No aprendizado da sentença simples, deve evitar-se, em absoluto, o methodo synthetico, methodo archaico e irracional, e entrar impavidamente pelo methodo analytico. O methodo synthetico, absurdo, parte das definições, as mais das vezes abstrusas, impenetráveis á mente juvenil. Parte do desconhecido para o conhecido, do geral para o particular. O methodo analytico parte do facto concreto, particular, pra os factos geraes; vae do conhecido para o desconhecido. Antes de definir a preposição, o professor faz que o alumno veja a preposição funccionando; forma sentenças e que entrem preposições; aponta palavras que elles estão ligando; diz as relações que estas expressam. Magnifica gymnastica mental!
Othoniel Motta, em O Ensino do Vernaculo.
2.1. Pensar do Brasil: contextualização histórica dos séculos XIX e XX
A origem das instituições escolares no Brasil data de 1549 com a chegada dos jesuítas que criara, na até então colônia portuguesa, a “primeira escola brasileira” (SAVIANI, 2008). A partir daqui se inicia o processo de institucionalização da educação no Brasil.
Saviani (2008) esboça uma periodização na educação brasileira nos seguintes termos: o primeiro período, de 1549 a 1759, é dominado pelos jesuítas; o segundo vai de 1759 a 1827, que se constituiu pelas “aulas régias” criadas pela reforma pombalina, numa tentativa de estabelecer as escolas públicas estatais a partir dos modelos iluministas; o terceiro período vai de 1827 a 1890, marcado pelas primeiras tentativas desencontradas de instituir a educação pública no império e nos governos provinciais; o quarto período vai de 1890 a 1931, cuja preocupação era o ideal republicano, que movimentou a criação das primeiras escolas públicas nos estados, em forma de grupos escolares; o quinto período vai de 1931 a 1961, caracterizado pela regulamentação das escolas superiores, secundárias e primárias; e o sexto período de começa em 1961 até aos dias de hoje, com a unificação da
educação nacional, abrangendo as escolas públicas e privadas, a partir de uma ideia produtivista de escola.
O século XVIII presenciou uma reviravolta nos estudos linguísticos. No Brasil, não havia ainda imprensa, universidades, tipografias, nem bibliotecas. Mas, o ensino era bem estruturado por consequência dos jesuítas.
A presença francesa foi grande no século XVIII no Brasil, influenciando a elite intelectual. A primeira tipografia no Brasil surgiu em 1747, no Rio de Janeiro, mas foi extinta por ordem do governo português. O primeiro jornal foi o Diário do Rio de Janeiro, em 1808. Mas, eram controlados pelo governo português e não interessavam aos ideais de liberdade que o Brasil já começava cultivar nesse período. Foi grande também a influência do Barroco, especialmente com o preciosismo vocabular, na construção frasal perfeita, presente também o cultismo e o conceptismo.
O sistema educacional teve dois momentos significativos após a expulsão dos jesuítas: o Colégio dos Nobres, em Portugal, em 1761, e a institucionalização do Seminário de Olinda, em Pernambuco, em 1798.
Do ponto de vista político, a aristocracia dominava no Brasil. Em razão do isolamento e da estratificação social, a Companhia de Jesus acabou servindo aos interesses de uma minoria que dominava o país. Duas questões principais têm a ver com os avanços da língua: a necessidade de domínio e a língua trazida à Colônia como mecanismo de controle e de poder (ROMANELLI, 2002).
A influência da gramática geral e filosófica também foi grande, especialmente pelo espírito iluminista e racionalista que grassava forte. A influência do racionalismo veio de, especialmente, duas obras: A Grammaire générale et raisonnée e a Encyclopédie, que são obras de cunho lógico-analítico e seguem a teoria racionalista na descrição dos fenômenos linguísticos. Elas são as principais obras classificadas como Gramática Geral e Filosófica. Essa corrente de estudo da língua, sob a influência da lógica analítica, encontrará vários seguidores que adotarão em suas gramáticas essa base teórica.
A Grammaire générale et raisonnée, de Claude Lancelot e Antoine Arnauld, publicada em 1660, representou uma nova postura do estudo da gramática e da língua, especialmente porque se distanciou do modelo medieval para assumir o racionalismo do século XVII. A obra foi considerada como fruto do cartesianismo de Descartes, que teve o Discurso do Método publicado 23 anos antes.
Segundo Kristeva (FÁVERO, 1996:109), a Grammaire não se distinguiu tanto das gramáticas formais do Renascimento, exceto por duas inovações: a reintrodução da teoria
do signo e a distinção entre as partes do discurso. Na Grammaire, os signos são representações das idéias, ou seja, significantes.
