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4. Muligheter og utfordringer

4.1.2 Tverrfaglig samarbeid

Quando paramos para pensar o lugar que a Arte ocupa em nossas vidas nos damos conta de quão ampla é sua contribuição para o desenvolvimento do ser humano em seus mais variados aspectos. Arte é a manifestação da criatividade humana que aflora nas suas mais diversas formas a partir da interação dos seres humanos com o mundo no qual estão inseridos. Desde que nascemos somos afetivamente inseridos num universo artístico no qual as manifestações de atividades criativas em suas mais belas formas fazem brotar em nós os mais diversos sentimentos, seja numa reconfortante canção de ninar que ouvimos ainda embalados nos braços de nossa mãe, seja na observação de um quadro na parede que nos remete a um momento vivido.

Diante desta aproximação que se concretiza desde a mais tenra idade entendemos ser necessário ensinar Arte para as crianças, contudo, esta aprendizagem não deve se reduzir a um mero fazer. É importante a superação de propostas pedagógicas que valorizem no fazer artístico, em alguns momentos exclusivamente, o papel da criança com o objetivo de estimular atividades espontâneas que consideram a criança apenas como produtora de cultura, como se ela não estivesse já inserida num mundo repleto de conhecimentos historicamente produzidos pela humanidade. Ou mesmo em outros momentos em que valorizam apenas o professor impondo à criança um ensino tradicional e ausente de significados para ela.

É necessário estimular a criação da criança tanto no que diz respeito à educação escolar quanto à familiar com base nas produções da humanidade, bem como reconhecer a relevância do papel do trabalho com Arte e sua importância para o desenvolvimento cultural da criança, para a formação integral do indivíduo. Desta forma, entendemos a criança como produto e produtora de cultura.

Vigotsky (2012; 2008; 1991; 1988; 2007) apresenta uma nova concepção de Arte que entende esta área de conhecimento como indispensável para a formação

humana e para a humanização do indivíduo. Veremos então algumas das ideias que direcionam o trabalho com Arte na Teoria Histórico-Cultural.

Para compreender o indivíduo é necessário compreender o meio social no qual ele está inserido ao mesmo tempo em que aprofundamos a compreensão do indivíduo como sujeito histórico e social, pois o homem cria instrumentos e ferramentas para suprir suas necessidades e, num processo dialético, se humaniza (LEONTIEV, 1978a).

Da mesma forma, pela Arte como ferramenta humana, o homem criou e continua criando nos dias de hoje diferentes maneiras de expressar suas emoções e sua compreensão da realidade. Estas criações artísticas fazem parte da produção cultural da humanidade e apresentam-se em diferentes períodos de formas e conteúdos distintos, basta vermos as pinturas rupestres, primeiras manifestações artísticas dos homens e utilizadas como forma de registro da história social dos povos das cavernas e de suas emoções, crenças e medos, o mesmo com relação à Arte contemporânea, expressão dos sentimentos e das vivências humanas mais livres e atuais. Para Vygotsky, então:

El arte es lo social en nuestro interior, e incluso cuando su acción la lleve a cabo un individuo aislado, ello no significa que su esencia sea individual. Resulta bastante ingenuo y desatinado confundir lo social con lo colectivo, como en una gran multitud de personas. Lo social también existe cuando sólo hay una persona, con sus experiencias y tribulaciones individuales. Por ello la acción del arte al realizar la catarsis y arrojar dentro de esa llama purificadora las experiencias, emociones y sentimientos más íntimos y trascendentes del alma, es una acción social. Pero esta experiencia no se desarrolla según lo describe la teoría de la contaminación (en la que un sentimiento nacido en una persona contagia y contamina a todo el mundo y se convierte en social), sino justo al revés. La fusión de sentimientos fuera de nosotros la lleva a cabo la fuerza del sentimiento social, que es objetivizado, materializado y proyectado fuera de nosotros y fijado entonces en objetos artísticos externos que se han convertido en herramientas de la sociedad. Una característica fundamental del hombre, una que lo distingue de los animales, es que soporta y separa de su cuerpo tanto el aparato de la tecnología como el del conocimiento científico, que se convierten entonces en herramientas de la sociedad. (VYGOTSKY, 2008, p.304, grifo do autor).

A ação da Arte é produzir catarse estética, incorporar a experiência social acumulada na obra de Arte no desenvolvimento do psiquismo humano, ou seja, é o social acumulado na Arte que vai produzir uma mudança substancial no processo de formação psíquica do ser humano. Desta forma, a Arte é mediadora desse processo de internalização e transformação do próprio ser humano.

