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O trabalho torna o homem produtivo e independente. É certo que a aposentadoria é um direito e deve ser exigido. Mas, o idoso não deve ser afastado das atividades laborativas, principalmente quando não está preparado e diante de uma aposentadoria com valor irrisório que não lhe proporciona uma vida digna.

A aposentadoria deveria ser a efetivação de antigos sonhos, porem, para a maioria da população é uma queda do poder aquisitivo e o inicio de uma nova luta numa fase envolvida de preconceitos e mitos. O sistema de aposentadoria no Brasil tem muitas injustiças e desigualdades sociais, não permitindo ao aposentado usufruir a vida com qualidade.

A aposentadoria é o seguro para a velhice. Embora, no Brasil, as grandes maiorias das aposentadorias não proporcionam uma vida digna.

Apesar da irrisória aposentadoria recebida por inúmeros aposentados, é aquela que dá meio de sobrevivência a muitas famílias, ante o desemprego em alta escala e a enorme dificuldade em encontrar outro emprego, chegando em alguns casos levarem anos e em outros de até perderem as esperanças de entrar novamente no mercado de trabalho.

As sociedades desenvolvidas reconhecem que deve existir condições para o idoso trabalhar, se assim o desejar. A idade não deve ser motivo de dificuldade para obtenção de um emprego, como também o alto índice de desemprego, ou a alegação de que os mais velhos devem sair de seus trabalhos para dar oportunidades para os mais jovens.

O certo, o justo e o digno é que todos tenham direito ao trabalho.

A inatividade profissional do idoso acarreta uma mudança em relação ao estilo e ritmo de vida, exigindo grande esforço de adaptação, visto que para parar de trabalhar significa a perda do papel profissional, e perda de papeis junto a família e a sociedade. A interiorização emocional dessas perdas socialmente significativas para todos os homens, na maioria das vezes determina o afastamento do idoso na sociedade.

Desta maneira, o distanciamento do aposentado de diversos grupos, faz com que a sociedade também o distancie, não convocando para participar e não reconhecendo a sua existência social.

Ao longo da nossa existência somo submetidos a um processo educativo, que nos induz a um engajamento continuo, seja pelo trabalho ou pela participação em grupos sociais. Nos responsabilizamos com a sociedade, adquirindo papeis voltados para o trabalho e para a família, entretanto, com o decorrer do tempo, aos poucos perdemos essa autonomia social, principalmente com a aposentadoria.

Sem duvida que, em muitos caso, o advento da aposentadoria, resulta na desorganização individual e pessoal. O excesso de tempo livre, aliado a pobreza de tarefas e ocupações cotidianas, sem a presença da atividade profissional, faz o individuo sentir-se em desigualdade com aqueles que trabalham, sem falar nas dificuldades de manutenção dos relacionamentos

sociais. E assim, o aposentado sente-se isolado, favorecendo a perda da capacidade intelectual, e, conseqüentemente, a desatualização em relação ao próprio mundo.

Por isso, grande parte desta população, que não se dispõe de outros interesses nem de alternativas, para preencher o tempo de lazer cada vez maior, somente sobrara a televisão, os programa de radio e o jogo, como forma de passar o tempo e a diversão. O trabalho mecânico e rotineiro não tinha preparado essas pessoas para outros tipos de atividades nem despertado nela alguns desejos complementares. Surge, então, um sensação de vazio e tédio, não tem nada para fazer e elas próprias não sabem como superar esta situação.

A aposentadoria pode apresentar um perigo para aqueles que estão, preparados para o afastamento das atividades produtivas, ameaçando o equilíbrio emocional e a continuidade harmônica do individuo. Há necessidade de se considerar ações educativas ou de propostas que ajudem os indivíduos a se prepararem e valorizarem o tempo livre.

O envelhecimento e a aposentadoria devem despertar nas pessoas idosas os valores do lazer, com dimensões socialmente produtivas, capazes de reagrupar as diversas funções de outrora que de distribuíam entre o trabalho, a sociedade e a família. Preparar-se para o envelhecimento significa conhecer o processo natural da velhice, seus limites reais, rompendo os preconceitos, e não perdendo a auto-estima que acontece a todos que vêem envelhecimento um tempo exclusivo de perdas e improdutividade e que a velhice é a ultima etapa da vida.

Diante disso podemos verificar as contradições, se de um lado já é fato o acelerado crescimento da população de idosos, por outro lado observamos que a sociedade se omite ou adota atitudes preconceituosas sobre a velhice, protelando a implementação de medidas que visem atenuar os problemas daqueles que ingressam na terceira idade.

As conseqüências da inatividade são: a indiferença, a depressão e o pessimismo. Na velhice o individuo deve continuar desenvolvendo suas atividade normais, sem nenhuma mudança ou encontrar outras que as substituam, procurando superar as restrições pessoais e as apresentadas pelo contexto social.

As pessoas idosas tem o direito de viver com dignidade. Deve-se pensar nas respostas as suas necessidades mais urgentes em matéria de exigências econômicas mediante a aposentadoria: de assistência sanitária, com pessoal capacitado em nível técnico, humano e psicológico; o oferecimento de meios adequados capazes de atender a seus problemas específicos de cultura e

lazer, a fim de que possam preencher com proveito o tempo; soluções para o problema de moradia e adaptações as suas necessidades especificas etc. Tudo isso quer recursos econômicos que em grande parte, devem sair dos recursos do Estado.

