A Central Termoeléctrica do Pego, com uma potência eléctrica instalada 628 MW, localiza-se no concelho de Abrantes a cerca de 150 km de Lisboa e foi construída entre Novembro de 1989, com o início da montagem do primeiro gerador de vapor, cujo início da actividade industrial foi em Março de 1993, até Outubro de 1995, data da entrada em serviço do segundo grupo.
Fig. 4-1 - Localização da Central Termoeléctrica do Pego
Em Novembro de 1993 foi adquirida à EDP - Energias de Portugal S.A. pela Tejo Energia - Produção e distribuição de Energia Eléctrica, S.A. A Tejo Energia é um consórcio de que fazem parte a Inglesa Internacional Power, dona de 50% da empresa, a Espanhola Endesa com 39% do capital, e a EDP com uma quota de 11 %.
Simultaneamente, a Endesa e a International Power constituíram com uma quota de 50/50 as empresas Pegop - Energia Eléctrica S.A., que assegura a operação e manutenção da Central, e a CarboPego – Abastecimento de Combustíveis S.A., que assegura a compra de carvão no mercado internacional e a logística até à entrega no Pego.
A exploração da Central é feita através de um contrato com a REN- Redes Energéticas Nacionais, SGPS, denominado Power Purchase Agreement (PPA), que obriga a que num período de 25 anos, até 2021, a Central produza e forneça à rede a energia que a REN solicitar.
O pagamento do serviço prestado pela Central e considerado no PPA obedece a duas modalidades: uma relativa aos custos de produção de energia em si, e outra referente à capacidade de a qualquer momento, produzir energia caso seja solicitado, capacidade conhecida como disponibilidade.
A Central utiliza como combustível carvão, importado maioritariamente da Colômbia e da África do Sul, que chega ao porto de Sines e daí é transportado via caminho-de-ferro até à Central do Pego, onde é queimado, emitindo volumes substanciais de CO2 para a atmosfera.
Para além de carvão é usado fuelóleo, em situações de arranque e estabilização da combustão, gasóleo, nos grupos diesel de emergência e nas bombas diesel do sistema de extinção de incêndio, e propano, para acendimento dos queimadores instalados nas caldeiras, sendo que as quantidades usadas destes combustíveis são muito pequenas, quando comparadas com a utilização do carvão.
Em terrenos adjacentes à Central a carvão encontram-se em fase final de construção dois grupos de ciclo combinado a gás natural (CCGT- Combined Cycle Gas Turbine) com o primeiro grupo já em testes de produção a diferentes cargas e o segundo com início de produção programado para
Novembro de 2010. Em primeiro plano na Fig. 4-2 podem-se ver os dois novos grupos da CCGT, identificados por um círculo branco.
Fig. 4-2 - Dois novos grupos da CCGT. Fotografia tirada dia 8 de Setembro 2010
Com a entrada em funcionamento da unidade a Ciclo Combinado, menos poluente que a Central a carvão, devido ao menor teor em carbono do gás natural, o centro electroprodutor do Pego ficará com uma potência instalada de 1458 MW. No último trimestre de 2008, entraram em funcionamento as instalações de tratamento de efluentes gasosos, nomeadamente a unidade de dessulfuração, Flue Gas
Desulphurisation, (FGD) para redução de 85% das emissões de dióxido de enxofre (SO2), a unidade
de desnitrificação, Selective Catalytic Reduction (SCR), para redução de 75% das emissões de óxidos de azoto (NOX), e a unidade de redução de partículas.
A par da inauguração das instalações de FGD e SCR em Setembro de 2009, pioneiras no lançamento de tecnologias ‘Clean Coal’ em Portugal, foi lançado o projecto KTEJO. Este projecto, em conjunto com Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), a Universidade de Évora (EU) e a Pegop, pretende estudar a possibilidade de aplicar a tecnologia de captura e armazenamento de CO2 (CCS) na
Central Termoeléctrica do Pego.
Também outro projecto na área do CCS está ser desenvolvido pelo LNEG, o projecto Comet cujo objectivo é o de identificar e avaliar uma infra-estrutura de transporte e armazenamento de CO2 capaz
de servir a área do Mediterrâneo Ocidental que inclui Portugal, Espanha e Marrocos.
Para além dos dois projectos anteriores, existem também outras iniciativas que visam melhorar a
performance ambiental da Central a médio prazo, nomeadamente a co-combustão de biomassa e a
implementação de painéis solares térmicos para produção de vapor complementar.
O projecto da co-combustão de biomassa pretende substituir parte do carvão queimado na Central do Pego por biomassa, o que permitirá reduzir cerca de 400 mil toneladas de CO2 por ano, e a
implementação de painéis solares térmicos permitirá recorrer à energia solar para produção de vapor, sendo este depois integrado no processo de produção de electricidade já existente.
Todos estes projectos se inserem na estratégia da Central de redução das suas emissões poluentes para a atmosfera, para além de serem uma forma de dar resposta às exigências da União Europeia no que respeita à limitação das emissões de GEE para a atmosfera.
A Central Termoeléctrica do Pego tem dois grupos produtores de energia eléctrica, com uma potência unitária de 314 MW, cada um equipado com um grupo gerador de vapor, um grupo turbina-alternador e um transformador principal.
Fig. 4-3 – Os dois grupos da Central
Em plena carga, cada grupo tem a capacidade de queimar por hora na caldeira, cerca de 108 toneladas de carvão pulverizado, produzindo aproximadamente 950 toneladas de vapor, a 167 bar e 535 °C. Em 2009, a Central queimou cerca de 1,2 milhões de toneladas de carvão para produzir 3073 GWh de energia eléctrica, representando 6% do consumo em Portugal, que nesse ano totalizou os 49,9 TWh. Após a expansão do vapor nas turbinas, que se encontram ligadas a um gerador que converte a energia mecânica em energia eléctrica, o vapor passa pelo condensador, para ser transformado novamente em água, que é enviada para a caldeira para se reiniciar o ciclo.
Silos Alimentadores de carvão Moinhos
Queima de carvão na caldeira
Produção
de vapor Turbina Gerador
Energia eléctrica
Fig. 4-4 - Ciclo simplificado de produção de energia eléctrica
A água utilizada na Central é proveniente do rio Tejo, e passa por um sistema de tratamento para ter as propriedades necessárias ao bom funcionamento de todos os componentes que a utilizam.
Os gases resultantes da produção eléctrica passam pela unidade de desnitrificação (SCR) , pelos precipitadores electrostáticos e pela unidade de dessulfuração (FGD), para remoção respectivamente, do NOX, poeiras e SO2, e por fim são lançados para a atmosfera pela chaminé que tem 225m de altura.
Os valores destas emissões são monitorizados em contínuo por analisadores na chaminé, a uma altura de 87,2m. Na área circundante à Central, existem seis estações de medição da qualidade do ar, para controlo dos níveis de emissões permitidos por lei.
As cinzas produzidas durante o processo são vendidas para a indústria betoneira ou quando tal não acontece, são depositadas no aterro de resíduos da Central (Fig. 4-5). O gesso produzido pelo processo de dessulfuração tem sido reutilizado pela indústria de componentes para a construção civil.
A Fig. 4-6 é um esquema sucinto do processo de produção de electricidade na Central do Pego.
Fig. 4-6 - Principais entradas e saídas do processo de produção eléctrica na Central do Pego