A modalidade de educação b-learning tem sido referenciada de diferentes maneiras: semi-presencial, híbrida, blended-learning ou bi-modal.
Independente da denominação, pensa-se que o importante neste estudo é destacar que blended-learning oportunizou a flexibilização das interações das relações pedagógicas online.
O termo b-learning é a abreviatura da palavra inglesa blended-learning, na qual blended significa algo misto, combinado. A educação ao apropriar-se dessa terminologia, de forma bem geral, traduz-se como aprendizagem mista ou formação combinada. Usado como a ligação entre a sala de aula tradicional e a educação a online, coexistindo dentro de um mesmo curso, sessões presenciais e sessões online.
No Dicionário Interativo da Educação Brasileira o termo ensino semi- presencial é definido como:
―[…] utilizado para caracterizar o ensino realizando em parte de forma presencial (com presença física, numa sala de aula) e em parte de forma virtual ou a distância (com pouca presença física) através de tecnologias de comunicação. O conceito de ensino semipresencial começou a ser mais utilizado a partir do surgimento de novas tecnologias que permitiram o aprimoramento do ensino a distância. Dessa forma, tornou-se possível incluir num mesmo curso atividades presenciais ou não-presenciais. Nesse processo, professores e alunos podem estar juntos, fisicamente, ou estar conectados, interligados por tecnologias impressas (livros, apostilas, jornais), sonoras (rádio, fitas cassete), audiovisuais (TV, vídeo, CD- ROM) ou telemáticas (Internet) (MENEZES E SANTOS, 2002)
Mesmo não sendo o propósito deste trabalho, apronfundar as questões conceituais sobre o conceito de online, traz-se aqui o conceito utilizado pelo programa europeu e-learning, no qual define como: ―a utilização das novas tecnologias multimédia e da internet para melhorar a qualidade da aprendizagem, facilitando o acesso a recursos e a serviços, bem como a intercâmbios e colaboração a distância (PROGRAMA EUROPEU ELEARNING, 2010)‖.
Gomes (2005) em dois artigos, Desafios do E-Learning: do conceito às práticas (a) e E-Learning: reflexões em torno do conceito (b), oferece contribuições para o entendimento do conceito (e-learning), defendido nesta tese.
―O conceito de e-learning que defendemos e ao qual nos reportamos, engloba elementos de inovação e distinção em relação a outras modalidades de utilização das tecnologias na educação e apresenta um potencial acrescido em relação a essas mesmas modalidades. Nesta perspectiva, do ponto de vista da tecnologia, o e-learning está intrinsecamente associado à Internet e ao serviço WWW, pelo potencial daí decorrente em termos de facilidade de acesso à informação independentemente do momento temporal e do espaço físico, pela facilidade de rápida publicação, distribuição e actualização de conteúdos, pela diversidade de ferramentas e serviços de comunicação e colaboração entre todos os intervenientes no processo de ensino-aprendizagem e pela possibilidade de desenvolvimento dos ―hipermédia colaborativos‖ de suporte à aprendizagem (GOMES, 2005, p. 67)‖.
A tabela a seguir demonstra, dentro da evolução das gerações da educação a distância, o momento em que o e-learning aparece como conceito de educação online.
Tabela 2: Síntese das principais características das diferentes gerações de Educação a Distância (GOMES, 2008, p. 198).
1ª Geração 2ª Geração 3ª Geração 4ª Geração 5ª Geração 6ª Geração
Designação Ensino por correspon- dência
Tele-Ensino Multimédia E-learning M-learning Mundos virtuais Representação e
mediatização de conteúdos
Mono-média Múltiplos
médias Multimédia interactivo Multimédia colaborativo Multimédia conectivo e contextual Multimédia imersivo Suportes tecnológicos de distribuição de conteúdos Imprensa Emissões radiofónicas e televisivas
CDs e DVDs Internet – web PDAs, telemóveis, leitores portáteis de MP3 e MP4, smartphone… Ambientes virtuais na web Frequência e relevância dos momentos comunicacionais Quase
inexistente Muito reduzida Muito reduzida Significativa e relevante Significativa e relevante Significativa e relevante
Vê-se , dentro da evolução das gerações da educação a distância, que a partir da 4ª geração, com a popularização da banda larga e desenvolvimento de novas linguagens, o conceito e-learning, marcado pela evolução da Internet e por consequente, pela incorporação da Web nos hábitos dos usuários foi nomeado por vários estudiosos como Web 2.0 que consideram ser mesmo uma revolução. No entanto, nesta tese, não apropria-se do conceito de Web 2.0, por considerar ser uma evolução, já que, de modo geral, não se muda a estrutura da rede mundial, mas integra-se vários recursos e ferramentas da Web.
