado pelo agente ou agentes, refere-se ao comportamento dos outros, orientando-se para esse seu curso” (Weber, 1999, p. 3).

Weber conclui que não se pode imputar à sociologia a crença numa predominância efectiva do racional sobre a vida, sustentando que os limites entre uma acção racional (com sentido) e um comportamento reactivo (sem relação com o que o agente visa) são fluídos. E

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dá o exemplo do vestir ao sair de casa (acção instituída pelo que é tradicional-reactiva) que se distingue do tipo de roupa a escolher mediante a presença em determinado contexto social (racional – motivação com sentido). As primeiras menos relevantes (embora adquiridas), as segundas, essas sim, com relevância social.

Max Weber é próximo de Kant ao considerar o hábito como ‘segunda natureza’, imposto pela socialização familiar/escolar, que se vai transformar em costume: “chamamos o uso, costume, quando o exercício se baseia no hábito inveterado” (Weber, 1999, p. 18). Leia- se a força do tempo na inculcação, que se torna difícil de mudar, pressupondo uma necessidade de agir de determinada maneira.

Foram também importantes os contributos do sociólogo francês Émile Durkheim resultantes do seu conceito de ‘factos sociais’ que “consistem em maneiras de agir, pensar e sentir exteriores ao indivíduo e dotadas de um poder coercitivo em virtude do qual se impõem (Durkheim,1978, p. 88). Exteriores ao indivíduo, estão além dele: “quando desempenho a minha obrigação de irmão, esposo ou cidadão, quando satisfaço os compromissos que contraí, cumpro deveres que estão definidos para além de mim” (Idem, p. 87). Importante foi também a instituição do social no indivíduo, explicada através do processo educacional:

“desde os primeiros tempos da sua vida [da criança] a coagimos a comer, a dormir e a beber a horas regulares. Coagimo-la à limpeza, à calma, à obediência, mais tarde, coagimo-la a ter em conta os outros, a respeitar os usos, às conveniências, a trabalhar, etc. etc. Se, com o tempo, essa coacção deixa de ser sentida, é porque fez nascer hábitos e tendências internas que a tornam inútil, mas que a substituem porque derivam dela (idem, p. 89).

São este conjunto de conceitos e ideias que vão ser trabalhadas por Bourdieu em reconstrução, de modo a interligar tudo numa harmonização peculiar (e nada fácil na apreensão) que lhe vão permitir uma formulação teórica que é referência no reconhecimento que obtêm.