Vygotsky (2008) vê na Arte a soma de todas as manifestações do processo de desenvolvimento humano, tais como: os sentimentos, as emoções e as experiências

acumuladas e vivenciadas ao longo dessa formação humana. É importante ressaltar que a sua preocupação com a Arte não está fundamentada numa questão moral, mas sim em uma questão social e cognitiva, de forma que a Arte não tem como objetivo relacionar as emoções estéticas com as variadas formas de comportamento moral. Isso porque a Arte é concebida enquanto um produto complexo que carrega em si próprio os elementos marcantes do processo histórico e cultural de uma determinada realidade humana, sendo este o produto social que deve ser internalizado pelo ser humano na busca pela superação de seu estado primitivo.

Só será possível o desenvolvimento humano pela Arte quando ela for dialética, ou seja, pelo processo de superação do velho para o novo, pois a Arte modifica o comportamento do ser humano. Vygotsky (2008) afirma que a Arte deve ter essa função transformadora da imagem da conversão da água em vinho: “El milagro del arte nos recuerda mucho más a otro milagro de los Evangelios: La transformación del agua en vino. La verdadera naturaleza del arte es la transubstanciación” (p. 297).

Para ele, a Arte é uma produção social mesmo quando uma pessoa a produz individualmente, pois, explica o autor, o social não se trata do coletivo, da multidão, mas mesmo quando há apenas uma pessoa com suas experiências e emoções o social está presente, porque o homem é a soma de todas as manifestações do indivíduo em si:

El arte es la técnica social de la emoción, una herramienta de la sociedad que lleva los aspectos más íntimos y personales de nuestro ser al círculo de la vida social (VYGOTSKY, 2008, p. 304).

Quando afirma que a Arte é o social em nosso interior verifica-se, em verdade, que há transformação interpsicológica (social), ou seja, o ser humano se apropria do social, do exterior e pela mediação humana, num processo dialético ele internaliza essa produção social desenvolvendo uma transformação intrapsicológica (interior/psicológico).

A afirmação de que “el arte es lo social en nuestro interior” (VYGOTSKY, 2008, p.304) é fator crucial para entender o desenvolvimento estético e ontológico do ser humano nessa complexa relação dialética entre o social e o individual, o desenvolvimento da consciência e das Funções Psíquicas Superiores.

Desde os primeiros dias do desenvolvimento do ser humano suas atividades vão adquirindo um significado próprio num sistema de conduta social e, ao relacionar-se

com um objeto concreto, o ser humano se apropria e se objetiva por mediação das suas atividades e da mediação de outros seres humanos. A criança, por exemplo, já participa de um universo social e cultural de sua família e do meio onde está inserida e, por meio desta interação, vai assimilando a cultura local.

Segundo Mukhina (1996, p. 50), “a criança se desenvolve assimilando a experiência social, aprendendo o comportamento do homem”, ou seja, aprende a ser homem nas relações que estabelece com o ambiente histórico-cultural. Esta é uma complexa estrutura humana de desenvolvimento que pode ocorrer também a partir da Arte, como produto de um processo dialético de desenvolvimento, profundamente enraizado nos vínculos existentes entre a história individual e a história social de cada ser humano. É nesta realidade social complexa que se deve entender a origem da consciência e dos processos de formação das funções psíquicas superiores, únicos no ser humano. Desta forma, Vygotsky (2008) considera a Arte como um instrumento ou ferramenta psicológica, ressaltando então que na conduta do ser humano aparece uma série de dispositivos artificiais dirigidos ao domínio dos próprios processos psíquicos: atenção, memória, percepção etc.

Vygotski (1991) mostra a importância dos dispositivos artificiais, neste sentido:

Los instrumentos psicológicos son creaciones artificiales; estructuralmente son dispositivos sociales y no orgánicos o individuales; están dirigidos al dominio de los procesos psíquicos propios o ajenos, lo mismo que la técnica lo está al dominio de los procesos de la naturaleza (p. 65).

