A geração de energia eólica utiliza o vento como fonte de energia primária e o processo de geração ocorre por meio de um aerogerador ou turbina eólica (BNDES, 2017c). A Figura 2.1 e a Figura 2.2 ilustram um aerogerador e seus principais componentes.
Figura 2.1 – Componentes de um aerogerador
Fonte: BNDES, 2017c
Figura 2.2 – O aerogerador e o seu acionamento “Yaw”
O sistema de acionamento “Yaw” é um componente do aerogerador cuja responsabilidade é a de posicionar as pás do aerogerador de frente ao vento. Conforme a direção do vento muda, o sistema “Yaw” é acionado e gira a nacele até a posição ideal (ENERGY.GOV, 2017). Ele é composto por um motor elétrico acoplado a um redutor planetário como ilustra a Figura 2.3.
Figura 2.3 – Acionamento “Yaw”
Fonte: Elaboração própria
Embora o recurso eólico contribua com participação da ordem de 6% da matriz elétrica nacional, muitos novos projetos já estão em fase de conclusão e ainda há um grande potencial inexplorado no país. A ampliação do número de parques eólicos vai colaborar para o aumento da segurança energética do sistema elétrico brasileiro nos períodos do ano de maior e menor disponibilidade de água nos reservatórios das usinas hidroelétricas, que é responsável por boa parte de toda a produção nacional de energia elétrica (PINTO; MARTINS; PEREIRA, 2017).
De acordo com o Ministério de Minas e Energia (2017), até meados de outubro de 2017 estavam contratados 17,7GW de potência eólica sendo 11,5GW já em operação, 3,4GW em construção e 2,8GW aptos a iniciar a construção. O Plano Decenal de Expansão de Energia prevê que o país tenha em 2026 um parque eólico com 25,8GW e, assim, ainda restam contratar mais 8,1GW. Com isso, em 2016 o Brasil foi considerado o 5º país na expansão em potência com 2,5GW no ano e o 7º colocado entre os países com maior geração
de energia eólica no mundo, ficando à frente de países como Canadá, França e Dinamarca (país que tem a maior participação de geração eólica com 42,5% de toda a sua energia elétrica advinda da força dos ventos).
Por ser uma fonte com grande potencial no território brasileiro e não emissora de poluentes, a contribuição da energia eólica no país atingiu uma posição de destaque na matriz elétrica nacional ao longo da última década como consequência de políticas específicas para o setor (PINTO; MARTINS; PEREIRA, 2017). O Brasil possui uma das melhores matrizes eólica do mundo, com ventos de qualidade e condições naturais favoráveis para gerar energia elétrica, onde a matriz elétrica pode ter ganhos de oferta e benefícios ambientais (OLIVEIRA NETO; LIMA, 2016).
Em 2001, foi publicado o Atlas do Potencial Eólico Brasileiro que tem o propósito de oferecer todos os dados relativos ao levantamento do potencial eólico brasileiro. Estimou-se um potencial disponível da ordem de 143GW sendo destes 75GW na região nordeste (AMARANTE; ZACK; DE SÁ, 2001). Porém, uma das premissas do estudo é a de que para a estimativa do potencial eólico brasileiro foram consideradas as médias de desempenho de turbinas eólicas instaladas em torres de 50m de altura. Levando em conta que a altura dos parques eólicos atuais ultrapassa os 50m, este valor está subestimado (MME, 2017; PINTO; MARTINS; PEREIRA, 2017). Boa parte dos estados brasileiros está revendo o seu potencial considerando torres de 120m ou mais e há uma previsão de que o potencial nacional chegue a 350GW (MME, 2017).
Esse crescimento na produção de energia por fonte eólica no Brasil acelera a entrada de indústrias no país (OLIVEIRA NETO; LIMA, 2016) e, como forma de incentivar a indústria nacional, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou em 2012 um cronograma específico com marcos anuais a serem seguidos por fabricantes de turbinas eólicas. Neste cronograma, os fabricantes são obrigados a ampliar os componentes locais gradativamente para contar com os financiamentos do banco (COSTA, 2016; BNDES, 2017b). A metodologia aprovada tem por objetivo aumentar a fabricação brasileira de componentes com alto conteúdo tecnológico e intensificar o uso da mão de obra nacional (BNDES, 2017b).
Assim, desde o primeiro dia do ano de 2016, o BNDES só financia equipamentos que, dentre outras exigências, tenham no mínimo doze componentes nacionais do Quadro 2.1. Cabe ressaltar que, dos doze componentes, pelo menos um deles deve estar na coluna A e pelo menos cinco na coluna B (BNDES, 2017a).
Quadro 2.1 – Componentes para aerogeradores com e sem caixa multiplicadora
Tipo A Tipo B Tipo C
Ae roge ra dor es C OM c ai xa mul ti pli ca dora
Gerador Sistemas de Refrigeração da
“Nacelle” Sistemas de freios
Caixa multiplicadora Elevador Sistemas de Travamento do Rotor
Inversor Eixo Principal Acoplamento
Painel de Proteção Elétrica Cabos / Barramento (Média Tensão) Carenagem da “Nacelle” Unidade Hidráulica
Rolamento “Yaw” “Slip Ring” Rolamento do eixo Principal Talha
Transformadores Parafusos Estruturais Sistema de acionamento
“Yaw” Luzes de Sinalização (Externa) Painel de controle do “Yaw” Anemômetro
Sensor de Direção do Vento
Ae roge ra dor es S EM c aix a mul ti pli ca dora
Estrutura da “Nacelle” Sistemas de Refrigeração da “Nacelle” Sistemas de freios
Elementos Estruturais –
Rotor Elevador Sistemas de Travamento do Rotor
Elementos Estruturais –
Estator Eixo Principal Cabos / Barramento (Média Tensão) Inversor Painel de Proteção Elétrica Unidade Hidráulica
Carenagem da “Nacelle” “Slip Ring”
Rolamento “Yaw” Talha
Rolamento do eixo Principal Parafusos Estruturais Transformadores Luzes de Sinalização (Externa) Sistema de acionamento
“Yaw” Anemômetro
Painel de controle do “Yaw” Sensor de Direção do Vento Fonte: Adaptado de BNDES, 2017
A regra de credenciamento dos aerogeradores foi oportuna ao reconhecer a necessidade de estipular quais componentes dos aerogeradores poderiam ou não ser produzidos no Brasil e em que momento no tempo (BNDES, 2017c). Além disso, tal política vai ao encontro de uma prioridade estratégica do banco; a inovação (BNDES, 2017d).
Para o BNDES, a inovação é elemento fundamental para melhorar o posicionamento competitivo das empresas brasileiras, ao passo que contribui para o aumento da eficiência na produção, geração de novos produtos e criação de empregos qualificados. O banco acredita que os seus incentivos à inovação tornam as empresas mais competitivas e geram valor econômico e social para o país (BNDES, 2017e). O resultado dessa política é que, em janeiro de 2016, o BNDES já havia credenciado seis fabricantes de aerogeradores com capacidade de entrega de equipamentos de mais de 2GW por ano (BNDES, 2017c).