O princípio geral que fundamenta a teoria da Gramática Filosófica assume a língua como expressão do pensamento. Considerando que o pensamento, segundo a lógica racional, é regido por leis, cabe admitir que a língua também deve ser governada por leis. Nesta fundamentação teórica, se assume o rigor científico em vez da simples continuidade do sistema anteriormente defendido que propunha uma relação de dependência de todas as línguas à língua latina.
Não se pode desconsiderar, contudo, que anteriormente à Gramática de Port-Royal, autores como Escaligero (1540), Ramus (1562) e Sanchez (1587) já propuseram bases lógicas e humanistas às suas análises gramaticais. Este último, com sua Minerva, ultrapassou o trabalho teórico que já se apresentava em Prisciano, embora de modo obscuro. A fundamentação teórica de Sanchez era alinhar a gramática e a lógica e descobrir as estruturas lógicas (causae) bem como as regras internas e os primeiros princípios (rationis vera principia) da língua latina (FÁVERO, 1996:89).
A influência da gramática geral e filosófica é bem percebida nos estudos modernos da linguística. A lógica também fundamenta a estrutura das análises modernas, uma vez que o princípio do Racionalismo é bastante presente nas concepções de análise modernas. Para Fávero (1996:133), a Grammaire de Port-Royal é importante, especialmente por aproximar a gramática descritiva da lógica analítica.
Essa tendência de aproximação da análise linguística da lógica é seguida pelos Enciclopedistas. A Encyclopédie foi publicada entre 1751 e 1772, em 17 volumes de texto e 11 de quadros, por M. Diderot e M. D‟Alembert. Apresentava dois objetivos: expor a ordem e a sequência dos conhecimentos humanos e apresentar os princípios gerais que são a base desses conhecimentos. Acompanhando a visão racionalista, rompeu com o teocentrismo e assumiu o antropocentrismo, dando ênfase a três áreas do conhecimento humano: a memória (História), a razão (Filosofia) e a imaginação (Poesia).
O principal objetivo da gramática, nessa perspectiva, é a tradução do pensamento em palavras, de acordo as leis necessárias da lógica analítica. Essa aproximação resultou na possibilidade de uma teoria dos universais linguísticos, retomado por Noam Chomsky, em seguida. Ressalva-se, porém, que para os Enciclopedistas, os princípios universais são adquiridos; para Chomsky, são inatos ao homem. A Gramática Geral favorece um estudo empírico da língua, uma vez que se torna possível estudar cada uma das línguas, particularmente, para chegar ao universal linguístico.
Além de vários autores que assumiram a tendência da Gramática Geral e Filosófica, citamos a Grammatica Philosophica da Lingua Portugueza, de Jerônimo Soares Barbosa, publicada em 1822, em Lisboa, que assumiu fortemente a teoria defendida por Port-Royal. Sua metodologia de análise defende a relação da gramática com a lógica e apresenta dois objetivos: elucidar teoricamente a origem e a natureza da linguagem, explicando os fatos com a universalidade da razão, e instituir uma norma prescritiva, segundo interesses políticos e religiosos.
Para Soares Barbosa, o pensamento é lógico; os princípios universais são adquiridos; a gramática é um quadro ou painel do pensamento, em que a palavra deve exprimir a análise do pensamento. A influência de Soares Barbosa estava presente também na obra de Antônio Pereira Coruja, Compendio da Grammatica da Língua Nacional, publicada em 1835. A obra de Coruja é iniciada com a afirmação de que a gramática é uma arte que ensina a declarar bem os nossos pensamentos por meio de palavras (FÁVERO, 2006:82). A proposta da Gramática Geral e Filosófica só será rompida no Brasil com a chegada do método histórico-comparativo.
Segundo Elia (2003:121), na fase colonial, havia três ocupações linguísticas: a língua portuguesa, a indígena e as línguas africanas. Já no final do século XVIII, prevaleceu a língua portuguesa sobre as demais. E, então, Pombal promulgou em 1757 o Diretório que impunha a língua portuguesa ao uso geral.
O século XIX é descrito como o século imperial da política brasileira, que começa em 1822 com D. Pedro I e termina com a proclamação da República, em 1889.