A Arte é um instrumento social, pois carrega em si mesma toda a complexidade do aspecto histórico-cultural do desenvolvimento humano, por isso, a Arte modifica a forma da evolução da consciência humana e da estrutura das Funções Psíquicas Superiores dos seres humanos. Isso ocorre porque as propriedades da Arte determinam a configuração de um novo ato instrumental, seguindo a mesma função e configuração que têm as ferramentas que modificam o processo de adaptação natural do ser humano em relação à natureza e à forma como determina os modos das operações de atividades. A Arte como instrumento ou ferramenta social modifica a conduta e a estrutura do ser humano e não o objeto em si. Olhar a Arte como objeto seria descaracterizar a sua própria essência de influenciar a conduta humana, modificando a consciência e desenvolvendo as suas funções psíquicas. Notamos que a Arte, como um instrumento psicológico, começa a cumprir as suas funções primeiras no âmbito do contexto

complexo das relações sociais para logo ser apropriada no contexto individual, duas forças de desenvolvimento:

En el desarrollo cultural del niño, toda función aparece dos veces: primero, a nivel social, y más tarde, a nivel individual: primero entre personas (interpsicológica), y después, en el interior del propio niño (intrapsicológica). Esto puede aplicarse igualmente a la atención voluntaria, a la memoria lógica y a la formación de conceptos. Todas las funciones superiores se originan como relaciones entre seres humanos. La internalización de las actividades socialmente arraigadas e históricamente desarrolladas es el rasgo distintivo de la Psicología social (VIGOTSKY, 1988, p. 94).

A Arte, como criação humana, é fundamental para o desenvolvimento do ser humano, pois por meio dela se apropria das significações produzidas pelo social numa determinada cultura, localizado num contexto de espaço e tempo.

É pela mediação dos bens culturais que o ser humano, desde que nasce, começa a experimentar o cotidiano ou entrar em contato com as produções humanas. O ser humano começa a gostar, admirar, demonstrar um contato com essas formas culturais que passam a provocar novas necessidades humanas nele. Desta forma, a realidade se apresenta como a primeira instância de contato com as produções culturais, pois nessa realidade é que o ser humano começa a ter o seu desenvolvimento na relação com outros seres humanos e com as coisas produzidas por eles mesmos.

Agnes Heller (1977), também vem contribuir com a reflexão sobre Arte quando afirma que a Arte está no centro da vivência do ser humano e é antropomórfica:

A arte é antropomórfica ao máximo, na medida em que apresenta o mundo do homem como criação do homem; seu antropomorfismo (assim como seu antropocentrismo) está orientado para a genericidade; dada esta orientação, a arte é mais antropomórfica que o pensamento cotidiano (HELLER, 1977, p. 108).

A realidade pode se apresentar de duas formas: como realidade modificada pela ação humana ou como realidade na mais pura natureza, sem influência da ação do próprio ser humano. Quando essa realidade é transformada pela ação humana, Heller (1977) coloca a Arte como mediadora da ação transformadora que também desenvolve o ser humano e a própria natureza. A Arte surge porque o ser humano tem como característica ser criativo e pela ação criativa que lhe é peculiar, transformando a natureza e a si mesmo. Por isso, Heller (1977) indica que a Arte é um instrumento de

humanização, mostrando a importância dela para o próprio desenvolvimento humano. Arte é, portanto, o mecanismo pelo qual o ser humano cria e recria a matéria, e dialeticamente, quando cria e recria, ele mesmo se humaniza, ou seja, acontece o processo de desenvolvimento humano.

O fato do ser humano ter uma proximidade com a Arte não significa de imediato um processo de humanização. Para Heller, o simples contato com a Arte ainda não corresponde a esse estágio do desenvolvimento humano, pois:

A arte por si só não pode humanizar a vida; porém quando se tem a necessidade de humanizar a própria vida e dos demais também em outros níveis – o nível político, moral etc. – a arte proporciona um parâmetro e cumpre a função de apoio sentimental e intelectual para operar a transformação (HELLER, 1977, p. 203).

Humanizar é entendido como um processo de tornar o indivíduo racional, emotivo e sentimental (HELLER, 1977). O simples contato com a Arte não proporciona mecanismos de humanização, sendo necessário que a Arte tenha uma função humanizadora, ou seja, a Arte entendida como princípio do próprio desenvolvimento humano. Humanizar, então, é superar pelas contradições o estado biológico do próprio ser humano, assumindo atitudes correspondentes a um nível superior da própria existência e se objetivando nas produções humanas realizadas ao longo da própria história do desenvolvimento do ser humano.

A Arte deve proporcionar um salto de qualidade no desenvolvimento humano, além de outros níveis de humanização nas diferentes áreas da atuação humana. Isto significa que a Arte pode proporcionar transformações qualitativas no ser humano.

Para aprofundar a concepção de Arte como promotora de humanização da criança, bem como sua influência no desenvolvimento humano, focalizaremos a discussão no conceito de “catarse” utilizado pela Teoria Histórico-Cultural.