No Brasil o assunto trabalho é árduo para o idoso porque quanto mais idade a pessoa menos chance tem de encontrar um emprego. Assim, a própria sociedade pode condenar o idoso a inércia, a frustração e dependência. E, ainda, há os que relacionam a velhice com prejuízo a saúde física e mental. Para muitos a pessoa humana vale pelo que produz, e não pelo que é. Porem, os estudos recentes tem mostrado que os trabalhadores idosos faltam menos, sofrem menos acidentes e tem um rendimento mais constante no trabalho.

2.1.2 Conflitos econômicos da jubilação: uma dura e cruel realidade

Os maus tratos contra idosos constituem situações crônicas, principalmente na cultura ocidental. Apenas, há duas décadas, nos países desenvolvidos e atualmente no Brasil, existe a preocupação de discussões e estudos a violência contra os idosos.

O desamor, a desatenção, a dominação, o egoísmo, o consumismo e o materialismo tornam as relações familiares danosas, particularmente para as crianças e para as pessoas idosas. A maioria dos idosos sofre maus tratos de seus familiares, em sua própria casa, muitas vezes até sem os familiares se darem conta do que pode estar acontecendo. Seja a ação imprensada, inconsciente, sutil, premeditada e sistemática, os maus-tratos não justificam.

―Conforme Lynch, mais de dois milhões de idosos, por ano, são vitimas de violência nos Estados Unidos, principalmente no meio familiar. As informações registradas no relatório da Comissão Especial da Velhice do Congresso Americano, 1981, no âmbito do EUA, 10 % da população idosa já foi vitima de violência. Este relatório expõe, ainda que: [...] o problema é de larga escala, em nível nacional acontece uma freqüência que poucos ousariam imaginar. De fato, os maus tratos contra idosos pelos seus familiares ou cuidadores, são apenas ligeiramente menores do que aqueles cometidos contra crianças (U.S. Select Committee on Aging 1981, p.15)‖

A violência contra os idosos não é uma fantasia, mas uma realidade que assusta.

Os maus tratos ao idoso classificam-se, de modo geral, em quatro tipos: físico, psicológico, negligencia e financeiro. Sendo comum que o idoso sofra, simultaneamente, mais de uma forma de violência.

A violência física é da mais fácil reconhecimento, definida como agressões feitas com a intenção de provocar dor, lesão ou ambas, incluindo abuso sexual. Exemplos comuns são: tapas, socos, empurrões, beliscões, queimaduras, batidas com objetos.

Os maus tratos psicológicos constituem atos realizados com a intenção de provocar dano mental ou emocional. No geral associam-se aos maus tratos físicos. Porem, podem ocorrer isoladamente, sendo de identificação mais difícil. Exemplos comuns: agressões verbais em forma de ameaças (de internação, de abandono), insultos, humilhação, ridicularização, infantilização.

Tais constrangimentos induzem o idoso a aceitar passivamente o papel de pessoa dependente, por exemplo, decidem por ele até o que deve vestir.

Os maus tratos financeiros constituem uso inadequado ou exploração do dinheiro do idoso como: apropriação de aposentadoria, pensão ou uso ilegal de fundos, propriedades e outros ativos que pertençam ao idoso, como renda de investimento, juros etc.

A negligencia, segundo Sengstock e O´Brien, ocorre quando há falhas no atendimento das necessidades básicas de um idoso dependente, tais como: alimentação, higiene, vestimenta, remédios, ambiente seguro e etc.

Para Cantera e Domingo, a negligencia pode ser passiva, quando é conseqüência de um desconhecimento ou incapacidade por parte do cuidador, e ativa quando é realizada intencionalmente. A negligencia também pode ser auto-infligida, por exemplo, nos casos em que o idoso recusa alimentação, a medicação, ou faz uso excessivo de tranqüilizantes e outros.

É certo que muitos casos nem são conhecidos, porque os idosos tem vergonha e por vezes, também querem proteger o ente da família de um processo na esfera criminal, pois o grande numero de violências ocorre dentro dos lares, alem de temerem o aumento das agressões. A esses sentimentos acresce o de culpa, por acharem que não educaram suficientemente os seus e o descrédito, por conta de uma presunção de senilidade. Dificuldade adicional é representada pela presença de um membro da família que insiste em ficar com o idoso continuamente,

impossibilitando que alguém fale com ele sozinho. É freqüente que as agressões somente são conhecidas quando são fatais.

Somente os casos extremos de maus tratos dirigidos aos idosos chegam ao conhecimento geral pelos meios de comunicação. A grande maioria fica oculta no seio familiar ou das instituições de abrigo. A falta de preparo dos profissionais, a carência de recursos e serviços de amparo ao idoso são fatores importantes que acarretam uma investigação insuficiente desse problema em nossa realidade.

Quando os idosos são agredidos verbalmente, fisicamente e, muitas vezes, não sabem procurar ajuda. Todavia, existem alguns problemas que atendem os idosos.

Os maus tratos institucionalizados têm como causas: a capacitação imprópria número insuficiente de pessoal para o trabalho, supervisão deficiente, trabalho isolado etc.

Em Portugal, os atos de violência contra idosos estão aumentando. Em 2002 chegaram à Associação Portuguesa de Apoio a Vitima (APAV) quase dois mil casos de violência contra os mais velhos. Mais de 261 queixas do que no ano anterior. O agressor tanto é companheiro, como são próprios filhos. O suicídio na terceira idade também é uma realidade. Os números refletem o abandono por parte da família. Os números mais recentes, apresentados num estudo da Sociedade Portuguesa de Suicidologia (SPC), referem que entre 1996 e 1999 registraram-se cerca de 540 suicídios por ano, sendo que a metade foram cometidos por pessoas com mais de 60 anos.