Segundo Elia (2003), os principais acontecimentos desse período foram a abdicação do imperador, em 1831; o período regencial (1831-1840); a maioridade de D. Pedro de Alcântara, como D. Pedro II, aos 14 anos idade (1840-1889); Caxias e a unidade do Império; a Guerra dos Farrapos; guerras no Sul: Oribe, Rosas e Aguirre; a Guerra do Paraguai (1865-1870); a Questão Religiosa; a Abolição; Política e Economia.
D. Pedro I enfrentou resistências no Norte do país daqueles que eram contrários ao ato do Ipiranga, como o general Madeira, na Bahia. A Independência só seria reconhecida por Portugal em 1825. Em 1824, entretanto, D. Pedro outorgou a primeira constituição brasileira. Esse ato não foi consenso no Brasil: houve algumas sublevações, como, por exemplo, a de Pernambuco, liderada por Pais de Andrade.
Nesse período, houve a disputa entre Brasil e Argentina a respeito da Província Cisplatina, que foi perdida pelo Brasil, após ser incorporada em 1821. Mais tarde, com intervenção mediadora da Inglaterra, o território tornou-se independente, tornando-se
República Oriental do Uruguai. A perda dessa província, dentre outras coisas, causou o aumento da impopularidade de D. Pedro I, que, posteriormente, abdicou-se e voltou para Portugal, tornando-se vitorioso no cerco de Portugal. Morreu em 1834.
A maioridade de D. Pedro II foi antecipada em decorrência das diversas lutas que desgastaram o Governo. No início, ele enfrentou diversas sublevações locais: Balaiada (Maranhão, 1839-1840); São Paulo (1842); Farrapos ou Farroupilha (Rio Grande do Sul, 1835-1845).
O pior dos conflitos enfrentados por D. Pedro II foi a Guerra do Paraguai, uma briga por questões de fronteira, contra o ditador Francisco Solano López, tendo como estopim a captura do navio de passageiros, Marquês de Olinda, em 1864, no Rio Paraguai. Brasil, Uruguai e Argentina se uniram numa Tríplice Aliança contra López.
Na questão religiosa, viu-se o conflito entre Igreja e Maçonaria. A raiz do problema estava na Constituição de 1824, com a instituição do padroado, que dava ao governo o poder de indicar os sacerdotes para os principais cargos eclesiásticos. O Pe. Almeida Martins provocou, em 1872, um reboliço na questão quando em um discurso proferido em uma festa maçônica, censurou o bispo do Rio de Janeiro, D. Pedro Maria de Lacerda, que devolveu a gentileza, exortando-o a deixar a maçonaria. Houve intensa luta das lojas maçônicas contra o episcopado.
Erasmo Braga, Eduardo Carlos Pereira e Othoniel Motta14 tiveram importantes participações no conflito eclesiástico que envolveu o tema da maçonaria. De acordo com Ferreira (1992), perto das 11 horas da noite, abriram-se as portas do templo da rua 24 de maio para acolher os que vinham reunir-se ali em hora adiantada. O grupo dissidente reuniu-se às 11 horas e 45 minutos na Primeira Igreja, para dar início a um trabalho de organização. O novo presbitério foi fundado com sete ministros e quinze presbíteros. Deu- se à nova organização o nome de Igreja Presbiteriana Independente, ou mais simplesmente Presbitério Independente. A reunião do Presbitério Independente encerrou-se no dia 5 de agosto. Na noite do dia 13 reuniu-se a Assembléia Geral da Primeira Igreja para definir a sua posição em face do novo regime. O presbítero Manoel da Costa foi escolhido seu presidente.
Após longos anos de discussão, iniciada em 1903, com o grande cisma na Igreja Presbiteriana do Brasil, a situação da igreja era a seguinte: a Igreja Presbiteriana do Brasil, após luta histórica que chegou à violência verbal e afinal ao cisma, consolidou seu
14 Para melhor conhecer o contexto histórico do grande cisma na Igreja Presbiteriana do Brasil no qual se
Seminário em Campinas. Em 1917 é ele, a rigor, a única instituição de ensino teológico protestante no Brasil com direito à classificação no nível Superior.
Mas, em 1918, a Assembléia Geral da igreja resolve comprometer o futuro e a existência desse seminário na incógnita do Seminário Unido, proposto açodadamente por uma entidade quase fictícia, a Federação Universitária Evangélica. A Assembléia Geral de 1932 reassumiu a direção e administração dos Seminários e recomendou ao Sínodo Central que se retirasse da Faculdade Evangélica de Teologia do Rio de Janeiro, o que foi feito. Encerrou-se uma história mal começada e mal prosseguida.