As tecnologias da Web, a partir da 4ª geração, mesmo não tendo sido desenvolvidas para o e-learning, demonstram inegáveis potencialidades para redesenhar a educação, oportunizando a criação de novas formas de ensino e aprendizagem. Ambientes, ferramentas e tecnologias online estão disponíveis tanto para o professor quanto para os alunos e para as instituições. É neste contexto que adotou-se o termo b-learning como derivação do e-learning, por pontuar o carácter inseparável de um tipo de tecnologia aplicada à educação, associado ao uso da Internet e aos serviços da Web.
No caso deste estudo, adota-se o termo b-learning, justificando-se por duas razões em especial.
A primeira diz respeito ao conceito b-learning como derivação do conceito de e-learning . Segundo Hoffmann(2.000, p.517) b-learning pode ser definido como um ―modelo de e-learning que integra atividades presenciais que combinam diferentes modos de modos de distribuição de conteúdos, modelos de ensino e estilos de
aprendizagem‖.
A segunda dentro de uma perspectiva histórica pela junção de duas modalidades de educação: Presencial (P-Learning) e a Distância (D-Learning).
Figura 3: Linha de evolução dos avanços tecnológicos em “EAD”
A figura acima (figuea 3), relaciona a modalidade de p-learning com a linha de evolução da EaD e respetiva tecnologia empreguada em cada momento da distance learning ao mobile learning, Keegan (1991 apud SOUSA; NUNES, 2000), levando à formação de modelos mistos em torno do uso das tecnologias electrônicas no ensino-aprendizagem (E-learning).
O p-learning (presence learning) é o ensino tradicional, presencial, no qual docentes e alunos encontram-se no mesmo tempo e lugar, no que designou por ―escola‖, remontando ao tempo da invenção da escrita (cerca de 4.000 a.C.) e do seu uso progressivo (SILVA, 2005).
O d-learning (distance learning) refere-se a modalidade de educação em que docentes e alunos encontram-se separados pelo tempo e/ou posição. O objetivo é alcancar os alunos em lugares distantes. Tem-se como ferramenta de apoio a utilização de correspondência escrita, texto, gráficos, áudio, fita de vídeo, CD-ROM, videoconferência, televisão e fax.
Como vimos nas fases das gerações tecnológicas da EaD (tabela 2), podemos situar o início desta modalidade, numa fase mais estuturada (―Industrializada‖), em meados do século XIX. O e-learning (eletronic learning) diz respeito a obtenção e distribuição de conhecimentos facilitados por meios
eletrônicos e que dependem das redes de computadores, podendo incorporar acessos síncronos e assíncronos. Esssencialmente, corresponde à 4ª fase das gerações tecnológicas, em meados da década de 90 do século XX, com a criação e desenvolvimento do sietema Web de Internet.
O b-learning(blended learning) é um modelo de e-learning que integra o p- learning e o d-learning, ou seja, combina a duas modalidades de educação e os diferentes modos de distribuição de conteúdos, com suporte da rede de computadores.
O m-learning (mobile learning) refere-se ao e-learning apresentado em dispositivos móveis, representando pela intersecção entre a computação e as comunicações móveis (laptop e celular) e o e-learning. O desenvolvimento do m- learning libertará os utilizadores da aprendizagem a distância das ligações fixas.
Graham (2005) destaca quatro níveis de utilização do conceito b-learning dentro de uma organização educacional: 1. Nível da atividade: esta combinação destina-se a atividades em sala de aula, com a utilização de simuladores de realidade virtual; 2. Nível da disciplina: em uma mesma disciplina utiliza-se atividades presenciais e on-line, 3. Nível de curso: refere-se à combinação de disciplinas presenciais e on-line para a integralização do programa do curso. 4. Nível Institucional: é quando há um modelo institucional que prevê essa abordagem na Instituição como um todo.
O nível 2, nível da disciplina, é o nível adotado para as práticas educativas no curso em que se realizou a investigação, objeto desta pesquisa, na Universidade do Minho. É sobre o referido curso que iremos falar a seguir.
2.3 Apontamentos sobre o Curso de Mestrado em Tecnologia na Universidade