Na Figura 49 são apresentados os perfis de temperatura e humidade relativa, interior e exterior, obtidos nas monitorizações de verão, no período compreendido entre 7 de agosto e 10 de setembro do ano 2014. De modo a facilitar a sua interpretação a Tabela 14 apresenta os valores médios de temperatura e humidade relativa registados, para todos os compartimentos e exterior do edifício.
Durante este período verifica-se que as temperaturas exteriores rondaram em média os 23°C (3°C superior à média de primavera), apresentando uma média de amplitudes térmicas diárias de aproximadamente 17°C. As medições de verão foram marcadas pela presença dos ocupantes no interior do edifício, que influenciaram os perfis de temperatura e humidade relativa através da utilização de estratégias passivas de controlo do ambiente interior. Uma vez mais, durante o período da noite, as temperaturas registadas em todos os compartimentos avaliados mantiveram-se superiores às temperaturas exteriores.
F igura 49 – Gr áfi cos dos pe rf is de tempe ra tur a e h umi da de r ela ti va : m onit or iza çã o de ve rã o
Tabela 14 – Médias de temperatura e humidade relativa da monitorização de verão
Estatística Exterior Sala/
Cozinha Casa de Banho Quarto/ Varanda Quarto Temperatura (°C) Máxima 32,8 25,1 29,9 30,6 27,4 Mínima 16 22,9 23,8 22,1 24,8 Média 23,1 23,9 26 25,8 26 Humidade Relativa (%) Máxima 83 57,9 59,4 57,6 54,5 Mínima 30 47,1 42 40,9 44,5 Média 58,8 53 50,6 50 50
Ao contrário do que se verifica nas medições de primavera, as temperaturas registadas no compartimento sala/cozinha apresentam oscilações diárias mais acentuadas, exibindo um comportamento pouco uniforme. Esta diferença de comportamento resulta da utilização das portas e janelas deste espaço abertas, que tornou o ambiente térmico mais propenso às condições de temperatura exterior.
De facto, a influência da ocupação humana é percetível na transição entre o período de ocupação e de saída dos ocupantes. Após a saída dos ocupantes (a 30 de agosto) este compartimento voltou a exibir um comportamento estável e de relativa uniformidade, tal como tinha sido observado nas medições de primavera. A temperatura média deste compartimento foi de aproximadamente 24°C, valor superior à média de temperatura exterior. No período de verão, os compartimentos do piso superior apresentaram, novamente, as maiores amplitudes térmicas diárias, em especial os espaços quarto/varanda e casa de banho. Apesar da constante adaptação do sistema de sombreamento e da abertura das janelas da varanda envidraçada, o elevado coeficiente de transmissão térmica deste elemento manteve a forte influência nos perfis de temperatura destes espaços.
Ao inverso do que aconteceu na estação de primavera, as temperaturas médias máximas (30,6°C) e mínimas (22,1°C) registadas em todo o edifício ocorreram no compartimento quarto/varanda e não nos espaços casa de banho e sala/cozinha, respetivamente. Esta situação deve-se às alterações no ambiente térmico, proporcionadas pela abertura das janelas e pela colocação das redes de proteção desmontável, que permitiram assim a livre circulação de ar e potenciaram o arrefecimento noturno deste espaço. As temperaturas médias dos compartimentos que constituem o piso superior foram de 26ºC (incremento de 3ºC relativamente à estação climática de primavera).
Na análise dos perfis de humidade verifica-se que a humidade relativa exterior exibe, novamente, um comportamento irregular, com a média a rondar os 60%. Salienta-se a ocorrência de precipitação no período final das medições de verão.
No interior do edifício, a humidade relativa apresenta dois momentos distintos: i) no período de ocupação do edifício, as humidades relativas dos vários espaços exibem um comportamento análogo. Durante o dia acompanham o perfil de humidade relativa exterior e no período da noite apresentam oscilações médias entre os 50% e os 60%; ii) após a saída dos ocupantes (a 30 de agosto) assinala-se uma mudança nos perfis de humidade relativa interior, com os compartimentos quarto/varanda e casa de banho a apresentarem oscilações mais reduzidas e os compartimentos quarto e sala/cozinha um perfil mais uniforme, em tudo semelhante à estação climática de primavera.
Deste modo, verifica-se que a presença dos ocupantes e as medidas passivas utilizadas, nomeadamente a abertura de portas e janelas, influenciaram a humidade relativa no interior do edifício. A humidade relativa média interior foi de 50%.
A avaliação das condições de conforto da estação de verão foi realizada a 10 de setembro de 2014, nos compartimentos sala/cozinha e quarto/varanda. Na realização das avaliações objetivas do compartimento sala/cozinha, o cálculo da temperatura operativa média e da temperatura exterior média exponencialmente ponderada foi respetivamente de 23,1°C e de 22,3°C. O gráfico apresentado na Figura 50 representa a relação entre as duas grandezas mencionadas e a temperatura de conforto do compartimento resultante.
Figura 50 – Gráfico da relação entre os limites da temperatura operativa interna, do compartimento sala/cozinha, em função da temperatura exterior média
Na análise do gráfico verifica-se que a sensação térmica do espaço sala/cozinha situa-se na zona de temperaturas de conforto aceitáveis, ou seja, este compartimento apresentou um ambiente térmico confortável para a maioria dos ocupantes. Em resposta às avaliações subjetivas, realizadas em simultâneo, os ocupantes classificam unanimemente as condições de conforto térmico como neutras (confortáveis). Verifica-se então que, as avaliações subjetivas corroboram as avaliações objetivas e expressam as condições de conforto aceitáveis que este espaço proporciona.
O gráfico apresentado na Figura 51 apresenta a avaliação objetiva das condições de conforto térmico do compartimento quarto/varanda. As temperaturas, operativa e exterior média exponencialmente ponderada foram, respetivamente, de 25,9°C e 22,3°C.
Na análise do gráfico constata-se que o compartimento quarto/varanda apresenta um ambiente térmico confortável, com a sensação térmica situada no interior da zona de conforto, acima da gama de temperaturas ótimas. Na avaliação subjetiva das condições de conforto, os ocupantes classificaram o nível de conforto térmico deste espaço como ligeiramente quente. Conclui-se então que, o compartimento em análise proporciona condições dentro do limiar de conforto, ainda que os ocupantes expressem algum nível de desagrado com as condições do ambiente térmico.
Figura 51 – Gráfico da relação entre os limites da temperatura operativa interna, do compartimento quarto/varanda, em função da temperatura exterior média