Em 1924, a Assembléia Geral encerrou o trabalho missionário em Lisboa. No mesmo ano, Erasmo Braga e alguns amigos fundaram a Sociedade Missionária Brasileira de Evangelização em Portugal, que enviou para aquele país o Rev. Paschoal Luiz Pitta e sua esposa Odete. O casal ali esteve por quinze anos (1925-1940), regressando ao Brasil devido à constante falta de recursos (FERREIRA, 1992).
Em 1921, morreu o Rev. Antonio Bandeira Trajano. Com ele desapareceu a primeira geração de obreiros presbiterianos no Brasil, os da década de 1860. Outros obreiros falecidos nesse período foram: Eduardo Carlos Pereira (1923), Álvaro Reis (1925), Carlota Kemper (1927), Samuel Gammon (1928) e Erasmo Braga (1932). Além do seu trabalho na área religiosa, vários dos pioneiros presbiterianos deram valiosa contribuição de ordem intelectual e literária. Alguns autores e os livros que os celebrizaram são os seguintes: Modesto Carvalhosa (Escrituração Mercantil), Antonio Trajano (Álgebra Elementar), Eduardo C. Pereira (Gramática Expositiva), Othoniel Motta15 (O Meu Idioma) e Erasmo Braga (Série Braga) (FERREIRA, 1992).
Outra questão histórica de grande importância foi a abolição da escravatura, que, segundo Elia (2003:128), é uma das páginas memoráveis da história do Brasil: libertou-
15 Othoniel Motta foi o criador da Associação Evangélica Beneficente
– A Associação Evangélica Beneficente foi fundada em setembro de 1928, na época foi atingido pela grave ameaça da tuberculose contraída por sua filha. Debateu por algum tempo, pela imprensa, a situação aflitiva de muitas famílias vitimadas por idêntica experiência, sem meios para enfrentar nessa época o custo do tratamento da então chamada “peste branca”. Encontrou, segundo escreveu, a solução do problema num plano de construir em cidade de clima próprio uma vila de pequenas casas, uma para cada doente, que viria com pessoa da família para dele tratar e lhe fazer companhia. Escolhida a cidade de São José dos Campos e aprovado o plano, foi fundada a Associação Evangélica Beneficente, com sede na Capital de São Paulo, instalando-se sua Assembléia Geral em 09 de setembro de 1928 e dias depois se admitindo os cinco primeiros “doentes”, número máximo que as casas comportavam. Desde então, a AEB vem expandindo e diversificando sua atuação na cidade de São Paulo e Sorocaba. Atualmente são seis pólos de atendimentos descentralizados e regionalizados desenvolvendo 24 projetos educacionais, sociais, culturais, esportivos e de saúde; distribuídos em 20 unidades, além de um centro de estudos e pesquisas. São 16.000 atendimentos diretos e 23.892 indiretos nos segmentos de criança e adolescente, jovem, adultos, população em situação de rua e idosos, incluindo portadores de necessidades especiais e jovens aprendizes (FERREIRA, 1992).
nos definitivamente do labéu do povo escravocrata. A origem do tráfico no Brasil deu-se no século XVI e se estendeu até os fins do século XIX, tendo o início da subida ao ápice da abolição com a promulgação da Lei do Ventre Livre, em 28 de setembro de 1871. Em 28 de setembro de 1885, houve a promulgação da Lei dos Sexagenários, segundo a qual os maiores de 65 anos de idade recebiam alforria automática, até que, em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que extinguiu de vez a escravidão do Brasil.
Segundo Elia (2003:130), do ponto de vista econômico e financeiro, houve progresso e foi bastante produtivo. A produção açucareira cedeu para a produção cafeeira. Houve também desenvolvimento no comércio exterior. Na indústria, o nome emblemático foi o de Irineu Evangelista de Sousa, o Visconde de Mauá.
As questões militares indicavam a vinda da República, desde a década de 80. A primeira questão importante foi o projeto de reforma do montepio militar (1883). Houve proibição das discussões de questões militares no jornal, uma vez que o tenente-coronel Sena Madureira havia levado os debates para a impressa. O conflito de Sena Madureira com o Ministro da Guerra estendeu-se até 1887, quando se extinguiu a questão.
Na literatura, o século XIX deu início a uma forma literária conscientemente brasileira. Há uma discussão em torno da divisão dos períodos correspondentes às produções literárias que apresentam algumas discrepâncias, especialmente quanto à chamada fase de transição, que é a passagem de um estado colonial a um nacional.
O ponto principal é quando podemos falar sobre uma literatura realmente nacional. Para Coutinho (ELIA, 2003:133), por exemplo, não há etapas nem momentos de descontinuidade na progressão de nossa literatura. Para Coutinho, o primeiro século de nossa história já revela elementos de nacionalidade. Elia (2003:134), ao contrário de Coutinho, pensa em três fases clássicas, considerando o Romantismo como o período de maturidade da literatura e o modernismo como um fecho de um ciclo ou como a abertura de uma nova etapa.
Outro aspecto importante é a discussão da passagem do nativismo ao nacionalismo. O nativismo revela o amor à terra, propriamente dita; o naturalismo revela o amor pela nação.
Segundo Elia (2003:135), o Romantismo representa uma mudança de 180º na evolução espiritual da humanidade ocidental, e essa evolução é fruto do Iluminismo, que
apontou a passagem da razão divina à razão humana.16 O segredo da vida deveria ser descoberto pelo próprio homem, na natureza. Marcadamente nacionalista e anticlassicista, o Romantismo teve no Brasil várias correntes representadas: desde traços da manifestação romântica na Alemanha, com um Romantismo coletivo, nacional e nacionalista, a um Romantismo francês, marcado sobretudo pela mentalidade individualista.
O nacionalismo brasileiro foi caracterizado no indianismo, por meio da concepção do “bom selvagem”, o índio gentil, forte, bravo. Domingos José Gonçalves de Magalhães é tido como o introdutor do Romantismo no Brasil, com a obra Suspiros Poéticos e Saudades (1836), impressos em Paris. O indianismo veio pro meio de Gonçalves Dias, com Os Timbiras. Na prosa, José de Alencar se destaca com a obra O Guarani. Além desta, Iracema e Ubirajara também foram marcadamente indianistas.
Segundo Elia (2003:136), a Teixeira e Sousa se dá a primazia de ter inaugurado o gênero romance no Brasil, com o seu O Filho do Pescador. Entretanto, para alguns críticos, A Moreninha (1844) supera O Filho do Pescador, sendo considerado o primeiro romance brasileiro. A expressão mais marcante do Romantismo brasileiro foi Álvares de Azevedo, que chegou ao satanismo, vivendo apenas 21 anos, contaminado pelo mal do século, teve uma vida entregue ao vício e ao desregramento. Casimiro de Abreu também morreu com tenra idade, apenas 22 anos.
Outro poeta marcante foi Castro Alves. Poeta condoreiro, travou uma intensa luta contra a escravatura. Além da poesia abolicionista, Alves era também poeta lírico. Morreu aos 24 anos. Indo um pouco além na idade, Fagundes Varela viveu 34 anos. Varela foi nacionalista em O Estandarte Auriverde. Segundo Elia (2003:139), com o Romantismo explodiu a literatura brasileira.
Elia (2003:139) afirma que a questão da língua portuguesa no Brasil surge exatamente no século XIX. Dois fatores contribuíram para o despertar dessa questão: a Independência e o movimento romântico. Mas, não foi tão fácil, porque a questão mais premente era como separar o que era brasileiro do que era português.
Essa polêmica se constituiu especialmente com José de Alencar e Pinheiro Chagas. Pinheiro Chagas apontou na obra de Alencar, Iracema, incorreções de linguagem
16 A razão aqui pretendeu estender os seus limites para todo o ramo do saber, negando-se a reconhecer
limites fora de si mesma; deste modo, ela num gesto sem-cerimônia, invade os “domínios” da ética, da epistemologia, da política e da religião, tendo como elemento aferidor de toda a realidade a razão autônoma... e tem como uma de suas características fundamentais o retorno constante à razão, não mais à revelação como árbitro da verdade... O homem é a medida de todas as coisas e a razão é o seu instrumento de mediação; é o cânon da verdade (COSTA, 2004:279,280).
impróprias do padrão culto. Havia sérios problemas no ensino da língua, especialmente com a expulsão dos jesuítas por Pombal em 1759. As escolas eram controladas por inacianos. Apesar de as críticas estarem relacionadas ao problema do ensino de língua, algumas delas a Alencar eram improcedentes.
Outra polêmica existente sobre essa questão da língua travou-se entre Camilo Castelo Branco – de sua introdução à obra de Fagundes Varela, em que Castelo Branco criticou erros do poeta – e o professor e jornalista Carlos de Laet, que retrucou Castelo Branco em um artigo publicado na Revista Brasileira, do Rio de Janeiro, em 1879.
As principais questões de discussão no século XIX se referiam à linguagem e estendeu-se até ao século XX, com a batalha entre Rui Barbosa e Carneiro Ribeiro.